Archive for: novembro 2011

TCU vaza mais do que Chevron

O TCU é um reduto de oposicionistas ao governo federal e disso ninguém tem dúvidas. A discussão sobre o uso político do Tribunal de Contas da União não é recente. É de conhecimento até do mundo mineral que Aroldo Cedraz, Valmir Campelo e José Jorge tiveram carreiras políticas ligadas à oposição antes de serem alçados à condição de Ministro de tribunal, e isso sem falar em Ubiratan Aguiar que se aposentou em agosto.

Acontece que, analisando as recentes denúncias contra Ministérios, é possível perceber um modus operandis que me leva a crer que o ativismo político do tribunal não se limita a uma combativa fiscalização das contas do Governo Federal como reza a sua atribuição constitucional. Se fossem apenas as tentativas de paralisar obras importantes para o governo a discussão nem existiria, afinal um tribunal ligado ao poder legislativo é um tribunal político.

O que não é atribuição constitucional do TCU é vazar seletivamente dados de investigações não concluídas para veículos de imprensa, mas esse comportamento vem se tornando habitual. Não é raro ler em denúncias noticiadas que determinado veículo teve acesso aos dados de investigações e relatórios parciais do tribunal, mostrando o que parece se tornado um método.

De posse do nome de pessoas, empresas e ONGs denunciadas por processos de investigação que na maioria das vezes tem início no próprio ministério ou na CGU (órgão de auditoria do próprio Governo Federal) fica fácil buscar insatisfeitos com as ações de fiscalização para buscar depoimentos que atingem titulares das pastas, e se o depoimento não for espontâneo, vale uma ameaça que o assassinato de reputação vai acontecer de um jeito ou de outro, e se não for o ministro, o investigado passa a ser o alvo.

Infelizmente essa última afirmação não pode ser comprovada porque dificilmente vamos encontrar alguém ameaçado com coragem de denunciar atitudes anti-éticas por parte da imprensa, mas o histórico recente de baixarias da grande mídia me permite supor que esse tipo de recurso desonesto não seja tão raro.

Recentemente tivemos notícia da reviravolta na denúncia contra Agnelo Queiroz quando um consultor de Indústria Farmacêutica mostrou vídeo onde é orientado a fazer acusações forjadas contra o governador e ouve promessas de vantagens financeiras como pagamento por elas. Quem aparece dando as orientações no vídeo é um irmão de uma deputada distrital do DEM.

As denúncias contra o ex-ministro dos esportes e contra o ministro do trabalho seguem roteiros semelhantes: denúncias feitas por atingidos por investigações em suas ONGs. A outra semelhança entre os casos é que a fonte dos vazamentos que alimentou a imprensa é o TCU.

Em um país que despreza cada vez mais o processo legal, o judiciário é a mídia, que faz barba, cabelo e bigode, investigando e julgando, e um órgão do poder legislativo, investido no poder dado pela constituição, de ser independente politicamente até do congresso nacional, se apequena a ponto de virar uma sucursal burocrática de veículos de imprensa.

Fonte da imagem ilustrativa: http://www.infolab-gr.com/2010/02/seu-computador-e-seguro-sorry-nao-e.html – Autor não informado.

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Gota Dágua recebe doações…de quem mesmo?

O movimento Gota Dágua, que lançou um vídeo com atores globais se baseando em mitos para atacar a construção de Belo Monte, vem recebendo doações de simpatizantes e interessados, mas não dá transparência da lista de doadores da “causa”.

Segundo página em site que organiza doações, o Sibite, o movimento já recebeu mais de dez mil Reais de seus doadores até o fechamento desse artigo, mas não é possível encontrar em nenhum lugar do site do movimento alguma prestação de contas, informando o nome dos doadores e valores doados por cada um, também não explicam se existem corporações entre os doadores e se recebem doações diretas fora do Sibite.

O movimento também não foi transparente quanto ao valor gasto e quem pagou a produção do vídeo, que necessita de estúdio, equipamentos de iluminação e de filmagem, cenário e a contratação de diversos profissionais como iluminadores, cinegrafistas, maquiadores e vários outros, fora a alimentação desse pessoal todo.

A prestação de conta das origens dos recursos utilizados deveria ser uma obrigação entre movimentos e ONGs que aceitam contribuição externa, até para informar para a sociedade da lisura da origem dos recursos. A pouca transparência suscita suspeitas de que interessados na não construção da usina por motivos econômicos, como o lobby de empresas que produzem equipamentos para geração de energia solar e eólica, alem de agricultores americanos, possam estar injetando recursos nessas iniciativas de combater Belo Monte pela desinformação da população.

