A minha primeira reação diante da notícia do falecimento de José de Alencar foi de alívio, pois sabia que a luta que ele travava para permanecer vivo trazia junto muito sofrimento ao seu corpo cansado de tantas batalhas contra o câncer, mas quando vi o companheiro Lula chorando o coração se despedaçou.
Desculpe amigos leitores, mas não tenho cabeça nem saberia escrever uma homenagem à sua altura e desfilar aqui todas as qualidades desse homem e os exemplos que ele deu ao nosso povo, muitos blogs farão isso com certeza. Então, só me resta decretar luto no blog e chorar junto com Lula.
O ex-presidente Lula causa e causará ainda por muito tempo uma variada gama de sentimentos extremos em muitas pessoas. Amado e idolatrado pela grande maioria dos brasileiros, que reconhecem o grande governo que fez no país, ele ainda é respeitado e elogiado em várias partes do mundo, no entanto gera em parte da imprensa brasileira e em uma minoria preconceituosa um misto de rancor, despeito e frustração com o sucesso que faz.
A tentativa patética de tentar desconstruir a popularidade do ex-presidente através de elogios pontuais a presidenta Dilma, procurando ressaltar diferenças de estilos como se fossem discordâncias programáticas, assumiram contornos esquizofrênicos quando começaram a supor que Lula estivesse com ciúmes dos elogios dirigidos ao governo Dilma, ou que ele estivesse chateado com algumas ações de governo. Não importou o fato que Lula e Dilma tivessem lembrado que existe um canal permanente de contato entre os dois, com reuniões regulares, o mote do Lula invejoso era o que eles precisavam repisar.
O ponto alto da famigerada campanha se deu na recente visita de Barack Obama no Brasil, quando Lula preferiu não comparecer ao almoço oferecido pelo governo brasileiro ao presidente norte-americano. Se Lula fosse, teríamos ao menos duas semanas de uma farta quantidade de editoriais e artigos “constatando” que ele não tinha “desencarnado” da presidência, mas como não foi, o mesmo espaço foi destacado para suposições e interpretações distorcidas, usando o fato para justificar suas teses furadas.
Pelo fato desse blogueiro não ter bola de cristal para adivinhar o que se passa na cabeça de Lula nem na de qualquer outra pessoa, além de não usar o fétido artifício de usar o “off” para plantar noticiais ou se mostrar influente, prefiro acreditar que ele entendeu que em nada acrescentaria a sua presença no evento. Além das autoridades brasileiras: a presidenta, seu vice e os presidentes da Câmara e Senado federais, que precisam seguir o protocolo em visita de chefe de nação estrangeira, os ex-presidentes convidados por gentileza de Dilma deveriam ter recusado o convite assim como fez Lula, pois além de deslocados, se tornaram jogadores de confete e bajuladores de plantão.
As seguidas homenagens que Lula vem recebendo com freqüência e merecidamente mundo afora deixa os seus detratores em estado de depressão. Haja grana para tantas sessões de análise com tanto recalque acumulado durante mais de oito anos. São convites para palestras e homenagens que não chegam ao fim e que se eu fosse relacionar todas, o post ficaria gigantesco.
É incontestável o respeito e admiração conquistados por Lula no mundo árabe, reflexo da política diplomática praticada pelo Brasil em sua gestão, no sentido de apontar um novo caminho para negociação com o ocidente sem ameaças e ultimatos. Infelizmente, Lula não convenceu o ocidente, mas o reconhecimento aos seus esforços pode ser notado recentemente com o convite da Rede de TV Al Jazeera para sua participação como convidado de honra em um congresso patrocinado pela Emissora, e na homenagem oferecida pela comunidade árabe no Brasil, onde foi efusivamente aplaudido.
Lula é um ícone das esquerdas democráticas espalhadas pelo globo, e apontado como modelo de governante em outros países. Na Argentina é o líder estrangeiro mais admirado, e segundo o publicitário Duda Mendonça, se fosse argentino seria eleito presidente naquele país. Na semana passada, o ex-presidente roubou a cena no 40º aniversário da Frente Ampla do Uruguai, mesmo com o evento tendo contado com a presença dos últimos presidentes uruguaios, que possuem popularidade altíssima naquele país.
Nos próximos dias, o sentimento de inferioridade vai ganhar contornos dramáticos porque Lula hoje embarca em direção à Europa para receber uma série de homenagens justíssimas que muito orgulha a maioria dos brasileiros. Acompanhado de Dilma, o que torna essas frustrações mais contundentes, Lula receberá o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra pela contribuição para difusão da língua portuguesa. Além disso, receberá em Londres o 1º prêmio Gorbachev na categoria Perestróica, que significa reconstrução, pela contribuição ao desenvolvimento da civilização global. E haja antidepressivo e sessões de análise para curar tanta dor de cotovelo aqui no Brasil.
