mai 062013
 

pec37-diga-sim-a-legalidadeA proposta de emenda constitucional 37 de 2011 – que está sendo discutida no congresso nacional e vem recebendo ataques daqueles que sonham em chegar ao poder pegando atalhos que não passam pelas urnas – define claramente as atuações das polícias e ministérios públicos, fixando competências nos limites constitucionais, regulamentando o sistema de pesos e contrapesos determinado pela Constituição Federal de 1988. Não altera ou retira qualquer poder ou direito nos Ministérios Públicos.

Aos MPs já cabe a função de pedir investigações, denunciar à justiça, pedir diligências e contribuir em investigações e depoimentos. A função de comandar as investigações é das polícias, que possuem profissionais treinados para estas tarefas, alguns com anos de experiência.

Nos últimos dez anos, os Ministérios Públicos tem extrapolado suas atribuições constitucionais, se valendo de interpretações equivocadas têm se arvorado a tocar investigações por conta própria, usurpando a função das polícias. A PEC 37 vem exatamente para regulamentar e impedir esses excessos, como a compra por parte de Ministérios Públicos de equipamentos de escuta Guardião.

Usando o exemplo federal nós podemos traçar um comparativo entre a atuação recente das instituições Polícia Federal e Ministério Público Federal. Enquanto a PF vem desde 2003 se mostrando uma instituição republicana, atingindo políticos de todos os partidos em suas operações, sejam da base governista ou oposição, O MPF tem se mostrado corporativo, escolhendo alvos por interesses políticos partidários, sobretudo dos grandes veículos de comunicação, ou para obter vantagens pessoais.

O Procurador Geral da República foi pego prevaricando ao não denunciar os crimes investigados pela operação Vegas, permitindo que uma quadrilha que envolvia senador da República, deputados e governador de estado, seguisse cometendo crimes por mais dois anos, até serem pegos por nova investigação: a Monte Carlo. O Procurador se beneficiou com a sua inação, pois conseguiu ser reempossado para mais um mandato com o apoio do senador quadrilheiro.

Em uma instituição que tenha como função constitucional atuar como protetor maior da população, como o Ministério Público, só se esperava uma reação vigorosa de seus integrantes e o pedido de impeachment do seu superior hierárquico, mas o que a população presenciou foi o ato mais vergonhoso da história daquela instituição, com seus procuradores gerais regionais, em um ensaiado e uníssono coro de estupidez, saindo em defesa daquele que deveria tê-los envergonhado.

Não se tem notícia – embora eu reconheça que com o atual estado de manipulação da informação, dificilmente alguém iria noticiar – de procuradores do MPF que tenham protestado contra essa situação. O que se viu na rede, foi uma solidariedade barulhenta ao cometimento de crimes e ao uso político da instituição.

Obviamente existem procuradores sérios, que fogem a regra atual, e não aprovam o uso do MPF fora dos limites constitucionais, mas o que sentimos é que a instituição se transformou de uma forma geral em cartório dos grandes veículos de comunicação, denunciando apenas os casos que essas empresas têm interesse em divulgar, ignorando o que não tem apelo midiático. Parte da população que não aprova a seletividade político-partidária não se sente protegida por uma instituição que só ouve e age quando provocados por agentes poderosos.

O livro Privataria Tucana, que relata o maior escândalo de corrupção da história do país em todos os tempos, com valores muito superiores a qualquer desvio recente, que contém provas reais fartas obtidas em investigações incontestáveis, não gerou até agora qualquer denúncia por parte dos procuradores do MPF.

Denúncias recentes contra Aécio e Perillo divulgadas na imprensa alternativa, assim como as mais antigas envolvendo Serra ou outros tucanos, geralmente abafadas ou precariamente divulgadas pela grande imprensa pelo receio de prejudicar o partido que querem alçar de volta ao poder, não despertam interesse em procuradores mais interessados nos holofotes das entrevistas. E com isso vamos permitindo a impunidade de determinados políticos, que ao serem blindados pelo poder judiciário, se sentem a vontade de manter a sua rotina de cometimento de crimes contra o poder público.

