dez 302009
 

Nada mais justo do que esse reconhecimento, mesmo que tardio, da imprensa internacional em relação a capacidade de liderança do presidente Lula, que projetou o Brasil para passar de um mero codjuvante obediente a um protagonista respeitado no centro das decisões mundiais, e por conseguir levar o país à condição de potência econômica estável e resistente a crises que outrora provocariam um desastre, sem abdicar das políticas sociais de distribuição de renda e segurança alimentar, elogiadas pela ONU e servindo de exemplo para experiências semelhantes em outros países, que foram algumas das bandeiras que o levou a ser eleito por duas vezes presidente da república.

Só nesse final de 2009, o presidente já recebeu várias homenagens da imprensa internacional: o El País o elegeu “o personagem do ano”, O Le Monde em seguida o chamou de “o homem do ano”, Depois o Financial Times o coloca como “uma das 50 pessoas que moldaram a década”. O BLOG DO LEN, sem medo de ser acusado de fazer apologia ao lulismo, diria que o presidente é o lider político da década e explica o porquê.

Qual liderança política mundial se evidenciou mais nos últimos dez anos? alguns diriam Barack Obama, que só apareceu aos olhos do mundo em 2008, sim, talvez se estivéssemos falando em propaganda, Obama foi o maior fenômeno de mídia dos últimos tempos, mas de concreto o que Obama fez, principalmente nos quase 12 meses como presidente da república, que o fizesse  por merecer realmente ser chamado a personalidade da década? Infelizmente apenas o mais do mesmo, porisso que se transformou em uma decepção tanto dentro como fora dos EUA, em tão pouco tempo.

Já Lula, em menos de 7 anos transformou o Brasil da condição de pedinte mundial a força emergente indispensável nas mesas de negociações, em líder dos BRIC, em porta-voz de blocos de países que agora tem seu representante com voz, na força que realmente preza pela democracia nas américas como vimos nos casos da chefia da missão diplomática no Haiti, na pendenga Equador X Colômbia, na libertação de refens das FARC. O Brasil firmou posição inflexível contra o golpe de Honduras, postulou e foi recomendado na mediação de conflitos entre Israel X Palestina, EUA X Venezuela, EUA X IRÃ, fortaleceu a soberania nacional, como no caso da reciprocidade às medidas adotadas contra Brasileiros em aeroportos americanos, nas ações na OMC contra os abusos comerciais de EUA e união européia, e na posição firme contra a intromissão italiana no caso Batistti, assegurando tradição brasileira de conceder asilo a perseguidos políticos, além de usar todo o seu poder de negociação política para conseguir para o país as vitórias nas indicações para sediar a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Agora me responda, qual líder político mundial tem uma trajetória ao menos próxima a essa para apresentar nos últimos 10 anos?

O Brasileiro tem orgulho desse reconhecimento do seu presidente, e não entende porque a nossa imprensa alem de nunca admitir qualquer dos seus feitos e qualidades, ainda tenta esconder deles, o que as pessoas pensam de Lula lá fora. Eles não entendem que o Brasileiro quer ter com que se orgulhar, ele fica triste só de lembrar que teve ex-presidente que falou em língua estrangeira e vestiu fardão só para se mostrar colonizado amestrado, que teve ex-chanceler que tirou os sapatos em revista aduaneira, que nunca tinha visto seu país com tanta relevancia internacional, mas que está perdendo aos poucos esse complexo de vira-lata beija-mão que ainda infesta determinadas redações jornalísticas. Depois da esperança vencer o medo, o orgulho venceu a submissão. O filho do Brasil conquistou o mundo.

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dez 272009
 

O ano de 2009 ficou marcado como o ano onde as redações dos maiores jornais do país ultrapassaram, em várias ocasiões, todos os limites de razoabilidade do direito de edição de notícias e posicionamento político em uma sociedade democrática. O manual do bom jornalismo foi totalmente enterrado e o que orientou as redações e seus jornalistas foram os interesses corporativos, empresariais e políticos dos donos das empresas, com a conivência e servilismo de jornalistas que até bem pouco tempo atrás ostentavam boa reputação e credibilidade.

A Folha de São Paulo foi o jornal que protagonizou os momentos mais vergonhosos desse ano, mas os demais jornais e revistas na maioria das vezes fizeram o papel sujo de repercutir e multiplicar factóides, sem a menor preocupação de checar fatos e fontes.

