Eu já me referi a esse assunto anteriormente e permaneço com a opinião que o deputado Ciro Gomes tem todo o direito de definir o seu destino político e ambicionar a presidência da república. Eu vivo criticando a forma como fizeram o Aécio abdicar da sua pré-candidatura e agora o pressionam para aceitar a vice e seria falta de coerência se eu aprovasse qualquer tipo de pressão a um aliado. É inegável, portanto que ele tenha esse direito e até mesmo que coloque acima dos interesses comuns da coligação do qual faz parte o seu partido, o PSB. Estranha um pouco a posição dúbia do partido, que ao mesmo tempo em que declara apoio ao presidente Lula e pede apoio ao PT para disputas em alguns estados, dá apoio ao projeto pessoal e fadado ao fracasso do deputado Ciro Gomes, de olho talvez nos dividendos políticos de ter um candidato expondo o nome da sigla em uma campanha presidencial.
Embora a imprensa ligada a José Serra repise o argumento, baseado em conclusões simplistas dos números obtidos em pesquisas de intenção de votos recentes, de que a saída de Ciro Gomes da disputa presidencial prejudicaria a candidatura Dilma e beneficiaria Serra, na prática o que pode acontecer é exatamente o inverso: migração da maioria dos votos de Ciro para Dilma e não para Serra. Vejamos no cenário atual Ciro aparece como uma metralhadora giratória distribuindo fogo para todos os lados, inclusive fogo amigo. Ciro bate muito mais em Serra, mas sempre sobra para o PT e as alianças e as críticas não são menos ácidas.
Acontece que todos nós estamos carecas de saber que a imprensa não vai divulgar o chumbo grosso do Ciro contra Serra, filtrando e deixando passar convenientemente apenas o que ele tem contra PT, PMDB, Dilma e Lula. Assim o eleitor que tem empatia com Ciro Gomes e votaria nele para presidente da república, mas não se informa suficientemente sobre política para entender a fundo quem é aliado de quem, tende a achar que ele é feroz opositor de Lula e Dilma e neutro em relação a Serra, portanto sem a opção de Ciro Gomes na cédula da pesquisa, seus simpatizantes obviamente iriam preferir não a quem ele parecia fazer oposição, mas a quem ele parecia demonstrar neutralidade.
Na hipótese de Ciro deixar a disputa presidencial não haveria mais motivos para ele continuar dando entrevistas atacando a aliança pt-pmdb e poderia mirar mais no seu principal desafeto. Isso inclusive durante a campanha quando o poder de manipulação da mídia diminui devido ao tempo de TV que cada um tem. Nesse caso, a opção por Dilma e rejeição ao Serra seria mais bem entendida pelos seus simpatizantes. É óbvio que estamos falando de probabilidades. Estatisticamente falando, não é porque um ex-candidato assume apoio a outra candidatura que suas intenções de voto se transferem na totalidade para essa candidatura. O que estamos dizendo que nesses casos uma parcela maior das intenções de voto de Ciro passaria para Dilma equilibrando ainda mais a disputa, que o resultado da SENSUS que mostra que os votos de Ciro pulam para Serra é apenas uma circunstância da manipulação midiática que não se sustenta se Ciro sair da disputa.
A imprensa vai seguir filtrando as declarações de Ciro e Marina de modo a realçar as suas críticas, a diferença é que Marina hoje está na oposição, já Ciro parece adepto ao fogo amigo, e vai continuar alvejando aliados enquanto se mantiver essa aventura equivocada. Eles vão fazer tudo para intimidar os governistas sobre os “riscos” do Ciro sair da disputa porque é mais conveniente que ele continue sendo usado enquanto puder ser controlado.
Ciro tem grandes chances de chegar ao segundo turno.
Curiosamente estas eleições podem revelar supresas agradáveis ao Brasil.
O cenário mais provável é que a candidatura de Serra naufrague em plena campanha eleitoral. Quando a campanha começar de verdade e Lula estiver no palanque de Dilma, ela vai ganhar certo. O Presidente tem mais de 70% a 80% de aprovação (dependendo da pesquisa). Se Lula transferir metade disto para Dilma, ela estará eleita. Vale lembrar, que nas pesquisas eleitorais com manifestação espontânea, Lula ainda aparece como 1o nas respostas espontâneas de intenção de voto, mesmo sem poder se reeleger novamente.
