Archive for: fevereiro 2011

Folha tenta desqualificar indicação de Emir Sader para a Fundação Casa de Rui Barbosa

Por DiAfonso

Alguém poderia me dizer o que danado está escrito na matéria da Folha a seguir? Que saco de gatos é este?

No afã de atacar a indicação do sociólogo Emir Sader para a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa, Marcelo Bortoloti e Paulo Werneck amontoam parágrafos – a título de tópicos – para não dizerem nada… Quer dizer… Dizem. Dizem, nas entrelinhas e por meio de citações diretas descontextualizadas, que Sader não deveria assumir o cargo.

Começam o texto com um infeliz clichê: UM ESPECTRO RONDA o Ministério da Cultura: o espectro do comunismo”. Deveriam, também, ter dito aos pais de todo o Brasil que acudissem em guardar suas criancinhas… Sabe como é que é… Comunistas comem criancinhas. Ora!

Em seguida, os autores da matéria tentam desqualificar Emir Sader, usando o velho artifício  do “alguém que não quis se identificar disse isso ou aquilo”. Escrevem ainda que uma tal intelectualidade “de fora” vê nos “propósitos” de Sader “desconhecimento das atividades” realizadas na Casa de Rui Barbosa e “sinais de aparelhamento petista”. Ora! Por que a “intelectualidade de fora” conheceria as atividades da Casa e o Emir, não? Fosse um tucano de alta plumagem, não haveria aparelhamento e muito menos insinuações de desconhecimento de causa… Duas colheres de chá com medidas desiguais.

Um pouco mais para frente, a flagrante desconexão temática relativa ao conteúdo global da matéria encontra-se no “tópico” POLÊMICA. Lá, introduz-se – sem futuro algum, diga-se de passagem – uma pendenga acerca do “Y” no nome Rui Barbosa para, depois, atingir o principal objetivo: dar estocadas em Emir com base no fato de ele ter anunciado à Folha que pretendia “transformar a instituição num centro de debates sobre ‘O Brasil para Todos’. Pronto. O slogan virou sinônimo de lulismo”. Ora!

Bom, depois da leitura da matéria [abaixo], gostaria de que alguém me ensinasse a reconhecer um mínimo de coerência textual no saco de gatos, serpentes e escorpiões travestidos de palavras que é “Um emirado para Emir” [até o trocadilho é emblemático... Vôte!].

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O papel da militância e o livre-arbítrio do exercício da presidência

A temperatura política vem aumentando nos últimos dias em relação às “cobranças” de parte da militância que elegeu Dilma. Luis Nassif levantou uma bola interessante: ele alega que certos setores se ressentem da falta de aceno do governo para com esse parcela da população que teve grande importância na vitória nas eleições do ano passado, e determinados artigos e comentários em blogs e redes sociais apontam a confirmação do que o jornalista sugeriu.

Esse texto não é uma defesa da ida de Dilma à festa de 90 anos da Folha de São Paulo, já existem textos – até demais! – sobre o assunto, e esse blogueiro já se manifestou o suficiente sobre o caso em outros canais. Esse texto pretende apenas abrir o debate sobre o papel de militância e até aonde vai o direito de um presidente da república de não se tornar refém de determinados grupos.

Não estou aqui negando o direito de ninguém de criticar as atitudes do governo e do presidente da república, infelizmente esse é o argumento mais usado pelos críticos quando contraditados, estou apenas tentando delimitar os direitos e deveres das partes.

Dilma deve alguma coisa à militância? Deve pautar as suas decisões em função da vontade de grupos ou do coletivo da população brasileira?  O governo tem que entrar em confronto com a velha mídia que sempre agiu como seu algoz ou esse é o papel da militância? Convido a todos os amigos do blog a deixarem suas opiniões, a minha eu deixo nos próximos parágrafos.

Dilma deveria manter um canal de comunicação aberto constantemente com os movimentos sociais para ouvir o que eles têm a dizer, mas a palavra final só poderá ser sua. Ela que foi eleita para governar, ela que vai sofrer com o desgaste político do exercício da presidência da república.

Ela não deve nada à militância. Deve ao conjunto da população o papel de cumprir o que prometeu em campanha e, sobretudo, de continuar as transformações iniciadas por Lula. Algumas pessoas não entendem ou não querem entender o real significado do conceito de militância, que é um exercício de doação pessoal em prol de um objetivo comum.

Quem milita pensando em compensação ou satisfação de interesses mesquinhos, eu não considero militante, mas alguém que está investindo pensando em retorno no futuro. O retorno do verdadeiro militante é eleger alguém do seu projeto político e evitar que o país caia nas mãos de políticos que representam a oposição a quase tudo que acreditam. Conheço muita gente boa e inteligente que não nenhuma pretensão ou ilusão de receber afagos do governo.

