nov 302010
 

A Wikileaks consegue o que muitos julgaram ser impossível desde a derrocada da extinta União Soviética no final dos anos 80: deixar os EUA em posição defensiva em assuntos diplomáticos. Ao vazar centenas de milhares de documentos para diversos jornais do mundo inteiro, Wikileaks constrange a política externa americana e coloca em julgamento a forma com fazem uso de seus instrumentos diplomáticos como embaixadas e consulados.

Parte dos documentos vazados mostra que diplomatas serviam de “espiões de crachá” do governo americano, fazendo relatórios sobre governantes dos países e orientando ações do governo americano para influenciar a política de alguns desses países.

Pelo que foi divulgado até agora, os documentos não possuem revelações de crimes contra a humanidade como aqueles que foram publicados na primeira leva do wikileaks, mas expõe a forma arrogante e agressiva com que a diplomacia americana conduz a política externa dos EUA e o desrespeito que nutre por líderes de outros países Algumas dessas referências a Chávez, Cristina Kirchner, Berlusconi, Medvedev, Putin e Angela Merkell foram em tom grosseiro ou de chacota.

A revelação do conteúdo dos documentos, em geral, compromete a diplomacia americana com parceiros estratégicos, mas entre tantas gafes foi possível encontrar ao menos uma avaliação digna, no episódio do golpe em Honduras. O relato foi feito pelo embaixador americano que classificou o ato como ilegal de conspiração criminosa realizada entre o congresso, o judiciário e os militares. Esse relato deveria servir de exemplo para os analistas políticos da velha mídia tupiniquim, que costumam concordar com tudo com a diplomacia americana, mas defenderam os golpistas de Honduras como se fossem seus heróis. Depois dessa, esses defensores de golpes militares com espaço farto na velha mídia deveriam pedir para ir ao banheiro e sair de fininho.

Essa semana foi de golpes duros para aqueles que defendem com unhas e dentes o alinhamento automático e lambe-botas do Brasil à política externa que os EUA tentam impor ao mundo, como era feito no tempo em que o chanceler brasileiro precisava tirar os sapatos em aeroportos americanos. Primeiro foi a premiação organizada pela revista Latin Trade chamada Bravo Business que premia líderes mundiais, e na categoria Líder de inovação do ano premiou o ministro Celso Amorim, contestado ferozmente pelos críticos da velha mídia, que não conseguem aceitar ou compreender que a política externa brasileira é soberana, e agora essa exposição humilhante da política externa que idolatram.

Política essa que atualmente se encontra sob a responsabilidade da ex-primeira-dama e atual secretária de estado Hillary Clinton, que costuma ser incensada por esses mesmos críticos, basta voltar alguns meses no tempo em que a Globo montou um painel em que Willian Waack e Maria Beltrão entrevistaram a secretária, com a participação de universitários que faziam perguntas “simpáticas” à linha editorial da emissora. Por sua vez, os entrevistadores alternavam momentos em que tentavam arrancar de Hillary declaração crítica a decisões da diplomacia brasileira, e outros de demonstração de bajulação explícita.

Wikileaks não queria, mas deixou nu, além do império, os seus vassalos no Brasil.

Revisão final: Diafonso

Siga o autor no Twitter!

Escolha o novo nome do blog

 Posted by at 3:02 am  BLOG DO LEN
nov 302010
 

Desde sábado está aberta a votação, que vai até o dia 31 de dezembro, para escolha do novo nome do nosso blog. Os nomes que foram selecionados foram sugeridos pelo nosso editor Diafonso (também do blog Terra Brasilis), pelo amigo blogueiro Zcarlos (do ComTexto Livre) e pelos leitores Jessé FernandesRômulo VieiraJosé AmparoO EsquerdistaAndréia Rodrigues.

Apenas não foram apresentados os nomes que poderiam parecer presunção e as agressões dos trolls, alem de um nome sugerido que mantinha a mesma linha de personificação do blog que pretendemos acabar com essa mudança. A decisão de dar aos leitores a responsabilidade pela sugestão dos nomes e escolha do vencedor é uma forma de mostrar o quanto vocês são importante para o blog e portanto parte dele, portanto participe!!!

Siga o autor no Twitter!

nov 272010
 

Marcelo Tas começa a ter destaque na internet por seus comentários via Twitter. Mais por suas opiniões políticas do que qualquer outra coisa.

Os comentários do apresentador do programa CQC, da Band, nas últimas semanas têm gerado uma reação de outros jornalistas e blogueiros por conta da arrogância e do conservadorismo que os permeiam.

O mais recente se referiram à operação policial no complexo de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro.

Embora seu perfil no twitter beire a esquizofrenia ou, como dizem hoje, à aleatoriedade, o apresentador tem um pensamento claro. As posições contraditórias aparecem quando retuita textos de Luiz Eduardo Soares ou Celso Athayde, que muitas das vezes vão de encontro com seus gritos conservadores.

Não se sabe se Tas retuita para mostras o que considera absurdo, ou se pensa uma coisa e escreve outra.

O Blogueiro/ Apresentador também tem uma característica marcante. É quando recebe críticas, que são rebatidas com ataques as classificando de “chapa-branca” ou “petistas”, ou clama pela liberdade de imprensa e opinião, tentando atribuir à critica um caráter anti-democrático de censura.

Quando lhe faltam argumentos, ataque!!

Desta vez Tas foi além de se gabar e se fez uma pergunta genial:

“E se o BOPE, a Polícia e as Forças Armadas, depois da operação no Rio, fossem limpar o Congresso Nacional?”

Que eu  saiba, esse método autoritário clamado pelo democrata (não por causa do partido DEM, talvez por isso também), já foi posto em prática em 1964. Com argumento parecido, acabar com a corrupção e retomar a “moral e os bons costumes”.