O Ciro Gomes pode aparecer como um novo trunfo. É carismático, tem boa circulação no nordeste e tem potencial para crescer bem no sudeste. É um candidato que pode brigar para chegar a um segundo turno com a Dilma no caso do fracasso completo da candidatura do Serra…. Isto porque a candidatura Serra já anda fazendo “água” e sofrendo oposição mais clara até mesmo dentro do PSDB. Claro que são os setores do PSDB mais pró-Aécio. Mas um PSDB dividido, sem um possível vice do DEM (está em processo de deterioração avançado), não vai conseguir aglutinar forças em torno de Serra. O DEM pretendia emplacar o Arruda, do DF, como vice de Serra, e agora não tem mais nenhum nome de peso para fazer isso. O Kassab (DEM-Sp) é inviável, pois significaria uma chapa Sp-SP. Ou seja, o DEM não tem um vice que ajude qualquer que seja o candidato do PSDB. Pode até atrapalhar mais ainda.
As situações do PV e do PSB são diferentes.
Marina Silva e Ciro Gomes absorvem votos tanto de esquerda como de direita, com facilidade, mas ambos têm um limite de crescimento máximo. Marina porque tem uma rejeição prévia já calculada, diante da possibilidade de ser taxada como radical, ou ultra-ambientalista radical. Ciro, entretanto, é mais carismático, foi professor visitante de economia em Harvard (o que sempre impressiona as classes médias) e não tem grande rejeição em nenhuma região do país. Na 1a vez que foi candidato a Presidente era mais conhecido como marido da Patrícia Pillar. Agora a situação é diferente.
Serra tem um limite máximo de crescimento, pois tem uma rejeição que chega aos 30% (dependendo da pesquisa). Se Ciro sai como candidato e cresce no horário eleitoral, pode conseguir crescer em cima dos eleitores de Serra com facilidade, consegue uma % menor dos eleitores da Dilma, e corre o sério risco de ir para o 2o turno com a Dilma. Seria o fim de uma “Era” de PSDB dominado pelo grupo “paulista” FHC-Serra, que hoje tem forte apoio do Psdb-RS, da Yeda e disputa a liderança nacional do PSDB com o de MG/Aécio.
Mesmo que Ciro não vá para 2o turno, e fica em 3o, será bem votado, o que já significa um bom cenário. É o suficiente para o PSB se projetar nacionalmente, eleger uma bancada maior de deputados e se estabelecer como uma força de centro-esquerda de peso nacional que pode conseguir não apenas 1 ministério, mas talvez 2 ministérios no governo Dilma (o de Ciro Gomes e mais um indicado pelo partido).
Na pior das hipóteses, Ciro Gomes sai como candidato a governador de SP e ganha lá primeiro, preparando terreno para disputar 2014 com o (futuro) Senador Aécio.
Dilma eleita em 2010, dificilmente se relege em 2014. Não haverá mais o fator “apoio do Lula”. Até lá, o PT terá novas lideranças com potencial para disputar a Presidência, como o atual governador da Bahia, Jacques Wagner. Da Bahia, 4o maior colégio eleitoral do Brasil, pode vir a última esperança do PT em 2014 de tentar se manter no poder e ao mesmo tempo equilibrar as disputas inter-regionais do partido, especialmente entre as polarizações existentes entre os grupos do PT sudeste/SP e os do sul/RS.
Se Ciro for candidato agora em 2010 e ficar em 3o ou conseguir chegar ao 2o turno, em 2014 se elge certo. Então, porque não tentar agora?
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Oi Luis Carlos, bem-vindo ao blog.
Respeito o seu ponto de vista, mas não vejo como não acontecer uma eleição plebiscitária esse ano. Dessa forma Marina, Ciro e quem mais vier de fora vão ter muita dificuldade, até pela falta de tempo de rádio e tv para poder se apresentarem melhor. Não tenho nada pessoal contra Ciro atualmente, embora no passado ele tenha defendido muito o neoliberalismo para um socialista, tenho que reconhecer que o período que ele esteve a frente do ministério da integração nacional teve comportamento impecável e ele é um homem que defende com veemencia seus pontos de vista e vejo isso como uma qualidade.
Acontece que uma divisão da base do governo em duas candidaturas só favorece mesmo o adversário, a oposição está concentrando todas as suas forças nessa chapa, os aliados do psdb estão até abrindo mão da vaga de vice para ganharem as eleições e quem está do lado do governo não consegue uma unidade. Se o Ciro levasse a sua candidatura e não desse munição para a oposição com suas declarações que depois são filtradas dava até para entender, o que não pode é ficar nesse jogo de dizer que apoia e na primeira entrevista enfia a faca nas costas. Ele poderia mirar na postura de Dilma que em nenhum momento fez qualquer tipo de crítica a postura dos aliados. Resumindo: Fogo amigo só favorece a oposição, que mesmo com todas as condições favoráveis para Lula nã pode ser desprezada, afinal nunca podemos esquecer que se Dilma vai ter Lula, eles vão ter a mídia e a sua máquina de manipulação da opinião pública.
Abraços e volte sempre.
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