O movimento Gota D’água, que tem como um de seus diretores conselheiros, o ator global Sérgio Marone, lançou ontem um vídeo com outros 18 atores da mesma emissora, fazendo lobby contra a construção da Usina de Belo Monte. Tudo bem, qualquer um pode se manifestar, mas é grave quando atores e diretores de uma empresa, que não disfarça sua posição contrária à usina, usam a sua imagem para difundir mitos, com a finalidade de conseguir engajamento público para barrar a construção da usina. Nos próximos parágrafos vamos comentar os pontos mais polêmicos do vídeo.
Onde vão viver os índios e comunidades ribeirinhas após a criação do lago?
O projeto da Usina Belo Monte encareceu pelas exigências em relação ao manejo de comunidades afetadas. O plano de manejo já está pronto e foi uma das exigências para a liberação das licenças. O Brasil não desaloja seus índios, tem 12% do seu território de reservas indígenas, e a sua população, segundo censo indígena de 2010, é de 0,4% da população do país. Para comparar, os EUA, procedência da maioria das ONGs estrangeiras que infestam a Amazônia, tem apenas 2,3% do seu território reservados aos indígenas, que são 1,37% da população americana. O curioso é que a Globo, que agora é “defensora dos índios”, em 2005 ficou a favor dos Arrozeiros quando o governo Lula demarcou a reserva Raposa Serra do Sol.
O custo faraônico da Usina de Belo Monte
O custo atual da obra é avaliado em 26 bilhões de Reais e a capacidade instalada vai ser de 11.000 MW, o que daria um custo de R$ 2,36 mi/MW. A usina MPX Mauá, no sertão do Ceará, é a única usina solar do Brasil com produção em escala comercial, investimento do empresário Eike Batista, tem capacidade de 1 Mw e custou 10 Milhões de Reais. O maior parque eólico do Brasil é o Parque de Osório no Rio Grande do Sul, com capacidade de 150 MW e custou 670 milhões de Reais, com custo médio de 4,47 mi/MW. Se levarmos em conta que dentre as três formas de produção de energia a hidrelétrica é a que possui o melhor fator de capacidade, essa diferença fica mais nítida.
Belo Monte só vai produzir 40% da sua capacidade
A média mundial do fator de capacidade, que é o quociente entre a capacidade de energia produzida e a capacidade de energia instalada, é de 44% para usinas hidrelétricas. O que não explicam é que o fator para usinas solares é de 10 a 20% e para usinas eólicas é de 20% a 40%.
Energia hídrica causa impactos ambientais, a solar e eólica não
Todas as formas de produção de energia causam impactos ambientais, umas mais e outras menos, mas as ditas fontes limpas também causam modificações nos ecossistemas nos lugares onde são instaladas.
A energia solar ocupa extensas áreas para produzir pouca energia, a instalação de painéis solares causam desmatamentos como pode ser percebido na usina do Ceará, e quando não há desmatamento há muita perda de vegetação pelas sombras formadas no solo. Os painéis fotovoltaicos utilizam Arsênico para tratamento das células e esse elemento é venenoso para os seres vivos e é fonte de contaminação de lençóis freáticos, além disso, um subproduto da produção dos painéis é o TetraCloreto de Silício, substância tóxica que contamina solos, recentemente a China foi vítima de poluição por essa substância causada por incentivos fiscais dado à atividade.
A Energia Eólica também ocupa grandes áreas para produção de pouca energia. Os impactos ambientais de sua instalação são a poluição visual e sonora (Nos Eua já existem avaliações de sintomas de exposição ao barulho e trepidações causadas nas imediações de fazendas eólicas), mudança do clima causado pelo turbilhonamento do vento ( Dias mais frios e noites mais quentes, vegetação prejudicada) e abate de passáros e morcegos (o que levou países que usam essa tecnologia a modificar projetos, aumentando a área ocupada). Outro efeito negativo de fazendas eólicas é a interferência em radares de terra, prejudicando o controle aéreo.
As secas vão destruir ecossistemas e prejudicar ribeirinhos e índios
O projeto prevê a liberação de vazões mínimas para cada mês do ano para evitar que as secas prejudiquem ecossistemas e o meio de vida dessas populações. Tem uma explicação definitiva para essa discussão no post Belo Monte: Os Fatos sobre a vazão reduzida na Volta Grande, no Blog do Alê.
É crescente a atividade do lobby dos setores de energia solar e eólica nos EUA e UE. Eu não estou acusando ninguém, mas me surpreende alguns voluntarismos que espalham desinformação.
Leia Também: Gota D’água recebe doações…de quem mesmo?
Por daSilvaEdison:
Len,
Você foi pouco claro quando responde ao questionamento sobre “Onde vão viver os índios e comunidades ribeirinhas após a criação do lago?”
O projeto em execução não deslocará um único “índio”.
Não implicará no realocamento de uma única “cabana indígena”.
Não alagará um único palmo de “Terra Indígena”.Moradores ribeirinhos serão, sim, deslocados.
São algumas centenas de pobres palafiteiros da pobre Altamira que finalmente ganharão habitação digna e acesso aos serviços públicos básicos e se tornarão independentes das cheias do Xingú.
Entre esses estão alguns índios.O pequeno lago da usina, para além daquilo que hoje é o leito do rio, será coisa de menos de 200 km2 e se formará sobre área que hoje abriga pequenos fazendeiros.
Esses são os únicos que se enquadram sob o critério de diretamente afetados pelo empreendimento.Índios e ribeirinhos palafiteiros sofrerão, sim, impactos.
Alguns neutros em princípio e outros altamente positivos.Os índios da Volta Grande verão reduzir o volume de águas do trajeto original do Xingú e jamais precisarão se preocupar com imprevisíveis cheias.
E os palafiteiros de Altamira serão condenados a viverem em terra firme em casas de alvenaria com água, luz e esgoto.Esse é o quadro.
E aos que se se debatem contra o projeto, proponho:
1) Que me apresente um, unzinho, um único índio que será obrigado a deixar seu local de moradia (não vale palafiteiro de Altamira).
2) Que me apresente uma, pelo menos uma, cabana ou oca indígena que ficará sob o futuro lago de Belo Monte (com coordenadas GPS).”
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