O presidente do IBOPE Carlos Augusto Montenegro surtou de vez. Em declaração ao Último Segundo do IG, Montenegro diz “não acreditar ter dito o que disse” sobre previsões do cenário para as eleições presidenciais que fez no ano passado em diversas ocasiões, o que equivale ao “esqueçam o que escrevi” do FHC, declaração depois também negada pelo autor.
Na ocasião, Montenegro avaliou que Dilma chegaria ao final da campanha com patamar de intenções de voto entre 15 e 17%, que a transferência do presidente Lula tinha um limite e que (sic) “o povo brasileiro não queria mais um mandato do PT”. Agora que todos os demais institutos decretaram o fracasso de suas previsões, Montenegro em vez de fazer um mea culpa de suas avaliações incorretas, tenta minimizar, não reconhecendo discursos anteriores, o que é inviável no mundo de hoje onde tudo que dizemos e escrevemos fica registrado, e até recorrendo à torcida velada dizendo que “muita coisa ainda pode acontecer” até outubro.
Como vínhamos sustentando em vários posts aqui publicados, Montenegro vem arrasando a credibilidade do IBOPE, que mesmo tendo em sua última avaliação se aproximado dos resultados dos demais institutos, ainda estranhamente seguem apresentando resultados mais agradáveis para o governador de São Paulo dentre todos. O discurso se assemelha ao de um político de oposição ou analista da imprensa tucana, onde o que importa é fazer sua versão prevalecer independente de se distanciar da realidade. Muita torcida, muitas interpretações heterodoxas de dados estatísticos… Como esperar que os resultados do IBOPE sejam o retrato da realidade momentânea se não se consegue uma análise imparcial do seu maior executivo?
O Montenegro parece que se apóia na retaguarda que as Organizações Globo dão aos seus devaneios. O Jornal Nacional deixou bem claro ao afirmar que vai divulgar apenas as pesquisas do IBOPE do Montenegro e do DATAFOLHA da Folha tucana de São Paulo, ou seja, apenas daqueles institutos ligados aos principais meios de comunicação, que está em uma clara escalada do auto-referenciamento que eles produziram para tentar validar suas mentiras, na base do “se repetir, cola”. Institutos cujos resultados podem ser manipulados para satisfazer interesses diversos,o que na verdade já vem acontecendo há muito tempo, vide os “resultados surpreendentes” obtidos em várias eleições. Isso é uma afronta as regras eleitorais e espero que os demais institutos recorram à decisão polêmica e suspeita da Globo.
A menos que o “contratão” com a Globo seja suficiente lucrativo para o IBOPE rifar de vez sua credibilidade, seria uma boa medida para tentar recuperar parte dela se o instituto contratasse um assessor de imprensa para falar em nome da empresa, que possa se limitar a emitir avaliações técnicas e não políticas, e que não esteja claramente envolvido emocionalmente com a disputa. Montenegro já demonstrou várias vezes durante o tempo que esteve a Frente do Botafogo Futebol e Regatas, que a paixão o tira do controle emocional. Um instituto de pesquisa só pode ser movido pela vontade de realizar um trabalho decente que consiga traduzir com precisão a opinião pública. Um instituto de pesquisa, assim como a imprensa, necessita de credibilidade e para isso tem que se mostrar o mais imparcial possível, assim como vem tentando ser o Marcos Coimbra do Vox Populi, que mesmo não concordando com tudo que ele escreve, não dá para não reconhecer que ele faz análises técnicas e não apaixonadas.
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