Category: José Serra

Serra, o amiguinho que cai na pilha!

Na gíria carioca (creio que outros Estados se use também essa expressão), a pessoa que “cai na pilha” é aquela que não aguenta brincadeiras e já parte pra discussão, ou para agressão física.

Serra caiu na pilha e baixou o nível.

O fato de ser, atualmente, o político que mais se envolve em confusões e situações inusitadas/constrangedora coincidiu com o aumento do número e participação do usuário na internet e a disseminação das peripécias do “Serra do bem”.

Só que Serra, outrora grande tuiteiro e “entusiasta da internet”, tem revelado resistência ao fenômeno da difusão e da diversidade de informação na rede. Isso desde de 2010, quando no auge das eleições atacou o que classificou de “blogueiros sujos”. Agora, mal iniciadas as eleições municipais, decidiu investir contra Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim. Mas isso não interessa nesse post, o que interessa é o fenômeno Serra.

Eleições 2010 - Serra de fofinho a grande religioso de direita

Nem Jânio Quadros chega aos pés (trocados) de Serra. De pula-pula a skate, ele é imbatível. E isso é uma síntese do que incomoda o eterno candidato à presidência: na internet tudo é captado. Desde piti com jornalista até a farsa da bolinha de papel.

Estão vendo só? Serra é um craque das situações inusitadas. E é isso que o povo gosta.

A elite brasileira sempre quis (e ainda quer) desqualificar Lula a todo custo. Serra, Merval, Tio Rei, Jabor (o grupo do Instituto Millenium), mas a elite não tem humor, só ódio, nojo. Humor é com o “povão”. E enquanto Lula não sai da boca espumada da zelite, Serra não escapa do olhar bem-humorado do povo.

Ao invés de mostrar propostas, prefere atacar jornalistas e blogs. Curiosamente Serra e o PSDB batem agora na mesma tecla que Gilmar Mendes, no auge de seu ataque de nervos pós-denúncia contra Lula, bateu: financiamento de blogueiros por empresas estatais. Mais uma vez, não entrarei nesse assunto.

Pensemos: quantos políticos foram objeto de brincadeiras tanto quanto Serra nas últimas eleições. Bateu até o Tiririca! É o nosso fenômeno!

E quantos somam 37% de rejeição nas pesquisas? É isso! Um craque!

Serra e o Skate: A foto original e as derivações

Quando estamos no ensino fundamental existe uma regra que minimiza a “zoação” por parte daquele amiguinho popular (para toda regra há exceções, claro): Se você não é popular e revida com agressividade, vai se dar mal. Muitas vezes quando entra na brincadeira e leva numa boa, corre o risco de se enturmar com o grupinho ameaçador.

Serra quis revidar, e ficou mais divertido fazer troça dele. Como não quer revelar que a divulgação de fatos (como o livro “Privataria Tucana”) e fotos/vídeos (pula-pula, kimono e skate) o incomodam, tenta desarticular quem (na cabeça dele) estaria por trás da disseminação desses fatos. E processa desafetos, com aval do PSDB e coro de alguns “jornalistas” comprometidos com a liberdade de opinião e de (ou da) imprensa.

A brincadeira com políticos e pessoas públicas não é de hoje. Mesmo Lula e Dilma sofrem brincadeiras, algumas até de extremo mal gosto e de raiz preconceituosa. Mas Serra se sente “O” injustiçado, “O” perseguido… quase um messias mal compreendido pelas ovelhas desgarradas. Culpa do Lulo-petismo, nas palavras do nosso imortal.

O tal “Lulo-petismo”, acusado de anti-democrático por 1552 representantes da elite com espaço em colunas de jornais e revistas, nunca demonstrou tanto incômodo com a internet e a diversidade de ideias. Inclusive a ameaça do “lulo-petismo” é exatamente essa, aumentar a diversidade de ideias.

Para a sociedade fica cada vez mais claro quem se incomoda com a democracia e a pluralidade de informação e ideias. São os mesmos que se incomodam com o PROUNI, que deixa entrar preto e pobre nas universidades, com o Bolsa-Família, com as cotas nas universidade públicas… e que declaram apoio à golpistas do Paraguai e mandam representante até lá para apertar a mão do presidente que tomou o poder.

