dez 232009
 

Soa tudo como uma grande comédia, existem coisas que só acontecem por aqui e nem sempre são os políticos os culpados pelo folclore de esculhambação que passamos para os outros países. A história é uma piada pronta, que se contada lá fora vão te chamar de mentiroso.

Primeiro aparece um Delegado de Polícia Federal, que resolve não aceitar uma oferta de suborno de 1 milhão para não levar a frente a investigação de crimes contra o mercado financeiro, entre outros do banqueiro mais influente no meio político. Esse  Delegado escandaliza o país prendendo o banqueiro e outros criminosos conhecidos do colarinho branco, ele tinha provas contundentes da tentativa de suborno, dinheiro apreendido, o país inteiro conheceu a Operação Satiagraha que revelou os tentáculos do Daniel Dantas na imprensa e pior, gravações revelavam ao país que o banqueiro não temia os tribunais superiores , sugerindo influencia e proteção, confessando que se preocupava mesmo era com os valentes juízes de primeira instância, esses incontroláveis.

Algumas horas apenas atrás das grades, aproveitando o recesso da corte, o Ministro do STF Gilmar Mendes, pulando instancias de recurso, concede Habeas Corpus para o banqueiro para novo espanto do país. Desafiando o poder monárquico do presidente do STF, o Juiz Fausto de Sanctis aprova novo pedido de prisão contra o banqueiro frente as novas provas encontradas e lá vai novamente o Delegado Protógenes encarcerar de novo o banqueiro para delírio do Brasileiro já cansado de tanta impunidade. Alegria de honesto dura pouco, e novamente Gilmar Mendes não deixa Dantas esquentar o banco na cadeia e concede novo HC ante uma estupefata opinião pública.

Depois do baque da Satiagraha e de fazer uma cena que fingia apoiar as prisões, a imprensa pró-Dantas muda o foco e começa a atacar o delegado que comandou a operação e o procurador que acompanhou a investigação. Ao mesmo tempo, o Juiz de Santis dava seguimento aos processos e condenava o banqueiro há 10 anos pela tentativa de suborno de um funcionário público e dava sequencia aos demais processos com a celeridade que a sociedade exigia. O Ministério da Justiça, fazendo a sua parte, conseguia numa ação inédita na história do país, bloquear parte do dinheiro que foi desviado do país nos crimes financeiros atribuídos a Dantas e ao banco Opportunity.

No apagar das luzes do judiciário no ano de 2009 acontece o capítulo mais recente dessa tragicomédia, em uma manobra escancarada que infelizmente evidencia o bom “trânsito” do banqueiro nas altas cortes do país, o Ministro Arnaldo Esteves de Lima, da 5ª câmara do STJ, concedeu liminar suspendendo toda a investigação Satiagraha e afastando por “suspeição” o honesto Juís Fausto de Sanctis, afrontando o brasileiro que paga imposto e o salário desses senhores, que julgam de acordo com os interesses dos ricos e poderosos. O caso ainda mostra que a patranha foi cuidadosamente planejada para coincidir com o início do recesso do judiciário e o momento anestesiador das festas de fim de ano para causar o menor desgaste possível para aquela corte.

A decisão foi uma tapa na nossa cara, e pode ter certeza que Daniel Dantas a essa hora deve estar rindo de você que acreditou que a justiça da impunidade dos poderosos poderia manter preso um criminoso do colarinho branco. Não acredite nos analistas de panos quentes que disserem que isso não significa impunidade, podem escrever: vai ser designado um juiz “bonzinho” para o lugar do De Sanctis. Se acontecer uma posterior confirmação da decisão do afastamento do Juiz de Sanctis, o que é o mais provável, o caminho para a impunidade de Daniel Dantas está aberto.

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LENLEN – who has written posts on Ponto e Contraponto.
Químico, microempresário, consultor de empresas, libertário de esquerda sem filiação partidária e agnóstico. Sem compromisso algum que o impeça de exercer de forma irrestrita o seu direito de liberdade de expressão e de criticar jornalistas, veículos de comunicação, partidos políticos, autoridades e personalidades públicas.

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