set 252012
 

A pesquisa IBOPE confirma a virada de Haddad sobre Serra na segunda colocação da corrida para a prefeitura de São Paulo.

Duas coisas importantes que não podem deixar de ser comentadas:

O Datafolha ficou sozinho na tentativa de salvar Serra. Em outras ocasiões o Montenegro deu uma força, mas a briga do instituto do Tavinho é tão grande com os números que dessa vez ficou sozinho. O restinho de credibilidade foi para o brejo.

A entrada de FHC na campanha teve o efeito de antecipar a aposentadoria do Serra. Tucanos calcularam muito mal achando que São Paulo tinha esquecido o tenebroso inverno do Governo FHC.

A velha mídia achou que poderia decretar o fim de Lula e do PT e tá amargando o enterro duplo de Serra e Fernando Henrique Cardoso. De quebra, vão ter que engolir o início do declínio do PSDB no seu último reduto.

Dificilmente essa virada poderá ser revertida, principalmente com o alto percentual de rejeição de Serra.

Melancólico o fim do político que fez o país regredir 20 anos na qualidade do debate político.

Siga o autor no Twitter!

ago 022012
 

Começa em poucas horas o julgamento da ação 470 no STF. A ação, que recebeu a alcunha de Mensalão pelos acusadores que até hoje não conseguiram provar que não se trata apenas de crime eleitoral, vai muito além do julgamento dos trinta e oito acusados pelo ex- Procurador Geral da República e confirmada pelo atual, mas vem sendo tratada pela imprensa partidarizada como uma redenção vingativa contra o PT, por não ter se submetido aos seus prepostos quando chegou ao poder em 2003.

No espetáculo montado pela velha mídia não existe direito de defesa. O veredicto já está dado. Os convidados são escolhidos a dedo para confirmar a culpa dos réus. A pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal não é nem mais velada, está estampadas nas manchetes principais dos jornalões, noticiários de TV e semanários.

O risco para o estado democrático de direito cresce com a constatação de que o Procurador Geral da República abandonou totalmente a liturgia do cargo e se tornou refém dos veículos de comunicação.

Como um pato manco desde que o Brasil tomou conhecimento que ele e sua esposa Vice Procuradora Geral cometeram crime de responsabilidade ou prevaricaram ao sentar vergonhosamente sobre o inquérito da Operação Vegas, possibilitando que a quadrilha que Carlinhos Cachoeira montou em Goiás agisse por mais três anos, Roberto Gurgel ao perceber que fora flagrado fez como todos os cretinos culpados fazem para se livrar das acusações: gritou “é dossiê” e apontou a bateria contra os “mensaleiros”, um tipo de senha para ser acolhido pela velha mídia.

As entrevistas concedidas pelo atual e anterior PGR e alguns ministros do STF ávidos por holofotes e se rendendo às vontades da imprensa justificam a preocupação de advogados dos acusados sobre uma possível influência sobre os votos dos ministros, o que significaria um precedente grave e uma mancha a mais na história da maior corte do país.

Recentes editoriais dos maiores veículos de comunicação, artigos de seus pit bulls e manifestações do ex-presidente FHC e do PGR apelando ao pleno do STF para ouvir a “opinião pública” independente de existirem provas ou não dos crimes imputados, além de revelar um sadismo que remonta as condenações sumárias da santa inquisição, mostram ainda uma fragilidade na tese que tentam vender para o país.

Sem contar que não existe qualquer pressão popular para a condenação dos acusados. A expressão opinião pública quando citada por alguém da velha mídia se refere a opinião de seus patrões que precisam replicar a todo custo. A opinião pública diverge constantemente da opinião do distinto público.

Se o STF condenar sem provas não vai estar se rendendo a pressão popular. Vai estar se rendendo a meia dúzia de famílias que mantém um criminoso oligopólio de imprensa no país e não quer largar o osso por nada nesse mundo. É isso que está em jogo: saber se o judiciário ainda é independente ou é marionete de uma máfia.

Imagem ilustrativa: charge de Alpino

Siga o autor no Twitter!

dez 112011
 

Os processos de privatização ocorridos no governo FHC, sobretudo os das teles, sempre foram contestados. Favorecimentos de concorrentes por parte dos tucanos, utilizando fundos de pensões aparelhados, foram revelados com os grampos “fogo amigo” do BNDES, mas, até hoje, quase quinze anos depois, não se sabia ao certo qual a forma de retribuição dos corruptores aos corrompidos. Com um Procurador-Geral da República disposto a engavetar todas as denúncias contra o governo e a imprensa no bolso, a impunidade estava garantida.

