jul 312010
 

Eu não confio na pesquisa Ibope, e isto é um fato. Assim como o Datafolha, o IBOPE também mexe nos resultados para não desanimar os apoiadores do Serra e provocar uma debandada da candidatura tucana, só que o pessoal do IBOPE é mais cuidadoso que o Datafolha e não extrapola nas mexidas. Essa é a minha opinião.

Em meados de Junho, o IBOPE já tinha apontado, assim como na pesquisa divulgada hoje, vantagem de cinco pontos em favor de Dilma (40 x 35) e dez dias depois voltou atrás e se solidarizou com a Folha, apontando empate (37 x 37).

Essas oscilações acima das margens de erro são uma constante nas pesquisas Ibope desde o ano passado e ao contrário dos institutos Sensus e Vox Populi que apontam trajetórias constantes de crescimento das intenções de voto de Dilma e de estagnação com viés de queda para Serra, o IBOPE vem mostrando seguidas inversões de tendências. O histórico mostra que Sensus e Vox têm apontado tendências que depois são confirmadas pelos demais, e mesmo que em um primeiro momento haja discrepância nos resultados, depois eles acabam confirmando os resultados desses dois institutos.

Na época, enquanto todos comemoravam a vantagem de cinco pontos pró-Dilma no Ibope, eu demonstrava a minha desconfiança no post “Não se enganem! IBOPE não presta, diferença deve ser ainda maior”. Agora eu reafirmo o que disse, se o IBOPE diz que é cinco, a diferença deve estar nos oito pontos que o Vox Populi apontou pró-Dilma, se não for ainda maior.

Em todo caso, supondo que os números do IBOPE, que tanto oscilam, estejam corretos dessa vez, podemos ver que ainda assim a situação está gravíssima para José Serra, com grandes possibilidades da eleição ser resolvida ainda no primeiro turno, e para constatar esse detalhe basta consultar os resultados da pesquisa estimulada com os nove candidatos a presidência da república, onde apenas os três candidatos mais conhecidos foram lembrados:

Resultados Pesquisa IBOPE para Presidente da República estimulada (9 candidatos)

Dilma Roussef – 39%

José Serra – 34%

Marina Silva – 7%

Outros – 0%

Dilma 39% x Demais candidatos 41%, uma diferença de 2% que está dentro da margem de erro, ou seja, a opção de vitória de Dilma no primeiro turno passou de possível para bastante provável. No caso de Dilma conquistar uma maior parcela dos 12% que ainda estão indecisos – o que estatisticamente é a hipótese mais favorável – a vitória no primeiro turno passará a ser uma realidade e as próximas pesquisas devem confirmar essa possibilidade.

Com os resultados divulgados pelo IBOPE, o instituto Datafolha fica isolado e o Vox Populi sai fortalecido. Na outra ocasião, o Sensus tinha saído mais forte de episódio semelhante de queda de braço com o Datafolha, que além de consagrar os outros institutos, conseguiu perder a credibilidade até por parte dos aliados dos beneficiados de suas manipulações estatísticas.

Se o Datafolha ainda intenciona continuar a fazer pesquisas – além daquelas feitas a pedido de seus próprios patrões – vai ter que dar um cavalo de pau bem “bandeiroso” nos seus resultados para se aproximar dos demais, afinal nem com suas ajudas o Serra consegue mais evitar que os aliados se bandeiem para o lado da Dilma, ou prefiram fazer campanha apenas para si mesmos, sem ter que carregar a cruz de apoiar alguém marcado para perder.

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jul 302010
 

Eu já vi esse filme antes. Em todas as eleições nós vemos a história se repetir e repetir. A oposição puxa temas que consideram estratégicos, a imprensa faz coro e o PT aceita a provocação e passa o tempo todo na defensiva e dando explicações, e quando reage, o faz dentro da pauta que lhe foi imposta.

Que o Serra é de direita e representa os anseios dos estratos mais reacionários da sociedade todo mundo já sabe há muito tempo, e antes dessa mudança de postura da campanha dele nós já apontávamos no que esse cidadão tinha se transformado com o tempo, no post Serra é o candidato da Direita.

Mas, nós estamos durante um período eleitoral e cá para nós, essa discussão de esquerda, direita, FARC, Chavez é tão inócua quanto qualquer um dos factóides formulados nos últimos oito anos. O eleitor que dará o voto que vai decidir as eleições já no primeiro turno não dá a mínima para essa discussão de 30 anos atrás, é a economia estúpido! As pessoas estão mais interessadas na sensação de bem-estar causada pela situação econômica do país, na quantidade de empregos, na capacidade de adquirir produtos que antes julgavam inacessíveis.

