Nessa semana fui surpreendido com a notícia de que um grupo separatista chamado Movimento República de São Paulo tinha encaminhado, à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) em São Paulo, um dossiê formado pela coletânea de manifestações, em redes sociais, do que eles consideram de cunho preconceituoso contra os paulistas.
Com o único intuito de tentar confundir o processo movido pela justiça de Pernambuco contra a estudante de direito Mayara Petruso, por dar declarações racistas no twitter contra nordestinos, que geraram imensa repercussão logo após a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, os organizadores do manifesto não levaram em conta a situação ridícula que uma comparação como essa poderia colocá-los. Como pôr casos tão diferentes no mesmo patamar?
Nordestinos migraram para São Paulo e outros grandes centros por causa de uma política centralizadora do governo federal que privilegiava o “sul maravilha” e só olhava para o nordeste nas eleições, que foi mantida por vários governos sucessivos e só interrompida com o presidente Lula, que começou a mudar a realidade da região, mas antes disso o nordestino, mesmo sofrendo, deixava a terra que tanto amava por conta de dar uma vida melhor à sua família. Nos grandes centros, em virtude da falta de estudo que a vida dura lhe subtraiu, ele tinha de se submeter ao subemprego e às seguidas humilhações que partiam daqueles que tinham maior poder aquisitivo. Essa realidade de constante agressão feita contra brasileiros nordestinos não pode ser comparada com algumas generalizações feitas em redes sociais, muitas vezes sob o calor da discussão.
Adaptando Nelson Rodrigues, diria que toda generalização é burra. Não podemos tomar todos os paulistas pela amostragem dos intolerantes. São Paulo, assim como em qualquer outro lugar, tem maçãs podres e maçãs boas. O problema, por ser uma megalópole e ter uma população gigantesca, é que a probabilidade de ter muitas Mayaras Petruso é maior. É questão apenas de probabilidade e estatística.
O problema é que a radicalização que o Serra e seus acólitos trouxeram para as eleições exarcebou e incentivou trazer à tona movimentos integralistas e separatistas que viviam na penumbra, até pela rejeição da população contra iniciativas como essa. O discurso do ódio incentivado em off ganhou força e adeptos, sobretudo em uma faixa etária que está sujeita à manipulação pela inexperiência.
Baseado em mentiras, tentam ganhar adeptos insinuando que São Paulo sustenta o nordeste e que melhor estaria se fosse independente do Brasil. Caso fosse possível São Paulo se separar do Brasil – o que não é, pela nossa constituição e como uma república indivisível de federações, o território de São Paulo não pertence aos nascidos ou residentes daquele estado – o estado poderia entrar em colapso, afinal só teria fronteiras terrestres com apenas um país e dele ficaria dependendo para verter seus produtos.
Como São Paulo fornece produtos industrializados para todo o país, com a separação, os estados compradores iriam ter que pagar taxa de importação, diminuindo a competitividade de produtos vindo de São Paulo, ocorrendo a migração do fornecimento para outros estados da união. Nesse caso, aconteceria o pior, e muitas empresas iriam preferir outros estados porque querem fabricar no Brasil para poder aproveitar o mercado interno e ficando em São Paulo teriam que exportar para o Brasil. Em pouco tempo, São Paulo iria se tornar um Uruguai. São Paulo é rico porque é o coração de negócios do Brasil e não porque é auto-suficiente. É importante para o Brasil como qualquer outra unidade da federação e depende do coletivo como qualquer outro estado.
Sem nenhum tipo de ufanismo, essa história de separatismo me soa sempre como choro de quem se considera superior e não consegue lidar muito com a frustração de não conseguir eleger seus escolhidos. O Brasil é um só e de todos os brasileiros.
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