Mas hoje é dia de alegria, hoje é dia de Serra! De roupinha fashion a medo de skate. De fundamentalista religioso de direita, em 2010, a Censor em 2012. O que seria de nossa política sem figuras tão inusitadas como estas?

Algo bem melhor do que temos hoje, certamente!

Serra Fashion: SerraInova lançou o modelo queridinho da zelite!

 

 

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Privataria Tucana – O maior escândalo de corrupção da história do Brasil

Os processos de privatização ocorridos no governo FHC, sobretudo os das teles, sempre foram contestados. Favorecimentos de concorrentes por parte dos tucanos, utilizando fundos de pensões aparelhados, foram revelados com os grampos “fogo amigo” do BNDES, mas, até hoje, quase quinze anos depois, não se sabia ao certo qual a forma de retribuição dos corruptores aos corrompidos. Com um Procurador-Geral da República disposto a engavetar todas as denúncias contra o governo e a imprensa no bolso, a impunidade estava garantida.

O livro do Amaury Ribeiro Junior, “Privataria Tucana”, vem revelar o modus operandi do que já pode ser considerado o maior escândalo de corrupção da história do país, que envolve o governo federal, grandes corporações financeiras e a imprensa com a prática de crimes de corrupção ativa e passiva, favorecimento ilegal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e invasão de privacidade, associado a desvio de dezenas de bilhões dos cofres públicos.

Para embasar as acusações do autor, o livro conta com um acervo de centenas de documentos extraídos legalmente de processos em andamento na justiça. Os documentos atingem diretamente um seleto grupo ligado ao tucano José Serra, o seu coordenador de campanhas e ex-diretor de contas internacionais do BB, Ricardo Sérgio, o empresário casado com sua prima, Gregório Marins Preciado, sua filha Verônica Serra e o genro Alexandre Burgeois.

Amaury mostra como Daniel Dantas enriqueceu a filha de Serra através da empresa Decidir.com, INC., ao injetar capital do Opportunity e Citybank por meio de dois argentinos, sócios das Verônicas (Serra e Dantas) no empreendimento de sucesso meteórico, e como foi montada a operação na imprensa para justificar o fantástico enriquecimento quase instantâneo.

A certeza da impunidade fez com que os tucanos ligados ao Serra tivessem pouca preocupação em disfarçar operações utilizando off-shores para internalizar o dinheiro das propinas, que faziam literalmente uma turnê pelo mundo antes de entrar limpinho nas suas contas. As empresas sediadas no paraíso fiscal Ilhas Virgens Britânicas possuem nomes idênticos ou muito parecidos às suas empresas “subsidiadas” no Brasil, e no caso de Alexandre Burgeois, Genro de Serra, chega ao cúmulo de assinar pelas duas empresas.

O livro ainda mostra como Serra usa serviços de arapongas, pagos com dinheiro público, para criar dossiês contra adversários políticos desde o seu período à frente do Ministério da Saúde, e como sua filha e a irmã do Daniel Dantas quebraram o sigilo de 40 60 milhões de brasileiros pela obtenção de informações privilegiadas dentro do governo.

Na entrevista que deu a blogueiros progressistas por twitcam na sexta-feira, Amaury revelou que além de ter dívidas com o BNDES reduzidas durante o período das privatizações, a grande mídia, que na época atuou como cabo eleitoral do neoliberalismo e encobriu as denúncias de corrupção, foi beneficiada com as negociatas entre governo e corruptores, garantindo cotas publicitárias aos veículos que se prestavam ao papel de produzir propagandas institucionais travestidas de matérias jornalísticas e editoriais.

Sobrou também para facções do PT que, na disputa insana pelo poder, são capazes de destruir colegas de partido e abastecer algozes na imprensa com dossiês que não atingem apenas o desafeto político, mas toda a agremiação, inclusive colocando em risco eleições presidenciais. São os aloprados que o Lula bem identificou. Ruy Falcão e Palocci foram citados nominalmente.