Para garantir que pelo menos uma instituição garanta o combate à impunidade de crimes envolvendo políticos protegidos pela imprensa é fundamental que a função de investigar seja exclusiva de uma instituição republicana, que não age como ator político. Quem acusa é parte, a investigação deve ser feita de forma neutra sob pena de serem ignoradas provas que podem absolver os réus, como ficou claro no julgamento da AP 470, onde o PGR ignorou pareceres técnicos que desmentiam seus devaneios.

Dar a atribuição da polícia ao MPF é enfraquecê-la, tornando sua atuação inútil, e o MPF, sem precisar da PF para conduzir investigações nunca vai acioná-la, transformando uma instituição que orgulha a população como a Polícia Federal em mero cumpridor de mandatos judiciais.

A alegação de que quem é contra a investigação pelo Ministério Público é porque comete crimes é de uma desonestidade intelectual e um maniqueísmo ordinário. Quem defende a PEC poderia dizer que defende bandido é quem quer transformar policiais em oficiais de justiça, e limitar o grande número de operações que vem sendo feitas nos últimos anos e de fato reprimindo o crime e incomodando políticos que preferem o seletivismo do MPF, mas estes possuem argumentos e não precisam apelar para a cantilena engana trouxa do nós, os bons, contra eles, os maus.

A não aprovação da PEC 37 interessa, e muito, aqueles que desejam golpear a nossa jovem democracia.

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mai 242012
 

O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, apresentou ontem, as suas explicações por escrito aos questionamentos feitos por parlamentares da CPMI do Cachoeira. As perguntas diziam respeito à acusação feita por dois delegados da Polícia Federal que atuaram na operação Vegas, que afirmaram que a Procuradoria Geral da República não cumpriu com suas obrigações funcionais ao receber o inquérito da citada operação sem oferecer denúncia ao STF, nem ter pedido novas diligências ou arquivado a denúncia, congelando as investigações em andamento, inclusive sobre as pessoas sem foro privilegiado. Os delegados afirmaram ainda que essa operação já possuía elementos suficientes para pegar a mesma quadrilha que agora está sendo descoberta pela Operação Monte Carlo.

Ao saber que foi citado, e das movimentações para convidá-lo à CPI, Gurgel fez articulações políticas, chegando a visitar parlamentares para não ser chamado. Como não deu certo pela enorme repercussão do depoimento do delegado, Ele, e a subprocuradora Cláudia Sampaio, procuraram a imprensa alegando perseguição pelos réus do “mensalão”, com explicações frágeis e fazendo ameaças veladas a parlamentares. Uma das explicações dadas pela subprocuradora, de que o pedido para suspender o inquérito teria partido de delegado da Polícia Federal, foi formalmente desmentida pela direção da PF.

Recheadas de contradições e incoerências, as explicações dadas por Gurgel podem ser consideradas um deboche aos congressistas e, principalmente a população brasileira, que gostaria de ouvir explicações convincentes daquele que deveria ser o seu maior defensor, e contra quem agora pesam acusações de cometer crime de responsabilidade, ao impedir que a Polícia Federal desmontasse e prendesse uma quadrilha com ramificações nos três poderes.

Ao defender a tese de sobrestamento para que as investigações pudessem prosseguir, o Procurador Geral da República insiste em uma tese inconsistente que já foi desmentida pela Polícia Federal, e por juristas que comentaram a sua situação.

Se a sua intenção fosse que a operação tivesse prosseguimento com o sobrestamento, O PGR deveria ter pedido mais diligências para que fossem aprofundadas as investigações. Só que ele apenas sentou em cima da denúncia e esperou que caísse no esquecimento. A operação não teve continuidade, os delegados afirmaram que a ação da Procuradora provocou o seu congelamento desde então.

Alegou que se não tivesse agido daquela forma, os fatos hoje revelados sobre a quadrilha pela Operação Monte Carlo não seriam investigados. A afirmação não se sustenta porque o PGR nada tem a ver com as investigações da Operação Monte Carlo, solicitadas por procuradores regionais de Goiás, mais de um ano depois do engavetamento da Operação Vegas. A única consequência real da atitude de Gurgel foi dar sobrevida a uma organização criminosa e mais um mandato para parlamentares envolvidos.

