Você acredita que podem existir seres humanos capazes de festejar tragédias humanas, se estas lhe trouxerem algum dividendo político? pode ter certeza que sim. Acordamos no primeiro dia do ano ainda com a ressaca da festa de reveillon e pasmos, tomamos conhecimento que aquela noite havia sido de desespero e sofrimento para muitas pessoas, que naquele instante, em vez de estarem planejando o ano que começava, velavam seus mortos, esperavam notícias de desaparecidos angustiosamente e tentavam salvar alguma coisa do que restavam de suas casas.
Não, a tragédia não se resumia a uma enseada de residências de alto padrão econômico de Angra, a tragédia havia atingido também os pobres no centro da cidade, a comoção tomou o país ao descobrir que morreram famílias inteiras, inclusive crianças que tinham uma vida pela frente.
O que nos diferencia de animais irracionais é a nossa capacidade de nos emocionarmos, de deixarmos de lado posições pessoais e paixões para nos unirmos em momentos como esse, para tentarmos reconstruir o que é material, porque a perda de entes queridos não pode ser corrigida. Infelizmente, a nossa constatação que animais ditos irracionais, demonstram mais solidariedade que muitas figuras na nossa imprensa, que parecem festejar um acontecimento trágico como esse.
Em um final de ano de 2009, onde Lula chega ao auge do reconhecimento internacional e tendo no escândalo de corrupção do DEM e nos alagamentos de São Paulo, os únicos assuntos que dominavam o noticiário político por semanas, a imprensa Serrista estava nas cordas sem nenhuma condição de reação, e em um oportunismoo asqueroso passou a ver na tragédia de Angra, uma possibilidade clara para mudar de assunto e não precisar continuar tocando em pontos críticos para seus aliados. De uma cartada só, eles mudavam de assunto e passavam a fustigar um aliado do presidente Lula, daí sim eles poderiam se entregar de corpo e alma, o que não poderia acontecer com os casos que atingiam os aliados.
O BLOG DO LEN não isenta de responsabilidades o prefeito de Angra e o governador do Rio, assim como não isentou de responsabilidades o prefeito de São Paulo e governador Chirico pelos alagamentos e desabamentos em São Paulo, a diferença que ninguém vai encontrar post nesse blog tentando prejudicar adversário passando por cima do sofrimento humano. A vida humana está acima da politicagem sempre e é fundamental o respeito ás familias que sofrem perdas de seus entes queridos.
O que tenho visto nos últimos dias é estarrecedor, a máscara de ternura caiu e a face real assusta, jornalistas, se é que podemos os chamar assim, tiraram as carapuças e mostraram o seu interesse original nesse episódio, fazer politicagem rasteira. Vou citar como exemplo mais uma vez o jornalista Ricardo Noblat, que parece o exemplo mais palpável desse jornalismo de esgoto, pois se trata de um jornalista que chegou a ter respeitabilidade, mas que aos poucos foi jogando sua credibilidade na lata de lixo. O blogueiro Serrista, que não se assume debochando da inteligência do seu leitor, não fez questão de manter por muito tempo a máscara fraternal, e ainda no mesmo dia já cobrava a presença, de forma insistente e agressiva do Governador Cabral no local da tragédia. Daí no dia seguinte aconteceu uma tragédia de manores porporções com mortos no estado de São Paulo, o Governador Chirico demorou também a aparecer para comentar o que aconteceu e o que fez o blogueiro, rapidamente mudou o assunto e arrefeceu a sua obsessão pela presença de governadores em cenários de tragédias, ignorando as críticas dos dois pesos e duas medidas em assuntos idênticos envolvendo dois governadores: um aliado e outro opositor. Bastou o Serra aparecer em entrevistas que a sanha contra o Cabral voltou no Blog do Serrista, com uma volúpia e repetição do assunto à exaustão.
O mais curioso nisso tudo é a postura demonstrada por essas pessoas quando confrontadas com críticas dos seus próprios leitores, e ao ser questionado pela falta de respeito com a verdade tratando casos idênticos de forma tão discrepantes, a reação desse pessoal é culpar o fla-flu político e fugir das explicações. Além de não dar qualquer tipode argumento por se comportar daquela forma, o jornalista Noblat,debochando mais uma vez da inteligência de seus leitores, ironiza as críticas, citando comentários plantados por REPONES o chamando de pasmem, petista, daí ele exibia esses comentários alegando que como existiam comentaristas chamando ele de tucano e de petista, essa seria o argumento da sua “imparcialidade” inquestionável, deixando por responder, como sempre, as perguntas que pediam explicações sobre seu comportamento dúbio, ou seja, deboche puro.
Não consigo enxergar qualquer possiblidade de desgaste para o Cabral nesse caso, mesmo que tenha parcela de culpa no que aconteceu, portanto o que fica disso é a observação humanística do caso, no vale-tudo que a política brasileira se transformou, levando jornalista a jogar no lixo um dos sentimentos humanos mais nobres: a solidariedade humana.

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