As críticas são do jogo e absolutamente necessárias, no entanto eu questiono a eficiência de manifestações virulentas e agressivas, principalmente daquelas que são amplificadas pelo efeito manada, nas redes sociais. Entendo que existem canais onde determinadas críticas são validadas e levadas mais a sério, sem causar desgaste desnecessário ao governo e dar margem para os adversários aproveitarem a cizânia. Nesse caso, eu considero fogo amigo.

É preciso garantir à Presidenta Dilma o livre-arbítrio para exercer a presidência da república segundo seus valores, sem se tornar refém de grupos menores que tentam, a todo custo, impor a ela que se comporte segundo suas vontades, até porque ninguém fala em nome da militância, que é um movimento social de cabeças pensantes e independentes, cuja complexidade inviabiliza generalizações e porta-vozes.

O que deveria fazer a presidência nesses casos? Fazer o que parte da militância gostaria e rejeitar a opinião da outra parte? Ou o mais certo seria que a presidenta ouvisse o que têm a dizer os movimentos sociais, mas que aja de acordo com os seus princípios e estilo?

Também não vejo com bons olhos a tese de que o governo deveria entrar em confronto com a imprensa partidária, esse é um equívoco reiterado que apenas daria combustível para quem acusa a esquerda brasileira de ser intolerante e contra a liberdade de imprensa.

Combater as mentiras da velha mídia é função da blogosfera e das redes sociais, e essa é uma das funções que acho que cabe à militância, o governo tem apenas que tratar de dar continuidade a política de democratização dos setores de comunicações, desconcentrando verbas publicitárias e tocando o projeto da lei dos médios. Prefiro tirar esse peso das costas do governo, poupando o desgaste.

Fonte da Imagem: SinapsesLinks – Autor não informado

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Chicoteando Lula

Desde que o companheiro Lula deixou a presidência, os principais meios de comunicação que fizeram oposição dura ao seu governo, iniciaram campanha pesada para tentar desconstruir a sua imagem, com o objetivo tentar afetar a popularidade altíssima conquistada durante seus dois mandatos.

Para alcançar seus objetivos não se furtam de elogiar atos do governo de Dilma para com isso criticar as ações do presidente, de quebra acabam plantando suspeitas na militância e eleitores que levados pela desinformação acabam sendo levados a desconfiar da continuidade das ações do ex-presidente. Uma tacada de mestre, dividir para desmobilizar.

A mais recente distorção da verdade com o objetivo de criticar Lula pega carona nos protestos que vem ocorrendo na Líbia e outros países. ComoKadafi está na berlinda, o Jailton de Carvalho de O Globo correu para levantar encontros entre os chefes de estado da Líbia e do Brasil, inclusive citando afagos que Lula dirigiu ao ditador.

Sim, Kadafi é um ditador, mas Lula estava ali representando o Brasil e os críticos sabem muito bem. O Ocidente todo tinha contato com Kadafi porque ele representa (ainda) um país africano soberano. Não cabe ao presidente da república fazer a crítica que a imprensa e o cidadão comum faz. O Brasil não pode se isolar porque querem que o presidente da república tenha atitude de reclamar de todas as injustiças do mundo, ou melhor, apenas daquelas que os incomodam.

Alguém pode questionar que Lula não precisa afagar Kadafi, mas esse era o estilo do nosso presidente e agindo assim conseguiu elevar o status brasileiro em relação às decisões internacionais relevantes. Com a sua empatia pessoal e uma capacidade ímpar de negociação adquirida em décadas de atuação política no partido e no sindicato, Lula conquistou aliados estratégicos para o Brasil, principalmente na Ásia e África, passando a ser requisitado como intermediador de muitos deles.

O que eles escondem é que Lula também fez afagos em chefes de estado de países por quem o coração dos críticos bate mais forte, mas isso não os incomoda, mostrando que o que realmente queriam é que Lula fosse uma espécie de lambe-botas dos países ocidentais do G7 como aconteceu em passado não tão recente e vergonhoso.

O dia que ver um crítico pedir ao presidente do Brasil que cobre explicações públicas do governo americano por causa da ainda não desativação de Guantánamo, do bloqueio imoral e cruel à Cuba, das mentiras pregadas para justificar a invasão do Iraque e pelos crimes cometidos pelos seus militares nas últimas guerras, eu passo a acreditar na indignação [seletiva] desse pessoal.

