mai 132012
 

Por DiAfonso

A eleição e a reeleição de Lula – além de ele ter feito a sucessora – provocam indigestão nas grandes corporações midiático-golpistas. Assim é que, volta e meia, qualquer fato é motivo para mencionar o ex-presidente. Essa menção quase sempre é matizada por fragmentos desabonadores, como se o ex-torneiro mecânico tivesse presidido com incompetência o Brasil [o crescimento econômico, os positivos indicadores de mobilidade social e os altos índices de aprovação de Lula estão aí para mostrar o quão inverídicas são as referências maledicentes de determinados setores da mídia tupiniquim].

A “má vontade” midiática com Lula pode se ver na matéria publicada por um dos “produtos” da Editora Abril. Aqui, refiro-me à revista Exame, especificamente.

Exame, a pretexto de revelar a “biografia” dos integrantes da Comissão da Verdade, resolveu incluir a figura de Lula na “apresentação biográfica” dos que comporão a Comissão.

Há de se perguntar: o que tem a ver Lula com o perfil dos escolhidos para a “missão de fechar algumas das cicatrizes do Brasil”? Nada. Absolutamente, nada. Os episódios que envolveram alguns componentes da Comissão da Verdade e Lula – de forma positiva ou negativa para o próprio – se deram em um momento da vida política nacional. Não dizem respeito aos objetivos da Comissão da Verdade ou à capacidade de discernimento dos integrantes da dita Comissão.

Isso, sim, deveria ser o norte da matéria em consonância com o seu título, haja vista não haver nenhuma relação entre investigar o que ocorreu no período sangrento da História do Brasil [com o apoio, velado ou explícito, desses órgãos de comunicação ao golpe de 1964] e as desavenças de A ou B com Lula ou com as críticas positivas de A ou B que são feitas a ele.

A leviandade da publicação é tanta que só aponta um “desafeto” de Lula, além de omitir o real motivo que levou Maria Rita Kehl a ser demitida dO Estado de S. Paulo [leia aqui].

Vale notar ainda que a gratuidade na inclusão do nome de Lula – no universo temático tratado no texto – se confirma num simples detalhe: as tags [ou marcadores temáticos] da matéria não apontam para a palavra Lula. Lá, pode se ler: Ditadura, Governo Dilma, Justiça.

Assim são os nossos veículos de comunicação. Ainda vêm falar de liberdade de expressão e vociferar contra o marco regulatório da mídia.

Está mais que claro: a mídia brasileira é parcial e não cumpre o papel de informar como ocorre nas grandes democracias.

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fev 052012
 

Por DiAfonso [Terra Brasilis]

Desde o dia em que li o artigo Alhos com bugalhos [transcrito abaixo] do Merval Pereira, o “Imortá da ABêEle”, venho arrumando um tempinho para tecer algumas considerações. Eis que agora o tempo surgiu.

Na verdade, são dois tipos de considerações: a primeira diz respeito ao discurso do “sinhô Mervá imortá”; a segunda se refere a alguns aspectos da estrutura do texto do “Sinhô Dotô Mervá Imortá Perêra” [Não costumo discutir ideias focando nos "erros" que sinalizam para o "mau uso" da variante da língua portuguesa dita padrão. Com Mervá, no entanto, tenho uma certa "sastisfação". É o meu protesto contra uma ABL que perdeu o norte de seus propósitos. É a minha solidariedade ao escritor Antônio Torres cuja vaga foi vergonhosamente usurpada pelo ordinário "escritor" que é o Mervá.].

“Apois” bem, “vamu lá”!:

O raciocínio “mervaliano” – sobre o raciocínio da presidentA Dilma – apresenta, de início, um equívoco – o próprio Merval tratará de escancarar o equívoco. Escreve ele, o Mervá, que a forma como a presidentA Dilma vê a questão dos direitos humanos, de um modo amplo,

“[...] faria até sentido se ele [o raciocínio de Dilma] comparasse regimes políticos semelhantes.”.

["Ô, misera!"] Quando a presidentA Dilma fala de direitos humanos – considerando todo e qualquer regime de governo -, ela o faz na perspectiva de que o respeito aos direitos humanos deva ser imperativo em qualquer forma de governo e, sobretudo, naquela forma dita democrática, caso dos EUA.

Mas esse não parece ser um preceito a ser seguido pela infame potência mundial. Basta passar um pano rápido nas investidas estadunidenses mundo afora para constatar que clamar por direitos humanos é uma conveniente bandeira… quando se trata dos interesses do governo de Washington.

