mar 272010
 

Abra Cadabra: Apareça Pesquisa Datafolha Já

A Folha de São Paulo divulgou hoje pesquisa de intenções de voto para a disputa presidencial desse ano, com uma rapidez entre a coleta, compilação e divulgação dos números impressionante, a coleta de dados foi realizada nos dias 25 e 26 e foi divulgada ainda na madrugada do dia 27 . – Corrigindo: final do dia 26 -

Além da rapidez na entrega dos números, os números do DATAFOLHA verificam um crescimento surpreendente de quatro pontos do Governador de São Paulo e redução de um ponto para Dilma. O blogueiro Campbell do Blog do Campbell acredita que o crescimento se justifica pela exposição do governador depois que assumiu  sua candidatura a presidência. Eu acho pouco provável.

O fato de assumir a candidatura tem quase nenhuma influência para candidatos com grau de conhecimento alto por causa do recall de outras eleições. Anúncios de candidaturas (na verdade pré-candidaturas) podem ter até alguma influência em candidatos pouco conhecidos porque mais pessoas passam a conhecer melhor o nome que é apresentado na pesquisa estimulada, mas não para aquele que disputa todas as eleições de dois em dois anos. No caso de Dilma, o anúncio teve alguma influência, mas muito pouca porque as próprias pesquisas vinham apontando crescimento da sua candidatura de forma regular nos últimos meses, portanto não havendo pico significativo naquela data.

Não houve fato político nesses 30 dias que justificassem o Serra variar positivamente quatro pontos percentuais. O governador não está livre do desgaste, porque por mais que não esteja mais na época dos alagões, a greve dos professores mantém o governador em permanente desgaste político.

A pesquisa da Folha parece ser parte de uma estratégia traçada para preparar o lançamento oficial da candidatura Serra. Para confirmar qualquer movimentação nesse sentido é necessário o tira-teima com institutos que não estejam sob suspeita, por isso é fundamental a divulgação urgente de uma pesquisa Vox Populi ou Sensus, que são as únicas que tem o respeito e a confiança desse blog.

Por daSilvaEdison, uma das fontes regulares de Luis Nassif:

Len,

Madrugada do dia 27?

Tenho em mãos a edição impressa.

É, ainda sou assinante.

Com análise completa e minuciosa feita pelos Fernandos, o Rodrigues e o Barros.

Mais um texto “Desculpatório” do Paulino, Diretor do DataFolha.

Tudo isso numa impressão fechada às 21:11 do dia 26, segundo me informa a Folha.

E tudo isso depois da Globo ter avisado, quando da divulgação daquele demorado último Ibope, que doravante só daria espaço para DataFolha e Ibope.

Com tudo isso, e depois de tudo aquilo que a Folha já fez, acho que tenho motivos para ficar desconfiado.

Publicado pela primeira vez às 11:29 am

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mar 272010
 

Peço licença aos nossos poucos leitores para abordar um assunto que não seja exclusivo da política, apesar de ter suas relações, em um dia mais do que especial. Hoje, Renato Russo, líder formador, compositor e vocalista de uma das maiores bandas de rock nacional de todos os tempos, a Legião Urbana, completaria 50 anos se fosse vivo.

A obra de Renato, seja na banda ou em carreira solo, fala por si só. São obras-primas que marcaram a vida de muitos brasileiros, sendo da minha geração, de anterior e até as que não conheceram a obra do artista enquanto ele era vivo.

Não vou aqui tentar fazer um resumo da sua vida artística, hoje é possível ler alguns muito bons em vários lugares, feitos por quem gastou tempo fazendo pesquisa séria, mas acho que posso acrescentar um depoimento de que acompanhou os primeiros passos da banda quando veio para o Rio de Janeiro tentar a sorte no mundo artístico.

O primeiro contato que tive com a Legião Urbana foi em 1982, em uma casa de show no Rio de Janeiro chamada Mistura Fina da  Barra da Tijuca. Eu que na época tinha um gosto musical menos eclético com preferência para estilos como o Hardcore, Punk Rock e de Rock menos pop, tive uma boa impressão deles. Eu não tinha ido para vê-los porque sempre tinha show de bandas que na época não tinham muita expressão mais que daqui a um tempo iriam estourar nacionalmente. Ainda vi Legião Urbana no Casino Royale, Circo Voador e na extinta Metropolis que ficava localizada em São Conrado.

Já tinha me tornado fã da banda quando veio o famoso show do “Noites Cariocas” no Morro da Urca, em 1983. Os Punks estavam na pista esperando que eles tocassem as músicas do “Aborto Elétrico”, banda punk de Brasília cuja formação originou as bandas “Legião Urbana” e “Capital Inicial”. Apesar de na época ser fã de bandas como Bad Religion, Social Distortion, Circle Jerks, Dead Kennedy, Sexy Pistols, Ramones e das Brasileiras Inocentes, Replicantes, Garotos Podres e Mercenárias, eu nunca fui radical musicalmente para achar que só a música punk prestava.

Quando a Legião começou a tocar pela primeira vez a música “Faroeste Caboclo”, com sua toada de cantiga regional, os punks começaram a vaiar inclusive amigos meus. Eu que ainda não tinha ouvido a música nos outros shows, mas conhecia o potencial de Renato, sentenciei: “Espera, vocês vão se surpreender”. Eu estava certo e meus amigos punks errados, do meio para o final da música, eles já faziam a famosa “roda de pogo ”, e esse que vos escreve chegou ao final da canção com os olhos marejados de emoção, com a convicção de quem sabia que tinha presenciado um momento histórico, e é claro sem deixar os amigos punks perceberem, risos.

Infelizmente não consegui achar no You Tube a reprodução da primeira e histórica apresentação de Faroeste Caboclo no Morro da Urca em 83, que foi um dos muitos tapas na cara que Renato deu na Ditadura e nos políticos da época, mas fica a homenagem dessa gravação de 1994, desse gênio que é uma mistura de poeta e militante político que fez história não só na música, mas também na criação de uma geração com mentalidade de contestação depois da alienação que 20 anos de ditadura criaram.

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