mar 172011
 

Esse blogueiro vem a público fazer um mea culpa. Eu já apoiei cegamente as ações do Greenpeace nos anos 80. Na época acreditava que por trás de suas ações houvesse exclusivamente ativismo ecológico. A ficha começou a cair quando comecei a discernir que determinadas ações eram seletivas, escolhendo alvos.

O radicalismo pueril, a falta de embasamento científico na defesa de suas posições e a atração por ações midiáticas me davam a impressão que se tratavam apenas de ecochatos bem intencionados e inofensivos, apesar de ficar incomodado com a falta de ímpeto de realizar manifestações contra os maiores desmatadores e poluidores do planeta, os EUA, que além de tudo ignoram o aquecimento global e não assinaram o tratado de Kioto.

A gota d’água (ou seria de óleo?) foi a reação pífia e envergonhada da ONG frente a um dos maiores, senão o maior, desastre ecológico da história do planeta: o vazamento de milhões de litros de óleo bruto no Golfo do México, que causou danos irreparáveis ao ecossistema local, com reflexos que podem durar mais de dez anos. O crime ecológico foi causado por falta de manutenção em uma das válvulas usadas para extração de petróleo, e embora, a responsável pela extração tenha sido uma empresa de bandeira britânica, a British Petroleum, o responsável pela fiscalização são os EUA, donos do subsolo onde ocorria a extração.

Na época, o Greenpeace se limitou a realizar manifestações moderadas frente aos prédios onde se situam as sedes da BP. Essa falta de empenho soou como silêncio de aprovação e frustrou alguns amigos que ainda acreditavam na independência da organização. A partir daí os pontinhos começaram a se unir e começou a ficar nítido que criticavam ferozmente iniciativas de países em desenvolvimento de construção de novas fontes de energia, indispensável para quem precisa crescer e ignoravam que países desenvolvidos são os verdadeiros vilões da destruição do planeta.

Não é estranho tanta gritaria contra Belo Monte e Angra 3, fontes de energia limpa, quando são tão relapsos com a extração de petróleo que é matéria-prima para a produção dos combustíveis mais poluidores que existem? O site vermelho.org em junho de 2010 revelou, a partir de informações publicadas no blog Libertad digital, que o Greenpeace recebe quantias milionárias de Empresas de Petróleo como  a Exxon, indústrias automobilísticas e da Rockefeller Foundation, que possui participação acionária em várias petroleiras pelo mundo, como pode ser lido aqui. O conflito de interesses chega a ser ridículo de tão descarado.

Agora, o Greenpeace Brasil, de forma rasteira, se aproveita do acidente em usina nuclear japonesa e da desinformação proposital e criminosa, para se unir a procuradores do Ministério Público ávidos por holofotes, para pedir a suspensão da construção de Angra 3. Confira aqui. Amigo leitor, nos EUA existem centenas de usinas nucleares, você viu o Greenpeace pedir o fechamento ou interrupção do programa nuclear norte-americano? exatamente, nem eu. Se duvidar procure manifestação semelhante ao que pretende no Brasil no site internacional do Greenpeace, você vai encontrar apenas uma campanha generalizada de demonização do uso da energia nuclear para gerar eletricidade para consumo em larga escala.

Como explicamos aqui, é improvável a ocorrência de um evento no Brasil semelhante ao que aconteceu no Japão. O oportunismo do Greenpeace visa criar através da desinformação uma comoção popular contra as usinas nucleares brasileiras. Como todos nós sabemos o Brasil precisa de energia para continuar crescendo, e o Greenpeace insiste em sugerir a adoção de fontes de energia que só podem ser utilizadas como fonte auxiliar, como a eólica, que tem alto custo de implantação e não poderia servir para substituir fontes primárias que fornecem energia em grande escala. O Brasil não é a Holanda, que não tem alternativa e tem um território diminuto, precisa da geração de grande quantidade de energia que só podem ser suprida através de usinas hidrelétricas e nucleares. Fica claro que gostariam que o país ficasse estagnado.

O pior que toda essa desonestidade consegue iludir muita gente boa e inteligente, talvez por não conhecerem o que está por detrás dessas ações. Felizmente, o governo brasileiro abriu os olhos quanto às reais intenções dessa organização. Durante a campanha, ativistas invadiram um encontro onde Dilma recebeu apoio de familiares de Chico Mendes e anunciou a meta de redução do desmatamento em 80%. Os ativistas tentaram montar um circo colocando cartazes para tapar a visão dos que foram lá para ver Dilma e tentaram impor a ela que assinasse documento se comprometendo com redução de 100%. Na ocasião, Dilma deu uma resposta dura para os ativistas: – eu não faço leilão para ganhar apoio, a nossa proposta é de redução de 80% do desmatamento, no que foi muito aplaudida pelos presentes. Vale a pena ver de novo.

PS: Vou pedir licença ao professor Diafonso (que é editor-geral do Terra Brasilis e um dos editores desse blog e que gentilmente faz a revisão ortográfica dos meus textos) pelo neologismo do título, na verdade eu tentei apenas fazer um trocadilho.

Fonte da imagem ilustrativa: Follow the Money – Autor não informado.

Fonte do Vídeo: You Tube – Usuário: LuizAzenha

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