Com uma votação de 12 x 2, com uma abstenção do Líbano e reprovada apenas por Brasil e Turquia, o Conselho de Segurança da ONU aprova nova rodada de sanções contra o Irã e põe a perder todos os esforços e avanços obtidos nas negociações até hoje, criando nova crise internacional. O mesmo Conselho, que aprovou essas sanções baseado em suposições, sequer discutiu punição a Israel por cometer uma chacina em águas internacionais comparada a uma ação de pirataria poucos dias atrás.
Em uma negociação obscura que envolveu a barganha de facilidades para a Rússia e China abrirem as pernas, os EUA atropelaram as negociações que foram incentivadas pelo seu próprio presidente antes do acordo ser firmado, ficando clara a hipocrisia da diplomacia da Casa Branca.
As justificativas de que o Irã estaria tentando ganhar tempo para construir um artefato nuclear só faz sentido para os inocentes úteis que propagam essas versões. Essas sanções não vão impedir que o Irã continue enriquecendo o Urânio. A rejeição à pressão internacional une governo, oposição e população do Irã, para eles é questão de honra não se ajoelhar perante as exigências consideradas absurdas de países do ocidente.
Eu não tenho condição de afirmar se há interesse americano em um novo conflito, por pressão da indústria bélica daquele país que tem forte lobby em qualquer governo americano, seja democrata ou republicano. Afastando essa hipótese, só resta tentar entender a posição dos EUA como inabilidade para negociar sem ameaçar e medo de perder pulso de comando na nova ordem mundial que se apresenta.
Fica claro para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso que o caminho seguido pelo Conselho de Segurança não aumentará em nada a segurança no mundo. Pelo contrário, se com o acordo era possível controlar parte da produção de Urânio do Irã, que seria enriquecido em outros países, agora com essa decisão equivocada volta à estaca zero o controle possível sobre a produção de Urânio no Irã e a possibilidade do país obter armas nucleares visto que já anunciaram que vão romper acordo de fiscalização com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
Eu já teria algum consolo se as bestas que passaram dias criticando a posição brasileira puderem dizer qual o benefício para o mundo da resolução que tanto eles defenderam e torceram para ser aprovada. Ao contrário do que os desonestos apregoam, Brasil e Turquia saíram fortalecidos desse episódio mesmo com essa decisão lamentável de hoje.
Brasil e Turquia mostraram que existe um caminho para desarmar as desconfianças e ressentimentos, e esse caminho é trilhado pela sinceridade na disposição de ajudar sem querer nada em troca, de olhar no olho e não de cima para baixo, de respeitar soberanias e tentar entender as diferenças culturais, de negociar e não de impor, de oferecer ajuda e não apenas cobrar.
Mesmo os EUA tendo comprado a consciência de China e Rússia e da falta de sangue e identidade dos adesistas de sempre, o mundo (não aqueles que estão no poder, mas os que votam) percebeu que a trilha que Brasil e Turquia abriram é a única que pode levar a um mundo sem guerras e autodestruição e tem tudo para se transformar em algum tempo no único caminho a ser seguido.
Creio que hoje essa batalha foi perdida e as conseqüências são imprevisíveis, mas eu creio que esse erro vai ser percebido mais a frente e o passo atrás vai ser o estopim para detonar de uma vez esse esquema de poder caquético e ineficaz que os EUA tenta manter a todo custo, e que só fez acirrar com o tempo o ódio contra seus próprios cidadãos. Sai Bush entra Obama e os erros permanecem os mesmos.
O Brasil sai mais respeitado por árabes, muçulmanos e palestinos. Mesmo os grupos terroristas, cujas ações eu condeno, devem colocar o Brasil bem longe das suas listas de inimigos. O Brasileiro não teme atentados terroristas porque não cria ódio, não tem inimigos (só invejosos), não humilha povos, não desrespeita culturas. Só lamento pelo povo dos EUA porque vai viver a vida inteira com medo e paranóia por culpa da ação desastrada da política externa americana.
Para ilustrar esse momento negro da história só mesmo com a crítica sócio-política da banda Bad Religion com a música We’re only gonna die – from our own arrogance, que traduzido dá algo assim: Nós todos vamos morrer… pela nossa própria arrogância.
Letras:
We’re only Gonna die – From our own arrogance
Nós apenas morreremos por nossa própria arrogância
early man walked away as modern man took control.
O homem primitivo se foi assim que o homem moderno assmiu o controle
their minds weren’t all the same, to conquer was his goal,
Suas mentes não eram as mesmas, conquistar era sua meta
so he built his great empire and slaughtered his own kind,
Então ele construiu seu grande império e escarvizou sua própria espécie
then he died a confused man, killed himself with his own mind.
Assim ele morreu um homem confuso, se matou com a sua própria mente
we’re only gonna die from our own arrogance.
Nós apenas morreremos por nossa própria arrogância
(repeated over and over)
(repete)
Fontes:
Video: www.youtube.com
Letras: www.letras.com.br
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