O livro do Amaury Ribeiro Junior, “Privataria Tucana”, vem revelar o modus operandi do que já pode ser considerado o maior escândalo de corrupção da história do país, que envolve o governo federal, grandes corporações financeiras e a imprensa com a prática de crimes de corrupção ativa e passiva, favorecimento ilegal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e invasão de privacidade, associado a desvio de dezenas de bilhões dos cofres públicos.

Para embasar as acusações do autor, o livro conta com um acervo de centenas de documentos extraídos legalmente de processos em andamento na justiça. Os documentos atingem diretamente um seleto grupo ligado ao tucano José Serra, o seu coordenador de campanhas e ex-diretor de contas internacionais do BB, Ricardo Sérgio, o empresário casado com sua prima, Gregório Marins Preciado, sua filha Verônica Serra e o genro Alexandre Burgeois.

Amaury mostra como Daniel Dantas enriqueceu a filha de Serra através da empresa Decidir.com, INC., ao injetar capital do Opportunity e Citybank por meio de dois argentinos, sócios das Verônicas (Serra e Dantas) no empreendimento de sucesso meteórico, e como foi montada a operação na imprensa para justificar o fantástico enriquecimento quase instantâneo.

A certeza da impunidade fez com que os tucanos ligados ao Serra tivessem pouca preocupação em disfarçar operações utilizando off-shores para internalizar o dinheiro das propinas, que faziam literalmente uma turnê pelo mundo antes de entrar limpinho nas suas contas. As empresas sediadas no paraíso fiscal Ilhas Virgens Britânicas possuem nomes idênticos ou muito parecidos às suas empresas “subsidiadas” no Brasil, e no caso de Alexandre Burgeois, Genro de Serra, chega ao cúmulo de assinar pelas duas empresas.

O livro ainda mostra como Serra usa serviços de arapongas, pagos com dinheiro público, para criar dossiês contra adversários políticos desde o seu período à frente do Ministério da Saúde, e como sua filha e a irmã do Daniel Dantas quebraram o sigilo de 40 60 milhões de brasileiros pela obtenção de informações privilegiadas dentro do governo.

Na entrevista que deu a blogueiros progressistas por twitcam na sexta-feira, Amaury revelou que além de ter dívidas com o BNDES reduzidas durante o período das privatizações, a grande mídia, que na época atuou como cabo eleitoral do neoliberalismo e encobriu as denúncias de corrupção, foi beneficiada com as negociatas entre governo e corruptores, garantindo cotas publicitárias aos veículos que se prestavam ao papel de produzir propagandas institucionais travestidas de matérias jornalísticas e editoriais.

Sobrou também para facções do PT que, na disputa insana pelo poder, são capazes de destruir colegas de partido e abastecer algozes na imprensa com dossiês que não atingem apenas o desafeto político, mas toda a agremiação, inclusive colocando em risco eleições presidenciais. São os aloprados que o Lula bem identificou. Ruy Falcão e Palocci foram citados nominalmente.

Amaury ainda faz mais uma revelação estarrecedora: como explicar que depois de nove anos fora do governo, Serra ainda mantém controle da cúpula da Polícia Federal? Com a palavra Marcio Thomaz Bastos, Tarso Genro e José Eduardo Cardozo, principalmente o último que ainda ocupa o cargo. Ou o ministro processa o Amaury, ou demite toda a cúpula da Polícia Federal e se informa melhor sobre ligações políticas dos detentores de cargos de confiança no ministério que comanda, ou pede demissão ele próprio porque é incompetência demais.

Ainda estão de fora outros personagens conhecidos da privataria tucana, como André Lara Resende, Sérgio Motta, Luis Carlos Mendonça de Barros, Jair Bilachi e o Próprio FHC, mas o Amaury informa que estão sendo elaborados mais livros de outros autores sobre o tema e a munição é gigantesca e que ele próprio vai aprofundar investigações em cima de FHC e jornalistas que, segundo ele, não resistem a uma investigação leve, como Reinaldo Azevedo e Cesar Tralli.

Como uma bola de neve, o livro do Amaury já está incentivando outros denunciantes, e o ex-delegado da Polícia Federal e deputado Protógenes Queiroz vem narrando no twitter, desde o lançamento do livro, algumas informações do que apurou em investigações durante o tempo de PF, como por exemplo, a forma como o grupo de FHC comandava operações de fraude com títulos da dívida pública, com o BACEN favorecendo laranjas de amigo de FHC, Alberto Aschar, que fugiu do Brasil com cinco milhões esquentados pelo Banco Safra em 1988, ou quando encontrou vários bicudos em fundos que enviavam dinheiro para fora do país.