Enquanto isso não acontece, respeitem a inteligência dos seus leitores, eles estão começando a se cansar de tanta incoerência e desonestidade intelectual.

Fonte da imagem: Biblioteca Nacional Digital – Autor: Jean Jacques Débret

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O ensurdecedor silêncio dos seletivos

Tomada inicial: Barack Obama ao telefone tentando sensibilizar chefes de estado dos países que compõem o conselho de segurança a não apoiar resolução do próprio conselho condenando a expansão dos assentamentos israelenses nos territórios ocupados.

Corta para a tomada seguinte: O representante dos EUA no conselho de segurança quebra a unanimidade para a aprovação da resolução e usa o poder de veto, que lhe é garantido por regras esdrúxulas, para barrar a vontade da maioria.

Tomada de flashback com efeitos especiais de imagem nublada: personagem abre jornais no dia seguinte ao Brasil se abster em resolução americana para punir o Irã pelos mesmos critérios furados que foram usados como argumento para invadir o iraque, e se depara com ataques raivosos por parte de analistas de política internacional e editoriais contra a diplomacia brasileira, sugerindo que a decisão iria deixar o país isolado no cenário internacional.

Tomada volta para os tempos atuais: Personagem volta a abrir os jornais no dia seguinte a última votação do conselho de segurança esperando encontrar coerência suficiente nos analistas de política internacional para criticar da mesma forma a decisão americana e só encontra informações protocolares pelo episódio. Analistas se calam de vergonha.

O final desse filme você já conhece, e o personagem termina frustrado de ter perdido tempo com a seletividade dessa gente incoerente que não respeita a inteligência dos seus leitores. Infelizmente esse é um daqueles filmes que são repetidos diariamente e que ninguém agüenta mais. Virou “modus operandis” de determinados jornalistas.

É sui generis que os principais veículos de comunicação do país tenham colocado judeus para comentar sobre política externa (Gutterman, Feuerwerker, etc..). Não que eu tenha algo contra a religião, sou isento de preconceitos independente do alvo, mas com a fidelidade cega que eles nutrem pelo sionismo seria impossível ver um desses analistas atacando uma decisão israelense ou americana beneficiando Israel, revelando portanto, que os jornais que os empregam jamais vão ter uma opinião honesta para apresentar sobre esse assunto.

Determinadas atitudes silenciosas às vezes fazem mais barulho do que a grita unanime de todos os veículos de imprensa juntos. Em tempo de cada vez maior força da internet, comprovada nas últimas eleições, é inútil ignorar fatos acreditando que ainda seja possível escondê-los, isso apenas fragiliza quem tenta esconder. Até quando os leitores desses veículos ainda vão continuar se deixando enganar?

Fonte da imagem http://www.juniao.com.br/weblog/ Cartunista: Junião

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Acordo é feito para ser cumprido. Até tu Brutus?

O dia de ontem foi marcado pela votação no congresso do novo salário mínimo defendido pelo governo. As centrais sindicais resolveram jogar na privada o acordo feito com o governo Lula e preferiram seguir o ditado de Mateus, primeiro os meus.

As centrais organizaram manifestação contra um governo que está apenas no seu primeiro bimestre, e pior, vaiando companheiros que defenderam os trabalhadores por toda uma vida e aplaudindo políticos que quando tiveram a oportunidade de governar o país arrocharam salários e governaram para os patrões. Sem esquecer que os partidos de oposição, agora aplaudidos por representantes dessas centrais, viviam tentando criar CPIs para fiscalizar repasses do governo federal para as mesmas.

Nunca na história desse país os sindicalistas tiveram um governo tão favorável aos interesses dos trabalhadores como no governo Lula, nem com Getúlio Vargas que criou os primeiros direitos. O salário mínimo teve aumento real bem acima da inflação nos oitos anos de Lula. O desemprego, que é o maior fantasma para o trabalhador, foi reduzido a níveis de primeiro mundo, e até melhor que muitos deles após a última crise internacional. Até Lula definir as regras para o aumento do salário mínimo através de negociações com as centrais, todo ano era uma guerra para definir o índice de reajuste, guerra essa que o trabalhador sempre saia perdendo.

Acordo é para ser cumprido sob pena daquele que não cumpre passar por espertalhão. O acordo feito pelo governo Lula com as centrais sindicais prevê que o reajuste do mínimo é calculado pela inflação do ano anterior mais a variação do PIB de dois anos antes, ou seja o reajuste de 2011 deve ser a inflação de 2010 mais a variação do PIB de 2009.

