mar 272010
 

Peço licença aos nossos poucos leitores para abordar um assunto que não seja exclusivo da política, apesar de ter suas relações, em um dia mais do que especial. Hoje, Renato Russo, líder formador, compositor e vocalista de uma das maiores bandas de rock nacional de todos os tempos, a Legião Urbana, completaria 50 anos se fosse vivo.

A obra de Renato, seja na banda ou em carreira solo, fala por si só. São obras-primas que marcaram a vida de muitos brasileiros, sendo da minha geração, de anterior e até as que não conheceram a obra do artista enquanto ele era vivo.

Não vou aqui tentar fazer um resumo da sua vida artística, hoje é possível ler alguns muito bons em vários lugares, feitos por quem gastou tempo fazendo pesquisa séria, mas acho que posso acrescentar um depoimento de que acompanhou os primeiros passos da banda quando veio para o Rio de Janeiro tentar a sorte no mundo artístico.

O primeiro contato que tive com a Legião Urbana foi em 1982, em uma casa de show no Rio de Janeiro chamada Mistura Fina da  Barra da Tijuca. Eu que na época tinha um gosto musical menos eclético com preferência para estilos como o Hardcore, Punk Rock e de Rock menos pop, tive uma boa impressão deles. Eu não tinha ido para vê-los porque sempre tinha show de bandas que na época não tinham muita expressão mais que daqui a um tempo iriam estourar nacionalmente. Ainda vi Legião Urbana no Casino Royale, Circo Voador e na extinta Metropolis que ficava localizada em São Conrado.

Já tinha me tornado fã da banda quando veio o famoso show do “Noites Cariocas” no Morro da Urca, em 1983. Os Punks estavam na pista esperando que eles tocassem as músicas do “Aborto Elétrico”, banda punk de Brasília cuja formação originou as bandas “Legião Urbana” e “Capital Inicial”. Apesar de na época ser fã de bandas como Bad Religion, Social Distortion, Circle Jerks, Dead Kennedy, Sexy Pistols, Ramones e das Brasileiras Inocentes, Replicantes, Garotos Podres e Mercenárias, eu nunca fui radical musicalmente para achar que só a música punk prestava.

Quando a Legião começou a tocar pela primeira vez a música “Faroeste Caboclo”, com sua toada de cantiga regional, os punks começaram a vaiar inclusive amigos meus. Eu que ainda não tinha ouvido a música nos outros shows, mas conhecia o potencial de Renato, sentenciei: “Espera, vocês vão se surpreender”. Eu estava certo e meus amigos punks errados, do meio para o final da música, eles já faziam a famosa “roda de pogo ”, e esse que vos escreve chegou ao final da canção com os olhos marejados de emoção, com a convicção de quem sabia que tinha presenciado um momento histórico, e é claro sem deixar os amigos punks perceberem, risos.

Infelizmente não consegui achar no You Tube a reprodução da primeira e histórica apresentação de Faroeste Caboclo no Morro da Urca em 83, que foi um dos muitos tapas na cara que Renato deu na Ditadura e nos políticos da época, mas fica a homenagem dessa gravação de 1994, desse gênio que é uma mistura de poeta e militante político que fez história não só na música, mas também na criação de uma geração com mentalidade de contestação depois da alienação que 20 anos de ditadura criaram.

This post was written by

LENLEN – who has written posts on Ponto e Contraponto.
Químico, microempresário, consultor de empresas, libertário de esquerda sem filiação partidária e agnóstico. Sem compromisso algum que o impeça de exercer de forma irrestrita o seu direito de liberdade de expressão e de criticar jornalistas, veículos de comunicação, partidos políticos, autoridades e personalidades públicas.

 • Google + • Twitter

Siga o autor no Twitter!

  5 Responses to “Renato Russo: 50 anos de um gênio”

  1. Êta, Cumpadi LEN! Boa tarde!

    Que maravilha de postagem pelo que ela representa! Sempre fui fã da Legião Urbana. Legião de nossa geração. Lembro-me que havia na extinta Rádio Cidade (aqui em Recife) um programa no final da tarde no qual se tocavam as músicas mais pedidas do dia… Não dava outra: Legião em primeiro, Paralamas em segundo e Capital Inicial em terceiro. Minha ex-esposa (mãe de meus três filhos mais velhos) torcia pelo Capital Inicial e eu pela Legião… Ganhava durante a semana toda… rsrs E ela… Mas Capital também é bom. Eu dizia: Claro que é, mas Legião é melhor… rsrs Depois que a Legião se foi passei a escutar Capital como se Dinho Ouro Preto revivesse Renato Russo.

    Abs

    Avalie o comentário: Positivo 0 Negativo 0

  2. Pois é cumpadi Diafonso. Dá uma baita saudade daquele tempo.

    E o pior que infelizmente que parece que jogaram fora os moldes dos grandes gênios da música brasileira. Qual a perspectiva de aparecer outro Renato Russo, outro Cazuza, outro Jobim, outro Vinicius?

    Avalie o comentário: Positivo 0 Negativo 0

  3. Os bons se vao cedo demais!!!
    Que pena!! O grande Renato Russo deixou
    Saudades…

    Avalie o comentário: Positivo 0 Negativo 0

  4. Sou fã de Legião Urbana!!!
    Renato Russo foi um gênio
    grande compositor…
    ”Eu deixo a onda me acertar
    e o vento vai levando tudo embora”…

    Avalie o comentário: Positivo 0 Negativo 0

  5. Sou
    Fã numero um do Renato Russo…Ele era mesmo
    um poeta e grande cantor
    que embala meus dias de
    inconformidade com este mundo
    totalmente incorreto!

    Avalie o comentário: Positivo 0 Negativo 0

Switch to our mobile site