A natureza sabe o que faz, ela projetou os cabinhos das frutas que dão em árvores, de modo que desprendam do galho quando a fruta adquire o seu peso máximo, o que acontece quando está madura. Se a fruta não desenvolve bem e não recebe uma rajada de vento forte, ela apodrece no galho. O presidente da VALE, Roger Agnelli, está nessa situação, passou do ponto e não caiu.
O cargo do senhor Agnelli está por uma rajada de vento desde o final de 2008, quando em meio à um período de crise financeira internacional, que ainda não tinha chegado ao Brasil, demitiu 1.300 funcionários no momento em que o governo brasileiro anunciava medidas anticíclicas para evitar que a economia do país fosse prejudicada pela falta de crédito e redução de investimento estrangeiro, e pedia para que as empresas não se precipitassem cortando vagas.
Em 2009, com a economia do país estagnada, a Vale reduziu fortemente o investimento, indo mais uma vez em sentido contrário do trilhado pelo governo brasileiro. Em junho, demitiu mais 300 funcionários logo que terminou o prazo do acordo com o sindicato dos trabalhadores da empresa. As críticas a gestão Agnelli cresceram depois que a empresa ignorou os estaleiros brasileiros, que vinham sendo resgatados pelo governo Lula, para comprar 20 navios na China. No momento em que era preciso que a empresa reconhecesse a importância que tem para o país e fizesse a sua cota de sacrifícios, ela segue a cartilha neoliberal de lucro fácil em curto prazo, e dá uma banana para o todo mundo.
Roger Agnelli foi nomeado em 2001 sob influência do governo FHC. À época ele era presidente da Bradespar S/A, uma das controladoras da VALE, que pelo acordo firmado à época da privatização da empresa, indica os seus gestores. A VALE vem sendo beneficiada por sucessivos aumentos nos preços dos minérios de ferro no mercado internacional, o que lhe confere lucros altíssimos e causa impressão que esse sucesso deriva da boa gestão.
A insistência da atual direção da empresa em não investir no beneficamento das matérias-primas que exporta, condena o país ao rótulo de eterno país subdesenvolvido fornecedor de commodities, quando se decidisse por agregar valor aos seus produtos produzindo aço ainda no país, geraria mais riquezas e oportunidades para os brasileiros e não para os chineses.
Quando soube que o cargo que tenta manter a todo custo corria risco, Agnelli espalhou na velha mídia que a sua provável substituição teria influência direta do núcleo econômico do governo federal, que detém maioria acionária da VALE através do BNDESPAR e fundos de pensão. O governo nega a intervenção via Bradesco, as matérias da velha mídia estão todas baseadas em depoimentos em “off”, recurso válido de jornalismo que vem sendo banalizado.
Além de a informação ser altamente duvidosa pela falta de credibilidade de quem a veiculou, o argumento é pra lá de pueril. Se o governo quiser realmente mudar a direção da empresa por descontentamento com os rumos que vem tomando, está mais do que no seu direito e razão. Só faltava agora quererem que o governo abra mão de exercer o controle que a maioria na participação acionária lhe dá para satisfazer uma minoria de entreguistas. Já não basta os tucanos terem leiloado a empresa por preço vil no governo FHC? Querem agora se eternizar no controle da empresa?
Alguns diretores da empresa correram para os holofotes para avisar que estão sob protesto, prometendo demissão se Agnelli sair. Puro jogo de cena. Cargos de direção, nomeados diretamente pelo presidente, devem ser entregues em caso de mudança do mesmo, até para que o novo mandatário possa escolher a sua equipe de confiança com tranquilidade. É o mais coerente e o mais educado. Usar o que deveria ser uma obrigação como forma de protesto beira o ridículo.
Senhor Agnelli, como se dizia antigamente no futebol, peça o seu boné e saia de fininho, sem muito barulho, essa tentativa patética de se segurar a qualquer custo no galho da árvore vai fazer te fazer apodrecer mais a cada dia, e em vez de ficar marcado como presidente da maior mineradora do mundo por dez anos vai ser lembrado como o executivo chorão que não manteve a compostura no momento da demissão.
