Archive for: junho 4th, 2011

“Nóis pega o peixe e amostra os anzól” – Premêro Facicru [Sigunda Fôia]

Prof. Diógenes Afonso [DiAfonso]


No NE10 [matéria publicada em 03.06.2011, às 22h40]:

Talvez a pressa com que o redator produziu a mensagem justifique os equívocos de ordem ortográfica e sintática destacados na matéria acima. Acredita-se que o produtor do texto tenha desejado escrever enquaDRAdo ao invés de enquaDRANdo; BOMbeiros ao invés de BAMbeiros; e aGRESSÃO ao invés de aGREÇÃO. Os dois primeiros deslizes ortográficos podem ser creditados a fatores, por assim dizer, “mecânicos”… Os tais erros de digitação. Acontece… Acontece, embora os puristas midiáticos que meteram o pau na obra recomendada pelo MEC [aqui] não se sentiriam dispostos a perdoar tamanha afronta ao padrão ortográfico vigente. Sobretudo em relação ao terceiro deslize.

Como reza o guia ortográfico oficial – em conformidade com a norma dita padrão, culta -, palavras derivadas de verbo com segmento -GRED- devem ser escritas com segmento -GRESS-. Daí, grafar-se aGREDir = aGRESSão/aGRESSivo; proGREDir = proGRESSão/proGRESSista; transGREDir = transGRESSão/transGRESSor.

Já quanto aos “desvios” sintáticos, percebe-se que eles se situam no âmbito da concordância e do uso do sinal indicativo da crase. Esclarecendo:

“O Manifestantes” ["Desvio" de concordância nominal] – Discordância nominal primária, porquanto, segundo a norma padrão culta da língua, o artigo deve concordar em gênero e em número com o substantivo a que se refere. OS MANIFESTANTES ao invés de O MANIFESTANTES.

“Agreção à um coronel” ["Desvio" no uso do acento indicativo da crase] – O substantivo agressão [termo regente] se relaciona ao termo regido coronel por meio da preposição A, de forma adequada. Enretanto o termo regido é introduzido pelo artigo indefinido masculino UM e, neste caso, é proibitivo o uso do acento indicativo da crase. O princípio básico para a ocorrência obrigatória do uso do sinal grave é: termo regente exige preposição A e o termo regido admite artigo feminino A[S]. Como se pode observar, no texto original, isso não ocorre.

Leia máis no premêro facicru, premêra fôia, aqui.

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O próximo alvo é Lula

Tenho várias discordâncias com posicionamentos de Antônio Palocci, preferia que ele não tivesse sido escolhido ministro por essas divergências e não pelos escândalos anteriores fabricados pela imprensa, no entanto, sou capaz de reconhecer o direito da presidenta de escolher seus comandados.

Posso conviver com discordâncias com o governo, mas infelizmente algumas pessoas acham que política é fla-flu e se tem alguém com quem não concordam, agem para tentar derrubar essas pessoas, independente do fato de isso fragilizar o governo que acabaram de eleger, se dispondo a fazer coro com seus detratores.

Não precisa ser nenhum gênio para perceber que o alvo da imprensa e da oposição rebocada não é Palocci, que tem um perfil mais próximo ao deles, ele é apenas um veículo para colocarem em prática uma estratégia para retomada do poder. Não, não vai ser um golpe, não vão derrubar Dilma, vão tentar destruir o capital político de Lula e em seguida, inviabilizar o governo Dilma.

Está muito claro que os argumentos usados contra Palocci, de que não importa se algo ilegal tenha sido cometido, mas o que importa é o comportamento moral seletivo imposto pelos veículos de comunicação, serão usados contra Lula um dia após a derrubada do ministro Palocci.

Se Dilma capitular aos interesses da imprensa, oposição e fogo amigo, vai estar compreendido para a maioria da população de que o que Palocci fez foi tráfico de influência, independente se haja provas ou não. O risco dessa decisão é que a correlação com as palestras de Lula e a sua suposta interferência no governo Dilma vão ser praticamente automáticas.

Parem para pensar, não dói, não abandonem o senso crítico em nome de uma admiração cega por determinados blogueiros, que às vezes beira a religiosidade. Eu nutro uma profunda admiração pelo Luis Nassif, não escondo isso, mas em muitas situações eu discordo do seu posicionamento. Nesse caso estão criando um monstro que vai se virar contra eles mesmos.

Os sinais estão aí para quem quiser ver, já existem críticas e insinuações contra as palestras de Lula, assim como o tempo todo alegam que o ex-presidente tem trânsito no governo. Em determinado momento esses ataques isolados vão vir a ocupar a campanha que atualmente é movida contra Palocci, basta Dilma titubear e demitir o ministro.

Críticas podem e devem ser feitas contra o governo, engrossar o coro da velha mídia é dar tiro de bazuca no próprio pé. Nós sabemos do que eles são capazes para retomar o poder, não dá para esquecer que eles são os verdadeiros adversários e o que está em jogo são os avanços ocorridos no governo Lula. Tudo isso é muito mais importante do que minhas divergências com Palocci.

Se Dilma capitula e o próximo alvo passa a ser Lula, do que não tenho nenhuma dúvida. Só não vou aceitar choradeira de PIG pra lá, PIG pra cá. Em minha opinião, algumas pessoas perderam a legitimidade da crítica às atitudes da imprensa a partir do momento que a usam como fonte e aliada quando o alvo deles são seus adversários. Chega de hipocrisia e falta de coerência.

Fonte da imagem ilustrativa: http://www.blogcidadania.com.br

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