As explicações do PGR conseguiram contradizer até a sua esposa, Cláudia Sampaio ao afirmar que cuidou pessoalmente do caso, sem delegar a denúncia aos cuidados de nenhum subprocurador, desmentindo declarações dadas à imprensa recentemente pela subprocuradora. Mesmo ajustando as versões elas continuaram conflitantes, e o PGR deixou clara a tentativa de tentar evitar que Cláudia fosse convocada para se explicar à CPMI.

Como de hábito, já apareceram algumas “análises”, nos principais meios de comunicação, decretando que as explicações do PGR foram suficientes para sepultar as suspeitas contra os dois, inclusive encontrando eco em membros da CPMI, como o já manjado “mosqueteiro da ética” senador Álvaro “pancake” Dias (PSDB-PR) e o representante da “neo-esquerda”, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Como já é célebre a covardia crônica da maioria dos parlamentares, é bem possível que eles consigam se safar do desgaste de enfrentar uma CPMI, mesmo que isso signifique mais um baque em uma CPMI que não consegue cumprir seu papel por não resistir a pressão declarada dos principais meios de comunicação. Afoitos pelo sepultamento da mesma, a velha mídia sabe que em uma investigação séria e independente de um congresso fortalecido e em condições de representar o povo e os estados, fatalmente sentariam com o PGR e a quadrilha Cachoeira no banco dos réus.  Gurgel pode até ser poupado, mas como um pato manco, vai se arrastar enfraquecido e com a sombra de suspeitas não esclarecidas até o final do seu mandato.

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abr 212012
 

Passado o baque inicial que causou completa desorientação devido a cachoeira de revelações criminosas envolvendo políticos aliados e jornalistas, a velha mídia conseguiu reagrupar forças e, como ninguém duvidava, resolveu traçar uma estratégia de ação para evitar que o clamor causado com a revelação das gravações divulgadas ( e as que ainda vão ser), devastasse os partidos que apoiam, além de abalar profundamente a credibilidade dos seus veículos.

Na expectativa de conseguir evitar que a CPMI fosse criada, a imprensa tentou desqualificar a sua instalação dizendo que o PT queria abafar o julgamento do “Mensalão”, como não deu certo, passou a dizer que o PT queria atrasar a comissão, em seguida ameaçou o Governo Federal, passando a sugerir que Dilma não queria CPMI. Como as ameaças não surtiram efeito e a comissão seria instalada, passou a constranger seus membros com histórico de denúncias sobre eles.

Depois de todas as tentativas frustradas, os grandes veículos de comunicação já mostram como vão se portar durante a CPMI: tentando pautar a comissão para que os assuntos que lhes são incômodos sejam ignorados. A ação é semelhante à utilizada pelos mesmos veículos em outras ocasiões: elege-se um assunto ou alvo, e todos os veículos passam a falar exclusivamente desse assunto, fazendo rodízio de denúncias novas e requentadas, de forma ininterrupta, para que o tema cause comoção pública e force os congressistas  a dar prioridade no que eles querem.

O alvo eleito, e que já está na linha de tiro, é a Construtora Delta, que teve diretores pegos nos grampos recentemente divulgados, e que apesar de ter negócios com governo municipais, estaduais e federal, obviamente todo o foco desses veículos vão ser nos contratos do governo federal e estados e municípios administrados por seus adversários políticos.

O plano já está em vigor, nota-se que há uma atitude agressiva de afirmar que o foco da CPMI será a Delta, “esquecendo” que a investigação da Polícia Federal é em cima do contraventor Cachoeira e suas ramificações de poder no estado de Goiás, suas relações com políticos da oposição e jornalistas, na influência no poder judiciário, na rede de poder utilizada para publicar matérias favoráveis aos seus interesses e uso da polícia para inibir a concorrência.

