Nas últimas horas de ontem, o mundo estremeceu com a notícia do suposto assassinato de Osama Bin Laden por forças americanas em Islamabad, no Paquistão. O anúncio, antecipado por algumas agências de notícias, foi feito pelo presidente americano, Barack Obama, em tom de triunfo, em pronunciamento oficial na Casa Branca.
Até o momento do fechamento desse texto não havia confirmação da notícia por parte da AL QAEDA, organização liderada por Bin Laden, que há alguns anos assombra todos os governos americanos. Nenhum registro da ação ou dos restos mortais de Osama foi divulgado até agora. O Pentágono afirma que o corpo foi “sepultado” no mar.
Não acho provável que Bin Laden esteja vivo, seria uma imprudência muito grande fazer o anúncio e depois aparecer um vídeo com o Osama gozando a notícia do seu assassinato, Obama estaria acabado. O que acho mais provável é a CIA ter descoberto que Bin Laden morreu por causas naturais, até por ser um homem não tão jovem e que possivelmente não tenha acesso a um bom hospital, devido ao fato de ser caçado de forma implacável.
A Casa Branca estaria então aproveitando para faturar em cima dessa morte e se livrando da constatação da incompetência de não ter conseguido encontrar seu desafeto depois de quase dez anos, e aproveitando o fato de que a AL QAEDA jamais anunciaria a morte do seu líder maior por questões estratégicas, para conseguir dividendos eleitorais com o ocorrido, só isso justificaria a falta de registros. Lembrando que com Saddan Husseins, foram divulgadas diversas evidências em imagens de sua prisão e execução. Não dá para acreditar que os americanos não tenham registrado as ações e o corpo dele.
Logo após o anúncio de Obama, milhares de americanos foram às ruas e se concentraram no entorno da Casa Branca para comemorar a morte de Bin Laden. Além de ser uma demonstração de sadismo explícito que rebaixa a raça humana na escala de evolução, a reação foi ainda mais um tiro no pé dos americanos porque alimenta e reforça o sentimento de ódio e vingança contra o imperialismo praticado pelo seu país. As imagens dos americanos sorrindo e festejando vão servir como o argumento que precisavam alguns islamitas para se alistar na AL QAEDA. Vai aumentar a paranóia, o nível dos alertas de segurança e a perda do direito a privacidade dos habitantes dos EUA. O que eles festejavam mesmo?
No Brasil, a velha mídia demonstrou mais uma vez todo o seu talento para colonizados, tratando o suposto feito como algo heróico. Eu sei que é pedir muito para eles demonstrarem qualquer traço de coerência nos comentários, mas os mesmos que tentam justificar o assassinato sumário sem direito a um julgamento e o sadismo dos que foram às ruas comemorar, se indignaram em 2001, quando grupos muçulmanos do Oriente Médio foram as ruas para comemorar o ataque contra as torres gêmeas no 11 de Setembro. Ambas as atitudes foram reprováveis e não mereciam tratamento tão equidistantes da imprensa Brasileira.
No twitter, alguns amigos dão como certa a reeleição de Obama por causa da morte do maior desafeto do povo americano, eu já discordo respeitosamente. Por mais que fique chocado com a comemoração de um assassinato, entendo que aquelas pessoas que ali estavam não são uma amostra fiel do povo americano. A lição que tirei das eleições americanas foi que a maioria reprovou as ações de Bush e a política imperialista, visto que Obama prometeu nas eleições, acabar com Guantánamo e interromper as ocupações no Iraque e Afeganistão. Pode ser que a maioria do povo americano tenha sinalizado com a reprovação das políticas de “proteção” daquele país, dando a vitória para a oposição dos Democratas.
Com a ação de ontem, Obama não atrai tantos votos dos republicanos como se pensa, principalmente dos mais conservadores e racistas que não votariam nele jamais, e além disso, Obama já vinha recebendo muitas críticas dos seus eleitores, que agora vêem nele uma continuação do governo Bush, e depois de ontem esse continuaismo fica mais nítido. Acredito que o aumento do nível da paranóia americana, com medo de mais represálias, e as restrições ao direito de privacidade vão incomodar a ponto de gerar cada vez mais insatisfações. Posso estar enganado? Claro, me cobrem nas próximas eleições daquele país.
Fonte da imagem ilustrativa: Reuters.




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