Eu tenho visto muita gente boa achando que o furdunço envolvendo institutos de pesquisa de opinião, se acusando mutuamente por manipulação de resultados, é uma tentativa de iludir o eleitor para que ele seja absorvido pela “tendência de vitória”.
Pessoalmente acho que a influência de pesquisas sobre o eleitor a favor de quem está a frente se dá apenas às vésperas das eleições e somente se a diferença estiver muito grande pois, pode levar ao desânimo e aumentar a abstenção. Se a diferença for pequena favorece quem está atrás, pois a militância continua com esperança e pode dar um gás no final, e já vimos várias eleições virar assim.
A manipulação em algumas pesquisas nesse momento, faltando mais de cinco meses para as eleições, tem a finalidade de atrair aliados, conseguir palanques, estimular infidelidades e evitar debandadas. O acirramento das opiniões e o aumento da cobrança em cima dos institutos coincidem com o lançamento das pré-candidaturas, quando começam a se definir as alianças e a montagem dos palanques regionais dos candidatos a presidente.
Enquanto Dilma dispõe em vários estados de até dois palanques em que os principais concorrentes apóiam a sua candidatura, Serra tem claras dificuldades de definir apoios, sendo que em alguns estados só sobrou o candidato com menor chance a lhe oferecer o palanque.
Como convencer alguém a apoiar o Serra, estimular infidelidades e evitar debandadas se faltando tanto tempo para as eleições ele já foi alcançado pela candidata do presidente mais bem-avaliado da história e com a economia do país em estado de graça? Afinal, a debandada já tinha começado e os anúncios de infidelidade por parte de prefeitos tucanos já tinham começado a “pipocar” por todo lado.
A motivação vai ficando mais perceptível à medida que os aloprados da imprensa serrista vão revelando as segundas intenções.
Coluna Painel – 28/03/10
A campanha de José Serra tentará aproveitar o bom resultado no Sul (crescimento de dez pontos no Datafolha) para equacionar seus palanques na região.
No Rio Grande do Sul, o fôlego tomado permite sonhar com dois cenários:
a) que José Fogaça (PMDB), líder nas pesquisas, pense duas vezes antes de apoiar Dilma Rousseff (PT);
b) que Fogaça, diante da recuperação ensaiada por Yeda Crusius (PSDB), desista de trocar a segurança da Prefeitura de Porto Alegre pela incerteza da disputa, levando o PMDB para a órbita de Serra já no primeiro turno.
Em Santa Catarina, os números reaproximam o PSDB e do PMDB, que flertava com Dilma. No Paraná, o PT fica mais dependente de uma eventual aliança com Osmar Dias (PDT).
Globo online – Adriana Vasconcelos e Gerson Camarrotti 25/04/10
Os tucanos planejam aproveitar a recuperação de Serra registrada nas últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas por Datafolha e Ibope, que lhe garantem vantagem de até dez pontos percentuais, para investir nos aliados da candidata petista. O PP, por exemplo, seria uma das legendas mais sensíveis às oscilações dos candidatos nas pesquisas. É sintomático o grande número de deputados da legenda que foi visto no gabinete do presidente nacional PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), nas últimas semanas.
Acho que está claro, não? Dá para entender agora porque estamos presenciando toda essa baixaria por parte de veículos de imprensa, partidos políticos e institutos de pesquisa nos últimos trinta dias?
Todo esse nervosismo do pessoal do Serra me deixa ainda mais curioso pelos próximos resultados das pesquisas Vox Populi e Sensus, que no meu entender são as pesquisas verdadeiramente isentas e portanto com credibilidade para aferir o cenário atual de intenções de voto.
Algo me diz que mesmo com a saída de Ciro, os resultados vão ser de empate técnico ou numérico entre Dilma e Serra.
Fonte imagem: Blog do Lucas Hadade


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