mai 092011
 

No ano passado houve uma grande convergência de interesses que possibilitou a união de blogueiros e internautas com vistas às eleições para o executivo e legislativo. O motivo para a reunião de pessoas de diversas correntes ideológicas era o desejo de evitar uma vitória da direita e dos grandes veículos de comunicação.

Passadas às eleições, as divergências entre diversos grupos começou a aparecer, o que é absolutamente normal levando em consideração a heterogeneidade do coletivo. A partir do momento que as discussões foram entrando em assuntos específicos, as diversas correntes de pensamento tendem a defender os seus próprios valores.

Essas diferenças de opinião não impedem que se fortaleçam os laços de união e colaboração mútua entre os diversos atores envolvidos, e iniciativas como os BlogProgs, o Teia Livre e a Rede Liberdade são exemplos de que existem mais pontos que nos aproximam do que aqueles que nos colocam em lados opostos, além de estimular os debates.

Para que essas sementes gerem uma colheita satisfatória de contribuição para democratização da comunicação é preciso extirpar as ervas daninhas antes que se espalhem e contaminem a plantação. Eu falo de certa intolerância à opinião divergente, que determinados assuntos despertam. O respeito e tolerância à discordância de opinião deveria ser um preceito fundamental dessa revolução no conceito de comunicação.

É absolutamente normal que assuntos considerados polêmicos como Creative Commons, Ana de Hollanda, energia nuclear, construção de barragens, medidas macro econômicas e muitos outros, gerem defesas apaixonadas em que a lógica é deixada um pouco de lado, isso não é um defeito, no entanto é preocupante se as discussões descambam para o lado da intolerância de sequer podermos aturar quando discordam de nossas opiniões.

Em algumas áreas a divergência é considerada uma benção. Como exemplo, eu cito a ciência, onde não haveria evolução se os pupilos não resolvessem discordar de seus mestres. Por outro lado, a intolerância à opinião vem servindo de justificativa para a ocorrência de perseguições políticas e golpes de estado em todo o mundo, por gerações. Essa incapacidade de conviver com o contraditório é uma das características mais marcantes daqueles que constantemente criticamos, tanto na direita quanto na imprensa que lhes dá suporte.

A quem interessa os conflitos gerados por essa intolerância que vão desde birrinhas a desqualificações pessoais entre blogueiros, comentaristas e twitteiros, que para defender seus pontos de vistas abandonam o bom senso atirando contra aquele que até bem pouco tempo caminhava ao seu lado? Eu respondo: interessa aos nossos verdadeiros adversários, aqueles que não desejam um movimento coeso de pessoas que procurem revolucionar o modo de fazer comunicação nesse país.

Entendo que o momento para corrigir distorções é agora, quando essas iniciativas ainda engatinham e não está bem claro para todos os conceitos de ética que devemos seguir. É inútil confrontar opiniões com os donos da verdade absoluta, os melhores debates são travados com aqueles que estão dispostos e discutir e não impor seus pontos de vista a todo custo, mas não é inteligente nem querer ouvir argumentos discordantes sob risco de cair no maniqueísmo.

É preciso exercitar diariamente a capacidade de tolerar opiniões divergentes, mesmo aquelas que consideramos sem pé nem cabeça. Discordar sim, desqualificar jamais, mas mesmo quando houver extrapolação por não estar em seus melhores dias, lembre-se que é digno voltar atrás, reconhecer que errou e até pedir desculpas. Acredito que só assim chegamos a algum lugar.

Fonte da imagem ilustrativa: http://www.matorres.com.br/

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jan 312011
 

Nessa semana fui surpreendido com a notícia de que um grupo separatista chamado Movimento República de São Paulo tinha encaminhado, à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) em São Paulo, um dossiê formado pela coletânea de manifestações, em redes sociais, do que eles consideram de cunho preconceituoso contra os paulistas.

Com o único intuito de tentar confundir o processo movido pela justiça de Pernambuco contra a estudante de direito Mayara Petruso, por dar declarações racistas no twitter contra nordestinos, que geraram imensa repercussão logo após a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, os organizadores do manifesto não levaram em conta a situação ridícula que uma comparação como essa poderia colocá-los. Como pôr casos tão diferentes no mesmo patamar?