Amaury ainda faz mais uma revelação estarrecedora: como explicar que depois de nove anos fora do governo, Serra ainda mantém controle da cúpula da Polícia Federal? Com a palavra Marcio Thomaz Bastos, Tarso Genro e José Eduardo Cardozo, principalmente o último que ainda ocupa o cargo. Ou o ministro processa o Amaury, ou demite toda a cúpula da Polícia Federal e se informa melhor sobre ligações políticas dos detentores de cargos de confiança no ministério que comanda, ou pede demissão ele próprio porque é incompetência demais.

Ainda estão de fora outros personagens conhecidos da privataria tucana, como André Lara Resende, Sérgio Motta, Luis Carlos Mendonça de Barros, Jair Bilachi e o Próprio FHC, mas o Amaury informa que estão sendo elaborados mais livros de outros autores sobre o tema e a munição é gigantesca e que ele próprio vai aprofundar investigações em cima de FHC e jornalistas que, segundo ele, não resistem a uma investigação leve, como Reinaldo Azevedo e Cesar Tralli.

Como uma bola de neve, o livro do Amaury já está incentivando outros denunciantes, e o ex-delegado da Polícia Federal e deputado Protógenes Queiroz vem narrando no twitter, desde o lançamento do livro, algumas informações do que apurou em investigações durante o tempo de PF, como por exemplo, a forma como o grupo de FHC comandava operações de fraude com títulos da dívida pública, com o BACEN favorecendo laranjas de amigo de FHC, Alberto Aschar, que fugiu do Brasil com cinco milhões esquentados pelo Banco Safra em 1988, ou quando encontrou vários bicudos em fundos que enviavam dinheiro para fora do país.

A imprensa tenta desesperadamente abafar a repercussão do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, mas o esforço inglório é inútil porque já criou vida própria e a tendência é que percam mais credibilidade e morram abraçados ao Serra com blindagem e tudo. Enquanto isso, procure o livro “Privataria Tucana” na FNAC e Livraria Saraiva, é um excelente presente para dar de natal a si próprio e em confraternizações de “amigos ocultos”.

Por Alex:

“…Mas tem um erro . não foram quarenta mas sessenta milhôes de sigilos quebrados. um terço da população brasileira da época. metade ou mais da população economicamente ativa.
A folha disse que não noticia porque aind está apurando( quando saiu a reportagem do leandro fortes).
Hoje sabemos que ela é ré a sete anos.
Ô apuraçãozinha safada!”

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A herança maldita de José Serra

José Serra perdeu as eleições presidenciais em 2010, mas os métodos utilizados em campanha, bem como algumas das suas ações enquanto governador de São Paulo, deixaram sequelas irreparáveis que a cada dia ficam mais evidentes.

A marcha da maconha que é realizada todo ano em várias cidades do país e do mundo, se tornou ontem em São Paulo em um espetáculo deprimente para a nossa frágil e jovem democracia. Só a sua proibição, utilizando o argumento de que seus participantes fariam apologia ao uso da droga, já foi um ato arbitrário cometido por um juiz reacionário sem noção que remete aos argumentos toscos utilizados pela ditadura militar para praticar repressão contra cidadãos brasileiros.

A polícia de São Paulo agiu com violência para reprimir os manifestantes, que proibidos de colocar em curso a Marcha que aconteceu em outras cidades, fizeram um protesto pela liberdade de expressão. Cassetetes, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo foram usados contra manifestantes desarmados que tentavam fazer um protesto pacífico.

A violência da polícia de São Paulo é herança nefasta da administração de José Serra naquele estado, e agora continuada pela gestão Alckmin, do mesmo partido. Enquanto Serra era governador, determinou que a mesma polícia invadisse a USP para retirar a força funcionários e professores em greve, que protestavam dentro das instalações da universidade. A mesma polícia teve a autorização do governador para reprimir violentamente qualquer manifestação contra o governo do estado, e culminou com um confronto agressivo entre policiais civis em greve e tropa de choque da PM de São Paulo.