Se Cuba, cujo sistema governamental ganha “publicidade jornalística” como “ditadura” – concordo, em tese, com essa denominação -, não respeita os direitos humanos, as democracias – como a estadunidense – deveriam, imperativamente, respeitá-los. Não é o que se vê.

Mais adiante, o Mervá tenta iludir, com seu “raciocínio” pouco consistente, o leitor. Escreve ele que o sistema judiciário das democracias [Faz alusão, especificamente, aos EUA, pois, no Brasil, a coisa não é tão eficaz assim. Mervá deveria dizer por qual motivo isso ocorre, mas, covardemente, não diz.] funciona e pune os que mostram desvio de conduta no quesito direitos humanos.

O poder judiciário da “democracia” estadunidense pune os transgressores, mas o Estado continua impune. Vale ressaltar ainda, Mervá, que as punições servem de lenitivo, de “prestação de contas” ao mundo e se dão no âmbito interno desta sociedade. Lá fora [Iraque, Afeganistão, Paquistão...], as atrocidades não só continuam a acontecer, como são estimuladas pelo belicismo dos EUA.

De fato, Mervá, não dá para comparar regimes autoritários com sistemas democráticos de governo, mormente, quando, nestes últimos, os direitos humanos são relegados a um discurso de conveniência. E, aqui, parece-me que quem está misturando alho com bugalhos é o “Sinhô, Dotô Mervá”, porquanto não atentou para a amplitude da fala da presidentA e a implícita crítica que ela faz ao comportamento “democrático” de alguns países, incluindo todos aqueles que se alinham às diretrizes estadunidenses.

Um dado interessante no texto do Mervá é a referência sutil a ações governamentais que desrespeitam – quer por ação efetiva, quer por omissão – os direitos humanos. Ele cita a realidade das prisões brasileiras e as intervenções arbitrárias em comunidades pobres, mas não nomeia quem capitaneou recentemente – em conluio com o judiciário – o flagrante desrespeito aos direitos humanos em Pinheirinho. Fosse um prefeito ou um governador do PT, seus nomes apareceriam em letras garrafais. Como é Geraldo Alckmin e um prefeito do PSDB, nada a declarar… apenas vagas alusões.

Já quanto à estrutura do texto, só me resta dizer que sinto vergonha. Vergonha em saber que um eleito para a ABL apresenta dificuldades enormes em engendrar algumas linhas. Parece faltar ao “Sinhô Dotô Mervá” a habilidade estilística na construção de períodos articulados. O enxame de conjunções aditivas [E a imprensa internacional... / E geralmente... / ...e mancharam o nome do país... / ...e sistema judiciário costuma atuar com rigor. / ...e onde dissidentes morrem de fome...] ferroam o leitor. Mervá, a eliminação de algumas dessas conjunções daria mais leveza ao texto, hômi! Vêji isso lá com os doutô da ABL. E o relativo “onde”? Ele aparece três vezes! ["Ô, mininu danado esse Mervá!"].

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Alhos com bugalhos
O raciocínio da presidente Dilma sobre os direitos humanos faria até sentido se ele comparasse regimes políticos semelhantes. Mas ela simplesmente está misturando alhos e bugalhos. Uma democracia como a brasileira tem que ser criticada, e frequentemente o é, pelas falhas nos direitos humanos nas suas prisões, por exemplo, que são vergonhosas, ou nas comunidades pobres. Ou os Estados Unidos, como a própria Presidente brasileira lembrou, quando abusam dos direitos dos prisioneiros de Guantánamo. E a imprensa internacional não se cansa de denunciar esses abusos, lá e em outras regiões do mundo onde os Estados Unidos, através de seus agentes, cometem qualquer tipo de barbaridade. E geralmente, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos – mais lá do que aqui, temos que admitir – os agentes públicos que abusaram de seu poder e mancharam o nome do país são punidos, e sistema judiciário costuma atuar com rigor. O mesmo não se pode dizer de Cuba, onde o abuso dos direitos humanos é uma política de Estado, e onde dissidentes morrem de fome por falta de um mínimo de atuação do estado, que é uma ditadura de mais de 50 anos, sem Parlamento livre nem liberdade de imprensa e, portanto, não pode ser comparada com outros países democráticos que falham na proteção dos direitos humanos.