A quem interessa o debate desse tema inócuo em termos eleitorais e que só atrai uma parcela muito pequena da população? Só quem quer fugir das comparações dos governos Lula e FHC, que deveria ser o assunto principal abordado pelos petistas nesse momento de campanha. Para que dar sobrevida a esse assunto? A provocação feita acusando a campanha de Dilma de se esquivar de determinados assuntos é uma forma de impor a pauta que eles querem na marra, apelando para o orgulho dos tolos, que para “provar” que não estão fugindo fazem exatamente o que os adversários gostariam que eles fizessem.

Ninguém precisa brigar com o jornalista, até porque é isso que muitos deles querem, mas é só responder educadamente que esse assunto só interessa àqueles que não querem discutir os assuntos que realmente importam no debate eleitoral e, passar da defensiva para a ofensiva.

Quem tem que apontar os temas mais importantes para a  discussão, segundo os seus interesses, é a campanha de Dilma, e não ficar a reboque do que os outros tentam impor aceitando passivamente a pauta da oposição.Tá faltando na campanha de Dilma um discurso mais afinado e com definição de temas que sejam interessantes para a campanha serem abordados.

Abaixo alguns temas que podem ser explorados na campanha desse ano e estão sendo colocados para escanteio porque é a oposição quem está pautando a discussão:

  • Comparações entre governos Lula e FHC;
  • FHC está sendo escondido na campanha de Serra?;
  • As privatizações fracassadas e os preços dos pedágios tucanos;
  • As ADINS e demais ações do DEM contra políticas sociais do governo Lula como o PROUNI, o Sistema de Cotas Raciais e o Bolsa-Família;
  • As ligações do Serra com políticos envolvidos em escândalos recentes de corrupção como Arruda e Yeda Crusius;
  • Flashback relembrando a situação do país em 2002 quando os tucanos deixaram o país no fundo do poço depois de oito anos de desgoverno.

E deixa que eles fiquem falando sozinhos para os 5% que reprovam o Governo Lula.

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jul 262010
 

Da editoria-geral do Terra Brasilis

Guilherme Fiuza, um dos articulistas do Instituto Millenium [1], volta a encarnar o papel de trocista num artigo intitulado “O PT e o pó” [2]. Com um show de leviandade e com pouca substância comprobatória daquilo que escreve, o jornalista aponta uma existente ligação do PT com as FARC e, por osmose, com o narcotráfico. Utilizando-se de uma capenga ironia verbal (definitivamente, Guilherme Fiuza não sabe lidar muito bem com esta figura de linguagem [3]), o articulista do Millenium tenta desqualificar a indignação do PT com as acusações, afirmando: “[...] o partido pensava que aquele pó branco que os companheiros colombianos vendem era açúcar”. Ou seja, segundo Guilherme Fiuza, o PT é uma instituição político-partidária envolvida, de fato, com o narcotráfico. Isso, além de leviano, é gravíssimo, pois atinge, indistintamente, todos os membros do partido dos trabalhadores, bem como os seus eleitores. Assim, todos, se não traficam, estão de uma forma indireta associados ao tráfico. Isso é crime previsto em lei. Acusar sem provas, também é crime.
Mais adiante, o autor de “Meu nome não é Johnny” reafirma suas irônicas acusações dizendo que “O PT não tem nada a ver com a cocaína. Adriano Imperador e Vagner Love também não. Todos eles só gostam de passear ao lado de traficantes armados até os dentes, conversar com eles por telefone, unir forças contra os agentes do mal”. Ora, ora, caro jornalista… O que tem a ver Adriano “Imperador” e Vagner “Love” com o PT nesse episódio que a mídia golpista e desinformativa tupiniquim, do qual o senhor é um dos ícones, requenta a cada eleição?
Uma última indagação que me ocorreu: caro Guilherme Fiuza, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) é também um narcotraficante [4]? O PSDB também o é?
[1] Para ver o índice dos articulistas e especialistas do Instituto Millenium, clique AQUI
[2] Para ler o artigo na íntegra, clique AQUI.
[3] Esta não é a primeira vez que a editoria-geral do Terra Brasilis revela a incompetência linguística do sr. Guilherme Fiuza quanto ao uso deste recurso de linguagem. Clique AQUI e leia o que já se escreveu sobre isso.

[4] Leia sobre Arthur Virgílo e as FARC, AQUI.

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jul 252010
 

Para entender como o Datafolha conseguiu a proeza de colocar Serra na frente, um dia após do Vox Populi apontar Dilma com vantagem de oito pontos, é preciso conhecer alguns detalhes de como são feitas as pesquisas Datafolha.

