01 de Julho de 2011 às 16:57
Fonte: Brasil 247
No último dia 20, a colunista Miriam Leitão publicou no jornal O Globo nota afirmando que “os números mostram que a tendência da energia nuclear é de baixa”. O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), Edson Kuramoto, refutou a afirmativa em documento enviado ao jornal. Leia abaixo:
Miss Piggy e Miss PIG
Prezada Miriam Leitão,
A Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) gostaria de refutar a afirmação, feita em sua coluna publicada hoje (20) em O Globo, de que “os números mostram que a tendência da energia nuclear é de baixa”. Em maio, Estados Unidos e Inglaterra terminaram suas primeiras revisões após o acidente na usina de Fukushima, provocado pelo terremoto e pelo tsunami que atingiram o Japão em março, e concluíram pela continuidade de operação de suas usinas; também em maio, o próprio Japão anunciou que continuará com a energia nuclear em sua matriz, aprimorando a segurança das usinas localizadas em áreas sujeitas a tsunamis. França, Rússia, Índia e República Tcheca também anunciaram publicamente, logo após Fukushima, que não alterariam seus programas nucleares. Holanda, Polônia, Arábia Saudita, Egito, Austrália, África do Sul e Paquistão anunciaram sua disposição em começar ou dar continuidade à construção de usinas nucleares também depois do acidente de Fukushima. No final deste e-mail, seguem alguns links e reproduções de reportagens internacionais que embasam essas informações. Se precisarem de mais dados, a Aben pode fornecer.
O argumento de que as 65 (e não 64; o número pode ser consultado no site da Agência Internacional de Energia Atômica) usinas nucleares em construção no mundo formam um contingente “bem menor” do que projetos listados nos anos 1980 não é cabível. Como é de conhecimento geral, ao longo das décadas de 1970 e 1980 a França, os EUA e o Japão – que fazem parte do rol dos países com maior número de usinas nucleares no mundo – deram início à expansão de seus parques nucleares. Seria como dizer que, atualmente, a energia hidrelétrica está “em baixa” no Brasil, comparando os números atuais de megawatts em construção com os dos anos 1970, quando o país começou seus grandes projetos de usinas hídricas.
É bom lembrar que os recentes anúncios feitos pela Alemanha, Itália e Suíça sobre a interrupção de seus programas nucleares dizem respeito a decisões tomadas muito antes do acidente de Fukushima e que têm mais a ver com processos políticos internos desses países do que com a questão nuclear em si. Sobre esse tema, é interessante ver matéria publicada em 30 de maio pelo jornal americano The New York Times.
Cabe também refutar a declaração dada à coluna pelo professor José Goldemberg de « que o mundo está trocando um risco imediato por um risco futuro », na comparação entre o fechamento de usinas nucleares e o investimento em fontes que provocam o aumento da emissão de gases de efeito estufa. A Aben afirma que o aquecimento global provocado pela emissão de gases já é uma realidade – e que as usinas nucleares são seguras, não oferecendo maiores riscos imediatos ou futuros do que qualquer outra instalação industrial. Mesmo no excepcional caso de Fukushima, não há constatação até o presente de níveis de contaminação radioativa irreversíveis ou incontroláveis a ponto de ameaçar a saúde da população japonesa. O terremoto no Japão provocou, por exemplo, também em Fukushima, o rompimento de uma barragem que inundou toda uma área, alagando casas e provocando o desaparecimento de um número não divulgado de pessoas. Nem por isso há uma campanha mundial para que não se construam mais barragens no mundo. O que se pede, e o que a indústria nuclear deseja, é que todos os procedimentos de segurança sejam aprimorados para que nenhum setor industrial contribua para piorar o quadro de tragédias naturais como a que aconteceu no Japão.
Edson Kuramoto, presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear
Imagine sendo sua filha…
CONFISSÃO DE UM TERRORISTA
por Mahmoud Darwish
Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista
Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista
Legislaram leis fascistas
Praticaram odiada apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista
Assassinaram minhas alegrias,
Seqüestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries
Eles… mataram um terrorista!
Fonte: Blog 5dias.net
Em continuação ao trabalho grandioso do nosso amigo LEN. …E no aguardo de sua volta!
Pose ”À Madre Teresa de Calcutá”
De passagem por Brasília, a ativista iraniana e Nobel da Paz (2003) Shirin Ebadi, de 63 anos, fracassou em seu intento de obrigar a presidente Dilma Rousseff a recebê-la. Irritada, recusou ser recebida no Palácio do Planalto por Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais.
Flavio Rassekh, coordenador da visita de Ebadi ao Brasil, afirmou que a ativista “veio a Brasília para encontrar Dilma Rousseff e se sentiu muito mal com a recusa”. Só não explicou por que uma estrangeira deve pautar a agenda da presidente da República, que raramente inclui reuniões com personalidades que não sejam chefes de Estado e de governo.
Ebadi chegou ao Brasil no meio da semana com declarações desafiadoras ao governo brasileiro e afirmações nada diplomáticas. “Ela me receberá se for defensora dos direitos humanos”, declarou, em tom ameaçador – e inútil – contra Dilma.
Direitista convicta, ex-colaboradora do governo do xá Reza Palhevi, do Irã, Sharin Ebadi é hoje a principal porta-voz dos grupos mais conservadores com atuação em todo o mundo, apoiados principalmente pelos governos dos Estados Unidos e Israel. Sua atuação é repudiada por outros dissidentes iranianos, como o jornalista Ali Mechem Derkay, residente em Paris e membro de um grupo que não aceita a interferência dos Estados Unidos nem de Israel nos negócios do Irã.
Além de não falar pela comunidade iraniana de oposição, Ebadi é desqualificada para tal ação devido justamente a suas ligações com os governos imperialistas e por sempre viajar protegida por agentes da CIA e do Mossad. Sajjad Saharhiz, também jornalista iraniano independente, muito respeitado nos meios políticos internacionais, escreveu um artigo especificamente sobre a viagem de Ebadi ao Brasil. Não faltam críticas à ativista.
Sajjad Saharhiz lembra que, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil mostrou altivez e soberania ao “apoiar o pacífico programa nuclear do Irã, baseado nos princípios de justiça e independência”. Segundo o jornalista, o Brasil também “fez esforços para tentar resolver a disputa sobre o programa nuclear iraniano de forma pacífica, o que resultou na Declaração de Teerã”.
O que Sharin Ebadi deseja – diz o artigo – é “enfraquecer a forte posição adotada pelo Brasil em relação ao programa nuclear iraniano. Talvez a missão dada a ela pelos seus senhores ocidentais seja pressionar o Irã acerca de seu programa nuclear com alegações de violação de direitos humanos. (…) Utilizando sua fama de ganhadora do prêmio Nobel e seguindo sua missão especial, ela tentará convencer as autoridades brasileiras a se distanciarem do Irã”.
Saharhiz lembra que a ativista, “tão leal à sua missão”, chegou a chamar Lula de “traidor”, apesar de o ex-presidente “ser extremamente popular e respeitado pelo povo brasileiro e por tantas outras nações, e embora suas políticas tenham feito do Brasil um país avançado”. O jornalista indaga: “Por que uma figura independente e popular como Lula, que fez grandes esforços para aumentar o desenvolvimento e prosperidade em seu país e em outros países do Sul, deveria ser atacada por uma pessoa tendenciosa como Shirin Ebadi?”.





