Desde a descoberta da relação fraterna entre Demóstenes Torres (Ex-DEM) e o bicheiro Carlinhos Cachoeira – mais tarde envolvendo também o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) – as denúncias de corrupção desapareceram das capas da revista da editora Abril. Os destaques abordavam a maravilha do mundo, incluindo uma entrevista amistosa com a presidenta Dilma.
No auge das acusações contra Demóstenes, a revista trouxe na capa um assunto importantíssimo para a sociedade: “Afinal, o Santo Sudário é ou não falso?”
O caso Demóstenes-Cachoeira foi tratado como um assunto secundário naquela semana semana.

Fim dos Denuncismos: Pelas capas, a Corrupção tirou férias por seis semanas.
Foram seis semanas sem denuncismo, como se o Brasil – da noite para o dia – tivesse extirpado a mazela da corrupção.
Mas levantem-se, homens de bem! Ela voltou esta semana!
Na semana em que foi aprovada a instauração da CPI para investigar as relações promíscuas do mafioso Carlinhos Cachoeira, a revista “Veja” decide abordar o assunto. Mas quebra o silêncio de forma bem estranha que acaba comprometendo o que lhe resta (??!!!?) de credibilidade (?).
A revista afirma que a CPI a ser instaurada é um plano maquiavélico do PT para tirar o foco do Mensalão! Precisaria de muito malabarismo para nos levar a crer nisso. O problema maior é que a CPI mista correrá na câmara e no senado. O processo do mensalão pelo que eu, a imprensa e a torcida do flamengo saibam, está no STF. Independente da Câmara e do Senado.
Além disso, a revista paladina dos homens de bem parece ser mesmo indignada com esse monstro chamado corrupção. Mas de forma seletiva. Enquanto esconde o escândalo Cachoeira que lavou o heróis Demóstenes, clama pela aceleração no julgamento dos envolvidos no “Mensalão”.
A CPI do Cachoeira é de interesse nacional, como também é o chamado Mensalão. Ainda mais agora, quando aparecem ligações entre os dois – Dadá, araponga e parceiro de Cachoeira, foi quem filmou (e vazou?) as fitas que a “Veja” denunciou o escândalo dentro do governo Lula.

Quebrando o silêncio... para tentar se salvar!
O esperneio de “Veja” talvez esteja no fato de que, na semana em que surgiram as denúncias e as conversas do senador Demóstenes Torres com Cachoeira,
também apareceram 200 ligações do diretor da sucursal da “Veja” em Brasilia, Policarpo Júnior com Carlinhos Cachoeira e Dadá (
veja aqui). As suspeitas são de que Cachoeira seria fonte de diversas matérias da “Veja”, inclusive da matéria onde se divulgaram imagens do Hotel Nahoum, onde apareciam diversos políticos visitando a suite onde estava hospedado José Dirceu.
A ligação da “Veja” com Demóstenes também levanta outras dúvidas sobre seus métodos. Foi a mesma revista que publicou com estardalhaço a denúncia (falsa, segundo investigação da PF), de que conversas entre o então presidente do STF Gilmar Mendes e senador Demóstenes teriam sido grampeadas a mando do governo Lula.
O caso ficou conhecido como “Grampo sem áudio”, pois o áudio nunca apareceu, mesmo “Veja” tendo afirmado que existia, e resultou na demissão da Abin Paulo Lacerda e o enterro definitivo da operação Satiagraha.
Por essas e outras é de se suspeitar dos reais “interesses republicanos” da publicação do grupo Abril.
A relação Imprensa-Criminosos não é particularidade do Brasil. Na Inglaterra recentemente o grupo do magnata das comunicações Rupert Murdoch esteve envolvido em uma série de escândalos que levou no fechamento do
News of the World e abalou o seu império.
O caso resultou em processos e prisões de diversos jornalistas do tabloide ”The Sun”, envolvidos nas violações realizadas pelo grupo.
Acusações: arapongagem de políticos, artistas e “cidadãos comuns”, chantagens a políticos, suborno a policiais, etc.
Aqui no Brasil, suspeita-se que o grupo de Cachoeira esteja por trás de crimes parecidos e que cediam, de acordo com seus interesses, suas gravações ilegais a grupos de mídia. Neste caso, no fim das contas, a capa da revista “Veja” desta semana parece ser a verdadeira cortina de fumaça que a própria denuncia.
- Por que o interesse no Mensalão na semana em que a implantação de uma importante CPI foi aprovada?
- Por que confundir a CPI do Cachoeira, que ocorre no Congresso, com o Mensalão, que está no STF?
- Por que a revista se silenciou sobre o escândalo Cachoeira durante várias semanas?
Policarpo Júnior ou Roberto Civita poderiam nos responder!
Siga o autor no Twitter!
Últimos comentários