Archive for: setembro 2011

Rafael Mascarenhas, Cissa Guimarães e a espetacularização midiática

Por DiAfonso

Eis que, nesta manhã de domingo, leio o noticiário e me vejo diante da presença de Rafael Mascarenhas na mídia… de novo. Informava a notícia que o Red Hot se apresentara no Rock in Rio trajando uma camisa com a estampa do Rafael.

Não acreditei que essa exposição midiática ainda persistia [uma coisa é noticiar, outra...]. Numa hora, centenas de amigos grafitam, ilicitamente, as paredes do Túnel Acústico em homenagem ao filho de Cissa Guimarães [com a anuência dela, inclusive]; noutra hora, famosos prestigiam, num restaurante do Rio de Janeiro [!!!], o aniversário de morte do rapaz. Entre as celebridades, Guta Stresser, Patrícia Travassos e Caetano Veloso. Este interpretou seis canções e fez com que todos os presentes cantassem com ele.

Sinceramente…

Sou pai. Amo demais meus três filhos, minha energética* filhinha [que fará dois anos no próximo dia 28 de setembro] e Sophia [que ainda está "morando" na barriga da mãe até dezembro deste ano]. Quem foi agraciado pela materno-paternidade [não encontrei referência a essa palavra no léxico português] e a ela se entrega como a um sacerdócio, sofre ao ter que conviver com a perda de algum dos seus rebentos. É natural que a saudade invada, cace e persiga impiedosamente mães e pais que passam por tal infortúnio. A dor parece esgarçar ainda mais – e indefinidamente – uma alma já cindida por tão sofrida ausência.

Creio ser assim com a atriz Cissa Guimarães. Sei que sofre com a perda de Rafael Guimarães. Entretanto, é necessário que se diga [a partir, claro de uma determinada concepção de ver o mundo circundante] ser necessário, também, buscar a superação e não tentar “ressuscitar” o filho que se foi por meio da espetacularização midiática [e nesse aspecto, Cissa tem tido o apoio tentacular da poderosa Globo e da mídia corporativa, de um modo geral]. A meu ver, ela é conivente com esse espetáculo e até o estimula.

Tentar eternizar uma tragédia que se quer esquecida pelos lances que lhe deram forma, contrariando, inclusive, normas legais [como foi o caso da "grafitagem" no túnel - chamam de "painel". Fosse um ato promovido por algum pai ou mãe e amigos desvalidos socialmente, seria pichação e delito passível de pena] é publicizar um sofrimento que deve ser vivenciado pelo seleto grupo dos que conviveram com Rafael. E só.

Não consigo entender porque Cissa Guimarães insiste em colaborar com a midiatização dessa dor e até promovê-la, como se toda a sociedade tivesse a obrigação de assistir a este “espetáculo”. Expor a memória de seu filho morto – da forma como está se dando – revela o inconformismo com algumas caras verdades, inclusive relativas ao próprio Rafael.

Fala-se, aos borbotões, da tragicidade. Demonizam Rafael Bussamra por cometer homicídio doloso [quando há intenção de matar], por ter fugido do local sem prestar socorro à vítima. Fala-se da tentativa de corrupção ativa, da participação em corrida não autorizada em via pública, tudo isso perpetrado pelo acusado. Fala-se do envolvimento de agentes públicos [os tais policias militares que cobraram R$ 10 mil de propina para passar uma borracha no ocorrido].

O mais importante, no entanto, não se valoriza: o acusado foi denunciado pelo Ministério Público, os policiais foram também denunciados e presos. Ou seja, o processo legal, do ponto de vista da justiça, segue seu rito normal. A justiça está sendo feita ou em vias de se efetivar.

Um outro dado também tem sido relegado ao esquecimento. Rafael Mascarenhas contribuiu, involuntariamente, para a consumação do acidente, pois a área estava interditada. Isso valia para qualquer um: seja para o filho de Cissa Guimarães, seja para o autor do atropelamento, Rafael Bussamra.

