Tem um dado de extrema importância que vem passando despercebido na pauta dos debates políticos: o fato de PT e PDT estarem caminhando juntos desde o início do processo eleitoral. Daí você pode questionar a relevância dizendo que essa situação já se repetiu na história recente do nosso país, em 1998 teve a chapa histórica Lula-Brizola. Eu diria que é verdade, mas a situação era totalmente diferente.
Em 1998, a proclamada união das esquerdas foi muito mais pela necessidade premente de se unirem para não serem derrotados novamente pelo projeto neoliberal de FHC do que uma real convergência de idéias e de projetos. As divergências eram mais flagrantes e houve muita resistência de todas as partes. Naquele momento foi preciso aparar as arestas porque senão o prejuizo seria muito grande, era uma esquerda que ainda não havia chegado ao poder e que sofria grande resistência da mídia e de boa parte da população, muito em parte pelas mentiras que historicamente foram atribuidas a esses partidos pelos adversários que naquele tempo falavam sozinhos, sem possibilidade de contraditório, porque a velha mídia detinha o monopólio da informação.
Já em 2010 a realidade é totalmente diferente com os dois partidos mais amadurecidos que hoje tem muitos mais conteúdo programático em comum e que souberam entender e respeitar as diferenças para poder avançar a aliança. O relacionamento do ministro do trabalho Carlos Lupi com o presidente Lula, que a princípio tinha sido motivo de desconfiança devido a campanhas anteriores, se mostrou harmonioso e um ponto de unidade entre os dois partidos. Um dado que confirma essa harmonia foi o fato do PDT, mesmo antes do anúncio oficial da candidatura Dilma Houssef declarou o seu apoio a candidatura dela e reforçou os laços anteriormente criados.
O relacionamento político entre Lula e Brizola, dois dos maiores líderes políticos que esse país já teve, tiveram momentos de altos e baixos, em alguns momentos importantes da mesma história eles estavam em palanques diferentes, em outros juntos, houve troca de elogios, farpas e críticas, mas nunca estiveram em lados opostos, pois ambos lutavam pelos mesmos objetivos de dar ao povo brasileiro uma vida mais digna. Naquele tempo, como eleitor não filiado, não conseguia compreender quando estavam separados, achava que o mais importante era a união das esquerdas, que nossos inimigos eram os mesmos. Hoje eu consigo entender que aquele tempo e tudo que aconteceu faz parte desse processo de amadurecimento tanto dos partidos, quanto desses dois líderes, e inclusive as críticas também tiveram o seu papel importante na formação de suas convicções.
O que importa é que esses dois grandes partidos de esquerda passaram a caminhar juntos e espero que essa unidade seja duradoura, ambos os partidos são importantes para o Brasil e têm o que acrescentar no debate tão necessário ao nosso país.
PT, PDT, PCdoB e PSB formam a base da verdadeira da esquerda viável no páís e deveriam caminhar sempre juntos.
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