O movimento Gota Dágua, que lançou um vídeo com atores globais se baseando em mitos para atacar a construção de Belo Monte, vem recebendo doações de simpatizantes e interessados, mas não dá transparência da lista de doadores da “causa”.
Segundo página em site que organiza doações, o Sibite, o movimento já recebeu mais de dez mil Reais de seus doadores até o fechamento desse artigo, mas não é possível encontrar em nenhum lugar do site do movimento alguma prestação de contas, informando o nome dos doadores e valores doados por cada um, também não explicam se existem corporações entre os doadores e se recebem doações diretas fora do Sibite.
O movimento também não foi transparente quanto ao valor gasto e quem pagou a produção do vídeo, que necessita de estúdio, equipamentos de iluminação e de filmagem, cenário e a contratação de diversos profissionais como iluminadores, cinegrafistas, maquiadores e vários outros, fora a alimentação desse pessoal todo.
A prestação de conta das origens dos recursos utilizados deveria ser uma obrigação entre movimentos e ONGs que aceitam contribuição externa, até para informar para a sociedade da lisura da origem dos recursos. A pouca transparência suscita suspeitas de que interessados na não construção da usina por motivos econômicos, como o lobby de empresas que produzem equipamentos para geração de energia solar e eólica, alem de agricultores americanos, possam estar injetando recursos nessas iniciativas de combater Belo Monte pela desinformação da população.
Energia de Belo Monte e o desenvolvimento rural da região norte
A energia elétrica cara e escassa da região norte condena as cidades da região que não estão dentro dos limites da área de floresta protegida a praticar uma agricultura do século 19. Levar o século 21 à Floresta Amazônica significa aumentar a capacidade de produção de commodities daquela região sem precisar aumentar o desmatamento. Mais à frente explicamos porque produtores rurais americanos estão investindo para barrar qualquer iniciativa de aumentar o desenvolvimento agrícola dos países em desenvolvimento.
Vale lembrar que a maior parte da energia consumida na região norte vem de 260 usinas termoelétricas que consomem óleo diesel, e que atualmente geram mais poluentes e gases do efeito estufa que toda a frota de automóveis de São Paulo, o que joga por terra o argumento da preocupação com as emissões de Metano no lago a ser formado por Belo Monte. O metano é formado no Xingú com ou sem Belo Monte, porque na época de cheias muita vegetação é encoberta. O desligamento das usinas termoelétricas, além de baratear a energia elétrica em todo país, pela redução dos encargos cobrados na conta pelo funcionamento das mesmas, compensa qualquer emissão maior de gás Metano.
Como o dinheiro de ruralistas americanos financiam movimentos contra o desenvolvimento
Algumas organizações internacionais como a UN-REDD e a Avoided Deforestation Partners tem o objetivo teórico de ajudar países em desenvolvimento a conter desflorestamentos e degradações em florestas. A UN-REDD patrocina missões dentro de florestas, entram em contato com povos indígenas, e podem influenciar aspectos de suas culturas milenares além de posicionamentos políticos, já a ADPartners tenta influenciar governos locais sobre as vantagens de impedir o avanço rural sobre a floresta por intermédio da venda de créditos de carbono. Ambas as organizações são dotadas de orçamentos gigantescos e pouca transparência sobre o uso os recursos disponíveis.
A ADPartners explicitou suas verdadeiras intenções no ano passado quando lançou documento em conjunto com a Farmers Union (principal organização sindical patronal rural americana) entitulado “Farms here, Forests there” cuja tradução é Fazendas aqui (EUA) e Florestas lá (3º mundo), onde apontam para os ruralistas americanos as vantagens no investimento em preservação de florestas tropicais geraria lucro para estes, a medida que impedindo um aumento da produção de commodities nesses países evitaria a queda dos preços e aumento de concorrência. A ADPartners é custeada por doadores. entre estes estão companhias elétricas como a Pacific Gas & Eletric Company e a Duke Energy, que trabalham com gás natural que geram gases do efeito estufa e Hidrelétricas (é bom para eles, mas não para nós).
O documento (em inglês) pode ser lido aqui, era apenas para consumo interno e recebeu inúmeras críticas de ambientalistas americanos, acusando o documento de incentivar que apenas florestas tropicais deveriam ser preservadas, quando estudos recentes mostravam que os EUA é recordista junto com o Canadá em desmatamento proporcionalmente a sua área de florestas.
O dinheiro enviado pelos ruralistas americanos a essas organizações, somado ao volume de recursos que o lobby das empresas que fornecem equipamentos e produtos para a geração de energia eólica e solar tem queimado no mundo inteiro para emplacar campanhas para uso de suas tecnologias é um importante indício que devemos desconfiar de “iniciativas altruístas” pouco transparentes. Na verdade, os interesses econômicos são enormes e amadores mesmo são poucos.
Nota do autor: Esse Blog caminha para o seu 4º aniversário e não arrecada, nunca arrecadou e não pretende arrecadar contribuições de seus leitores, empresas ou governos para que seus autores continuem a defender seus pontos de vistas. Não recriminamos quem o faça, apenas entendemos que quem quer que use este recurso deve transparência a doadores e leitores.



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