A imprensa tenta desesperadamente abafar a repercussão do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, mas o esforço inglório é inútil porque já criou vida própria e a tendência é que percam mais credibilidade e morram abraçados ao Serra com blindagem e tudo. Enquanto isso, procure o livro “Privataria Tucana” na FNAC e Livraria Saraiva, é um excelente presente para dar de natal a si próprio e em confraternizações de “amigos ocultos”.

Por Alex:

“…Mas tem um erro . não foram quarenta mas sessenta milhôes de sigilos quebrados. um terço da população brasileira da época. metade ou mais da população economicamente ativa.
A folha disse que não noticia porque aind está apurando( quando saiu a reportagem do leandro fortes).
Hoje sabemos que ela é ré a sete anos.
Ô apuraçãozinha safada!”

Siga o autor no Twitter!

set 242011
 

O jornal Valor Econômico divulgou nessa semana uma matéria de Cristian Klein (leia na íntegra aqui) sobre uma pesquisa do Instituto Análise sobre as eleições de 2014. Algumas informações devem ter deixado alguns aquários em redações em estado de total desânimo, afinal elas mostram claramente, que apesar de todos os esforços em contrário, o ex-presidente Lula permanece com seu prestígio intacto e que as chances de emplacarem seus aliados nas próximas eleições presidenciais estão cada vez mais escassas.

Se as eleições fossem hoje, Dilma venceria Aécio facilmente por 57% a 18%. Já se o adversário de Aécio fosse Lula, o primeiro seria massacrado por humilhantes 76% a 11%. Curiosamente, não foram apresentados cenários com outros candidatos tucanos, pois se Aécio que é o mais cotado, perderia com essa vantagem esmagadora, imagino como se sairiam FHC, Serra e Alckmin. Infelizmente o terceiro cenário previsto pela pesquisa é um impossível Dilma X Lula, cujo resultado é irrelevante.

Apesar de Lula reiterar que Dilma será candidata a reeleição e tem o seu apoio, a maioria da população prefere que ele seja o candidato em 2014. Cerca de 57% dos entrevistados gostaria que Dilma desistisse da reeleição em favor da candidatura de Lula. A aprovação do ex-presidente, que era de aproximadamente 80% quando estava no governo, chega agora a fantásticos 82% de bom e ótimo, o dobro do que Dilma tem no momento (41%).

Esses números comparativos são interessantes para a gente entender o motivo da estratégia dos veículos de comunicação no sentido de promover ataques contra Lula e tentar marcar falsas diferenças entre a forma que ele e Dilma enfrentam a corrupção. Naturalmente eles avaliaram que Lula seria imbatível e Dilma uma oponente mais fácil de ser batida. Ao mesmo tempo em que fazem elogios à Dilma para tentar escolher o adversário de 2014, fustigam o seu governo com a campanha do “mar de lama”. Só não contavam com duas coisas: os ataques contra Lula se mostrariam ineficazes e como boa massa fermentada, quanto mais apanha mais ele cresce e, para complicar a situação deles, mesmo o “poste” Dilma venceria tucanos com toda facilidade.

Vida dura essa de imprensa anti-Lula, depois de oito anos vendo suas tentativas de macular a imagem de Lula sendo frustradas e amargar pesquisas sucessivas com recordes de aprovação cada vez maiores, vislumbraram na sua saída do poder uma forma de destruir sua reputação, já que o ex-presidente, exímio comunicador, não teria a sua disposição o acesso ao contraditório, mas eis que depois de praticamente nove meses de ataques ininterruptos, com editoriais e analistas da velha mídia repetindo uníssonos mantras tentando associar a corrupção ao seu período de governo, Lula aparece com aprovação ainda maior e como pule de dez para qualquer eleição nesse país.

Lula é um fenômeno que deveria ser estudado mais profundamente. Com meus parcos conhecimentos, não tenho informação de qualquer outro ser político que tenha sofrido dos principais meios de comunicação do país tamanha perseguição por décadas, e ainda sim mantenha faixas de aprovação e popularidade tão impressionantes. Lula desafia as leis de Murdoch, seguidas como mandamentos pelas principais redações. Ele apavora os barões da mídia porque não precisa de intermediários para se comunicar com o povo, por não ter medo de bater de frente, por não precisar se curvar.

