out 172010
 

No post “Restou à Folha de São Paulo o papel de alcoviteira” fizemos um paralelo entre a atuação de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, no DERSA do governo Serra com a atuação do ex-diretor de Furnas no Governo FHC, Dimas Toledo. Ambos são acusados de ser arrecadadores de caixa 2 para a campanha de tucanos, junto aos fornecedores diversos desses órgãos, um esquema montado pelo PSDB onde governa para garantir recursos para campanhas milionárias e enriquecimento ilícito.

O DERSA por se tratar de um órgão responsável por obras em estradas, trabalha com empreiteiras, e são essas empreiteiras que atuam em obras financiadas pelo Governo de São Paulo como no Rodoanel. A Camargo Corrêa e a EIT são exemplos de empreiteiras que trabalham nessas obras.

Em março de 2009 a Polícia Federal deflagrou a Operação Castelo de Areia, que desvendou esquema de pagamento de propinas por empreiteiras a políticos em troca de facilidades, e a Polícia Federal alega que Paulo Preto teria recebido mais de 400 mil Reais da Camargo Corrêa, tendo como prova anotação recolhida em uma das buscas realizadas na operação.

Estranhamente, mesmo acusado de ter recebido propina de uma das empreiteiras que prestam serviço ao Governo de Estado, Serra manteve Paulo Preto à frente do DERSA, ou seja, deixou o lobo tomando conta do galinheiro. Paulo Preto só saiu do órgão quando Serra saiu do governo para se candidatar a presidente.

O esquema montado por Paulo Preto no DERSA contava com o aval de quem comandava a Casa Civil do governo Serra, o Senador eleito Aloysio Nunes, o seu padrinho e companheiro de longa data.

O escritório de advocacia que dá assessoria jurídica para as empreiteiras contratadas pelo governo do estado para construir a alça sul do anel viário contratou em 2006 a filha de Paulo Preto (quando este já estava no DERSA), Priscila Arana de Souza, para atuar em pelo menos um processo do Tribunal de Contas da União que apontou indícios de superfaturamento no projeto. O escritório que contratou Priscila ainda atua junto ao TCE representando essas empreiteiras em processos referentes ao Rodoanel.

O Escritório em que trabalha Priscila atua ainda para a empresa EIT (Empresa Industrial Técnica) em processos junto a prefeitura de São Paulo. Em 2009 a EIT dividiu com a Engesa, por 459 milhões, metade da obra da nova marginal, gerenciada também por Paulo Preto.

Um caso mais grave ainda é o caso também defendido pelo escritório em processo da procuradoria da república e do ministério público estadual sobre vigas de um viaduto em construção que caíram sobre a Rodovia Régis Bittencourt deixando três feridos, representando o consórcio de empreiteiras OAS, Mendes Jr. e Carioca.

Para mostrar como os tucanos não colocam limites entre o público e o privado, além de afrontar os poderes constituídos, o esquema chegou também ao poder legislativo no ano passado, quando o mesmo escritório contratou também Nathália Annette Vaz de Lima, Filha do deputado estadual José Carlos Vaz de Lima (PSDB) líder do partido na assembléia legislativa e também ligado ao então Secretário da Casa Civil do Serra, Aloysio Nunes.

Um empréstimo de 300 mil, feito por essa fenomenal advogada e sua mãe para Aloysio Nunes comprar um apartamento mostra como os tucanos são cooperativos entre si. Aloysio Nunes ainda é citado em um inquérito da polícia federal por supostamente ter sido beneficiário de 15 mil dólares para caixa 2 em 1998, que teriam vindo da…Camargo Corrêa, a mesma que também teria pago propina a Paulo Preto na Operação Castelo de Areia. O componente irônico é que essas pessoas, com tantas acusações ligadas a empreiteiras, estiveram à frente no governo Serra de projetos que mexem com tanto dinheiro e envolvendo as mesmas empresas.

Além de Priscila fazer essa ponte, a outra filha de Paulo Preto, Tatiana Arana Souza Cremonini, foi nomeada por Serra em 2007, como assistente técnica de Gabinete, com salários de R$ 4.600,00, com gratificações, configurando um caso claro de nepotismo cruzado, outro esbofeteamento tucano a ética no serviço público.

Como existem recursos federais em algumas das obras envolvidas, penso que seria caso da Polícia Federal entrar no caso e investigar essa história mal contada, aliás, como dizem que não temem sugiro aos tucanos que peçam investigação desse caso para a PF, como fez o PT no casos: Receita e Erenice. O que é certo que podem não ter calculado corretamente o poder explosivo desse caso para os tucanos. A cada dia mais informações são descobertas nesse caso e o homem-bomba do Serra está caminhando para se tornar o homem-artefato de destruição de tucanos em massa.

Agradecimentos ao @stanleyburburin e @paginadois pela colaboração.

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