O dia de ontem foi marcado pela votação no congresso do novo salário mínimo defendido pelo governo. As centrais sindicais resolveram jogar na privada o acordo feito com o governo Lula e preferiram seguir o ditado de Mateus, primeiro os meus.
As centrais organizaram manifestação contra um governo que está apenas no seu primeiro bimestre, e pior, vaiando companheiros que defenderam os trabalhadores por toda uma vida e aplaudindo políticos que quando tiveram a oportunidade de governar o país arrocharam salários e governaram para os patrões. Sem esquecer que os partidos de oposição, agora aplaudidos por representantes dessas centrais, viviam tentando criar CPIs para fiscalizar repasses do governo federal para as mesmas.
Nunca na história desse país os sindicalistas tiveram um governo tão favorável aos interesses dos trabalhadores como no governo Lula, nem com Getúlio Vargas que criou os primeiros direitos. O salário mínimo teve aumento real bem acima da inflação nos oitos anos de Lula. O desemprego, que é o maior fantasma para o trabalhador, foi reduzido a níveis de primeiro mundo, e até melhor que muitos deles após a última crise internacional. Até Lula definir as regras para o aumento do salário mínimo através de negociações com as centrais, todo ano era uma guerra para definir o índice de reajuste, guerra essa que o trabalhador sempre saia perdendo.
Acordo é para ser cumprido sob pena daquele que não cumpre passar por espertalhão. O acordo feito pelo governo Lula com as centrais sindicais prevê que o reajuste do mínimo é calculado pela inflação do ano anterior mais a variação do PIB de dois anos antes, ou seja o reajuste de 2011 deve ser a inflação de 2010 mais a variação do PIB de 2009.
Essa regra é para ser seguida tanto nas épocas de vacas gordas quanto na de vacas magras. Em 2009, por motivos alheios a nossa vontade (crise internacional) a variação do PIB foi negativa, mas em 2010 as centrais não reclamaram do aumento polpudo em um momento que o país ainda ressentia dessa variação negativa, pois as regras de cálculo utilizavam a variação estratosférica do PIB de 2008, ou seja, mesmo com o país tendo perdido em 2009, o acordo garantiu o aumento grande no ano passado. E mais, todos sabiam que o reajuste em 2011 seria pequeno por causa dos resultados de 2009.
Então a lógica das centrais é quando vai tudo bem eles estão do lado do governo e quando todo o conjunto da sociedade precisa apertar o cinto para não prejudicar o país mais para frente, o posicionamento é de jogar para a platéia? E mesmo que para isso tenham que andar de braços dados com os algozes do trabalhador?
Toda crítica honesta é aceitável e, mesmo que haja um acordo assinado pelas próprias centrais prometendo aceitar os reajustes baseados na saúde da economia, ainda assim eles têm o direito de tentar negociar com o governo por vias de diálogo, que nunca foi interrompido, diga-se de passagem. O que não dá para entender é fazer manifestação contra o governo Dilma, que esteve ao lado do Lula durante o período que os trabalhadores mais ganharam, e menos ainda se aliar com inimigos para conseguir seus objetivos, ao que me parece fruto de disputas políticas internas dessas centrais.
Lembro que Lula vivia se aporrinhando com os críticos que acusavam o governo de financiar centrais, Até sendo taxado de republica sindicalista por ter colocado pessoas de origens sindicais em cargo de confiança, se no primeiro momento em que precisam ter compreensão e entender que como toda a sociedade os trabalhadores também precisavam fazer a sua cota de sacrifício, eles vão e dão um espetáculo para delírio dos detratores do governo?
Antigamente, os sindicalistas que se aliavam aos algozes dos trabalhadores eram chamados de pelegos. Prefiro apostar (ou quero acreditar nisso) que seja apenas falta de memória ou burrice. Se não querem ouvir a Dilma porque ela não veio do movimento sindical ou por preconceito por ela ser mulher, então ouçam Lula que cobrou publicamente o cumprimento do acordo e foi agredido via imprensa pelo Paulinho da Força, aquele mesmo da central que foi criada para dar apoio ao FHC e que o defendia contra todas as evidências. Infelizmente a CUT também aderiu ao equívoco imperdoável.
Dilma foi eleita para governar para todos os brasileiros e não para arriscar o futuro do país para satisfazer grupos menores. Se o governo, que é continuidade daquele que mais fez pelos trabalhadores nesse país, disse que esse é o mínimo que as contas públicas podem suportar, as centrais não teriam motivo para não acreditar, Dilma não é FHC que não aumentava o salário por causa de uma política neoliberal perversa.
Espero que Dilma não se deixe seqüestrar por grupos de ativistas e sindicalistas que se acham mais importantes que os demais setores da sociedade. Chega de fogo “amigo”, essas ações só favorecem os inimigos dos trabalhadores, ou então passem a apoiar de vez os Bornhausen e os Maias da vida. Só não venham chorar pitangas depois.
Contraponto de Maurício Caleiro do blog Cinema & Outras Artes
Desculpe, Len, mas não poderia discordar mais. Em primeiro lugar, porque o acordo anteriormente selado diz respeito ao período em que o país foi administrado por Lula – e não pelo seu sucessor: fosse ele Serra ou Dilma, o jogo se reiniciaria, é evidente.
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Em segundo lugar, porque o governo Dilma, nesse início, insiste em medidas de inspiração claramente neoliberal, ortodoxas, mais realistas que o rei, como zerar déficit nominal e suspender concursos e contratações – ou seja, para o mercado financeiro tudo, para os trabalhadores, o mínimo.
Temo que estejamos de volta à ortodoxia neoliberal palociana – o que, somado ao real supervalorizado e ao evidente desaquecimento da economia que tais medidas provocará, acena para um quadro recessivo.
Por fim, discordo da afirmação que o governo esteve sempre de portas abertas. Há muito ele fechou questão com esse salário merreca de R$545,00 e Mantega não recuou um milímetro disso e ainda foi rude com os sindicalistas nas duas últimas reuniões.
O governo Dilma perdeu uma chance de ouro de, sem comprometer as finanças, acenar com um aumento um pouco maior, o que cooptaria os sindicalistas, neutralizaria a demagogia da oposição e, sobretudo, seria mais coerente com as bandeiras que ergueu no período eleitoral.
Fonte da imagem: http://desabafosesbaforidos.tumblr.com/ – autor não definido
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