Category: Tortura nunca mais

O democrata Marcelo Tas e o mal-entendido

Marcelo Tas começa a ter destaque na internet por seus comentários via Twitter. Mais por suas opiniões políticas do que qualquer outra coisa.

Os comentários do apresentador do programa CQC, da Band, nas últimas semanas têm gerado uma reação de outros jornalistas e blogueiros por conta da arrogância e do conservadorismo que os permeiam.

O mais recente se referiram à operação policial no complexo de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro.

Embora seu perfil no twitter beire a esquizofrenia ou, como dizem hoje, à aleatoriedade, o apresentador tem um pensamento claro. As posições contraditórias aparecem quando retuita textos de Luiz Eduardo Soares ou Celso Athayde, que muitas das vezes vão de encontro com seus gritos conservadores.

Não se sabe se Tas retuita para mostras o que considera absurdo, ou se pensa uma coisa e escreve outra.

O Blogueiro/ Apresentador também tem uma característica marcante. É quando recebe críticas, que são rebatidas com ataques as classificando de “chapa-branca” ou “petistas”, ou clama pela liberdade de imprensa e opinião, tentando atribuir à critica um caráter anti-democrático de censura.

Quando lhe faltam argumentos, ataque!!

Desta vez Tas foi além de se gabar e se fez uma pergunta genial:

“E se o BOPE, a Polícia e as Forças Armadas, depois da operação no Rio, fossem limpar o Congresso Nacional?”

Que eu  saiba, esse método autoritário clamado pelo democrata (não por causa do partido DEM, talvez por isso também), já foi posto em prática em 1964. Com argumento parecido, acabar com a corrupção e retomar a “moral e os bons costumes”.


A reação foi quase que imediata. O jornalista da Record e do blog Escrevinhador, Rodrigo Vianna, perguntou se era verdade essa afirmação.

Tas logo rebateu dizendo que Vianna é um “jornalista decadente” e distorceu sua frase para “chamar atenção para sua insignificância”.

O apresentador do CQC já demonstrou em várias oportunidade a sua arrogância e megalomania. Ele, e seus colegas de programa, se consideram os paladinos do “humor inteligente”. Inclusive já afirmaram isso inúmeras vezes ao vivo.

Se o são ou não, não cabe aos próprios afirmarem isso. É como Zorra Total dizer: “Ele não são um humor tradicional, como nós”.

A megalomania de Tas não para por aí. Em uma entrevista de blogueiros com o presidente Lula, Tas (que assistia ao vivo) comentou o fato de muitos comemorarem a alta audiência da transmissão, exclusivamente via internet.

“Atenção puxa-sacos que comemoram 6 mil de audiência: no CQC temos 30 mil toda semana”

Freud talvez possa explicar melhor do que muitos essa necessidade de Tas se colocar acima de todos, O inteligente, O líder de audiência, O jornalista significante, O rei do “da vanguarda dos humoristas televisivos”…

Talvez por ter voltado para a TV liderando um programa e que, diga-se, conseguiu levantar a audiência da Band que sempre foi um fiasco.

Talvez por questões mais profundas.

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O Globo deu sustentação à ditadura e foi cúmplice de seus crimes

O jornal O Globo se une à Folha de São Paulo em um mais um episódio vergonhoso para a imprensa nacional: a tentativa vil de reescrever a história para os mais jovens e para os alienados, tirando fatos de contextos históricos sem oferecer as informações necessárias para que o leitor entenda o que se passava no país à época.

A tentativa desonesta e imoral de transformar vítimas de censura, perseguição, prisão arbitrárias, espancamento, tortura, morte e desaparecimento, e que lutavam contra o regime que promovia esses crimes em criminosos, capazes de roubar e matar para implantar uma ditadura Stalinista no Brasil, é na verdade, um retorno a posição que o jornal O Globo defendeu durante toda a ditadura militar, tendo dado sustentação necessária para divertir a população enquanto o sangue de brasileiros corria nos porões.

Enquanto a Folha emprestava carros para transportar presos políticos para as masmorras da tortura, O Globo, na figura do seu presidente Roberto Marinho, se transformava no maior sustentáculo para os militares, o que lhe rendeu a contrapartida de poder se apossar da TV Paulista em pleno regime militar.

Os leitores de O Globo ficaram sabendo do golpe chamado de “revolução” através do editorial “Ressurge a democracia”, onde o jornal comemorava o golpe militar que retirava a força do poder vice-presidente legitimamente eleito e empossado após renúncia do presidente eleito, como reza a constituição, em uma demonstração de desprezo que seus donos sempre tiveram em relação ao soberano direito da população de escolher seus governantes.

Durante a ditadura, nenhum jornal cumpriu mais fielmente o seu objetivo de formar uma sociedade alienada e desmobilizada que fosse incapaz de reclamar seus direitos constitucionais cassados, se revoltar contra a opressão, as arbitrariedades e crimes cometidos pelo estado na época. O Globo desinformou a população de forma deliberada, publicou versões mentirosas favoráveis aos tiranos e se calou diante das atrocidades, inclusive contra colegas jornalistas.

Quando a ditadura agonizava em 84, e o país exigia a realização de eleições diretas que os editores dos jornais sempre mostraram ser contra, O Globo ignorou passeatas que reuniram mais de 1 milhão de pessoas, comemorou quando a emenda das diretas foi rejeitada e em outubro daquele ano, Roberto Marinho escreve o editorial “Julgamento da revolução”, onde enaltece os vinte anos do regime que torturou, matou e desapareceu com brasileiros.

