dez 302010
 

Se um ET chegasse ao Brasil hoje e fosse se informar da situação lendo nossos principais jornais, ele provavelmente acreditaria que a única solução para salvar a população do nosso país seria uma invasão alienígena que exterminasse os sindicalistas e vermelhinhos que estão no poder, a começar pelo tirano presidente, cujo único mérito teria sido manter as brilhantes bases deixadas por Fernando Henrique Cardoso.

Se o amigo navegante estiver com o fígado em dia, sugiro que visite o Blog do Noblat, que faz um clipping de matérias, editoriais e artigos exclusivamente contra Lula, seu governo, o PT e aliados. Não vais encontrar em outro lugar coletânea igual de demonstrações de recalque, inveja, frustração e rancor vingativo.

Se você for um completo alienado ou estava em retiro espiritual por anos sugiro que não visite, você vai pensar que vivia no show de Truman e que a realidade é aquela que eles escrevem, com a convicção daqueles que sabem tudo e ainda fazem cara de blasé. Você vai imaginar que todos te enganaram, família, amigos, chefe, todos, e que nada melhorou no Brasil, só piorou, era tudo propaganda, olha a câmera atrás do espelho do banheiro. Será que essa mulher que dorme comigo há mais de 20 anos é uma atriz?

Existia no Brasil em um passado remoto, uma classe de pessoas que se consideravam a elite política do país. Ninguém se elegia sem pedir a benção e agradar essas pessoas. A concentração de verbas publicitárias para poucos veículos de comunicação desde os governos militares criou a distorção de um oligopólio de mídia, com poucas empresas (famílias) sendo responsáveis pela (des)informação da população,manipulando fatos para conseguir seus objetivos. Eles se autodenominavam formadores de opinião e, realmente devido a quase exclusividade da informação, eles detinham um poder muito grande de convencimento da opinião pública.

Com o fracasso retumbante do governo FHC aumentou a percepção do viés partidário com que a velha mídia lidava com os fatos, daí se iniciou uma transformação gradual, com as pessoas passando a exercer na sua totalidade o direito de discernir e escolher em quem vão votar fazendo com que os ditos formadores de opinião começassem a perder eleições e seguidores.

Tudo bem que nesses oito anos, Lula tenha acabado com a imoral concentração de verbas federais para publicidade, e não é fácil perder receita, mesmo que a sua manutenção até aquele momento tivesse sido feita de modo desleal. Isso justifica de forma torta o rancor que nutrem por Lula, mas nessa loucura toda por revanchismo eles acabam deixando de lado o mínimo de respeito pelos fatos e colocando cada vez mais descrédito nas suas próprias contas.

Não esperava artigos que reconhecessem todos os méritos de Lula e seu governo, mas esperava um pouco menos de cegueira. Pessoas que não conseguem enxergar um palmo à frente do nariz e ainda se acham em posição de guiar o povo brasileiro. A incapacidade de reconhecer seus próprios erros e os méritos do adversário é o que tem levado às sucessivas derrotas nas urnas. Pelo visto não aprenderam nada e não dão sinais que um dia vão chegar a aprender.

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dez 282010
 

Quem aqui conhece Mário Marques, ou Alvaro Pereira Júnior?

Mário Marques “filho” é jornalista. Filho porque seu pai também se chama Mário Marques, e é um tucano muito conhecido na baixada fluminense, deputado e ex-prefeito de Nova Iguaçu.

Nesses dias de enxurrada de “especialistas”, diria que é jornalista especialista em música pop e independente. Até quando eu acompanhava era um bom  jornalista, com novidades sobre bandas Indies e suas colunas, tanto no JB, quanto no O Globo sempre traziam algo interessante de se conhecer.

Alvaro Pereira Junior vai além! Jornalista,  químico, escreve no folhateen, crítico musical e redator-chefe do Fantástico. Ficou conhecido (pra mim) após uma troca de farpas com Ed Mota no Altas Horas.

O Indie é um gênero musical com fortes influências de pós-punk, eletropop e rock alternativo que muitas vezes está correndo por fora gravando em pequenas gravadoras e tentando manter uma autonomia sobre sua produção intelectual.

MM filho tinha uma revista chamada Laboratório Pop – não me lembro, mas acho que cheguei a ir em uma festa de aniversário (ou lançamento) que aconteceu no Teatro Odisséia, na Lapa. Agora apenas o site Laboratório Pop e um Blog pessoal.

Mas algo mudou no coração ou no cérebro de Mário Marques. Parece que o filho e o pai se fundiram, as matérias e opiniões do jornalista se tornou algo esquizofrênico que parece uma mistura de Arnaldo Jabor, Regina Duarte e todos os pulsantes pensamentos do Instituto Millenium. Com um diferencial, ele toma o Indie Rock como pretexto para disseminar o que pensa deste ou daquele governo.

Existe um movimento cultural – que não irei aqui julgar se é legítimo ou não – que reúne vários festivais da cena independente por todo o Brasil, o qual o jornalista veio a chamar de “Sindicato dos Indies”. Esse tal “Sindicato” reúne assossiações, organizações ou rede de trabalho como a Abrafin e Fora do Eixo que se propõem a estimular o intercâmbio entre bandas e festivais na cena independente.