Nordestinos migraram para São Paulo e outros grandes centros por causa de uma política centralizadora do governo federal que privilegiava o “sul maravilha” e só olhava para o nordeste nas eleições, que foi mantida por vários governos sucessivos e só interrompida com o presidente Lula, que começou a mudar a realidade da região, mas antes disso o nordestino, mesmo sofrendo, deixava a terra que tanto amava por conta de dar uma vida melhor à sua família. Nos grandes centros,  em virtude da falta de estudo que a vida dura lhe subtraiu, ele tinha de se submeter ao subemprego e às seguidas humilhações que partiam daqueles que tinham maior poder aquisitivo. Essa realidade de constante agressão feita contra brasileiros nordestinos não pode ser comparada com algumas generalizações feitas em redes sociais, muitas vezes sob o calor da discussão.

Adaptando Nelson Rodrigues, diria que toda generalização é burra. Não podemos tomar todos os paulistas pela amostragem dos intolerantes. São Paulo, assim como em qualquer outro lugar, tem maçãs podres e maçãs boas. O problema, por ser uma megalópole e ter uma população gigantesca, é que a probabilidade de ter muitas Mayaras Petruso é maior. É questão apenas de probabilidade e estatística.

O problema é que a radicalização que o Serra e seus acólitos trouxeram para as eleições exarcebou e incentivou trazer à tona movimentos integralistas e separatistas que viviam na penumbra, até pela rejeição da população contra iniciativas como essa. O discurso do ódio incentivado em off ganhou força e adeptos, sobretudo em uma faixa etária que está sujeita à manipulação pela inexperiência.

Baseado em mentiras, tentam ganhar adeptos insinuando que São Paulo sustenta o nordeste e que melhor estaria se fosse independente do Brasil. Caso fosse possível São Paulo se separar do Brasil – o que não é, pela nossa constituição e como uma república indivisível de federações, o território de São Paulo não pertence aos nascidos ou residentes daquele estado – o estado poderia entrar em colapso, afinal só teria fronteiras terrestres com apenas um país e dele ficaria dependendo para verter seus produtos.

Como São Paulo fornece produtos industrializados para todo o país, com a separação, os estados compradores iriam ter que pagar taxa de importação, diminuindo a competitividade de produtos vindo de São Paulo, ocorrendo a migração do fornecimento para outros estados da união. Nesse caso, aconteceria o pior, e muitas empresas iriam preferir outros estados porque querem fabricar no Brasil para poder aproveitar o mercado interno e ficando em São Paulo teriam que exportar para o Brasil. Em pouco tempo, São Paulo iria se tornar um Uruguai. São Paulo é rico porque é o coração de negócios do Brasil e não porque é auto-suficiente. É importante para o Brasil como qualquer outra unidade da federação e depende do coletivo como qualquer outro estado.

Sem nenhum tipo de ufanismo, essa história de separatismo me soa sempre como choro de quem se considera superior e não consegue lidar muito com a frustração de não conseguir eleger seus escolhidos. O Brasil é um só e de todos os brasileiros.

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dez 282010
 

Quem aqui conhece Mário Marques, ou Alvaro Pereira Júnior?

Mário Marques “filho” é jornalista. Filho porque seu pai também se chama Mário Marques, e é um tucano muito conhecido na baixada fluminense, deputado e ex-prefeito de Nova Iguaçu.

Nesses dias de enxurrada de “especialistas”, diria que é jornalista especialista em música pop e independente. Até quando eu acompanhava era um bom  jornalista, com novidades sobre bandas Indies e suas colunas, tanto no JB, quanto no O Globo sempre traziam algo interessante de se conhecer.

Alvaro Pereira Junior vai além! Jornalista,  químico, escreve no folhateen, crítico musical e redator-chefe do Fantástico. Ficou conhecido (pra mim) após uma troca de farpas com Ed Mota no Altas Horas.

O Indie é um gênero musical com fortes influências de pós-punk, eletropop e rock alternativo que muitas vezes está correndo por fora gravando em pequenas gravadoras e tentando manter uma autonomia sobre sua produção intelectual.

MM filho tinha uma revista chamada Laboratório Pop – não me lembro, mas acho que cheguei a ir em uma festa de aniversário (ou lançamento) que aconteceu no Teatro Odisséia, na Lapa. Agora apenas o site Laboratório Pop e um Blog pessoal.

Mas algo mudou no coração ou no cérebro de Mário Marques. Parece que o filho e o pai se fundiram, as matérias e opiniões do jornalista se tornou algo esquizofrênico que parece uma mistura de Arnaldo Jabor, Regina Duarte e todos os pulsantes pensamentos do Instituto Millenium. Com um diferencial, ele toma o Indie Rock como pretexto para disseminar o que pensa deste ou daquele governo.