É uma pena que o Rafael Mascarenhas tenha se ido de forma tão trágica. É uma pena que um outro jovem, o Rafael Bussamra, tenha causado a morte de alguém e tentado infringir a lei [o que não se concretizou, felizmente]. É uma pena que muitos passem pelo que o filho de Cissa passou e não mereçam a célere decisão da justiça. Os que são injustiçados não carecem de espetacularização, mas de justiça feita.

Quanto a isso, Cissa Guimarães não tem do que reclamar, como já se disse acima. Ela precisa, sim, é parar de santificar o filho por meio dos veículos de comunicação que fazem desses fatos um grande show e guardar, em silêncio profundo, o que sente pelo filho. Ah… E não colaborar com a transgressão da lei… Se pichar é proibido para A, deve ser para B, também.

A Cissa Guimarães, familiares e amigos de Rafael Guimarães, expresso, como pai, meus profundos e sinceros respeitos pela dor que sentem. Só não concordo com essa extensiva exposição midiática. Mas, aí, já não é comigo…

*Sobre o termo “energético”, leia aqui.

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Mesmo sob ataque incessante, Lula permanece nas alturas

O jornal Valor Econômico divulgou nessa semana uma matéria de Cristian Klein (leia na íntegra aqui) sobre uma pesquisa do Instituto Análise sobre as eleições de 2014. Algumas informações devem ter deixado alguns aquários em redações em estado de total desânimo, afinal elas mostram claramente, que apesar de todos os esforços em contrário, o ex-presidente Lula permanece com seu prestígio intacto e que as chances de emplacarem seus aliados nas próximas eleições presidenciais estão cada vez mais escassas.

Se as eleições fossem hoje, Dilma venceria Aécio facilmente por 57% a 18%. Já se o adversário de Aécio fosse Lula, o primeiro seria massacrado por humilhantes 76% a 11%. Curiosamente, não foram apresentados cenários com outros candidatos tucanos, pois se Aécio que é o mais cotado, perderia com essa vantagem esmagadora, imagino como se sairiam FHC, Serra e Alckmin. Infelizmente o terceiro cenário previsto pela pesquisa é um impossível Dilma X Lula, cujo resultado é irrelevante.

Apesar de Lula reiterar que Dilma será candidata a reeleição e tem o seu apoio, a maioria da população prefere que ele seja o candidato em 2014. Cerca de 57% dos entrevistados gostaria que Dilma desistisse da reeleição em favor da candidatura de Lula. A aprovação do ex-presidente, que era de aproximadamente 80% quando estava no governo, chega agora a fantásticos 82% de bom e ótimo, o dobro do que Dilma tem no momento (41%).

Esses números comparativos são interessantes para a gente entender o motivo da estratégia dos veículos de comunicação no sentido de promover ataques contra Lula e tentar marcar falsas diferenças entre a forma que ele e Dilma enfrentam a corrupção. Naturalmente eles avaliaram que Lula seria imbatível e Dilma uma oponente mais fácil de ser batida. Ao mesmo tempo em que fazem elogios à Dilma para tentar escolher o adversário de 2014, fustigam o seu governo com a campanha do “mar de lama”. Só não contavam com duas coisas: os ataques contra Lula se mostrariam ineficazes e como boa massa fermentada, quanto mais apanha mais ele cresce e, para complicar a situação deles, mesmo o “poste” Dilma venceria tucanos com toda facilidade.

Vida dura essa de imprensa anti-Lula, depois de oito anos vendo suas tentativas de macular a imagem de Lula sendo frustradas e amargar pesquisas sucessivas com recordes de aprovação cada vez maiores, vislumbraram na sua saída do poder uma forma de destruir sua reputação, já que o ex-presidente, exímio comunicador, não teria a sua disposição o acesso ao contraditório, mas eis que depois de praticamente nove meses de ataques ininterruptos, com editoriais e analistas da velha mídia repetindo uníssonos mantras tentando associar a corrupção ao seu período de governo, Lula aparece com aprovação ainda maior e como pule de dez para qualquer eleição nesse país.