Blog do Merval

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fev 012012
 

Por DiAfonso [Terra Brasilis]

Foi-se o tempo em que certos jornalistas, por meio de uma imperceptível parcialidade diante dos fatos, seduziam legiões de incautos. Eles – os certos jornalistas – perderam o poder de “convencer” os leitores das falácias e cavilosidades jornalísticas.

É sabido que a presença de tais “entes” é maciça nas grandes corporações midiático-golpistas que tentam, por razões não mais obscuras, desestabilizar um governo eleito democraticamente. Esse processo de desestabiização e desgaste, com factoides e tais e quais, deu-se mais intensamente no governo Lula e finca raízes no governo Dilma.

Os sofismáticos jornalistas são, a cada dia e cada vez mais, desmascarados em sua ânsia de construir uma verdade inexistente ou meias verdades e passar para o público-leitor um recorte capenga da realidade. Muitos são os casos. Recentemente, a Veja e o jornalista de esgoto, Reinaldo Azevedo, foram flagrados na mentira [aqui]. Agora, é o jornalista Cláudio Humberto que, ironicamente, esforça-se em distorcer os fatos. Vejam o que foi publicado em sua coluna de hoje:

Partindo da premissa de que, em Cuba, não há observância aos direitos humanos e de que ministros responsáveis pela pasta de Direitos Humanos não devam, institucionalmente, relacionar-se com qualquer outro país onde não exista respeito a esses direitos, a ministra Maria do Rosário estaria impedida de pôr os pés nos Estados Unidos.

Isso deveria ficar claro para Cláudio Humberto, a menos que ele desconheça o Campo de Detenção da Baía de Guantánamo ou, ainda, os horrores perpetrados por soldados estadunidenses no Afeganistão, no Iraque e no Paquistão – só para citar alguns exemplos.

Maria do Rosário também não poderá visitar Israel, certo, Cláudio Humberto?!

Leia também: O equívoco de um jornalista na abordagem do “plural” e da “concordância” de Lula. Ou, se desejar, pesquise o que já se publicou no Terra Brasilis sobre Cláudio Humberto [palavra-chave na caixa de pesquisa: Cláudio Humberto].

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jan 262012
 

Por DiAfonso [Terra Brasilis]

O Brado Retumbante, minissérie global que estreou no último dia 17, seria uma obra de ficção?

É a pergunta que todos andam fazendo. Eu diria – em função de uma leitura muito particular – que, em certo sentido, sim. Mas, se deitarmos um atento olhar para alguns coincidentes detalhes que vão surgindo ao longo da “trama ficcional”, ele nos revelará, aos poucos, que a ficção cede lugar à maquiavélica construção de uma realidade que se pretende instaurar num futuro não muito distante.

A obra foi escrita por Euclydes Marinho que contou com a colaboração de Nelson Motta, Denise Bandeira e… Guilherme Fiuza.

Fiuza, como se sabe, é um notório articulista da oposição sem rumo que tenta, sem sucesso, retomar o poder e compartilhá-lo com uma elite pouco afeita ao papel de coadjuvante em uma sociedade que vem se construindo, desde o Governo Lula, a partir do principal personagem: o povo.

Se juntarmos – num caldeirão bruxo-midiático – a Rede Globo [emissora que veicula a minissérie] e, especialmente, o colaborador Fiuza, teremos uma “diabólica porção mágica” cujo intuito é intervir nos processos eleitorais que se avizinham: 2012 e 2014.

A trama, conduzida com intenções subliminares, almeja dar vida a personagens, por assim dizer, pouco “ficcionais”, se os compararmos a algumas figuras da política brasileira contemporânea.

Quem não reconhece, por exemplo, Aécio Neve no papel de Paulo Ventura [Domingos Montagner]? Os instintos aecianos [ou pelo menos o que se divulga sobre a "insaciabilidade" do senador mineiro... ou será carioca?] estão lá presentes no presidente Paulo Ventura [a simples consulta a um dicionário, nos dará os sentidos possíveis para o sobrenome "Ventura"... Façamos um entrelaçamento entre o semântico e a realidade política atual e teremos algumas hipóteses interessantes].