Energia de Belo Monte e o desenvolvimento rural da região norte

A energia elétrica cara e escassa da região norte condena as cidades da região que não estão dentro dos limites da área de floresta protegida a praticar uma agricultura do século 19. Levar o século 21 à Floresta Amazônica significa aumentar a capacidade de produção de commodities daquela região sem precisar aumentar o desmatamento. Mais à frente explicamos porque produtores rurais americanos estão investindo para barrar qualquer iniciativa de aumentar o desenvolvimento agrícola dos países em desenvolvimento.

Vale lembrar que a maior parte da energia consumida na região norte vem de 260 usinas termoelétricas que consomem óleo diesel, e que atualmente geram mais poluentes e gases do efeito estufa que toda a frota de automóveis de São Paulo, o que joga por terra o argumento da preocupação com as emissões de Metano no lago a ser formado por Belo Monte. O metano é formado no Xingú com ou sem Belo Monte, porque na época de cheias muita vegetação é encoberta. O desligamento das usinas termoelétricas, além de baratear a energia elétrica em todo país, pela redução dos encargos cobrados na conta pelo funcionamento das mesmas, compensa qualquer emissão maior de gás Metano.

Como o dinheiro de ruralistas americanos financiam movimentos contra o desenvolvimento

Algumas organizações internacionais como a UN-REDD e a Avoided Deforestation Partners tem o objetivo teórico de ajudar países em desenvolvimento a conter desflorestamentos e degradações em florestas. A UN-REDD patrocina missões dentro de florestas, entram em contato com povos indígenas, e podem influenciar aspectos de suas culturas milenares além de posicionamentos políticos, já a ADPartners tenta influenciar governos locais sobre as vantagens de impedir o avanço rural sobre a floresta por intermédio da venda de créditos de carbono. Ambas as organizações são dotadas de orçamentos gigantescos e pouca transparência sobre o uso os recursos disponíveis.

A ADPartners explicitou suas verdadeiras intenções no ano passado quando lançou documento em conjunto com a Farmers Union (principal organização sindical patronal rural americana) entitulado “Farms here, Forests there” cuja tradução é Fazendas aqui (EUA) e Florestas lá (3º mundo), onde apontam para os ruralistas americanos as vantagens no investimento em preservação de florestas tropicais geraria lucro para estes, a medida que impedindo um aumento da produção de commodities nesses países evitaria a queda dos preços e aumento de concorrência. A ADPartners é custeada por doadores. entre estes estão companhias elétricas como a Pacific Gas & Eletric Company e a Duke Energy, que trabalham com gás natural que geram gases do efeito estufa e Hidrelétricas (é bom para eles, mas não para nós).

O documento (em inglês) pode ser lido aqui, era apenas para consumo interno e recebeu inúmeras críticas de ambientalistas americanos, acusando o documento de incentivar que apenas florestas tropicais deveriam ser preservadas, quando estudos recentes mostravam que os EUA é recordista junto com o Canadá em desmatamento proporcionalmente a sua área de florestas.

O dinheiro enviado pelos ruralistas americanos a essas organizações, somado ao volume de recursos que o lobby das empresas que fornecem equipamentos e produtos para a geração de energia eólica e solar tem queimado no mundo inteiro para emplacar campanhas para uso de suas tecnologias é um importante indício que devemos desconfiar de “iniciativas altruístas” pouco transparentes. Na verdade, os interesses econômicos são enormes e amadores mesmo são poucos.

Nota do autor: Esse Blog caminha para o seu 4º aniversário e não arrecada, nunca arrecadou e não pretende arrecadar contribuições de seus leitores, empresas ou governos para que seus autores continuem a defender seus pontos de vistas. Não recriminamos quem o faça, apenas entendemos que quem quer que use este recurso deve transparência a doadores e leitores.

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Apologia à desinformação é a gota d’água

O movimento Gota D’água, que tem como um de seus diretores conselheiros, o ator global Sérgio Marone, lançou ontem um vídeo com outros 18 atores da mesma emissora, fazendo lobby contra a construção da Usina de Belo Monte. Tudo bem, qualquer um pode se manifestar, mas é grave quando atores e diretores de uma empresa, que não disfarça sua posição contrária à usina, usam a sua imagem para difundir mitos, com a finalidade de conseguir engajamento público para barrar a construção da usina. Nos próximos parágrafos vamos comentar os pontos mais polêmicos do vídeo.