Lula é um fenômeno que deveria ser estudado mais profundamente. Com meus parcos conhecimentos, não tenho informação de qualquer outro ser político que tenha sofrido dos principais meios de comunicação do país tamanha perseguição por décadas, e ainda sim mantenha faixas de aprovação e popularidade tão impressionantes. Lula desafia as leis de Murdoch, seguidas como mandamentos pelas principais redações. Ele apavora os barões da mídia porque não precisa de intermediários para se comunicar com o povo, por não ter medo de bater de frente, por não precisar se curvar.

Fonte da imagem ilustrativa: http://jornalsportnews.blogspot.com/2010/12/lula-nas-alturas.html Autor: não informado.

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DEM recorre ao STF contra a manutenção de empregos no Brasil

O partido Democratas deu entrada em uma ação direta de Inconstitucionalidade (ADIN) no Supremo Tribunal Federal, contra o decreto do governo federal que aumenta o IPI de carros importados.

A medida do governo atinge, sobretudo, veículos importados da China e da Coréia que não tem fábricas no Brasil. Os demais importados de montadoras que possuem parque industrial no país são provenientes do MERCOSUL e México, que têm acordos comerciais automotivos com o Brasil, e não estão afetados pelo aumento de 30% na alíquota de IPI.

O decreto que aumenta o IPI foi uma forma encontrada pela equipe econômica do governo para evitar a concorrência predatória de carros importados trazidos a preços inferiores aos equiparados nacionais por causa da valorização do Real e da desvalorização artificial da moeda praticada por esses países.

A quantidade crescente de carros nos pátios, mesmo com as vendas de veículos indo de vento em popa, mostrava que o espaço de mercado ocupado pelos importados crescia à medida que os pátios das montadoras lotavam. Algumas montadoras anunciaram redução no ritmo de produção e possibilidade de dar aos funcionários férias coletivas, o que se constitui em um sinal de que se não fossem tomadas atitudes para reverter o desequilíbrio, o próximo passo seriam as demissões.

A ação do governo visa evitar que empregos de brasileiros sejam transferidos para outros países, mas os neoliberais da velha mídia e seu partido laranja, o DEM, não se envergonham de agir contra o interesse público (trabalho) para defender privilégios de uma elite da qual fazem parte e que torce o nariz para o carro nacional (carroça, coisa de pobre). Na régua dessas pessoas, o forro do seu bolso vale muito mais do que um metalúrgico empregado, e depois não entendem porque não conseguem arregimentar movimentos sociais para suas manifestações.

Lamentável mais uma vez o silêncio crítico da velha mídia contra posturas mantidas pelo DEM ao arrepio da separação constitucional de poderes: a judicialização do legislativo e banalização de ADINs, mas ao invés disso, não conseguem sequer disfarçar a empolgação quando seus pupilos lhes garantem mais um factóide para aproveitar, mas ainda se for para economizar uns trocados na compra se seus carrões de luxo importados.

Felizmente, com raras exceções, tem havido por parte do STF serenidade para não extrapolar suas atribuições, e essas ADINs acabam se tornando muito mais um espetáculo para animar a reaça e fornecer aos jornalões uma manchete volátil do que um risco maior para a democracia.

Ao DEM e jornalões: ganhem eleições e governem o país, enquanto isso não acontece, a atribuição de administrar o país é daqueles legitimamente eleitos. São eles que vão colher os louros e desgaste pelas suas decisões, foram eleitos justamente porque suas propostas foram vistas como melhores pela maioria dos eleitores. Oposição pode se posicionar, mas através dos canais democráticos, ADINs não podem ser banalizadas dessa forma sob pena de destruir a credibilidade do instrumento.