Diferentemente dos demais institutos, o Datafolha entrevista pessoas nas ruas e não nas suas residências. Daí você pergunta: Em que isso faz diferença, LEN? A diferença é na checagem de parte dos questionários – que é uma prática estatística informada por todos os institutos ao TSE no momento do registro da pesquisa – enquanto os outros institutos definem um número de domicílios a serem visitados pelos supervisores para checar os resultados informados pelos pesquisadores, o Datafolha precisa solicitar um número de telefone ao pesquisado para que o supervisor possa checar parte das entrevistas feitas.

Acontece que o Datafolha só precisa checar 20% das entrevistas realizadas, e no caso da amostragem de 10.000 que usou na última pesquisa,  bastava entrar em contato com aproximadamente 2.000 telefones de entrevistados para confirmar os dados.

Como podemos perceber no questionário do Datafolha não há em nenhum local qualquer menção a obrigatoriedade do fornecimento de telefone, e como o campo para anotação dessa informação se encontra no final do questionário, se fosse um campo mandatório que bloqueasse a continuação da pesquisa ele estaria no início e não no fim. Além disso, o campo de checagem no início do questionário admite a opção “sem telefone” e, novamente, se fosse um campo obrigatório, não faria o menor sentido existir uma opção não aceitável para o supervisor marcar.

Aí que está o pulo do gato. Nos outros institutos, que fazem pesquisas em domicílios, todos os formulários são rastreáveis, mesmo os que não foram checados pela supervisão, podendo em uma auditoria ou investigação policial serem verificados, pois com as informações de endereço o entrevistado pode ser encontrado.

Como o Datafolha realiza pesquisas nas ruas, quando um questionário é marcado no campo de checagem como “sem telefone” ou “telefone errado”, este questionário pode ser manipulado como bem entender o diretor do instituto, pelo simples fato de que não são rastreáveis, ou seja, os entrevistados não podem ser encontrados para que em uma auditoria ou investigação policial possam ser verificados os dados que supostamente responderam ao entrevistador.

Nada impede que esses questionários tenham sido fabricados pelo próprio instituto para manipular os resultados, pois não podem ser verificados. Na verdade, os resultados do Datafolha dependem da fé na sua credibilidade porque não podem ser confirmados por auditoria.

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jul 242010
 

Eu não queria mais comentar esse lixo aqui, mas o instituto Datafolha escarnece da inteligência das pessoas e da justiça eleitoral, pois já existe uma decisão do TSE atendendo uma solicitação do Movimento dos Sem Mídia, que orienta a Polícia Federal a investigar resultados de pesquisas de intenção de voto para a corrida presidencial.

Se o resultado da última pesquisa Datafolha já foi um acinte, colocando Serra na frente quando os outros institutos já davam vantagem de cinco pontos para Dilma, a que foi divulgada hoje insistindo em dar dianteira ao Serra poucas horas após outro instituto apontar Dilma 8 pontos na frente chega a assustar pela coragem em afrontar a justiça eleitoral, em debochar da inteligência das pessoas pois nem mesmo a campanha de Serra acredita nesses números, pois partiram para o vale tudo da baixaria eleitoral.

Alguém já viu candidato e equipe que acredita estar na frente das pesquisas, mesmo com empate técnico, apelar para o expediente que “Mr.Burns” e seu candidato a vice “Smithers” vem utilizando na campanha, apesar de desaconselhado por boa parte de seus aliados? A quem eles pensam que enganam com esses números fantasiosos se os sinais de desespero na campanha do Serra são clássicos?

Uma boa hora para o MSM averiguar como andam as investigações e, todos nós podemos colaborar fazendo pressão junto aos organismos competentes para que essas investigações sejam levadas a sério porque uma diferença tão grande nos resultados de dois institutos, que realizaram pesquisas em período quase idêntico, é um indício muito grande que um deles está fraudando números de uma pesquisa registrada no TSE. O que é caso de colocar na cadeia o responsável técnico que assinou a pesquisa e cassação da autorização de realizar pesquisas do instituto.

Tá na hora de cobrar mais seriedade das pesquisas no país e acabar com as manipulações de resultados por interesses políticos, financeiros e corporativos. Por mais que a direção da Folha de São Paulo seja composta de cínicos que não são capazes de assumir o lado partidário da linha editorial do grupo, qualquer um que seja dotado da capacidade de raciocinar e formar seu próprio ponto de vista sem tutores, pode perceber facilmente qual lado político o grupo apóia.

A confissão de Judith Britto na reunião do Millenium foi apenas uma entre tantas “bandeiras” que o Jornal cometeu deixando escapar suas opções partidárias e, não dá para desassociar o jornal do instituto Datafolha, que desde o ano passado vem patrcinando resultados favoráveis a José Serra, é o único que ainda não mostrou Dilma à frente em nenhuma das pesquisas que realizou.

O diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, deve uma resposta à sociedade brasileira em relação ao que a PF pretende fazer para combater aos crimes de fraude em pesquisa de opinião pública, e mais um acaba de ser cometido, mais um.

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