Não quero ser o chato pessimista, mas nós sabemos muito bem da capacidade que esses veículos ainda têm de manipular a opinião pública, portanto todo o cuidado é pouco para garantir que as investigações alcancem o verdadeiro motivo para a comissão ser instalada: a infiltração do crime organizado no poder público e a formação de associações criminosas com a presença de jornalistas.

Vai ser uma guerra de foice, em vez de Perillo, Demóstenes e Cachoeira a velha mídia vai gritar uníssona: Peguem a Delta, mesmo que para isso tenham que expor aliados que tem negócios com a construtora, afinal nesse caso é a sua sobrevivência que está em jogo.

Eu só vou comemorar se a sociedade conseguir tomar conhecimento desse tipo de relação espúria crime/velha mídia, porque em diversas outras ocasiões em que achamos que, enfim, seriam desmascarados, conseguiram se safar.  Eles vão fazer de tudo para evitar que as acusações contra eles sejam repercutidas e não vão medir esforços. Se as pessoas não querem mais uma pizza dos crimes da imprensa, é bom ajudar a fazer pressão no sentido inverso ao que eles fazem.

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ago 262011
 

O político José Dirceu fez uma denúncia no seu blog em que acusa o jornalista Gustavo Nogueira Ribeiro, que trabalha para a Revista Veja, de tentativa de invasão de quarto em que ocupava no Naoum Plaza Hotel, na quarta-feira última, dia 24/08.

Segundo a denúncia de Dirceu, o jornalista se passou por hóspede do quarto dele para a camareira do hotel, com a intenção de invadir o seu quarto com intenções ainda não reveladas nem pelo repórter nem pela revista. O mesmo jornalista, que fugiu do hotel sem fazer “check out” e dando calote na sua diária após perceber que tinha sido descoberto, ainda tentou se passar por assessor da prefeitura de Varginha, para tentar novamente entrar no quarto de Dirceu, alegando que tinha que deixar lá dentro “documentos importantes”. O hotel registrou queixa no 5º distrito policial de Brasília.

Instada a se manifestar através da resposta de perguntas que esse blogueiro formulou e enviou à redação da revista, com o intuito de ceder à publicação espaço para o contraditório, a revista não respondeu até o fechamento dessa matéria as perguntas que reproduzo abaixo:

1) O jornalista Gustavo Nogueira Ribeiro estava a serviço da revista ao se hospedar no Naoum Plaza Hotel e tentar invadir ilegalmente o quarto de José Dirceu em duas oportunidades, conforme conta no boletim de ocorrência registrado no 5º distrito policial de Brasília?

 2) Em caso positivo para a primeira resposta, a revista tinha conhecimento das práticas criminosas utilizadas por um jornalista contratado para tentar investigar, ou seja lá o que queria o Gustavo quando tentou invadir o quarto?

 3) Em caso positivo para a segunda resposta, a revista incentiva a prática criminosa como parte da obtenção de insumos jornalísticos, como a invasão ilegal e falsidade ideológica?

 4) Tomando conhecimento do fato, qual vai ser a postura da revista em relação ao crime cometido pelo jornalista que emprega?

 5) A revista publicará uma explicação ou ignorará o ocorrido contando com a conivência de outros meios de comunicação?

 A revista não se preocupou em responder ao blog, mas deve explicações à sociedade civil. São graves as acusações que pesam sobre o jornalista que estava a serviço da revista: Tentativa de invasão e de privacidade, falsidade ideológica e fraude. Se calar e atacar seus acusadores não vai arrefecer a exigência de explicações convincentes para a escandalosa ação que remete às práticas criminosas cometidas pelos jornais ingleses de Rudolf Murdoch, que recentemente assombrou o mundo inteiro.

 Essa revelação chega ao mesmo tempo em que o Wikileaks revela que nem a diplomacia americana acreditou na matéria em que acusa em 2006, o PT de ter relações com as FARC. A revista não conseguiu comprovar suas acusações.