No último domingo, tive uma conversa pelo twitter com o consagrado ator José de Abreu, 45 anos de militância política. Conheci-o virtualmente pelo twitter, há praticamente um ano, quando ele ainda usava o pseudônimo @marcosovos e militava combativamente pela eleição de Dilma e na defesa do ex-presidente Lula, constantemente atacado pela velha mídia. Pessoalmente, sou fã do seu trabalho artístico pelo menos desde 1985, ano em que interpretou Juvenal Terra com fantástico elenco na inesquecível minissérie “O tempo e o vento” que considero uma das melhores, senão a melhor produção da TV brasileira de todos os tempos.
O que motivou o debate de domingo foi um comentário que fiz criticando André Noblat pela resposta dele aos críticos. A resposta de André foi publicada no blog do seu pai, o jornalista Ricardo Noblat. Alguns blogs haviam divulgado que sua banda recebera autorização do Ministério da Cultura para captar algo em torno de 800 mil Reais, depois de o jornalista ter publicado vários posts criticando o ministério por autorizar Maria Bethânia a captar valor de aproximadamente 1,3 milhões de reais a fim de produzir e disponibilizar, em seu blog, vídeos musicais feitos especialmente para esse veículo.
Não censuro a captação da banda do André, mas considerei incoerente a resposta que deu, recriminando os blogs que expunham a hipocrisia do seu pai. Ele desancou os blogs, defendeu o pai e insinuou diferenças entre o seu caso e o de Bethânia. Entendi que, enquanto filiado ao PT e artista, deveria ter repreendido o pai pela tentativa de uso político do caso, porquanto o André Noblat também fazia uso da Lei Rouanet.
José de Abreu argumentou dizendo que é difícil a posição de André, afinal pai é pai. E, nessas horas, o sangue fala mais alto. Disse ainda que o projeto do rapaz tem um fundo social, pois levava cultura de graça a quem não podia pagar e citou que também faz isso, doando centenas de ingressos de peças de que participa, aproveitando as viagens para fazer palestras e bate-papos com estudantes secundaristas. Além disso, quando o teatro permite, ele disponibiliza ingressos a preços populares [R$ 20,00 a R$ 30,00], com meia-entrada para estudantes [R$ 10,00 e R$ 15,00], e a imprensa, que faz um escarcéu manipulando dados de captação como a de Maria Bethânia, não valoriza essas ações. Ao contrário, veem isso como desvalorização do espetáculo e do artista, que ainda precisa brigar com o produtor cultural e com o teatro que preferem preços excludentes.
Em relação à dificuldade de captação de recursos através da Lei Rouanet, ele afirmou que era quase impossível, pois muitos empresários não entendem que, além da renúncia fiscal, ainda recebem retorno através da publicidade do evento. Questionei se ele entendia que o empresário preferia sonegar o imposto a ceder recursos para a cultura. Disse-me que a grande maioria não conhece a lei, outros sabem, mas não valorizam, enquanto alguns têm medo de ficarem expostos ao rigor da Receita Federal. Poucos são os que hoje investem em cultura no Brasil e, ainda segundo José de Abreu, o artista tem que trilhar uma espécie de via crúcis atrás de recursos para produzir seus espetáculos, humilhando-se de porta em porta, sem contar com os chás de cadeira que toma de alguns empresários insensíveis.
Perguntei-lhe se a nossa conversa poderia virar um post e ele não só me autorizou, como também me permitiu que solicitasse mais detalhes via e-mail. Não titubeei e elaborei oito perguntas que lhe enviei com a intenção de enriquecer mais o artigo. Mesmo com todos os seus compromissos profissionais, respondeu-me gentilmente o que se segue:
Ponto & Contraponto: A militância política começou quando?
José de Abreu: 1966, quando entrei na Fac de Direito da PUC-SP. Quem não era de esquerda não arrumava namorada, risos.
Ponto & Contraponto: Porque no início do twitter você resolveu usar pseudônimos como @marcosovos? Para se sentir como um militante comum?
José de Abreu: Por causa da lei eleitoral que impede quem está no ar de fazer campanha.
Ponto & Contraponto: A lei Rouanet precisa de mudanças? Se sim, quais?
José de Abreu: São muitas, mas o que foi mais discutido no governo Lula foi a participação das empresas com um porcentual de dinheiro próprio e a divisão mais equitativa do incentivo pelas regiões do Brasil.
Ponto & Contraponto: O que o governo poderia fazer para ajudar os artistas para não terem que passar humilhação na busca de captação de recursos para produção artística?
José de Abreu: Editais de Patrocínio são os mais democráticos e independem de contato pessoal. O Governo Lula conseguiu implementá-los nas estatais mais importantes como Petrobras, Eletrobrás, CEF.