MM escreveu uma matéria para o Lab. Pop chamada “Guarde esta coluna“, onde reproduz um texto  do jornalista global, Álvado Pereira Júnior “insinuando que jornalistas especializados se beneficiam dos recursos captados pelo sindicato de Cuiabá em comes e bebes e curadoria de eventos e que a entidade se encarrega de tentar “bombar” algumas bandas.” e complementa “A coluna de Alvaro Pereira Junior, entretanto, não cita o quão ruim é a curadoria do sindicato”.

Daí em diante começam os ataques que passam por UNE, PC do B, Petrobras e Governo Federal. Começam críticas que lembram as mesmas feitas ao Bolsa Família, sem exageros: “Não tenho nada contra patrocínio estatal. Desde que ensine o artista a andar e depois ele que se vire. Como no Canadá, na Dinamarca, na Escócia.”

Como disse, as críticas de Alvaro Pereira, reproduzida por Mário Marques, não querem atingir o “movimento”, “sindicato” ou qualquer outro nome que queira dar. O jornalista apenas usa o gênero musical para atacar o governo federal e outras instituições que o apoiam.

Seria esse o caminho que fatalmente seguem os jornalistas comprometidos com a “causa global”?

Este pensamento fica claro em vários posts, principalmente do blog pessoal de Mário Marques.

“A molecada que está chegando agora – está chegando? – dos jornalistas-blogueiros aos curadores da Abrafin, tem uma memória semelhante à do Lula, o presidente que eliminou da memória os avanços e a estabilidade construídos por FHC num passado recente. Para eles, o jornalismo indie  e os festivais começaram agora”.

Não há música aí! É apenas o mesmo discurso entoado durante toda a campanha demotucana em 2010. Esse é só mais um achado, mais uma pérola do que foi 2010 e o que pode vir a ser os próximos 4 anos.

Como disse, não estou aqui para defender um ou outro lado.

O que Alvaro Pereira Junior e Mário Marques fazem em seus textos não é defender uma pluralidade ou melhor qualidade na cena Indie, mas usá-lo como pretexto para atacar desafetos políticos. Poderia ser um pouco honesto aos leitores que acreditam que ele aborda, exclusivamente e acima de tudo, o cenário independente brasileiro.

Já que falam tanto em pluralidade, porque não usam a ANJ e Abert como dois grandes, e bons, exemplos para comparação?

É a velha história da janela suja do vizinho…

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dez 272010
 

Eu não sei mais se sinto pena ou desprezo pelo leitor da Veja. Eu consigo separar seus leitores em alguns grupos: tem aqueles que se acham super intelectuais, mas que na verdade jamais entraram em contato com o contraditório, são os maridos traídos últimos a saber; tem aqueles que são completamente alienados, mas compram a revista para deixar no revisteiro de casa ou da empresa como símbolo de status, só vêem as figuras, e tem aqueles conservadores que odeiam o PT, e independente da lavagem que lhe enfiarem goela adentro, vão se esbaldar, são as viúvas inconsoláveis. Todos eles têm uma coisa em comum, ajudam a financiar o jornalismo desonesto, vergonhoso e “quanto tempo dura?”que a revista se propõe a fazer.

Com a intenção de salvar a pele de Daniel Dantas, grande financiador da revista, Roberto Civitá escala o que existe de mais venal na sua folha de pagamentos para criar mais uma farsa que a empresa se especializou em produzir nos últimos anos. A farsa jornalística tinha a dupla função de desmoralizar a operação Satiagraha, onde o banqueiro foi preso, e ao mesmo tempo afastar do caminho Paulo Lacerda, um dos responsáveis pela realização da operação. Só que a revista estava com o prestígio desgastado depois de barrigas anteriores, então eles iriam precisar da participação das “vítimas” do crime falsificado pela revista.

O lance era arriscado. Não tinham uma prova sequer das suas acusações, não tinham como apontar uma fonte, já que a história estava baseada em uma farsa. Não creio na inocência do senador Demóstenes Torres, nem do ministro Gilmar Mendes. Ambos tiveram reação virulenta desproporcional que é comum a quem tenta dar credibilidade a um depoimento, tomando como verdadeiras as alegações da reportagem sem que houvesse qualquer investigação apontando a credibilidade da hipótese levantada, o que é muito estranho em se tratando de um Procurador da Republica e o presidente do poder judiciário. O ministro Gilmar Mendes quase criou uma crise institucional por desrespeito ao chefe de um outro poder ao afirmar que iria chamar o presidente da república às falas, e por causa de uma reportagem que não apresentou uma única prova da acusação que fazia.