 A revista VEJA sofre anualmente com vários processos de calúnia e difamação em conseqüência de um jornalismo que preza pela tentativa de destruição de reputações, onde se baseia em informações inventadas pela revista. A revista ainda é beneficiada pelo vácuo causado pela queda da lei de imprensa, o que dá argumento para que alguns juízes que temem por represálias da revista e alegam que não existe regulamentação no setor. O que se comenta é que a revista possui verba reservada para pagamento de indenizações, incentivando a prática do jornalismo mentiroso e de calúnias pelos jornalistas que trabalham para a empresa.

É preocupante a revelação em relação à manutenção do estado democrático de direito, a gente lembra que a revista publicou em anos anteriores uma transcrição da conversa entre um ministro do STF e um senador da República. Na época, a revista disse que a gravação foi obtida através de um agente da ABIN que não revelou a identidade. Também não divulgou o áudio da gravação para ser periciado pela PF. Não seria demais concluir que diante das revelações das práticas criminosas da revista, e pela confirmação dos envolvidos da autenticidade do diálogo, que a própria revista pode ter grampeado o telefone do senador e/ou do ministro e culpado a ABIN.

 Com a palavra o Procurador Geral da República porque o assunto é de extrema gravidade e merece respostas rápidas e duras das nossas instituições sob pena de retrocesso no processo democrático. Lugar de criminoso é na cadeia e por eventos semelhantes Murdoch teve que fechar seu jornal. É claro que não esperamos vergonha e decência dos proprietários da revista Veja e do grupo Abril a ponto de fechar a revista, mas o ministério público e a polícia federal têm a obrigação de investigar e levar a denúncia aos tribunais. Chega de máfia travestida de veículo de comunicação, o jornalismo do país precisa de uma FAXINA ÉTICA urgente.

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jul 252010
 

Para entender como o Datafolha conseguiu a proeza de colocar Serra na frente, um dia após do Vox Populi apontar Dilma com vantagem de oito pontos, é preciso conhecer alguns detalhes de como são feitas as pesquisas Datafolha.

Diferentemente dos demais institutos, o Datafolha entrevista pessoas nas ruas e não nas suas residências. Daí você pergunta: Em que isso faz diferença, LEN? A diferença é na checagem de parte dos questionários – que é uma prática estatística informada por todos os institutos ao TSE no momento do registro da pesquisa – enquanto os outros institutos definem um número de domicílios a serem visitados pelos supervisores para checar os resultados informados pelos pesquisadores, o Datafolha precisa solicitar um número de telefone ao pesquisado para que o supervisor possa checar parte das entrevistas feitas.

Acontece que o Datafolha só precisa checar 20% das entrevistas realizadas, e no caso da amostragem de 10.000 que usou na última pesquisa,  bastava entrar em contato com aproximadamente 2.000 telefones de entrevistados para confirmar os dados.

Como podemos perceber no questionário do Datafolha não há em nenhum local qualquer menção a obrigatoriedade do fornecimento de telefone, e como o campo para anotação dessa informação se encontra no final do questionário, se fosse um campo mandatório que bloqueasse a continuação da pesquisa ele estaria no início e não no fim. Além disso, o campo de checagem no início do questionário admite a opção “sem telefone” e, novamente, se fosse um campo obrigatório, não faria o menor sentido existir uma opção não aceitável para o supervisor marcar.

Aí que está o pulo do gato. Nos outros institutos, que fazem pesquisas em domicílios, todos os formulários são rastreáveis, mesmo os que não foram checados pela supervisão, podendo em uma auditoria ou investigação policial serem verificados, pois com as informações de endereço o entrevistado pode ser encontrado.

Como o Datafolha realiza pesquisas nas ruas, quando um questionário é marcado no campo de checagem como “sem telefone” ou “telefone errado”, este questionário pode ser manipulado como bem entender o diretor do instituto, pelo simples fato de que não são rastreáveis, ou seja, os entrevistados não podem ser encontrados para que em uma auditoria ou investigação policial possam ser verificados os dados que supostamente responderam ao entrevistador.

Nada impede que esses questionários tenham sido fabricados pelo próprio instituto para manipular os resultados, pois não podem ser verificados. Na verdade, os resultados do Datafolha dependem da fé na sua credibilidade porque não podem ser confirmados por auditoria.

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