O BLOG DO LEN elenca abaixo o que achou ser os maiores absurdos da imprensa esse ano, sendo que alguns vão marcar negativamente a história deles definitivamente:

- O editorial da Folha de São Paulo chamando de “Ditabranda” o golpe militar de 64, que caçou direitos políticos, perseguiu, prendeu, torturou, matou e desapareceu com muitos brasileiros, inclusive jornalistas;

- O episódio em que a Folha de São Paulo publicou em pirmeira página uma ficha falsa do DOPS atribuida a ministra Dilma Houssef, conferindo a esta a alcunha de terrorista e atribuindo a ela vários crimes que não participou. A ficha foi criada por grupos neo-fascistas e exaustivamente repassada por spam da internet. Depois foi constatada sua falsidade por peritos, a Folha alem de publicar sem checar ainda não reconheceu o erro depois;

- A persistente tentativa de colar os escândalos do Senado, praticados na maioria por políticos da oposição, no governo Lula;

- O factóide Lina Vieira, em que o país foi enrolado em uma ciranda de todos os meios de comunicação que deram supervalorização a uma “denúncia” de uma reunião que não tinha testemunhas ou provas do seu acontecimento. Também nesse caso, mesmo depois de desmistificados, a imprensa não assumiu o erro, resumindo a apenas mudar de assunto;

- O apoio, a princípio velado e depois escancarado ao golpe militar que ocorreu em Honduras, com a patética tentativa quase que diária de tentar explicar o inexplicável, que o fato do presidente eleito ter sido retirado da cama e jogado fora do seu país por militares, que depois fechariam televisões e rádios e enfrentariam violentamente manifestações pacíficas, não se tratava de um golpe, mas uma operação “legalista”.

- O cúmulo do baixo lixo jornalístico foi a  publicação pela Folha de São Paulo em um grande espaço cedido a um maníaco frustrado e mal amado, de um artigo com calunias grosseiras contra o presidente Lula, sem a menor checagem de informações, que conseguiu chocar até os seus adversários. Essa foi hours concours.

Isso fora a habitual politização de todo e qualquer fato com viés político de modo a atacar o governo Lula e a Ministra Dilma Houssef e isentar de culpa o Governador Serra e seus aliados, além da costumeira forma com que tentam esconder da opinião pública os elogios, títulos e prêmios conferidos ao Presidente Lula no exterior.

Tudo isso aconteceu em um ano e hoje a sensação que a gente tem é que estamos vendo o final lento e melancólico de um oligopólio que dominou as telecomunicações por muito tempo, e que gordo e sem mobilidade esbraveja e se contorce com a perda do poder, que é inevitável. Esse ano eles apressaram o seu fim, porque imprensa vive de credibilidade e a cada dia eles perdem mais. Viva a CONFECOM, o pontapé inicial para a gente construir uma mídia mais democrática, sem impérios, sem manipulações, apenas apara informar.

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dez 252009
 

Os partidários da candidatura José Serra devem passar esse final de ano bastante preocupados com os números da recente pesquisa Datafolha, tanto pelo fato do crescimento da candidatura Dilma a um patamar além do piso de 20% fixado como parâmetro para esse ano pelos governistas, como pelos preocupantes números de aprovação pessoal do atual Governador de São Paulo, principalmente se comparados com os do ex-governador Geraldo Alckmin em 2006, que  também disputava na época as eleições presidenciais.

Voltando no tempo até 2006, o mesmo Datafolha informava que Geraldo Alckmin deixava o Governo para disputar as eleições presidenciais com uma aprovação de 66%, como pode ser verificado aqui, estando no final do segundo mandato. Na última pesquisa, José Serra, com apenas 2 anos de mandato de governador, o que deveria lhe conferir aprovação maior, só alcançou 55% de aprovação pessoal, como pode ser conferido no Blog de um jornalista da tropa Serrista, ou seja, nota-se o desgaste crescente das administrações tucanas no estado de São Paulo, não alcançando mais o mesmo nível de aprovação de 4 anos atrás.

O próprio Serra sabe que seus atuais números de intenções de voto para presidente, que estão em trajetória descendente, são na maioria fruto do “recall” natural por ele ter disputado todas as últimas eleições, com intervalo de apenas 2 anos, mantendo sempre seu nome em evidência, e ele sabe que recall há 10 meses das eleições não significa nenhum favoritismo. A sua indefinição, junto com a impaciência demonstrada quando confrontado com questões sobre sua possível candidatura a presidente, mostram que o assunto está longe de ser agradável para o governador, que parece que gostaria de decidir por conta própria e dependendo das pesquisas de intenções de voto no final de março.