A intolerância às manifestações pacíficas e violência da polícia não são as únicas sequelas deixadas por uma administração equivocada e uma campanha de baixarias. As crescentes manifestações homofóbicas e racistas, em especial no prestígio dado por parcela da mídia ao deputado Bolsonaro e pastores evengélicos, o crescimento da violência contra minorias e bullying, o aparecimento de padres fundamentalistas e agressivos, a defesa aberta da tortura na ditadura militar, saudosistas da censura, manifestações xenofóbicas em redes sociais e o aumento da intolerância ao contraditório são exemplos do que há de pior na sociedade, e que foi ressuscitado pelas ações de José Serra, disposto que estava a ganhar as eleições de 2010 a todo custo.

Hoje o país colhe o que Serra semeou e que foi irresponsavelmente adubado e regado pela velha imprensa, que também não mede esforços para eleger seus eleitos. O vale tudo eleitoral e a administração do maior estado do país baseado no enfrentamento e falta de diálogo, aliado a uma imprensa chapa branca, disposta a qualquer coisa para vencer as eleições atiçaram setores da sociedade (os piores) que normalmente não mostravam a cara e viviam às sombras. Serra e seus sócios da máfia midiática remexeram o excremento que estava no fundo e o trouxe à tona.

Todo esse retrocesso vai levar muito tempo para ser revertido e vai precisar muito esforço da maioria da população que não tolera as ações dos reacionários. Infelizmente ainda vai passar algum tempo em que vamos ter que conviver e nos envergonhar da herança maldita do Serra.

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Roberto Freire não tem olhos para a incúria da dinastia tucana em São Paulo

Da editoria-geral do Terra Brasilis

Instalado, certamente, na sua luxuosa residência no bairro nobre de Alto Pinheiros [SP], Serra “twittava”. Lá pelas tantas, resolveu sugerir – para o final de semana [espera-se que não chova forte em São Paulo, para o bem dos que sofrem com o desgoverno tucano] – a leitura do que ele considera três grandes artigos. A trilogia é assinada por Roberto Freire [o ex-comunista que, a título de reciclagem intelectual, bandeou-se para o lado da "elite cheirosa"]; Fernando Gabeira [o ex-guerrilheiro e intelectual que vê, em seu umbigo, sua própria imagem. Faz-me lembrar o sr. Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, não o  compositor e cantor [1]]; e, finalmente, por Guilherme Fiuza [a quem - por sua cantilena desprezível contra o governo Lula e, agora, contra o governo Dilma - cognominamos de "Guilherme Fiuza: meu nome é leviano" [2]].

O que se pode extrair, de pelo menos duas, dessas indicações de leitura? Que Serra quer fazer soar sua voz  e mantê-la acesa, de olho em 2014 [seriam prepostos os autores de tais artigos?]. Sentindo que alguns figurões do que se chama PIG já o escorraçam, desesperado ante a possibilidade de ver seu nome rifado da futura disputa no próprio ninho tucano [Geraldo Alckmin seria o novo "ungido"?], o  candidato derrotado recentemente nas urnas elege determinadas análises e as dissemina com dois tácitos objetivos:

  1. desqualificar os oito anos do governo Lula [embora alardeasse, em campanha, que daria continuidade às ações do governo petista]; e
  2. desconstruir Dilma Rousseff [ele já dera mostras disso em pleno embate eleitoral de 2010, com a hipócrita lengalenga do aborto, por exemplo. Descobriu-se depois que a "inimiga", aquela que "comia criancinhas" dormia a seu lado. Com a palavra a sra. Mônica Serra...]. Dilma que, segundo o presidente do PSDB, seria “um poste” facilmente lançado ao chão. Mas a história tripudiou das palavras infelizes do ex-senador e “fujão”  Sérgio Guerra [decidiu concorrer a uma vaga na Câmara Federal por Pernambuco, ao invés de se lançar à reeleição para o Senado. Tivesse se arvorado a isso, teria sido vergonhosamente derrotado].

Como se poderá ler, a temática desses “grandes artigos” – sugeridos pelo Serra – gira em torno da chuva, de Lula e de Dilma Rousseff.

