Fechando os dez primeiros anos desse século e do milênio, podemos avaliar e escolher o maior mentiroso desse período.
Pensei no Serra, que disse que iria cumprir o mandato de prefeito até o fim, e dois anos depois se candidatou a governador, que afirma possuir formação em carreiras que não cursou e por afirmar ser o autor do programa contra AIDS, o seguro-desemprego e o FAT e não é nada disso.
Pensei no Victor Civitá por todas as mentiras publicadas na sua revista como os dólares das FARC, os de Cuba, o grampo sem áudio e todas aquelas acusações levianas baseadas em depoimentos em “off” que não valem um tostão furado.
Pensei no Ali Kamel, pensei nos Mesquitas, pensei no Barack Obama, mas nenhum deles conseguiu superar o grau de cinismo, desfaçatez e nenhum apreço a verdade com que Otávio Frias Filho, o Tavinho, comandou a Folha de São Paulo nos últimos dez anos.
O Jornal do Tavinho chamou um regime que perseguiu, torturou, matou e fez desaparecer opositores, inclusive colegas jornalistas, de “ditabranda”, além de restar a acusação ainda não explicada de que o jornal cedia veículos de distribuição de sua publicação para a repressão transportar presos políticos para serem torturados nos porões da ditadura.
O Jornal do Tavinho publicou um documento apócrifo, veiculado na internet como spam pelo pessoal barra pesada ligado ao Serra, que atribuía a Dilma Rousseff vários crimes em que não teve participação e que poderiam ser facilmente verificados por quem publica o jornal.
O Jornal do Tavinho deu o espaço de uma página para um recalcado infeliz caluniar o presidente da forma mais baixa e torpe. Mais uma vez o jornal agiu como um panfleto e ignorou o desmentido de todas as pessoas que poderiam ter testemunhado e que negaram ter acontecido o que o leviano afirmou sob a permissividade do jornal.
O Jornal do Tavinho acusou José Dirceu de fazer lobby em favor da Eletronet, quando era o próprio jornal que fazia lobby para a empresa, tentando cavar uma indenização quando a justiça já tinha dado causa ganha ao governo. A fonte da FSP era o próprio empresário Nelson dos Santos, o maior interessado pelo lobby que o jornal fazia.
O Jornal do Tavinho autorizou que uma de suas jornalistas, Eliane Cantanhede, fizesse lobby ativo e insistente em favor dos Caças suecos SAAB/Gripen no processo de compra de caças para as forças armadas.
O Jornal do Tavinho deixou que seus jornalistas alarmassem a população com notícias e previsões falsas sobre epidemias de febre amarela e gripe H1N1. Em relação à Febre Amarela, o pânico causado pela irresponsabilidade de quem utiliza um veículo de informação para desinformar, gerou correria aos postos de vacinação, e nesse caso o preço pelo terrorismo do jornal custou a vida de pessoas, que sem informações corretas se vacinaram duas vezes e tiveram reações adversas que os levaram ao óbito.
O Jornal do Tavinho atribuiu comentários a Dilma sem que ela os tivesse pronunciado, como no episódio em que a FSP afirmou que Dilma teria dito que quem se exilou tinha fugido da luta.
O Jornal do Tavinho recebeu planilha de dados dos gastos referentes ao governo FHC do senador Álvaro Dias e afirmou que tinha sido entregue por alguém do PT.
O Jornal do Tavinho conseguiu a declaração de imposto de renda de Eduardo Jorge através de meios ilícitos, com que geralmente corrompe servidores e atribuiu a alguém do PT, se escondendo na desculpa oficial dos mal intencionados, de proteger a fonte para poder inventar o que quiser.
O Jornal do Tavinho, depois de servir por oito anos como chapa branca fiel ao governo FHC e por mais de 20 anos aos governos tucanos de São Paulo, além de agir como oposição ao governo e ao PT, como confessa a sua própria diretora-superintendente de jornalismo e presidente da ANJ, Judith Brito, teve o cinismo de publicar um editorial reafirmando sua linha editorial “independente”, “apartidária” (sic) e “pluralista”.
Pelo conjunto da obra o Tavinho levou o mentiroso da década até com certa facilidade. É impressionante o tanto que o jornal Folha de São Paulo teve sua linha editorial degradada nesses últimos dez anos.
O Tavinho conseguiu transformar um jornal que tinha tudo para se destacar justamente por não estar cooptado por grupos políticos e por isso tinha o respeito de todos os lados, em um panfleto com uma postura que retira toda a credibilidade que conquistou quando tentou ser um jornal de verdade.
“The flat earth society is meeting here today
singing happy little lies…
lie lie lie, lie lie lie, lie lie lie”