Depois de 25 anos de silêncio sobre a sustentação dada ao regime militar e cumplicidade com seus crimes o jornal O Globo resolve abrir de novo a porta do armário e deixar aparecer novamente os esqueletos que tentou esconder durante tanto tempo. Não, a empresa não vai querer mostrar esses esqueletos. Esqueleto? Que esqueleto? Não, não estão fazendo mea culpa pelo papel sem vergonha que desempenharam durante a ditadura. O que eles estão fazendo é aquilo que sabem fazer como ninguém: transformar mentiras em verdades, para orgulho do mestre Goebbels.

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Folha de SP revoga a lei de anistia e deve explicações ao Brasil

Folha de São Paulo conseguiu se transformar em fiel depositária do espólio do terror das torturas e assassinatos praticados contra brasileiros pela tirania do Estado sob o regime militar. Depois de minimizar e relativizar os crimes praticados pela opressão, chamando o regime que torturou, matou e desapareceu com brasileiros de “Ditabranda”, o jornal paulista consegue junto ao Superior Tribunal Militar, depois de intensa batalha judicial, o direito de fuçar o processo que o regime abriu contra Dilma Rousseff e manipular as informações, tornando públicos depoimentos obtidos mediante tortura física, mental e moral.

A intenção, declarada por sinal, da direção do jornal era conseguir essa autorização para usar as referidas informações durante a campanha eleitoral, muito provavelmente para municiar boatos e incentivar a campanha suja, que foi a tônica da estratégia montada por José Serra e levada a cabo com fidelidade canina pelos veículos de comunicação que o apoiaram. Sem esquecer que esse mesmo jornal levou à primeira página uma farsa montada digitalmente que já circulava como spam por e-mail havia meses, que simulava uma ficha do DOPS de Dilma, e, de tão grosseira, foi prontamente desmascarada por especialistas como produto de fraude.

Folha tenta agora reescrever a história, se aproveitam que o tempo vai amarelando os registros e as novas gerações se distanciando da história. Durante a redemocratização, os defensores do regime de exceção, que editou, entre outros, o Ato Institucional nº 5, desapareceram, ninguém tinha a coragem de defender publicamente; os torturadores se reuniam na penumbra, em reuniões que só eram anunciadas depois de realizadas. Parece que agora eles já conseguem colocar a cabeça para fora d’água a fim de tentar defender o indefensável, com a estratégia de sempre de contar a versão mentirosa para quem não presenciou a verdade.

Folha quebra um precedente perigoso para ela mesma ao desmontar o frágil argumento de que todos foram perdoados pela lei de anistia. Esse argumento utilizado, para evitar que torturadores sentassem no banco de réus, foi muito usado por aqueles que preferiram se calar ou colaborar com os crimes que o Estado cometeu durante o regime. Além de criar precedente para que familiares de torturados revisem processos e tivessem acesso a informações sobre crimes para cobrar punição aos criminosos, a Folha corre o risco de que qualquer brasileiro requeira informações sobre a colaboração do Jornal com o regime e  sobre a leniência, deste mesmo Jornal, na defesa de seus funcionários.

As famílias de torturados pela Operação Bandeirantes poderiam solicitar informações sobre a cessão pelo jornal de viaturas usadas para distribuição, para conduzir presos e torturadores aos locais de tortura. Assim como qualquer cidadão poderia conhecer as circunstâncias que levaram a direção da Folha a demitir a jornalista Rose Nogueira por “abandono de emprego” no período em que ela se encontrava presa em um dos porões da ditadura.

A desculpa de que o regime era opressor não convence em relação a essas questões não respondidas pela Folha. Manter o jornal funcionando durante a ditadura é compreensível, mesmo que muitos tenham preferido fechar o jornal e ser deportado a se calar diante dos crimes que aconteciam, mas aceitar colaborar com crimes e punir funcionários que tinham sido presos por crimes de opinião é agir como cúmplice.

Folha de São Paulo cometeu crimes durante o regime militar e precisa, enfim, abrir o baú e dar as explicações que a sociedade brasileira exige.

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Tortura como crime comum: Dois dias para votação decisiva no STF

Dia 14, quarta-feira o STF tem uma votação decisiva e histórica. Vai ser votada a ADPF (Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 153 formulada pela Associação de Juízes pela Democracia, que pede que crimes de tortura não sejam considerados como os perdoados pela Lei de Anistia, corrigindo um erro histórico.

Existe um manifesto pela aprovação da ADPF que já conta com a adesão de 15.800 pessoas. Eu já assinei. O que você está esperando? Assine o manifesto já aqui.

Você ainda pode participar enviando e-mails para os ministros do STF para deixá-los saber que você engrossa o coro daqueles que só querem justiça. Abaixo o endereço de e-mail de nove dos onze ministros do STF.

Ellen Gracie – ellengracie@stf.jus.br

Gilmar Mendes – mgilmar@stf.jus.br

Celso de Mello – mcelso@stf.jus.br

Marco Aurélio de Mello – marcoaurelio@stf.jus.br

Cezar Peluso – carlak@stf.jus.br

Joaquim Barbosa – gabminjoaquim@stf.jus.br

Eros Grau – gaberosgrau@stf.jus.br

Carmen Lúcia – anavt@stf.jus.br

Dias Toffoli – gabmtoffoli@stf.jus.br

Essa foi à mensagem que mandei para eles que pode servir de exemplo para quem quiser seguir o gesto:

Bom dia Ministro(a) {Nome do ministro(a)},

Longe de querer exercer algum tipo de pressão sobre os ministros do STF, mas a votação de quarta-feira da ADPF 153 é por demais importante para a construção do Brasil que queremos, sem manchas. Manifesto aqui minha posição em favor que o STF declare a inaplicabilidade da Lei de Anistia para Crimes comuns praticados por agentes de repressão contra seus opositores políticos, durante o regime militar.

Agradeço de antemão a atenção dispensada

{nome do remetente}

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