Onde vão viver os índios e comunidades ribeirinhas após a criação do lago?

O projeto da Usina Belo Monte encareceu pelas exigências em relação ao manejo de comunidades afetadas. O plano de manejo já está pronto e foi uma das exigências para a liberação das licenças. O Brasil não desaloja seus índios, tem 12% do seu território de reservas indígenas, e a sua população, segundo censo indígena de 2010, é de 0,4% da população do país. Para comparar, os EUA, procedência da maioria das ONGs estrangeiras que infestam a Amazônia, tem apenas 2,3% do seu território reservados aos indígenas, que são 1,37% da população americana. O curioso é que a Globo, que agora é “defensora dos índios”, em 2005 ficou a favor dos Arrozeiros quando o governo Lula demarcou a reserva Raposa Serra do Sol.

O custo faraônico da Usina de Belo Monte

O custo atual da obra é avaliado em 26 bilhões de Reais e a capacidade instalada vai ser de 11.000 MW, o que daria um custo de R$ 2,36 mi/MW.  A usina MPX Mauá, no sertão do Ceará, é a única usina solar do Brasil com produção em escala comercial, investimento do empresário Eike Batista, tem capacidade de 1 Mw e custou 10 Milhões de Reais. O maior parque eólico do Brasil é o Parque de Osório no Rio Grande do Sul, com capacidade de 150 MW e custou 670 milhões de Reais, com custo médio de 4,47 mi/MW. Se levarmos em conta que dentre as três formas de produção de energia a hidrelétrica é a que possui o melhor fator de capacidade, essa diferença fica mais nítida.

Belo Monte só vai produzir 40% da sua capacidade

A média mundial do fator de capacidade, que é o quociente entre a capacidade de energia produzida e a capacidade de energia instalada, é de 44% para usinas hidrelétricas. O que não explicam é que o fator para usinas solares é de 10 a 20% e para usinas eólicas é de 20% a 40%.

Energia hídrica causa impactos ambientais, a solar e eólica não

Todas as formas de produção de energia causam impactos ambientais, umas mais e outras menos, mas as ditas fontes limpas também causam modificações nos ecossistemas nos lugares onde são instaladas.

A energia solar ocupa extensas áreas para produzir pouca energia, a instalação de painéis solares causam desmatamentos como pode ser percebido na usina do Ceará, e quando não há desmatamento há muita perda de vegetação pelas sombras formadas no solo. Os painéis fotovoltaicos utilizam Arsênico para tratamento das células e esse elemento é venenoso para os seres vivos e é fonte de contaminação de lençóis freáticos, além disso, um subproduto da produção dos painéis é o TetraCloreto de Silício, substância tóxica que contamina solos, recentemente a China foi vítima de poluição por essa substância causada por incentivos fiscais dado à atividade.

A Energia Eólica também ocupa grandes áreas para produção de pouca energia. Os impactos ambientais de sua instalação são a poluição visual e sonora (Nos Eua já existem avaliações de sintomas de exposição ao barulho e trepidações causadas nas imediações de fazendas eólicas), mudança do clima causado pelo turbilhonamento do vento ( Dias mais frios e noites mais quentes, vegetação prejudicada) e abate de passáros e morcegos (o que levou países que usam essa tecnologia a modificar projetos, aumentando a área ocupada). Outro efeito negativo de fazendas eólicas é a interferência em radares de terra, prejudicando o controle aéreo.

As secas vão destruir ecossistemas e prejudicar ribeirinhos e índios

O projeto prevê a liberação de vazões mínimas para cada mês do ano para evitar que as secas prejudiquem ecossistemas e o meio de vida dessas populações. Tem uma explicação definitiva para essa discussão no post Belo Monte: Os Fatos sobre a vazão reduzida na Volta Grande, no Blog do Alê.

É crescente a atividade do lobby dos setores de energia solar e eólica nos EUA e UE. Eu não estou acusando ninguém, mas me surpreende alguns voluntarismos que espalham desinformação.

Leia Também: Gota D’água recebe doações…de quem mesmo?

Por daSilvaEdison:

Len,

Você foi pouco claro quando responde ao questionamento sobre “Onde vão viver os índios e comunidades ribeirinhas após a criação do lago?”

O projeto em execução não deslocará um único “índio”.
Não implicará no realocamento de uma única “cabana indígena”.
Não alagará um único palmo de “Terra Indígena”.

