Archive for: dezembro 2011

O Historiador, o Imortal e o Panfleto

Hoje a coluna do historiador Marco Antonio Villa vem falando sobre o tão comentado vulto “fascista” do “petismo”. Isso é o que o título sugere, mas os alvos verdadeiros de Villa são Amaury Ribeiro e o livro “A Privataria Tucana”.

Na coluna, o historiador queridinho da velha mídia chama o livro de panfleto e o autor é rebaixado a um jornalista qualquer, desconsiderando seu histórico profissional. Covarde, Villa ataca a Rede Record e as vozes que repercutiram o lançamento do livro nas redes sociais como a “rede onde o jornalista dá expediente” e as “centenas vozes de aluguel” que repercutiram o lançamento. A tática adotada por Merval e Serra: ataques genéricos a alvos específicos.

O democrata-historiador-millenar, Villa, mostra a que veio:

Diz no último parágrafo: “O panfleto deveria ser ignorado. Porém, o Ministério da Verdade petista, digno de George Orwell, construiu um verdadeiro rolo compressor.”

Normal para os membros do clubinho de que participa. Foi no mesmo Millenium que Arnaldo Jabor declarou que adoraria impedir “o pensamento de uma velha esquerda” que, para ele, “não deveria mais existir no mundo”.

Villa – neste texto, que tenta maquiar como se fosse uma defesa da pluralidade de opinião – mostra o mesmo: quer silenciar um livro-reportagem.

Ele se mostra indignado em várias partes: acusa o autor e partidariza a obra (como panfleto petista) – na tentativa de desqualificar o trabalho e enterrar uma possível CPI?

A tentativa de partidarizar o trabalho de Amaury é um “evento” interessante. Tanto membros do PSDB, quanto o imortal Merval Pereira e, agora, Marco Antonio Villa repetem exageradamente. Parece até que combinaram.

Ainda como Merval (e Serra), o texto de Villa se mostra incomodado com a blogosfera, que fica sugerido em “centenas vozes de aluguel”. Afinal, que vozes são essas?

Twitter, Facebook, Orkut, Google+…. BLOGS!! O grande terror da atualidade, que dessa vez mostrou a força e surpreendeu os mais céticos, impedindo que um fato relevante fosse abafado pela velha mídia.

Por isso somos “Blogs Sujos”, “Blogueiros Chapa Branca” e “Vozes de aluguel” segundo a trindade Serra-Merval-Villa. Pura coincidência, claro!

Villa, no sexto parágrafo, só falta dizer “Serra, eu te amo”, tamanha a tentativa de defender o ex-governador.

Enquanto Villa nos entope com o “fascismo petista”, eu lembro uma frase nazista de Joseph Goebbels “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. As tentativas de partidarizar a obra e desqualificar o autor se enquadrariam nesta frase?

Villa tenta atribuir ao PT um perfil fascista, poderoso e quase sobrenatural que lembra bastante a tática Americana com a decrépita União Soviética durante a guerra-fria. E tem gente que compra a ideia.

Junto ao pacote, o historiador cita o ministério da verdade (do romance 1984, de George Orwell) para atacar o livro e os governos petistas que, segundo sua teoria, no auge do seu autoritarismo, passa por cima de fatos com informações impostas.

Villa deve estar longe do país.

Não deve ler a revista Veja, assistir TV, ou mesmo ler os jornais que publicam suas colunas. Villa poderia largar o clube de leitura do Orwell que deve ocorrer no Millenium e olhar para o Brasil. Se há incômodo com a pluralidade de pensamento e opinião, é lá que ele terá exemplos claros. Nem precisará perder tempo para criar teorias conspiratórias.

Villa ataca todos os governos petistas, democraticamente eleitos (goste ou não) comparando a um grande espectro fascistoide que ameaça o país – “O PT não terá dúvida em rasgar a Constituição”, diz a certa altura. Mas o historiador-democrata passa uma imagem autoritária ao desejar que o livro nunca tivesse chegado aos leitores e classificando a obra como panfleto, sugerindo que seria um dossiê encomendado pelo PT. Fica parecendo aquela frase de Goebbels .

Parece vir de alguém que se incomoda com a democracia.

o texto referido neste post aqui

adendo 28/12 – 15:33:

Meus gnominhos me sopram no ouvido:

- Então, pela lógica do historiador-democrata, os livros “Lula é minha Anta”, “O Lulismo no poder”, “O dicionário de Lula”, “O País dos Petralhas” e “Nunca antes na história deste país” escaparam heroicamente do rolo compressor do ministério da verdade petista?

e mais:

- Pelo que o ilustríssimo expõe, podemos concluir então que estes livros são também panfletos… da oposição!

Conclusões tardias, gnomos!

 

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Óia a vírgula, Merval Pereira! Óia a vírgula, hômi!

Fotomontagem Terra Brasilis

Por DiAfonso [No Terra Brasilis]


O jornalista Merval Pereira, recém-eleito membro da Academia Brasileira de Letras, bem que poderia fazer jus ao fardão que lhe foi “outorgado” sabe-se lá por quais critérios literários [se é que me entendem].

