Category: CNBB

Os efeitos colaterais de uma campanha suja


Diga-me com quem andas...

A vovó sempre dizia que se colhe o que se planta, e a vovó é que sabia das coisas. Infelizmente, o país não poderia sair sem seqüelas da campanha mais suja da história das eleições no período pós-redemocratização, e já estamos colhendo e vamos colher por muito tempo ainda os frutos plantados por quem não se furtou de rifar a própria biografia e se aliar ao que existe de mais sectário e reacionário na sociedade para se eleger presidente da república.

Parecia que o país tinha chegado a um nível de maturidade democrática que tornasse impossível a repetição do nível de baixaria da campanha de 1989, mas a campanha de 2010, com o Serra se aproximando de grupos neo-nazistas, integralistas, monarquistas e setores mais conservadores da igreja católica e templos evangélicos, conseguiu ser pior.

Os efeitos dessa aproximação puderam ser percebidos ainda durante a campanha quando bispos da CNBB se associaram a grupos de extrema direita para imprimir panfletos atacando o PT e Dilma, tentando assustar o cidadão mais suscetível a pregação do medo. A campanha de Serra também recrutou profissionais de destruição de reputação e insuflou os sentimentos mais rasteiros de uma fração da população acostumada a ter privilégios sobre os demais e que andavam insatisfeitos com a perda do status da exclusividade.

Logo após o anúncio do resultado das eleições, uma usuária do Twitter inconformada com a vitória da democracia, emitiu diversos comentários com conteúdo preconceituoso contra nordestino e fazendo apologia ao crime de racismo, inclusive sugerindo o assassinato dos mesmos. Não se trata de uma opinião inconseqüente de um pré-adolescente ou de alguém que não teve acesso à educação e, portanto poderia alegar ignorância sobre o que comentava. A usuária do Twitter tem pai com boa condição financeira e estuda em uma faculdade de direito.

A Procuradoria Geral da República analisa denúncias feitas por entidades de organização civil contra a usuária e vários outros usuários que multiplicaram o comentário criminoso ou fizeram outros comentários no mesmo nível, pelos crimes citados acima. O agravante para os crimes é o fato de terem sido cometidos através de um meio de comunicação, o que aumenta a pena caso a Procuradoria apresente a denúncia e o tribunal acolha a mesma e condene os acusados.

Se não bastassem essas manifestações que expuseram ao ridículo mais uma vez o nome do país no exterior, aparece um manifesto singelamente chamado de “São Paulo para os Paulistas”, que publicamente defende algo como um apartheid contra nordestinos, um tipo de xenofobia regional que se assemelha muito ao neo-fascismo que floresce atualmente na União Européia, algo que há bem pouco tempo era impensável como um movimento social no Brasil e se resumia a reduzidos grupos de neo-nazistas e integralistas que sempre funcionaram na clandestinidade em redutos nos grandes centros metropolitanos do eixo Sul-São Paulo.

Ontem, a Polícia do Rio Grande do Sul fez uma apreensão de farto material de um grupo neo-nazista, que incluía uma gravação com conteúdo fortemente racista, que ataca o sistema de cota raciais e associando negros à violência urbana. O vídeo continha ainda uma imagem do senador Paulo Paim, que defende direitos de minorias raciais, o que foi entendido pelo delegado que faz a investigação como um tipo de ameaça ao Senador. O DEM, representado pelo senador Demóstenes Torres contesta o sistema de cotas raciais no Supremo Tribunal Federal. O senador chegou ao cúmulo de afirmar, para argumentar que a sociedade brasileira não tem débito com a população negra, que não houve estupros nas senzalas durante o tempo em que vigorou a escravidão, mas “sexo consensual”.

Não há dúvidas que a extrema direita e esses grupos neonazistas e neofascistas vêem no consórcio PSDB/DEM seus legítimos representantes, assim como nos EUA o Tea Party se reconhece nos republicanos. Fica clara a intenção de importar para o Brasil e estimular em seguimentos da nossa sociedade elementos do conservadorismo religioso e anticomunista dos americanos.

Infelizmente essas são apenas as primeiras evidências do retrocesso que recebemos de herança da campanha suja de José Serra. O Ministério Público e a Polícia Federal vão ter muito trabalho daqui pra frente, espero que a punição para quem extrapole a lei seja dura para educar corretamente.

Por Marta Mendes:

Como já vimos pela imprensa, esse movimento embora já existisse antes, tomou um vulto nunca visto!!
Vamos torcer para que pare por aqui, e não tenha maiores consequências…não precisamos de lutas
entre irmãos, vizinhos, parentes e concidadãos; TODOS BRASILEIROS!

Por Lucila:

A campanha Serra removeu a lama e trouxe à tona o que há de mais fétido em termos de valores da sociedade. Proferiu a mensagem: aos enrustidos, de que agora era permitido expressar esse ódio torpe de classe; aos desavisados, que se viram incomodados ou com raiva pela eventual perda de privilégios, de que o inimigo, o objeto de sua frustração e medo, estava identificado, e era agora possível linchá-lo. Naturalizou o que até então não era aceitável na vida em sociedade.