Fonte da imagem ilustrativa: http://jornalsportnews.blogspot.com/2010/12/lula-nas-alturas.html Autor: não informado.

Siga o autor no Twitter!

ago 092011
 

Foi revelado nos últimos dias, através de pesquisa de documentos secretos disponibilizados no Arquivo Público do Estado de São Paulo, que o extinto Departamento de Comunicação Social da Polícia Civil daquele estado manteve até 1999, um aparato ilegal de espionagem contra os opositores das forças políticas que comandavam o estado. Os alvos da arapongagem custeada com o dinheiro público foram entre outros, Lula e petistas como Marta Suplicy e Antônio Palocci, partidos de oposição em especial o PT e diversos movimentos sociais.

A prática do atentado contra a democracia se iniciou em 1983, com o país vivendo sob regime militar e o estado sendo governado por Franco Montoro. Os militares deixaram o poder, mas as suas práticas totalitárias permearam governos que se afirmavam democratas. Quando o PSDB entrou no governo de São Paulo em 1995, o esperado era que ao identificarem a ilegalidade desativassem o local e denunciassem seus antecessores, mas os tucanos não apenas se calaram como utilizaram a estrutura criminosa contra seus opositores. Apenas, por conveniência, cessaram a partir daquele ano, as referências ao próprio PSDB, PFL (DEM) e PPS.

Segundo informado pelo portal IG, além de manter dossiês contra seus principais opositores, a “CIA” tucana infiltrava agentes disfarçados em eventos do PT para produzir informação para favorecer o então candidato à reeleição,favorecido pelo golpe de FHC em 97 quando comprou deputados para mudar regras do jogo em andamento, Governador Mário Covas, que na época corria o risco de nem passar para o segundo turno, estava em terceiro, atrás de Maluf e Marta, mas acabou ultrapassando Marta por pequena diferença de votos.

A velha mídia se limitou a burocraticamente reproduzir o que foi revelado sem nenhum interesse em repercutir e cobrar dos representantes do PSDB explicações pela conduta criminosa. Não foram acionados, portanto, os articulistas de plantão para manter o assunto em pauta, acusando os partidos de conduta incompatível com a democracia, nem tampouco foram ouvidos juristas e ministros do STF pela defesa do estado democrático de direito.

Quando muita gente esperava que, enfim, o PT colocaria a boca no mundo, pedindo explicações públicas do PSDB e cobrando coerência da imprensa, eis que se faz um silêncio ensurdecedor. Coube a militância nas redes sociais e blogueiros independentes fazer algum barulho para que o fato não passasse totalmente despercebido.

Imaginem senhores e senhoras, se fosse o inverso, o governo Lula espionando tucanos. Lula seria queimado em praça pública com direito a no mínimo seis meses de massificação do assunto, martelado diariamente em rodízio pelos veículos de comunicação, e classificado como crime hediondo contra a democracia.

Infelizmente, tenho que ser realista para reconhecer que contando apenas com as redes sociais e blogs ainda não é possível pautar a imprensa, impedindo que os grandes veículos se calem sobre esse escândalo ocorrido em pleno vigor da constituição de 1988, por um partido que se julga democrático. Sem uma reação firme das instituições atingidas, vai para a lata de lixo da história mais um crime cometido por tucanos, como tantos outros.

Procurei por notas oficiais, discursos em plenário, entrevistas na imprensa, sites institucionais e nada. Há uma preocupante acomodação de quem virou vidraça e não sabe mais ser pedra. O sistema para abafar qualquer notícia que cause algum tipo de desgaste ao grupo político aliado da mídia segue de vento em popa, com céu de brigadeiro.

O caso é equivalente ao que derrubou o presidente norte-americano Richard Nixon, e embora não se possa pedir o impeachment do falecido Covas, o PSDB enquanto partido deve explicações à sociedade pelo “Watergate tucano” que não foram cobradas pela imprensa chapa branca. Além do mais, podemos imaginar que além de Covas, o próprio FHC pode ter se beneficiado de informações obtidas de forma criminosa contra Lula, nas eleições de 1998.

Cabe a nós cobrar de nossos representantes uma reação efetiva em cima do acontecido, para ver se acordamos brios adormecidos. É frustrante perceber que mais uma vez vamos presenciar algo grave ser ocultado do grande público por partidarização da mídia aliada a incompetência de reação dos atingidos.

Siga o autor no Twitter!

Switch to our mobile site