Moradores ribeirinhos serão, sim, deslocados.
São algumas centenas de pobres palafiteiros da pobre Altamira que finalmente ganharão habitação digna e acesso aos serviços públicos básicos e se tornarão independentes das cheias do Xingú.
Entre esses estão alguns índios.

O pequeno lago da usina, para além daquilo que hoje é o leito do rio, será coisa de menos de 200 km2 e se formará sobre área que hoje abriga pequenos fazendeiros.
Esses são os únicos que se enquadram sob o critério de diretamente afetados pelo empreendimento.

Índios e ribeirinhos palafiteiros sofrerão, sim, impactos.
Alguns neutros em princípio e outros altamente positivos.

Os índios da Volta Grande verão reduzir o volume de águas do trajeto original do Xingú e jamais precisarão se preocupar com imprevisíveis cheias.
E os palafiteiros de Altamira serão condenados a viverem em terra firme em casas de alvenaria com água, luz e esgoto.

Esse é o quadro.

E aos que se se debatem contra o projeto, proponho:
1) Que me apresente um, unzinho, um único índio que será obrigado a deixar seu local de moradia (não vale palafiteiro de Altamira).
2) Que me apresente uma, pelo menos uma, cabana ou oca indígena que ficará sob o futuro lago de Belo Monte (com coordenadas GPS).”

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Plantando a semente do reacionarismo

Embora as pessoas que me acompanham no twitter e Blog do Luis Nassif já conheçam a minha opinião sobre os eventos recentes ocorridos na Universidade de São Paulo, resolvi esperar os fatos se desenrolarem para, enfim, escrever sobre o assunto, sem precipitações. Em primeiro lugar quero declarar que acho que foi um erro a decisão dos setenta e poucos alunos de invadir a reitoria, mesmo sendo derrotados em assembléia. O direito de manifestação é legítimo, mas o respeito pelo desejo expresso pela maioria deve ser princípio para quem se dispõe à luta política, mesmo que defendam reivindicações justas.

Seria redundante voltar a afirmar que o Reitor Rodas se aproxima do fascismo ao tomar decisões autoritárias sem ouvir os representantes de estudantes, professores e funcionários. Da mesma forma, repetitivo seria lembrar o despreparo da PM para lidar com estudantes e o seu ignóbil entendimento da mensagem dada pelos legisladores para a mudança da lei de entorpecentes: Usuário não é bandido, e que a invasão da universidade pela tropa de choque da PM foi a decisão mais imbecil que o reitor e o governador poderiam ter tomado.  Isso tudo já foi bem dissecado em excelentes artigos de colegas blogueiros e jornalistas independentes.

O argumento de que a maioria dos estudantes estaria contra as decisões do movimento estudantil é uma falácia daqueles que são incapazes de criar maiorias. Estes são uma meia dúzia de reaças que se intitulam porta-vozes daqueles que não se mobilizam. A maioria não se mobiliza porque vivemos em uma sociedade alienada, que encantada pela baboseira do que vê e lê na mídia, vota em branco e nulo nas eleições. Se existe uma maioria contra, que compareçam às assembléias e façam valer seus interesses, ou se não suportam conviver com “diferenciado” elejam representantes para os DAs e DCE, criem um movimento dissidente, decidam em assembléias válidas, e aí então reivindiquem a representação dos estudantes se conseguirem reunir mais alunos, porque é assim que está baseada a nossa democracia, no sistema de representatividade, e os que são ativos politicamente decidem por aqueles que se omitem.

O que está me preocupando bastante é a forma como os reacionários estão saindo dos porões na esteira da cobertura jornalística neolacerdista, e se valendo do uso de adjetivação pejorativa usada por analistas políticos ávidos para agradar aos patrões, sentem-se a vontade para expor os mais sórdidos desejos autoritários. A baixaria estimulada e permitida na área de comentários dos grandes portais se equivale no caso da USP e da cobertura da enfermidade do Lula. Uma lixeira sem tampa que rebaixa o homem na escala de evolução.

As palavras “desordeiro” e “maconheiro” são repetidas à exaustão em uma técnica de desqualificação que deixaria Goebbels envaidecido. A sensação que dá é que voltamos aos anos 70 e o que durante algumas décadas era considerado vergonhoso de se defender, hoje é motivo de orgulho. Uma pesquisa recente mostra que a parte da população que preza os valores democráticos passou a menos de 50%, e mesmo que se possa questionar a validade científica desses dados, o resultado mostra que devemos começar a nos preocupar.