A reação foi quase que imediata. O jornalista da Record e do blog Escrevinhador, Rodrigo Vianna, perguntou se era verdade essa afirmação.

Tas logo rebateu dizendo que Vianna é um “jornalista decadente” e distorceu sua frase para “chamar atenção para sua insignificância”.

O apresentador do CQC já demonstrou em várias oportunidade a sua arrogância e megalomania. Ele, e seus colegas de programa, se consideram os paladinos do “humor inteligente”. Inclusive já afirmaram isso inúmeras vezes ao vivo.

Se o são ou não, não cabe aos próprios afirmarem isso. É como Zorra Total dizer: “Ele não são um humor tradicional, como nós”.

A megalomania de Tas não para por aí. Em uma entrevista de blogueiros com o presidente Lula, Tas (que assistia ao vivo) comentou o fato de muitos comemorarem a alta audiência da transmissão, exclusivamente via internet.

“Atenção puxa-sacos que comemoram 6 mil de audiência: no CQC temos 30 mil toda semana”

Freud talvez possa explicar melhor do que muitos essa necessidade de Tas se colocar acima de todos, O inteligente, O líder de audiência, O jornalista significante, O rei do “da vanguarda dos humoristas televisivos”…

Talvez por ter voltado para a TV liderando um programa e que, diga-se, conseguiu levantar a audiência da Band que sempre foi um fiasco.

Talvez por questões mais profundas.

Siga o autor no Twitter!

nov 262010
 

O Rio arde com automóveis pegando fogo nas capas de jornais e noticiários de TV, a polícia responde e, no meio dessa confusão (que alguns consideram exageros, outros nem tanto), surgem os formadores do discurso popular.

O mais assustador em meio à loucura que tomou o Rio, além das cenas da fuga de integrantes do tráfico da Vila Cruzeiro pe;a TV, é o discurso dos apresentadores do “jornalismo popular” como Datena, Wagner Montes e Gustavo Marques (da Record RJ).

Pelo discurso destes, não vivemos mais em um estado democrático de direito, não existe a constituição de 88 e os policiais não são agentes da lei, mas foras-da-lei fardados. O discurso “bandido bom é bandido morto” ressuscitou com esses apresentadores, que posam como paladinos da sociedade, mas fazem um desserviço ao empregar um discurso fascista e que ignora acordos internacionais do qual o Brasil é signatário.

Será que estes senhores sabem que, se o Brasil for condenado na corte internacional por desrespeito aos direitos humanos, pode sofrer sérias sanções de outros países e entidades internacionais?

Será que estes senhores não notam que o Estado, ao executar um “bandido”, está ignorando a constituição, a presunção de inocência e o estado democrático de direito que garante que todos tenham direito de defesa e sejam considerados inocentes até serem julgados?

Quando alardeiam que a “poliçada” têm que matar esses marginais, ligados ao tráfico, acabam colocando no mesmo saco quem não respeita a lei e quem deveria zelar para que ela seja aplicada.

É um atentado contra a mesma democracia que estes se dizem defensores…

Não é de se surpreender quando vemos uma enxurrada desse discurso raivoso invadindo a internet. No facebook, quando não são choramingos pela “Cidade Maravilhosa”, são frases como “A polícia deveria jogar uma bomba no Alemão, logo” ou “Quando eles estavam fugindo, deveriam ter pego um helicóptero e fuzilado geral”.

Detalhe: antigamente estas frases se restringiam à “Zelite”… hoje vemos moradores do subúrbio e da baixada, que nem de longe beiram a “Zelite”, dizendo o mesmo.

Os “jornalistas populares”, e não é de hoje (vide Alborghetti), parecem se travestir como povão para pregar os ideais da elite reacionária tupiniquim.

Esta semana o nobre humanista, e deputado, Bolsonaro pai escreveu no jornal O Dia, do Rio de Janeiro, que é hora de adotar a “Tolerância Zero”. Talvez ele tenha em mente a idéia “Atirar primeiro e perguntar depois”, muito bem aplicada em países como EUA e Inglaterra.

Jean Charles foi um bom exemplo da eficiência desta política.

A vida no Rio não está normal, mas também não está um caos insustentável. As medidas quanto a políticas de segurança estão sendo tomadas, diferente do governo de SP que se omitiu quando sob ataques do PCC em 2006, embora a raiz do banditismo, como diria Chico Science, é uma questão de classe. E deve ser tratada como tal.

A fábrica de marginais não são as mulheres dos morros que tem filhos, mas o Estado que sucateia os serviços como educação e saúde públicas. A segurança pública deve ter uma visão social de inclusão também. A longo prazo, medidas hoje tomadas se mostrarão sem efeito.

Usando uma metáfora, agora, preferida dos queridos apresentadores: Matam-se as formigas, mas o ninho continua gerando soldados.

Não sejamos inocentes em achar que essas políticas acabam com o tráfico, ele está na Suécia, na França, no Canadá… e não é por culpa dos Bolivianos ou Mexicanos. Aí o buraco é muito mais embaixo. Mas quando o Estado dá oportunidade e inclui aqueles que antes estavam à margem da sociedade, essa tendência de jovens se alistando no exército do tráfico diminui.

Mas aprofundar esta questão não interessa aos programas de TV, gerar debates na sociedade e o pensamento crítico é perigoso e desinteressante.

Caos, desordem, insegurança e indignação dão pontos no Ibope; Ponderação nas análises para reflexão do telespectadores, não! Que o diga Noam Chomsky

A violência assusta as ruas do Rio e a intolerância domina a TV brasileira. Haja antiácido nos próximos dias…

Siga o autor no Twitter!

Switch to our mobile site