Existe um movimento cultural – que não irei aqui julgar se é legítimo ou não – que reúne vários festivais da cena independente por todo o Brasil, o qual o jornalista veio a chamar de “Sindicato dos Indies”. Esse tal “Sindicato” reúne assossiações, organizações ou rede de trabalho como a Abrafin e Fora do Eixo que se propõem a estimular o intercâmbio entre bandas e festivais na cena independente.

MM escreveu uma matéria para o Lab. Pop chamada “Guarde esta coluna“, onde reproduz um texto  do jornalista global, Álvado Pereira Júnior “insinuando que jornalistas especializados se beneficiam dos recursos captados pelo sindicato de Cuiabá em comes e bebes e curadoria de eventos e que a entidade se encarrega de tentar “bombar” algumas bandas.” e complementa “A coluna de Alvaro Pereira Junior, entretanto, não cita o quão ruim é a curadoria do sindicato”.

Daí em diante começam os ataques que passam por UNE, PC do B, Petrobras e Governo Federal. Começam críticas que lembram as mesmas feitas ao Bolsa Família, sem exageros: “Não tenho nada contra patrocínio estatal. Desde que ensine o artista a andar e depois ele que se vire. Como no Canadá, na Dinamarca, na Escócia.”

Como disse, as críticas de Alvaro Pereira, reproduzida por Mário Marques, não querem atingir o “movimento”, “sindicato” ou qualquer outro nome que queira dar. O jornalista apenas usa o gênero musical para atacar o governo federal e outras instituições que o apoiam.

Seria esse o caminho que fatalmente seguem os jornalistas comprometidos com a “causa global”?

Este pensamento fica claro em vários posts, principalmente do blog pessoal de Mário Marques.

“A molecada que está chegando agora – está chegando? – dos jornalistas-blogueiros aos curadores da Abrafin, tem uma memória semelhante à do Lula, o presidente que eliminou da memória os avanços e a estabilidade construídos por FHC num passado recente. Para eles, o jornalismo indie  e os festivais começaram agora”.

Não há música aí! É apenas o mesmo discurso entoado durante toda a campanha demotucana em 2010. Esse é só mais um achado, mais uma pérola do que foi 2010 e o que pode vir a ser os próximos 4 anos.

Como disse, não estou aqui para defender um ou outro lado.

O que Alvaro Pereira Junior e Mário Marques fazem em seus textos não é defender uma pluralidade ou melhor qualidade na cena Indie, mas usá-lo como pretexto para atacar desafetos políticos. Poderia ser um pouco honesto aos leitores que acreditam que ele aborda, exclusivamente e acima de tudo, o cenário independente brasileiro.

Já que falam tanto em pluralidade, porque não usam a ANJ e Abert como dois grandes, e bons, exemplos para comparação?

É a velha história da janela suja do vizinho…

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set 222010
 

Opinião

Alguém pode me dizer quais são as correntes filosóficas em que se baseiam analistas políticos e editorialistas da velha mídia para definir democracia e liberdade de imprensa?

Fiz uma pesquisa (ainda que superficial me custou algumas horas na internet) sobre definições e conceitos filosóficos desses termos e não achei em qualquer um deles nenhuma restrição ao exercício da crítica ao comportamento da imprensa.

Não vou ficar aqui reproduzindo conceitos para provar o que estou falando porque iria entulhar o texto e cansar o leitor, basta o interessado em me contraditar apresentar uma corrente filosófica aceita que defenda que a imprensa é uma categoria superior a toda a sociedade, e que deve ficar imune às críticas.

Que tipo de democracia é essa que essas pessoas defendem onde se auto-intitulam uma categoria acima do bem e do mal que não pode ser criticada, mesmo errando seguida e sistematicamente, sob pena desses críticos serem acusados de estar a serviço do governo e atentar contra a liberdade de imprensa?

Eu sinceramente não entendo porque empresas de comunicação que se dizem profissionais e apartidárias têm tanto medo do contraditório. A velha mídia tem canais de comunicação diretos com a população, repisa suas posições como um trator, ignorando e sufocando o contraditório, não concedem por livre e espontânea vontade um direito de resposta sequer às suas vítimas de assassinato de reputação, e mesmo assim se acham perseguidos quando alguma de suas vítimas usa canais alternativos para repudiar tentativas de manipulação da informação.

Aponte um país considerado democrático em que o presidente da República é proibido de responder críticas de setores partidários da imprensa. Mesmo no “Nirvana da Democracia” da velha mídia, os EUA, o Governo Obama foi direto ao dizer que iria passar a considerar a Rede FOX como oposição aquele governo.