Se nos detivermos, em especial, no tema chuva, in A tragédia anunciada – de Roberto Freire [leia na íntegra, abaixo], perceberemos um quê de engodo, de desonestidade intelectual por parte do articulista pernambucano que foi se abrigar, em São Paulo, debaixo de um guarda-chuva com mais de 120 mil votos a fim de  se eleger deputado federal [Aqui em Pernambuco não se elegeria, usando mais um clichê, nem para síndico de prédio].

Mas onde estariam o engodo e a desonestidade intelectual desse ex-comunista, de “mente arejada” com ideias novas?

A leitura do parágrafo inicial do tal artigo nos conduz a uma intervenção analítica séria, sem o furor dos palanques e das cores partidárias, apontando para a preocupação de um homem público com os problemas do povo e a subentendida solidariedade com aqueles que perdem “vidas, famílias e sonhos” por causa das “chuvas fortes, [dos] deslizamentos e inundações”. Nada mais prazeroso de se ouvir. Sobretudo, se essas palavras vêm de um homem público que se mostra comprometido com as agruras do povo que ele diz representar.

Contudo, basta avançar na leitura para se descobrir a farsa discursiva ou o exercício masturbatório com belas palavras no exclusivo intuito de “levar no bico” [outro clichê] o leitor desavisado. A farsa se confirma nas linhas seguintes do artigo, pois elas focam o problema das chuvas, dos deslizamentos e das inundações, a partir de um manifesto recorte geográfico: a região serrana do Rio de Janeiro. Enquanto, no texto, a palavra “Rio” [de Janeiro] aparece três vezes – como a permear o eixo temático a que se apega Roberto Freire -, a palavra “São Paulo”  parece não existir.

São Paulo? Nem pensar! Esse estado da federação não entra na análise “isenta” do articulista. É como se, no estado mais rico do país, não tivessem ocorrido chuvas, deslizamentos e  inundações.

A “incúria [desleixo, negligência] dos diversos níveis de poder público”, segundo Freire, parece atingir, apenas e tão somente, os governantes do Rio de Janeiro e o governo federal [diga-se Lula e, agora, Dilma Rousseff].

Os governantes do PSDB e côngeneres [DEM/PPS] em São Paulo [estado que o agora deputado federal Roberto Freire representa] passam ao largo da possibilidade de serem “punidos criminalmente por sua incúria”. A dinastia tucana se blinda, no arranjo discursivo do presidente do PPS, da falta de zelo com a coisa pública que acomete os governantes de outros estados. Talvez, essa blindagem tenha sua razão de ser. Afinal de contas, receber R$ 12 mil como um fantasma da Empresa Municipal de Urbanismo [EMURB] e da SP-Turismo [3] é motivo de sobra para ser grato a quem promoveu tal “boquinha” [clichê, de novo...]. É preciso dizer quem?

Felizmente existe a Blogosfera independente e combativa para desmistificar discursos como o do deputado federal Roberto Freire. Felizmente existe a Blogosfera que acredita não ser São Pedro o causador do caos em São Paulo, quando as chuvas vêm.

Ademais, aguarda-se que o deputado federal Roberto Freire – ao propor que a nova legislatura convoque uma CPI a fim de investigar as tragédias ocasionadas pelas chuvas, inundações  e pelos deslizamentos – não se esqueça de que São Paulo  é parte da federação, com um governo eleito democraticamente há muito tempo. Que os governantes de Sampa sejam chamados a dar explicações por sua incúria.

Ao Serra, meus agradecimentos pelas indicações de leitura [4]. Leituras proveitosas. Sobretudo, quando, por meio de uma abordagem vertical, enxergamos a desfaçatez de certos homens públicos. Homens públicos que, por malabarismos argumentativos, tentam impingir na testa do povo a condição de inepto e, assim, trazê-lo sob o jugo do cabresto.

Retratos na parede para o caso de Roberto Freire não se lembrar de que a incúria pode estar em São Paulo, também:

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A tragédia anunciada

Por Roberto Freire*

Há alguns anos várias catástrofes naturais vêm atingindo brasileiros das mais variadas regiões, ocasionando perdas de vidas, de famílias e de sonhos, tendo como motivo comum chuvas fortes, inundações e deslizamentos. Como um padrão sinistramente repetitivo.