A tênue barreira entre “ficção” e realidade política foi duramente tencionada no capítulo desta sexta-feira, dia 20. A temática posta em algumas cenas não deixa dúvidas de que ficção e realidade são a mesma coisa [!]. Ficou claro que a emissora, pelas mãos do autor e colaboradores [não nos esqueçamos do Guilherme Fiuza!], tem um propósito nada ficcional. Vejamos:

Antônia Ventura, professora de história e esposa do recém-empossado presidente, recebe do professor e amigo Guilherme um pen drive com informações confidenciais e importantes que podem gerar um escândalo no Ministério da Educação. O conteúdo do arquivo está relacionado à “qualidade histórica” dos livros didáticos adotados pelo Ministério… Alguma coincidência?

Três dados interessantes podem ser “eleitos” neste episódio:

  1. o primeiro é que Fernando Haddad – Ministro da Educação do Governo Lula e, também, do Governo Dilma – se viu bombardeado pelos veículos midiático-golpistas no caso do livro didático Por uma vida melhor;
  2. o segundo [e emblemático] é que Haddad é candidato do PT à prefeitura de São Paulo e foi escolhido por Lula. Será que o PSDB e os grupos midiáticos estão temerosos de que um novo “poste” comece a andar e dê luz ao final do pleito? Dilma está aí… Nunca é demais lembrar.
  3. o terceiro [e sintomático] é que o nome do personagem que desencadeia as denúncias contra o Ministro da Educação é o mesmo do colaborador: Guilherme ou “Gui” em algumas cenas e Guilherme Fiuza, respectivamente. Aqui, parece-me um deslavado cabotinismo e um explícito culto à personalidade.

Assim é que, a partir das denúncias de Guilherme [Chamado de "bonitão" pela mãe do presidente... Olha o culto à imagem do Fiuza... pelo próprio Fiuza?!?], o “fictício” Ministério da Educação entra na alça de mira. Não nos esqueçamos de que a mídia golpista, no mundo real, não deu sossego às ações levadas a cabo por Fernando Haddad, enquanto ministro da pasta.

Pode-se entrever algumas não “meras coincidências” ao longo do capítulo [O brado da primeira-dama].

Pode-se entrever, também, uma tentativa desesperada de um certo conluio midiático-partidário em decepar, no nascedouro, uma possível tomada de poder da prefeitura de São Paulo pelo PT.

Haddad, pela possibilidade de ser o “ungido” – assim como foi Dilma Rousseff -, está no olho do furacão midiático.

Acompanhe comentários nos vídeos postados aqui e aqui.

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jan 182012
 

Rodrigo Pimentel, Renata Vasconcellos e Chico Pinheiro

Por DiAfonso [Terra Brasilis]

No Bom Dia Brasil de hoje [ver vídeo  aqui], Rodrigo Pimentel – consultor de segurança e ex-capitão do BOPE – comentou as mazelas de um estado como Alagoas no que diz respeito à segurança. Ao falar da situação dos peritos, do número de homicídios e da violência reinante naquele estado nordestino, Pimentel foi categórico em três oportunidades:

  1. a questão está relacionada a um problema de gestão que, no bojo, revela falta de vontade política ou incompetência para resolver a crise por que passa a área de perícia criminal alagoana ["O problema sempre é do estado."];
  2. embora haja uma demanda enorme por peritos ["Alagoas precisaria ter hoje 600 peritos e tem em torno de 40"], o governo não está preocupado com a contratação de mais profissionais capacitados para executar o serviço ["... não é prioridade para o governo do estado."];
  3. o governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública [Senasp], está fazendo intervenções como pode [enviando equipamentos e equipes de tarefas] para auxiliar a perícia.

Os apresentadores da Globo - Chico Pinheiro e Renata Vasconcellos – reiteram as críticas à gestão. Renata chega, inclusive, a relembrar matéria [exibida em 2011, no próprio Bom Dia Brasil] cujo foco estava centrado nas condições precárias de atuação dos legistas.

O que a apresentadora não tornou público é que, em 2011, o estado de Alagoas era governado por Teotônio Vilela [PSDB] e pelo vice José Thomaz Nonô [DEM, ex-PFL, ex-PSDB]. Ambos foram reeleitos e hoje governam o estado, destaque-se.

Como a dobradinha PSDB-DEM está no comando do governo, não se mencionou, em momento algum, quem era quem. Fosse um governo petista, nome e número de cpf estariam à disposição dos telespectadores.

A Globo só não contava com a “incontinência verbal” da própria Renata e, sobretudo, do comentarista Rodrigo Pimentel que deixou claro que o governo federal está lá para apoiar, dentro do possível, um governo incompetente como é e como são os governos do PSDB e DEM.

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