Aponte agora qual foi o ato do governo Lula que tenha causado algum tipo de restrição a liberdade dessas empresas se manifestarem. Aponte em que blog sujo é defendido a censura aos meios de comunicação ou restrição ao seu direito de opinar e criticar. Aponte qual governo foi tão atacado como esse desde o primeiro dia de governo, depois da redemocratização brasileira. E quando foi mesmo que eles foram impedidos de exercitar a crítica? faça-me o favor.

O que eles queriam? Promover uma campanha midiática em véspera de eleição, em claro e evidente deboche a legislação eleitoral e a lisura das eleições, e esperar que Lula, Dilma, o PT, os movimentos sociais, blogueiros e jornalistas independentes, os filiados, os militantes e aqueles que não agüentam mais ver tanta manipulação em época de eleições, ficassem calados e não se manifestassem contra aquilo que repudiam?

Qualquer análise independente, de alguém que venha de fora, vai constatar pelos editoriais, que esses veículos de velha mídia têm, sim, lado político e preferências por candidaturas, e que essa preferência extrapola os espaços dos editoriais, contaminando a área que deveria ser exclusiva para jornalismo isento, regra básica de bom jornalismo ignorada em algumas redações.

Em vez de debater o seu papel, explicar e corrigir erros, passar a exercitar o contraditório e o direito de resposta, o que fariam aqueles que não padecem da sua arrogância, a velha mídia usa a “velha receita pra tudo” e acusa todos que os criticam de serem “financiados” pelo governo. Simples assim. Ou você aceita tudo o que eles fazem sem criticar ou você é um bandido que age à custa do dinheiro público.

O direito à manifestação é cláusula constitucional e tem de ser respeitado. Em uma democracia, criticados tem o direito de criticar e ninguém está acima das críticas. Viva a liberdade de expressão conquistada a duras penas pela sociedade brasileira, e que não pode ficar limitada a grupos oligopólicos.

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set 132010
 

Bordoada do LEN:

José Serra é um mentiroso compulsivo que se vale da complacência conivente da velha mídia, que por sua vez evita contraditar as sandices que eles diz, reproduzindo tudo acriticamente.

Será que não tem um jornalista decente da velha mídia, sem rabo preso cobrindo os atos de campanha de José Serra? Muitas vezes penso que não. Serra já repetiu mais de uma vez na frente dos jornalistas que blogs ”sujos” teriam divulgado dados protegidos por sigilo de pessoas de sua família e de seu partido.

E essa não seria a prova que ele alega ter para relacionar o caso com o PT e a campanha de Dilma? Então porque diabos ninguém pede para o Serra dizer qual ou quais blogs “sujos” cometeram o crime de divulgar informação sigilosa de pessoas físicas? e se possível fornecendo o link para as pessoas confirmarem a acusação.

Eu imagino que quando o Serra solta uma declaração como essa na frente dos jornalistas limpinhos deve ficar um clima de constrangimento muito grande já que eles não podem aprofundar as informações porque o desmentiriam, e ficam fazendo esse papel ridículo de repercutir declarações que eles sabem serem falsas sem comprová-las ou contestá-las.

Se fosse verdadeira a alegação esfarrapada do loroteiro contumaz, os jornais que lhe servem já teriam achado e tratado como a prova inconteste da ligação do caso da quebra dos sigilos com o PT e Dilma, mesmo que os blogs não tivessem qualquer relação direta ou indireta com a campanha dela, ou você amigo leitor tem dúvida que os blogs progressistas não vem sendo examinados com lupa nos últimos dias para poder dar argumento ao candidato cascateiro sem projetos e sem propostas?

Quando os mentirosos são desmascarados seguem um padrão dos desmentidos: mesmo sem explicar os argumentos daqueles que os desmascararam, alegam perseguição de imprensa e reafirmam suas posições que nunca se sustentaram, para isso fingem que não ouvem o contraditório e se submetem a esse papel de subalternos no processo jornalístico ao permitir que informações já desmentidas permaneçam sendo difundidas, como se ainda tivessem validade.

Em outro exemplo desse comportamento vergonhoso e que debocha da inteligência do leitor e das instituições, a Veja nesse fim de semana, mesmo depois de desmentida por todas as suas fontes, solta uma nota em que sugere ter gravações que comprovariam o que a fonte declarou à revista. Então por que não mostram? Por que não disponibilizam no seu site? Porque mentirosos blefam e apostam que os seus anestesiados leitores e assinantes esqueçam de cobrar-lhes depois. Da mesma forma que no episódio do grampo sem áudio a Veja blefa, mente e infelizmente permanece impune.

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