Sabemos agora que os necessários investimentos que poderiam minimizar tais tragédias simplesmente não foram feitos.

Segundo o site Contas Abertas, o governo federal deixou de investir, entre 2004 e 2010, mais de R$ 1,8 bilhão em obras de prevenção de danos provocado pelo clima. Esse é o valor do orçamento autorizado para o programa de “prevenção e preparação para desastres” e o que foi, de fato, realizado.

A tragédia que acontece na região serrana do Rio é fruto da incúria dos diversos níveis de poder público, agravada pela incompetência do governo federal em definir um efetivo programa de prevenção que livre as pessoas de nossas cidades das áreas de risco em que vivem, com estrutura de serviços de engenharia e realocação de populações das áreas de preservação de mananciais e encostas.

A violência da catástrofe do Rio resulta do descaso com que o Estado trata a ocupação do solo. Situação agravada nesses últimos oito anos por um governo de faz-de-conta, cuja única preocupação foi ocupar diariamente os palanques reais e virtuais para fazer graça de sua própria incompetência.

Resultado, os gastos no socorro às vítimas dos desastres são quase oito vezes maiores do que aqueles aplicados na prevenção a desastres naturais. Segundo o Contas Abertas, a verba desembolsada na rubrica “resposta aos desastres e reconstrução”, entre 2004 e 2010, chegou a R$ 4,8 bilhões.

Ou seja, de cada R$ 10 gastos com as chuvas, R$ 9 foram para remediar os danos e só R$ 1 para prevenir. Não por acaso o governo brasileiro, em documento assinado pela secretária Nacional de Defesa Civil, admitiu à Organização das Nações Unidas (ONU), em novembro do ano passado, que grande parte do sistema de defesa civil vive um “despreparo” e que não tem condições sequer de verificar a eficiência de muitos dos serviços existentes.

Como fica patente, na descoordenação que estamos assistindo dos vários agentes envolvidos no socorro às vítimas do Rio.

Uma questão deve ser colocada desde já: de quem é a culpa pelas mortes e pelos prejuízos? Defendo que o Ministério Público, que tem o dever constitucional de proteger a cidadania, investigue e acione a Justiça para punir os culpados e ressarcir os danos sofridos.

Afora isso, está na hora de o Parlamento começar a nova legislatura convocando uma CPI para investigar a fundo por que tais tragédias, que em países de democracia avançada e governos competentes, tais danos são mínimos, e em nosso país, o número de mortos e valor dos prejuízos causados não param de crescer.

Quando governantes e administradores forem punidos criminalmente por sua incúria e o Estado for obrigado a ressarcir os prejuízos, estaremos dando um passo importante no resgate da cidadania, e não mais viveremos uma tediosa crônica do esquecimento a que são relegadas essas tragédias.

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*Roberto Freire é presidente do PPS [Fonte: Brasil Econômico]

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[1] Sobre o sr. Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, clique aqui.
[2] Sobre o sr. Guilherme Fiuza, clique aqui e aqui.
[3] Sobre este fato, leia aqui.
[4] Para ler as outras duas indicações de leitura do Serra, clique aqui e aqui.

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Os efeitos colaterais de uma campanha suja


Diga-me com quem andas...

A vovó sempre dizia que se colhe o que se planta, e a vovó é que sabia das coisas. Infelizmente, o país não poderia sair sem seqüelas da campanha mais suja da história das eleições no período pós-redemocratização, e já estamos colhendo e vamos colher por muito tempo ainda os frutos plantados por quem não se furtou de rifar a própria biografia e se aliar ao que existe de mais sectário e reacionário na sociedade para se eleger presidente da república.

Parecia que o país tinha chegado a um nível de maturidade democrática que tornasse impossível a repetição do nível de baixaria da campanha de 1989, mas a campanha de 2010, com o Serra se aproximando de grupos neo-nazistas, integralistas, monarquistas e setores mais conservadores da igreja católica e templos evangélicos, conseguiu ser pior.

