Archive for: maio 12th, 2011

A CPI do tiro no próprio pé

O pedido para abertura da CPI do Ecad no Senado Federal já conta com 27 assinaturas, número suficiente para instalação da mesma. Entre os que assinaram, oito são do PT, a saber: Lindbergh Farias (RJ), João Pedro (AM), Walter Pinheiro (BA), Ana Rita (ES), Eduardo Suplicy (SP), Gleisi Hoffman (PR), Paulo Paim (RS) e Wellington Dias (PI).

A CPI, festejada pelo movimento de cultura digital e parte da militância de esquerda que quer tirar Ana de Holanda do MinC, conta ainda com a assinatura dos seguintes senadores de oposição: Aécio Neves (PSDB/MG), Itamar Franco (PPS/MG), Demóstenes Torres (DEM/GO), Álvaro Dias (PSDB/PR), Flexa Ribeiro (PSDB/PA), Mario Couto (PSDB/PA) e Jarbas Vasconcelos (PMDB/PE).

Alguém em sã consciência acha que os senadores acima estão preocupados com a fiscalização do ECAD? Até o mundo mineral sabe que a CPI vai ser instrumentalizada. Será que os digníssimos senadores do PT esqueceram como funciona uma CPI  no Senado? Do Suplicy e do Paim dá até para esperar porque estes, apesar das boas intenções, vivem colocando o governo em saia justa, mas o que dizer de Lindbergh, Gleisi Hoffman e Wellington Dias?

CPIs no Senado foram usadas nos últimos oito anos para desgastar o governo Lula. Alguém pode dizer que quem não deve, não teme, mas não é bem assim. Oposição e velha mídia se unem para atacar o governo e os métodos usados não são, diria, republicanos. No final de semana o factóide é criado e na sessão seguinte a oposição apresenta requerimentos para ouvir integrantes do governo, e o assunto não precisa ser necessariamente o objetivo da CPI. É um beco sem saída, se a maioria governista reprova os requerimentos começa a gritaria de CPI chapa branca, e se aprova o assunto é repisado pela valha mídia durante toda a semana, até que novo factóide seja criado no final de semana seguinte.

Está faltando bom senso nessa discussão sobre os rumos da cultura no país, os ânimos se acirraram demais, alguns egos estão muito inflados e o que poderia ser um debate produtivo vem se transformando em um fla-flu fratricida, com algumas pessoas levando para o lado da questão de honra. De parte a parte vejo intolerância ao contraditório, é golpista para lá, governista para cá, e as pessoas mais inteligentes que deveriam prezar pela sensatez colocam mais combustível na fogueira.

A desqualificação pessoal e o reducionismo de quem não consegue conviver com divergências vem causando uma fratura na militância, e sequelas causadas por adjetivações não costumam cicatrizar, e aí eu pergunto: a quem interessa um racha? É tão insano classificar de golpista quem quer mudanças no Minc, quanto chamar de governista quem não entende dessa forma. Será que essas pessoas querem implantar algum tipo de opinião única na militância de esquerda? Quem gosta de opinião única são os nossos adversários, que vem deitando e rolando com o que está acontecendo.

Questionar e pressionar o governo são instrumentos válidos da democracia, o que não posso concordar é com o abandono da via do debate para pedir a cabeça de ministros. Também não acho coerente de quem sempre combateu os métodos da velha mídia a usar como fonte em matérias que atacam a honra da ministra, em resposta o governo dá sinais de  união em torno do nome da ministra. Foi isso que o radicalismo causou, a discussão essencial ficou em segundo plano.

Fonta da imagem ilustrativa: http://numseiquela.zip.net/arch2009-03-01_2009-03-31.html

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