Passado o baque inicial que causou completa desorientação devido a cachoeira de revelações criminosas envolvendo políticos aliados e jornalistas, a velha mídia conseguiu reagrupar forças e, como ninguém duvidava, resolveu traçar uma estratégia de ação para evitar que o clamor causado com a revelação das gravações divulgadas ( e as que ainda vão ser), devastasse os partidos que apoiam, além de abalar profundamente a credibilidade dos seus veículos.
Na expectativa de conseguir evitar que a CPMI fosse criada, a imprensa tentou desqualificar a sua instalação dizendo que o PT queria abafar o julgamento do “Mensalão”, como não deu certo, passou a dizer que o PT queria atrasar a comissão, em seguida ameaçou o Governo Federal, passando a sugerir que Dilma não queria CPMI. Como as ameaças não surtiram efeito e a comissão seria instalada, passou a constranger seus membros com histórico de denúncias sobre eles.
Depois de todas as tentativas frustradas, os grandes veículos de comunicação já mostram como vão se portar durante a CPMI: tentando pautar a comissão para que os assuntos que lhes são incômodos sejam ignorados. A ação é semelhante à utilizada pelos mesmos veículos em outras ocasiões: elege-se um assunto ou alvo, e todos os veículos passam a falar exclusivamente desse assunto, fazendo rodízio de denúncias novas e requentadas, de forma ininterrupta, para que o tema cause comoção pública e force os congressistas a dar prioridade no que eles querem.
O alvo eleito, e que já está na linha de tiro, é a Construtora Delta, que teve diretores pegos nos grampos recentemente divulgados, e que apesar de ter negócios com governo municipais, estaduais e federal, obviamente todo o foco desses veículos vão ser nos contratos do governo federal e estados e municípios administrados por seus adversários políticos.
O plano já está em vigor, nota-se que há uma atitude agressiva de afirmar que o foco da CPMI será a Delta, “esquecendo” que a investigação da Polícia Federal é em cima do contraventor Cachoeira e suas ramificações de poder no estado de Goiás, suas relações com políticos da oposição e jornalistas, na influência no poder judiciário, na rede de poder utilizada para publicar matérias favoráveis aos seus interesses e uso da polícia para inibir a concorrência.
Não quero ser o chato pessimista, mas nós sabemos muito bem da capacidade que esses veículos ainda têm de manipular a opinião pública, portanto todo o cuidado é pouco para garantir que as investigações alcancem o verdadeiro motivo para a comissão ser instalada: a infiltração do crime organizado no poder público e a formação de associações criminosas com a presença de jornalistas.
Vai ser uma guerra de foice, em vez de Perillo, Demóstenes e Cachoeira a velha mídia vai gritar uníssona: Peguem a Delta, mesmo que para isso tenham que expor aliados que tem negócios com a construtora, afinal nesse caso é a sua sobrevivência que está em jogo.
Eu só vou comemorar se a sociedade conseguir tomar conhecimento desse tipo de relação espúria crime/velha mídia, porque em diversas outras ocasiões em que achamos que, enfim, seriam desmascarados, conseguiram se safar. Eles vão fazer de tudo para evitar que as acusações contra eles sejam repercutidas e não vão medir esforços. Se as pessoas não querem mais uma pizza dos crimes da imprensa, é bom ajudar a fazer pressão no sentido inverso ao que eles fazem.