Essa regra é para ser seguida tanto nas épocas de vacas gordas quanto na de vacas magras. Em 2009, por motivos alheios a nossa vontade (crise internacional) a variação do PIB foi negativa, mas em 2010 as centrais não reclamaram do aumento polpudo em um momento que o país ainda ressentia dessa variação negativa, pois as regras de cálculo utilizavam a variação estratosférica do PIB de 2008, ou seja, mesmo com o país tendo perdido em 2009, o acordo garantiu o aumento grande no ano passado. E mais, todos sabiam que o reajuste em 2011 seria pequeno por causa dos resultados de 2009.

Então a lógica das centrais é quando vai tudo bem eles estão do lado do governo e quando todo o conjunto da sociedade precisa apertar o cinto para não prejudicar o país mais para frente, o posicionamento é de jogar para a platéia? E mesmo que para isso tenham que andar de braços dados com os algozes do trabalhador?

Toda crítica honesta é aceitável e, mesmo que haja um acordo assinado pelas próprias centrais prometendo aceitar os reajustes baseados na saúde da economia, ainda assim eles têm o direito de tentar negociar com o governo por vias de diálogo, que nunca foi interrompido, diga-se de passagem. O que não dá para entender é fazer manifestação contra o governo Dilma, que esteve ao lado do Lula durante o período que os trabalhadores mais ganharam, e menos ainda se aliar com inimigos para conseguir seus objetivos, ao que me parece fruto de disputas políticas internas dessas centrais.

Lembro que Lula vivia se aporrinhando com os críticos que acusavam o governo de financiar centrais, Até sendo taxado de republica sindicalista por ter colocado pessoas de origens sindicais em cargo de confiança, se no primeiro momento em que precisam ter compreensão e entender que como toda a sociedade os trabalhadores também precisavam fazer a sua cota de sacrifício, eles vão e dão um espetáculo para delírio dos detratores do governo?

Antigamente, os sindicalistas que se aliavam aos algozes dos trabalhadores eram chamados de pelegos. Prefiro apostar (ou quero acreditar nisso) que seja apenas falta de memória ou burrice. Se não querem ouvir a Dilma porque ela não veio do movimento sindical ou por preconceito por ela ser mulher, então ouçam Lula que cobrou publicamente o cumprimento do acordo e foi agredido via imprensa pelo Paulinho da Força, aquele mesmo da central que foi criada para dar apoio ao FHC e que o defendia contra todas as evidências. Infelizmente a CUT também aderiu ao equívoco imperdoável.

Dilma foi eleita para governar para todos os brasileiros e não para arriscar o futuro do país para satisfazer grupos menores. Se o governo, que é continuidade daquele que mais fez pelos trabalhadores nesse país, disse que esse é o mínimo que as contas públicas podem suportar, as centrais não teriam motivo para não acreditar, Dilma não é FHC que não aumentava o salário por causa de uma política neoliberal perversa.

Espero que Dilma não se deixe seqüestrar por grupos de ativistas e sindicalistas que se acham mais importantes que os demais setores da sociedade. Chega de fogo “amigo”, essas ações só favorecem os inimigos dos trabalhadores, ou então passem a apoiar de vez os Bornhausen e os Maias da vida. Só não venham chorar pitangas depois.

Contraponto de Maurício Caleiro do blog Cinema & Outras Artes

Desculpe, Len, mas não poderia discordar mais. Em primeiro lugar, porque o acordo anteriormente selado diz respeito ao período em que o país foi administrado por Lula – e não pelo seu sucessor: fosse ele Serra ou Dilma, o jogo se reiniciaria, é evidente.
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Em segundo lugar, porque o governo Dilma, nesse início, insiste em medidas de inspiração claramente neoliberal, ortodoxas, mais realistas que o rei, como zerar déficit nominal e suspender concursos e contratações – ou seja, para o mercado financeiro tudo, para os trabalhadores, o mínimo.

Temo que estejamos de volta à ortodoxia neoliberal palociana – o que, somado ao real supervalorizado e ao evidente desaquecimento da economia que tais medidas provocará, acena para um quadro recessivo.

Por fim, discordo da afirmação que o governo esteve sempre de portas abertas. Há muito ele fechou questão com esse salário merreca de R$545,00 e Mantega não recuou um milímetro disso e ainda foi rude com os sindicalistas nas duas últimas reuniões.

O governo Dilma perdeu uma chance de ouro de, sem comprometer as finanças, acenar com um aumento um pouco maior, o que cooptaria os sindicalistas, neutralizaria a demagogia da oposição e, sobretudo, seria mais coerente com as bandeiras que ergueu no período eleitoral.

Fonte da imagem: http://desabafosesbaforidos.tumblr.com/ – autor não definido

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