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A autorização do Vaticano para a baixaria nas eleições

A saudação de Ratzinger

A declaração do chefe da igreja católica, Joseph Ratzinger, dada ontem no Vaticano se dirigindo a bispos nordestinos, foi muito mais do que uma reafirmação de princípios doutrinários da igreja, foi uma direta e clara autorização para que religiosos tentem interferir nas eleições presidenciais no Brasil, incluindo o uso de propaganda negativa e mentirosa contra a candidata Dilma Roussef.

O Papa é um chefe de estado, o Vaticano é um estado soberano. A declaração não pode ser vista apenas como uma manifestação política de um religioso, mas como a de um chefe de estado autorizando seus subordinados de se intrometerem em assuntos internos brasileiros. Para efeitos de comparação é como se o Obama declarasse que os funcionários de embaixada e consulados americanos no Brasil pudessem sair por aí imprimindo e distribuindo panfletos atacando candidatos.

Ratzinger não pode dizer que desconhece o que acontece no Brasil e da posição infeliz de setores da igreja católica nessas eleições. Ele foi procurado por bispos brasileiros que queriam autorização para difundir a campanha da desqualificação e do ódio, contrariando as campanhas de fraternidade e amor que a igreja católica costuma protagonizar. Ele autorizou mesmo sabendo que jogavam sujo, na surdina, como no caso da impressão de milhões de panfletos fazendo acusações que Dilma desmentiu publicamente por diversas vezes.

O alemão Joseph Ratzinger, que hoje é Papa, pertenceu no início dos anos 40 da juventude hitlerista, braço paramilitar do partido Nazista, que comandado por Hitler foi responsável pelo extermino de milhões de judeus. Hoje, Ratzinger diz que foi forçado a participar do grupo, no que ele tem todo o direito. Direito o qual que também reservo para dizer que não acredito, afinal, depois da condenação da humanidade ao nazismo ninguém é mais capaz de assumir que apoiava. Convenhamos que é irônico para alguém que apoiou e participou do regime que exterminou milhões de pessoas, venha hoje clamar para si o papel de “defensor da vida”.

A igreja católica não é só esse Papa, nem desse séquito de fanáticos que se apoderaram dela com a chegada dele ao poder. A igreja também é a do Frei Betto, de Leonardo Boff, das pastorais da terra que fizeram tanto pelos desprotegidos do campo. O problema é esse grupo que comanda hoje o vaticano e a CNBB no Brasil, que com seus métodos vem assustando e revoltando fiéis, tomando primeiro contato com uma face da igreja desconhecida por ter sido escondida durante o século 20.

A defesa cada vez mais agressiva do Vaticano e de setores conservadores da Igreja por valores dogmáticos tem como efeitos colaterais a morte de milhões de mulheres no mundo inteiro por problemas decorrentes de abortos não assistidos e pelo atraso no progresso da ciência para busca de novos métodos de cura utilizando células tronco, que poderia melhorar a vida de outros tantos milhões.

O verdadeiro motivo para tanta agressividade nada tem a ver com a enfática defesa de princípios, mas o de manter e conquistar poder que a igreja vem perdendo progressivamente a medida que perde fiéis por conta da defesa de posições controversas e dos escândalos envolvendo casos de pedofilia. Com relação a isso, as frequentes denúncias contra padres pedófilos colocam em xeque a confiança dos fiéis, principalmente porque as vítimas são crianças indefesas, deixadas pelo próprios pais sob os cuidados de religiosos sem imaginar que sofriam abusos sexuais por aqueles que se diziam servos do senhor.

Cabe lembrar ao Ratzinger e aos bispos reacionários da CNBB que a justiça eleitoral considerou ILEGAIS os panfletos assinados pela Regional Sul da organização eclesiástica. A lei leitoral é clara e, sem julgar o mérito da calúnia e difamação pelo uso de mentiras, ela diz que durante o período eleitoral qualquer referência impressa a candidatos, seja positiva ou negativa, é considerada material de campanha e tem de seguir modelo aprovado pela legislação que prevê a obrigatoriedade da inclusão de informações como o nome da coligação de partidos e o CNPJ.

A diocese de Guarulhos primeiro negou a autoria da impressão dos panfletos apreendidos, depois recuou e assumiu. Para imprimir os panfletos o bispo de Guarulhos assume que recebeu doações de empresas e fiéis, sem citar os autores, o caso está sendo investigado e o dinheiro pode ter vindo de caixa 2 da campanha de José Serra. Restou provado que pelo menos nessa ocasião, a Diocese de Guarulhos se uniu aos Monarquistas e Integralistas (estes últimos acusados de defender princípios fascistas e nazistas) para esta ação, o que torna o caso mais vergonhoso ainda para o católico que não reconhece mais a sua própria igreja.

Já tem padres dizendo que a polícia deveria devolver os panfletos apreendidos. Volto a dizer: a distribuição desse panfleto configura CRIME ELEITORAL, salvo nova manifestação em contrário pela justiça eleitoral, o que não aconteceu até o fechamento desse artigo. É no mínimo curioso ver religiosos vir agora a público defendendo o direito à opinião e manifestação, quando em 2006 e 2008 houve pregação efusiva nos templos exortando fiéis a boicotarem e censurarem os filmes: O Código Da Vinci e Anjos e Demônios.

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