A farsa montada pela revista Veja e endossada pelo presidente do STF e por um senador da república serviu para que fosse afastado da ABIN o correto delegado Paulo Lacerda, e serviu de desculpa para uma pregação coordenada da velha mídia no sentido de que existia no Brasil insegurança jurídica e que teriam ocorridos excessos na investigação que prendeu o banqueiro, justificando as ações de um juiz ligado a Gilmar Mendes, Ali Mazloum, de suspender a condenação de Daniel Dantas, perseguir o juiz de Sanctis e bloquear os efeitos da Operação Satiagraha.

Nessa semana a Polícia Federal concluiu, depois de meses de investigação, que não houve grampo no episódio, comprovando o que esse e vários outros blogs e publicações de respeito afirmaram que a farsa montada pela revista não passava de ficção. Por causa da blindagem vergonhosa que a velha mídia faz com assuntos que as empresas que a compõem não se interessam em divulgar, não veremos ou ouviremos quaisquer explicações dos envolvidos nos próximos dias, embora a farsa montada possa ser considerada como comunicação falsa de crime, com pena prevista no código penal, com o agravante da participação de autoridades públicas.

Se nós tivéssemos em nosso país uma imprensa livre e independente em vez dessa corporação que age por interesses escusos, no dia seguinte teríamos uma campanha vigorosa para que o Procurador Geral da República iniciasse uma ação para impeachment do ministro Gilmar Mendes, perda do mandato do senador Demóstenes Torres e responsabilização legal da editora que publica a revista por participarem dessa fraude e tentarem sabotar a segurança nacional, mas em vez disso teremos o mais ensurdecedor silêncio conivente, afinal a velha mídia vem se especializando em fraudes jornalísticas e não é mais uma exclusividade da revista Veja, como no caso da fraude que a TV Globo montou para salvar a pele do Serra no vergonhoso episódio da bolinha de papel. Como no Brasil o Ministério Público Federal é fortemente pautado pela velha mídia, esse caso caminha lamentavelmente para a impunidade de seus envolvidos, o que dá inevitavelmente o sentimento de injustiça e a perspectiva que o uso desse recurso desonesto provavelmente vai continuar a ser usado.

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dez 242010
 

Quero desejar a todos os amigos leitores, colaboradores e editores do Blog um excelente natal extensivo aos seus familiares, independente das crenças filosóficas e religiosas de cada um.

Lula é o Papai Noel Hors Concours. Meu melhor presente de natal ganhei antecipado com a vitória da Dilma. Outro presente que ganhei durante todo o ano foi a convivência com os amigos desse blog em vários debates aqui travados, sejam os novos amigos que conquistamos esse ano, sejam os velhos amigos que nos acompanham desde os primeiros posts.

Para evitar irritar os amigos desse blog vou me abster de postar vídeos de músicas natalinas que ouvimos em todo lugar nessa época, embora eu estivesse bastante inclinado a fazê-lo, risos.

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dez 242010
 

Eu não vejo Jornal da Globo faz tempo. A última vez que vi foi quando entrevistaram Dilma nas eleições. Antes disso eu já nem me lembro. O jornal da Globo e o Bom dia Brasil conseguem ser piores que o Jornal Nacional no sentido de manipular fatos segundo os interesses das redações. Sendo assim, só fiquei sabendo dos comentários do Jabor no Jornal da Globo de hoje pela repercussão no twitter, onde ele foi literalmente detonado nos TTs.

Nunca gostei dos filmes de Arnaldo Jabor, mas para fazer justiça eu tenho que admitir que o seu trabalho já foi bastante respeitado no meio do cinema nacional, no entanto, o seu último filme, A Suprema Felicidade, foi um fracasso de público e de crítica. Ficar com a bunda sentada na cadeira destilando ódio, inveja e preconceito no ar, quase que diariamente pode ter enferrujado o cineasta.

Os comentários de Jabor em relação ao presidente Lula, como vem acontecendo nos últimos anos, foram recheados de deboches, ironias e palavras agressivas. A crítica ao presidente da república é um exercício da democracia, o desrespeito não. Disposto a agradar aqueles 4% de intolerantes que vivem no nosso país e que provavelmente é a maior parte da audiência daquele jornal, o jornalista decadente se refere a Lula como se fosse um estorvo que o país vai adorar se livrar, ignorando desonestamente os recordes de popularidade que o presidente conseguiu.

Jabor tenta ser engraçado o tempo todo, mesmo que suas piadinhas sejam absolutamente previsíveis e repetitivas. Procura sorrir e rir para provar que ele é tão engraçado que consegue achar graça de si mesmo, mas as feições contorcidas revelam o seu verdadeiro estado de espírito: carregado de ressentimento e frustração.

Arnaldo Jabor é o legítimo representante de uma elite carcomida, porém cheirosa, que perdeu status de formadores de opinião e o privilégio de ter prioridades das ações do governo, nos últimos oito anos de Lula.

Essa elite raivosa e ressentida acabou de perder a terceira eleição presidencial consecutiva e a perspectiva de vitórias nas próximas. Não imagino o que deve mais frustrante para essas pessoas: aceitar a derrota nas urnas ou tomar consciência que suas opiniões não convencem mais um contingente expressivo de pessoas. A perda de poder e relevância corroem o ego daqueles que um dia já se acharam importantes.

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