Quanto mais nos afastamos do período da Ditadura, mais gerações que não conheceram os horrores causados por esta, atingem faixa etária em que se iniciam na atividade política, e com a popularização da internet, a tendência que sejam cada vez mais precoces e totalmente sujeitos a manipulação de opinião pelas cobras criadas. O duro mesmo é ver determinadas pessoas que se dizem de esquerda apoiando repressão violenta contra estudantes, em que parte do caminho nos desvirtuamos? mas a Comissão da Verdade é uma oportunidade única de refrescar a memória dos mais velhos e ensinar aos mais jovens, que se hoje têm o direito de espinafrar o governo, isso foi conquistado às duras penas por aqueles que lutaram contra a repressão.

O perigo maior é a médio e longo prazo, quando as sementes que eles estão plantando agora derem seus frutos estragados. Está muito claro para mim, que com esse bombardeio de reacionarismo estão cultivando uma sociedade ainda mais conservadora e reacionária que a que temos hoje. Os movimentos sociais e militância que não abram os olhos ou veremos em breve um filme de roteiro repetido.

Imagem ilustrativa: Charge de BIER.

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Quando os canalhas se acovardam

Estou voltando hoje depois de alguns dias de recesso. Senti o baque da revelação da doença de Lula logo após mais uma vitória da velha imprensa, que a despeito de não conseguir provar denúncias e agir claramente de forma partidária, ainda consegue derrubar ministros. Acompanhei precariamente as notícias nesses dias pois, sabia que o esgoto humano das redações e covis partidários viriam a tona e revelariam suas entranhas, mas vi o suficiente para confirmar o que previra.

Vi e li manifestações de profissionais de imprensa decentes como Luis Nassif, Kennedy Alencar e Bob Fernandes, mas o lugar comum que a maioria freqüentou foi mesmo um misto de hipocrisia (com falsos votos de restabelecimento), revanchismo e regozijo mal disfarçado. A reboque da campanha hipócrita de trolls financiados pela direita, pipocam matérias oportunistas sobre o atendimento público no SUS, sobretudo o oncológico. Eles expõem assim à população todo o seu preconceito com a ascensão de Lula, como se dissessem, esse mestiço nordestino e proletário não tem direito aos nossos ricos hospitais, afinal jamais cobraram de políticos aliados que utilizassem a rede pública para serem atendidos.

Assim como todos que raciocinam com o fígado, eles não conseguem medir seus atos e o tiro geralmente sai pela culatra. Açodados e incoerentemente despreocupados com a invasão de privacidade (só vista no caso do Linfoma que Dilma venceu), deram uma visibilidade exagerada ao caso sem evitar o uso político rasteiro. O que não perceberam a princípio, que independente do sucesso do tratamento a que Lula se submete, e tenho convicção forte que ele supera mais essa luta, certamente consolidará a imagem de mito no inconsciente coletivo.

O vídeo que Lula postou na internet demonstrando confiança e resignação fez com que a ficha de alguns enfim caísse, e depois de um início com estúpidas “previsões” de que a enfermidade de Lula causaria prejuízos ao PT nas eleições municipais do ano que vem, enfim começam a se dar conta que o poder de puxar votos do ex-presidente será ainda maior a partir desse evento.

Pensei que nada poderia ser mais patético que um blogueiro da VEJA desejando saúde a Lula, mas o suposto jornalista Ricardo Setti conseguiu se superar pedindo a Lula que não use a sua enfermidade com fins políticos, ou seja, tudo que eles de maneira mal dissimulada fizeram até agora. O pânico que alguns jornalistas têm da capacidade de comunicação direta do ex-presidente com a população ganha contornos patológicos, estão histéricos.

Antes Lula não poderia se manifestar politicamente porque era ex-presidente, apesar de nunca terem cobrado essa atitude de outros ex-presidentes que jamais interromperam a atividade política, agora não pode falar porque está doente? Até que ponto pode chegar o cinismo dos canalhas? Mais uma tentativa torpe de cassar a liberdade de expressão de seus desafetos, como se pudessem definir quem tem o direito ou não de participar da vida política do país.

Que tirem seus pangarés da chuva, se conheço o suficiente esse grande homem e animal político, a quem acompanho à distância por mais de trinta anos, enquanto tiver forças e oportunidades, Lula difundirá suas mensagens de apoio aos candidatos e governos que apóia e confia. Eles, os canalhas, tem duas alternativas: aprender a conviver com o contraditório respeitando o direito de Lula participar da vida política do país ou se acovardar como de costume.

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