É óbvio, que com a desistência (pelo menos oficial) de Aécio Neves a pré-candidatura a presidência, o Serra vira o candidato automático da oposição a Lula e o deixa meio que obrigado a se candidatar, mas no fundo, o apego a convivência com o poder e o medo de ficar pelo menos dois anos alijado do governo são as sombras que vão acompanhá-lo nos próximos meses, até sua decisão final.

O BLOG DO LEN questionou se o Serra iria amarelar aqui e ainda hoje mantém a desconfiança, já que motivos ele já deu muitos para a gente desconfiar. Nós desejamos que o Serra decida por se candidatar a presidente porque teríamos a certeza que pelo menos por dois anos estaríamos livres dele. Apesar que depois do desabamento do Rodoanel, dos incêndios criminosos das favelas e o alagão interminável desse ano, é difícil acreditar que o paulista possa eleger mais algum tucano para o governo do estado.

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dez 232009
 

Soa tudo como uma grande comédia, existem coisas que só acontecem por aqui e nem sempre são os políticos os culpados pelo folclore de esculhambação que passamos para os outros países. A história é uma piada pronta, que se contada lá fora vão te chamar de mentiroso.

Primeiro aparece um Delegado de Polícia Federal, que resolve não aceitar uma oferta de suborno de 1 milhão para não levar a frente a investigação de crimes contra o mercado financeiro, entre outros do banqueiro mais influente no meio político. Esse  Delegado escandaliza o país prendendo o banqueiro e outros criminosos conhecidos do colarinho branco, ele tinha provas contundentes da tentativa de suborno, dinheiro apreendido, o país inteiro conheceu a Operação Satiagraha que revelou os tentáculos do Daniel Dantas na imprensa e pior, gravações revelavam ao país que o banqueiro não temia os tribunais superiores , sugerindo influencia e proteção, confessando que se preocupava mesmo era com os valentes juízes de primeira instância, esses incontroláveis.

Algumas horas apenas atrás das grades, aproveitando o recesso da corte, o Ministro do STF Gilmar Mendes, pulando instancias de recurso, concede Habeas Corpus para o banqueiro para novo espanto do país. Desafiando o poder monárquico do presidente do STF, o Juiz Fausto de Sanctis aprova novo pedido de prisão contra o banqueiro frente as novas provas encontradas e lá vai novamente o Delegado Protógenes encarcerar de novo o banqueiro para delírio do Brasileiro já cansado de tanta impunidade. Alegria de honesto dura pouco, e novamente Gilmar Mendes não deixa Dantas esquentar o banco na cadeia e concede novo HC ante uma estupefata opinião pública.

Depois do baque da Satiagraha e de fazer uma cena que fingia apoiar as prisões, a imprensa pró-Dantas muda o foco e começa a atacar o delegado que comandou a operação e o procurador que acompanhou a investigação. Ao mesmo tempo, o Juiz de Santis dava seguimento aos processos e condenava o banqueiro há 10 anos pela tentativa de suborno de um funcionário público e dava sequencia aos demais processos com a celeridade que a sociedade exigia. O Ministério da Justiça, fazendo a sua parte, conseguia numa ação inédita na história do país, bloquear parte do dinheiro que foi desviado do país nos crimes financeiros atribuídos a Dantas e ao banco Opportunity.

No apagar das luzes do judiciário no ano de 2009 acontece o capítulo mais recente dessa tragicomédia, em uma manobra escancarada que infelizmente evidencia o bom “trânsito” do banqueiro nas altas cortes do país, o Ministro Arnaldo Esteves de Lima, da 5ª câmara do STJ, concedeu liminar suspendendo toda a investigação Satiagraha e afastando por “suspeição” o honesto Juís Fausto de Sanctis, afrontando o brasileiro que paga imposto e o salário desses senhores, que julgam de acordo com os interesses dos ricos e poderosos. O caso ainda mostra que a patranha foi cuidadosamente planejada para coincidir com o início do recesso do judiciário e o momento anestesiador das festas de fim de ano para causar o menor desgaste possível para aquela corte.

A decisão foi uma tapa na nossa cara, e pode ter certeza que Daniel Dantas a essa hora deve estar rindo de você que acreditou que a justiça da impunidade dos poderosos poderia manter preso um criminoso do colarinho branco. Não acredite nos analistas de panos quentes que disserem que isso não significa impunidade, podem escrever: vai ser designado um juiz “bonzinho” para o lugar do De Sanctis. Se acontecer uma posterior confirmação da decisão do afastamento do Juiz de Sanctis, o que é o mais provável, o caminho para a impunidade de Daniel Dantas está aberto.

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