Termina de forma melancólica o polêmico governo do Colombiano Álvaro Uribe, que é visto como um paladino pelos neocons sul-americanos, que o vêem ou viam como um símbolo da resistência contra a supremacia de governos progressistas na região – após o fracasso das experiências neoliberais na década anterior, que tem suas atenções mais voltadas às causas sociais em detrimento dos anseios neocons de exclusividade social e concentração de renda, nas mãos deles, é claro.
Uribe, que costuma acusar governantes de países vizinhos de colaborar com as FARC, mas que possui ele mesmo, conexões conhecidas com grupos paramilitares tolerados pelo governo colombiano e que também tinham ligações com o narcotráfico, e apesar do seu governo ter livrado a Colômbia do poder exacerbado dos antigos cartéis das drogas, mesmo com todo o alarde e com o apoio e logística dos EUA, não conseguiu acabar com a produção e exportação de drogas no seu país.
Uribe promoveu a discórdia entre países e gerou incidentes diplomáticos entre países do continente, alguns gravíssimos como, por exemplo, o ataque a um acampamento das FARC no território equatoriano, sem alertar ou pedir autorização para o governo daquele país. Por diversas vezes acusou governos vizinhos totalmente desprovidos de provas que sustentasse suas acusações levianas e em algumas situação chegou a forjar provas de forma grosseira contra inimigos políticos, além de reincidir várias vezes em embates verborrágicos com Chavez, com o único intuito de se manter em evidência, em uma estratégia de marketing pessoal perigoso, pois aprofundou o isolamento do país em relação aos demais países do continente, que nunca viram com bons olhos esses bate-bocas públicos e essa postura de lacaio fiel às ambições dos norte-americanos no continente. Ele foi capaz de ser agressivo até com o presidente Lula, que sempre demonstrou uma paciência franciscana com os seus arroubos de mini-ditador.
Uribe alimentou uma política de ódio e rancor e coloca barreiras a qualquer tentativa de conciliação com as FARC. Dificulta e impõe restrições descabidas até contra a entrega voluntária e unilateral de prisioneiros. É nítida sua tentativa de querer demonizar o movimento, que embora anacrônico, nasceu de forma genuína e em uma época relevante, mas que por falta de habilidade dos atores envolvidos nunca foi possível chegar a algum tipo de acordo como a anistia brasileira.
Uribe abriu as portas do continente para as forças armadas dos EUA e colocou eles no nosso quintal, mesmo com todo o histórico norte-americano de ingerências indevidas em países soberanos, chegando ao ponto de justificar invasões e incursões militares com argumentos falsos, que foram facilmente desmistificados depois.
Uribe já vai tarde e agora esperamos que o novo presidente Juan Manuel Santos, embora aliado político do ex-presidente, possa rever algumas posições e acima de tudo com vontade para negociar soluções pacíficas para o confronto histórico com as Farc e pendengas com vizinhos, além de resgatar a soberania da Colômbia, que não precisa de tutores para resolver seus problemas internos.
Seja bem vindo Presidente Santos, e que você seja sensível aos apelos de todos e consolide uma unidade no continente que é indispensável mesmo que tardia. A falta de unidade desse continente, que é o que cresce de forma mais consistente nos últimos tempos, só interessa aos que estão fora dele.
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