
A munição vai acabar e ele não acertou nada
Quando os aliados de Serra perceberam que não poderiam mais impedir que Dilma tomasse a dianteira na corrida presidencial, passou a ser difundida a tese de que Dilma tropeçaria nos debates e entrevistas, o que evidenciaria para o eleitorado suas fragilidades, equilibrando novamente a disputa.
Com uma estratégia bem definida que conta com a repercussão de todo e qualquer assunto levantado por Serra pelos jornalistas alinhados, a tese foi amplamente difundida nos veículos de comunicação que apóiam veladamente a candidatura tucana com a técnica da repetição à exaustão de ponto de vistas que convergem como se houvesse uma unanimidade de opiniões.
Para dar credibilidade a uma tese sem que haja confirmação das partes, usam e abusam do recurso de utilização de depoimentos em “off”, recurso válido de jornalismo livre, mas que depende da credibilidade na isenção do veículo de comunicação, confiança que a grande imprensa brasileira não faz por merecer.
Em um primeiro momento foi repetido à exaustão que Dilma seria nocauteada nos debates e entrevistas, mas ao se aproximar das datas dos eventos, entrou no discurso estratégico uma nova informação que, mesmo sem nunca ter sido confirmada por ninguém, circulou entre os veículos como um novo mantra: que Dilma estaria sendo treinada pelo Palácio do Planalto para participar dos debates, ou seja, já começava a aparecer uma saída para explicar se Dilma não fosse o desastre no debate como eles haviam pregado.
Após passar ilesa pelo primeiro debate e mesmo sem ter vencido a disputa, Dilma mostrou que só quem não a conhecia duvidou da sua capacidade de debater com quem quer que seja. Ontem à noite, Dilma enfrentou a sabatina no Jornal Nacional da Rede Globo e no Jornal das Dez do Canal de TV por assinatura GloboNews, e se saiu muito bem nas suas entrevistas.
No Jornal Nacional, Dilma superou um problema “estranho” no sistema de áudio, suou como se a temperatura do estúdio tivesse sido aumentada propositadamente e se desvencilhou de todas as cascas de banana deixadas pelos seus entrevistadores, que torciam pelo seu tropeço.
Como o tropeço esperado não acontecia e o tempo da entrevista se esgotava, o apresentador Willian Bonner foi perdendo o controle, sendo grosseiro em algumas interrupções, e abusando de gestuais que sinalizavam a sua impaciência, até ser perceptivelmente e gentilmente “cutucado” por Fátima Bernardes, que naquela altura já tinha percebido que Dilma tinha ido bem na entrevista e queria evitar que ela saísse dali como vitima da agressividade do seu colega de trabalho e cônjuge.
No Jornal das Dez, os jornalistas Carlos Monforte e André Trigueiro foram precavidos pelo que tinha acontecido no Jornal Nacional e estabeleceram um contato amistoso, sem demonstrar ansiedade para derrubar como ficou nítido na postura de Bonner.
As entrevistas no Jornal Nacional e Jornal das Dez e os debates eram onde se resumiam as esperanças de virada da oposição. Os cartuchos foram quase todos queimados e nenhum arranhão foi causado na campanha de Dilma. Ainda faltam alguns debates, mas tomando como base o desempenho de Dilma nos últimos eventos, nesses últimos cartuchos da oposição não se vê nenhuma bala de prata.
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