Os efeitos dessa aproximação puderam ser percebidos ainda durante a campanha quando bispos da CNBB se associaram a grupos de extrema direita para imprimir panfletos atacando o PT e Dilma, tentando assustar o cidadão mais suscetível a pregação do medo. A campanha de Serra também recrutou profissionais de destruição de reputação e insuflou os sentimentos mais rasteiros de uma fração da população acostumada a ter privilégios sobre os demais e que andavam insatisfeitos com a perda do status da exclusividade.

Logo após o anúncio do resultado das eleições, uma usuária do Twitter inconformada com a vitória da democracia, emitiu diversos comentários com conteúdo preconceituoso contra nordestino e fazendo apologia ao crime de racismo, inclusive sugerindo o assassinato dos mesmos. Não se trata de uma opinião inconseqüente de um pré-adolescente ou de alguém que não teve acesso à educação e, portanto poderia alegar ignorância sobre o que comentava. A usuária do Twitter tem pai com boa condição financeira e estuda em uma faculdade de direito.

A Procuradoria Geral da República analisa denúncias feitas por entidades de organização civil contra a usuária e vários outros usuários que multiplicaram o comentário criminoso ou fizeram outros comentários no mesmo nível, pelos crimes citados acima. O agravante para os crimes é o fato de terem sido cometidos através de um meio de comunicação, o que aumenta a pena caso a Procuradoria apresente a denúncia e o tribunal acolha a mesma e condene os acusados.

Se não bastassem essas manifestações que expuseram ao ridículo mais uma vez o nome do país no exterior, aparece um manifesto singelamente chamado de “São Paulo para os Paulistas”, que publicamente defende algo como um apartheid contra nordestinos, um tipo de xenofobia regional que se assemelha muito ao neo-fascismo que floresce atualmente na União Européia, algo que há bem pouco tempo era impensável como um movimento social no Brasil e se resumia a reduzidos grupos de neo-nazistas e integralistas que sempre funcionaram na clandestinidade em redutos nos grandes centros metropolitanos do eixo Sul-São Paulo.

Ontem, a Polícia do Rio Grande do Sul fez uma apreensão de farto material de um grupo neo-nazista, que incluía uma gravação com conteúdo fortemente racista, que ataca o sistema de cota raciais e associando negros à violência urbana. O vídeo continha ainda uma imagem do senador Paulo Paim, que defende direitos de minorias raciais, o que foi entendido pelo delegado que faz a investigação como um tipo de ameaça ao Senador. O DEM, representado pelo senador Demóstenes Torres contesta o sistema de cotas raciais no Supremo Tribunal Federal. O senador chegou ao cúmulo de afirmar, para argumentar que a sociedade brasileira não tem débito com a população negra, que não houve estupros nas senzalas durante o tempo em que vigorou a escravidão, mas “sexo consensual”.

Não há dúvidas que a extrema direita e esses grupos neonazistas e neofascistas vêem no consórcio PSDB/DEM seus legítimos representantes, assim como nos EUA o Tea Party se reconhece nos republicanos. Fica clara a intenção de importar para o Brasil e estimular em seguimentos da nossa sociedade elementos do conservadorismo religioso e anticomunista dos americanos.

Infelizmente essas são apenas as primeiras evidências do retrocesso que recebemos de herança da campanha suja de José Serra. O Ministério Público e a Polícia Federal vão ter muito trabalho daqui pra frente, espero que a punição para quem extrapole a lei seja dura para educar corretamente.

Por Marta Mendes:

Como já vimos pela imprensa, esse movimento embora já existisse antes, tomou um vulto nunca visto!!
Vamos torcer para que pare por aqui, e não tenha maiores consequências…não precisamos de lutas
entre irmãos, vizinhos, parentes e concidadãos; TODOS BRASILEIROS!

Por Lucila:

A campanha Serra removeu a lama e trouxe à tona o que há de mais fétido em termos de valores da sociedade. Proferiu a mensagem: aos enrustidos, de que agora era permitido expressar esse ódio torpe de classe; aos desavisados, que se viram incomodados ou com raiva pela eventual perda de privilégios, de que o inimigo, o objeto de sua frustração e medo, estava identificado, e era agora possível linchá-lo. Naturalizou o que até então não era aceitável na vida em sociedade.

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