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Atos contra corrupção de mídia no Rio de Janeiro e São Paulo

Estão sendo organizados dois atos contra a corrupção de mídia que serão realizados na sexta, dia 16/09 às 17:00 horas, na Cinelândia, Rio de Janeiro e no sábado, dia 17/09 às 14:00 horas, no MASP em São Paulo.

Embora não tenha sido planejado com suficiente antecedência e não conte com divulgação da velha mídia, que assina mais um capítulo da sua história de péssimo jornalismo ao determinar que não é notícia aquilo que não for do interesse comercial e político de seus donos independente da sua relevância e interesse público, o ato de São Paulo já conta com mais de mil confirmações de presença, segundo um dos seus organizadores Eduardo Guimarães do Blog da Cidadania, e o do Rio de Janeiro vem conseguindo bastante adesões nas últimas horas, e de acordo com Sérgio Telles do Rioblogprog e um dos organizadores do evento no Rio, vai contar com a presença de jornalistas, estudantes e militantes de esquerda.

Essa é a chance para as pessoas que sempre se incomodaram com os mal feitos da mídia mostrarem a cara e levarem suas insatisfações do virtual para o mundo real. Vale a pena fazer um esforço, pedir para o patrão liberar a saída meia hora, uma horinha antes para poder chegar na Cinelândia, já a de São Paulo, que é em um sábado, é só mostrar vontade para sair de casa. Tenho certeza que se Rio e São Paulo fizerem bonito, outros grandes centros vão querer fazer suas manifestações, não se pretende resumir os protestos nessas manifestações pontuais. Esse é um movimento de manifestações que veio para ficar e não tem mais volta, cada vez vai ficar mais difícil fingir que não nos ouvem.

Que tal mostrar para os cansados como se mobiliza?

Como ir:

No Rio de Janeiro:

16/09 – 17:00 horas – Cinelândia

Realização:

RioBlogProg
FALE-Rio
UEE-RJ
DCE-Facha
DCE-UEZO
UJS

Link do Facebook: http://www.facebook.com/event.php?eid=280325145311737

Em São Paulo:

17/09 – 14:00 horas – MASP

Realização:

MSM – Movimento dos Sem-Mídia

Link do Facebook: http://www.facebook.com/event.php?eid=172133322863233

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A “Marcha contra a Corrupção” e o falseamento da realidade factual

Por DiAfonso

A jornalista Ana Lúcia Andrade se apresenta charmosa em foto, na coluna política pinga-fogo, do Jornal do Commercio – Recife. Apreciar o charme da colunista não se dá na mesma proporção, quando se trata de apreciar, de um ponto de vista crítico, alguns de seus artigos.

No último dia 08/09, a jornalista tentou endeusar a “Marcha contra a Corrupção”, tratando o movimento como apartidário [?] e nascido da indignação da sociedade civil organizada. Pelo que o artigo produzido expõe, pode-se perguntar se, de fato, Ana Lúcia anda antenada com o que veiculam as rede sociais [a quem faz referências] e a blogosfera, de um modo geral.

Ao que parece, o compartilhamento de notícias propaladas pela grande mídia corporativa, da qual o Jornal do Commercio faz parte, deve ser a única fonte usada para que ela tivesse escrito o que escreveu. [ler texto-imagem abaixo].

Se a jornalista tivesse se dado ao trabalho de fazer uma pesquisa rápida sobre  evento – no universo internético em que as mídias sociais se fazem presentes -, não poria, em linhas, a falta de uma abordagem sociológica e política mais apurada e, por conseguinte, mais próxima da realidade dos fatos.

De onde Ana Lúcia tirou a ideia de que o “movimento em cadeia nacional [referindo-se à "Marcha"], alimentado pelas novas paltaformas de mobilização, as redes sociais” teve o poder de refletir, no sentido de consubstanciar, “a consciência social de não se manter a Nação como espectadora, apenas.”? Eu imagino de onde vieram essas pérolas e por “ordem editorial” de quem. Continue lendo aqui

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