Em artigo intitulado “A ficção do Amaury” – em que tece críticas ao conteúdo do livro “A Privataria Tucana” e defende, nas entrelinhas, a omissão da “grande imprensa” na divulgação da obra do também jornalista Amaury Ribeiro Jr. -, o Merval se “desvia” do que é posto como padrão “culto” para as situações formais de comunicação e expressão em língua portuguesa. 

Assim é que algumas normas são “quebradas”, a ambiguidade surge em algum momento e a “limitação” vocabular se faz presente em outro. Tudo isso denuncia o “acadêmico” Merval Pereira como um verdadeiro relaxado no trato com a língua dita “culta”. A seguir, as minhas observações e os meus comentários. Claro que não dá para me comparar ao Merval. Eu, coitado, sou da Acadêmía Brazilêra de Lêtra:



A leitura do segmento “suas denúncias” traz um sabor de… de que, mesmo? Já nem sei… da mesma forma que não sei se as denúncias são dos “novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca” ou do “Amaury Ribeiro Jr”. Brincadeirinha. O contexto nos dá o caminho para o referente que, neste caso, seria o próprio “Amaury Ribeiro Jr”. Agora que o Merval, membro da ABL, poderia ter evitado essa ambiguidade… Ah, poderia!

Embora não esteja “obrigado” a fazer uso da nova ortografia, o Merval escreve “idéia” e não segue a nova orientação ortográfica [aqui]. Será que os acadêmicos da ABL, eminências da língua “correta”, estão ainda usando a ortografia anterior? Se não estiverem, Merval, você será chamado às falas… Com aquela gente não se brinca em matéria de língua padrão… Tô logo avisano…

Óia a vírgula, Merval! Óia a vírgula! A oração coordenada explicativa ["pois alegam"] “abriu vaga” para uma intercalada de valor semântico temporal [alguns atribuem ao conectivo "enquanto" um valor de simultaneidade temporal]. Ponha a vírgula adispois do “pois”, hômi!

Xiiii… Acho que, na pressa em escrever o artigo para defender a tucanada, o Merval deu um espaço e separou “por que”. Não seria “porque”, Merval? Vêji isso aí, diretim… Eu tenho cá pra mim que esse “por que” se ajunta, visse?!?!

Merval, fique tranquilo, pois o uso que você fez de “tranqüilo” já foi discutido acima… A nova ortografia, certo?!?!…

Óia a vírgula, Merval! Óia a vírgula! Esse não é o momento adequado para usá-la, hômi de deusi! A oração “se tem provas” é complemento verbal de “verificar”, assim como se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações”. Como se nota, a última oração do parágrafo, introduzida pela coordenativa “e”, funciona, sintaticamente, como objeto direto [dizem os doutos da norma padrão que não se separa complemento verbal de seu verbo por vírgula.]. Ah… o uso da vírgula foi para dar ênfase?! Questão de estilo… é isso?!?! Sei não, sei não… Bom… de quarqué modo, vêji isso tamém, visse, Merval?!?!

Pô, Merval! Um minidicionário – daqueles escolares – teria dado uma força para evitar a repetição da palavra “falcatruas”! Aqui, nada demais, sabe, Merval… Mas o povo que entende dessas coisas de língua padrão e indicetra e tá pode achar que você está com o vocabulário meio comprometido. Sugerirão alguns que roubalheira cairia bem no lugar da segunda ocorrência da palavra “falcatruas”… Ah, mas é que, no governo Collor, foram muitas “falcatruas”, né? Assim como foi, no caso das privatizações no governo FHC… Como é que eu não saquei isso! Você vai mi adiscurpando aí, visse, Meval?! É que, às vêiz, a gente se impóga e tal…

Óia a vírgula, Merval! “Será o binidito!”! Vêji que o sujeito de “transformou-se” é o mesmo de “desencadeou”“Roberto Jerfferson”. Desse modo, Merval, não haveria o uso da tal vírgula para separar as orações construídas em torno dos referidos verbos, a menos que… peraí, peraí… ah, já sei… Você pensou que a oração iniciada por “de quem…” tivesse caráter explicativo, não foi?!?! Mas ela não tem, né?!?! Então, apague essa vírgula aí tamém, hômi!

Minha nossinhora, Merval Pereira! A vírgula de novo, hômi!!! Pela última vez: a gente não viu aí in riba* que não se separa complementos verbais de seu verbo por vírgula? O mesmo se dá com o sujeito e o seu verbo. Eles não gostam de vírgula atrapalhando a relação. Nisso eles têm razão: quem já se viu uma vírgula se metendo onde não é chamada? Desse modo, bote pra correr a vírgula adispois de “Amaury Ribeiro Jr”!

Rapaz… Eu num tô acreditando, não! Merval!… A vírgula… Meu deus do céu! Óia, Merval, eu não vou tá mais aqui falano de vírgula, não, visse! Chega! Mas, ainda assim, eu vou dizer… Eu sou chato: Ô, misera! Há um tal de paralelismo sintático em “não apenas”“mas”. Apois bote uma vírgula adipois da mulesta dessa palavra “TCU”!

* Vêiz em quando, Merval, é sempre bom usar um latim nordestino – não é o de Roma, não, visse?!?! Só para você entender, caso não saiba, pois agora tá todo chique… é da Academia Brasileira de Letras, né?!?!: “in riba” significa “pras bandas de cima”.

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