Ponto & Contraponto: Como você vê o caso do Blog da Betânia? E do André Noblat? Houve radicalização ou as críticas estão sendo exclusivamente construtivas?
José de Abreu: Pura infantilidade. O uso da palavra “blog” é que levantou a grita. Se fosse um filme ou vídeo ninguém iria estranhar, mas Blog todo mundo faz de graça, até meu filho de 10 anos fez um. O projeto do petista Andre é muito bonito. Ambos foram aprovados por uma comissão independente.
Ponto & Contraponto: Ainda sobre o caso do Blog da Betânia, você vê essas ações como uma forma de atingir a ministra Ana de Hollanda? É fogo amigo?
José de Abreu: Tudo misturado, “se ela tem por que eu não posso ter” é um pensamento recorrente nessas horas. E atingir a Ana foi ignorância porque o projeto entrou no MinC no governo Lula.
Ponto & Contraponto: Você pode dar uma resposta a quem associa levianamente a sua militância política a possibilidade de estar próximo ao poder?
José de Abreu: Len, você quer dizer ministério? Estou próximo do poder pela minha militância, ué. Uma coisa corre junto com a outra. Seja qual for o governo, sendo de esquerda eu vou estar próximo por que tenho muitos amigos na política… Mas você não vai me ver ministro. Dilma é uma pessoa séria, jamais me convidaria, risos.
Ponto & Contraponto: Você guarda alguma semelhança com o personagem Milton que interpreta atualmente na novela Insensato Coração ou ele é uma antítese do José de Abreu?
José de Abreu: A única semelhança é que ambos queremos fazer cultura e levamos NÃO toda hora quando buscamos parceiros na empreitada.
A pergunta sobre proximidade do poder foi proposital, já que o artista é vitima de leviandade de quem pretende desqualificar sua militância política. Provocando-o, consegui uma resposta para esse tipo de comportamento que considero desleal.
Agradeço a gentileza de José de Abreu por disponibilizar seu tempo para responder às nossas perguntas e, também, por ceder fotos do seu arquivo pessoal a fim de ilustrar o post.
Abaixo, segue um trecho da minissérie “O tempo e o vento” em que ele contracena com Tarcísio Meira, Mário Lago, Heloísa Mafalda, Louise Cardoso e grande elenco.
Fonte da imagem ilustrativa: Arquivo pessoal de José de Abreu.
O “Tio Rei” [sim, ele mesmo: o Reinaldo Azevedo] ainda não compreendeu que quanto mais escreve, mais asneiras brotam de suas conservadoras penas. E quando o assunto é Lula… Parece que o Reinaldo tem fixação na imagem e na personalidade do mais querido presidente que o Brasil já teve.
A verborragia reinaldiana em relação a Lula – espalhada pelo duto fedorento da Veja – deixa entrever um quê de depressivo estado de alma. Constata-se, no jornalista, uma certa frustração pela desenvoltura e sucesso de um ex-operário que, pela vontade popular, sentou-se numa cadeira presidencial e de lá, por dois mandatos consecutivos, dirigiu os destinos da nação de um modo “nunca antes na história desse país”. Já o Reinaldo… Todos nós já sabemos como ele se comporta quando sente cheiro da ralé.
As investidas contra Lula, nos textos bufos que Reinaldo Azevedo produz, denotam o caráter refratário do articulista da Veja ao valor que o outro possa ter. Claro está que o “outro” faz referência a todos aqueles que não são da laia do “titio”.
Seguem-se fragmentos escritos por um Reinaldo Azevedo tresloucado com a magnitude que o ex-presidente construiu ao longo de sua vida pública e que, mesmo estando longe da cadeira presidencial, ainda mantém.
Com vocês as palavras do bufo “Tio Rei”:
[...] O Apedeuta [Lula] estaria reclamando especialmente do excesso de elogios da imprensa à sua sucessora. Seria apenas uma forma de provocá-lo e de tentar minimizar a sua grande obra. O auge da contrariedade foi a ausência no almoço oferecido pela presidente a Barack Obama.[...]
[...] Lula está infeliz porque precisa do elogio e do reconhecimento permanentes; está infeliz porque, já se observou aqui, ele realmente acredita ser aquela personagem da mitologia; está infeliz porque, intimamente, tomará como usurpador qualquer um que sente naquela cadeira, por mais que a pessoa lhe prestasse reverência.[...]
Para ler o texto do “Tio Rei” na íntegra, clique aqui.
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