jan 132010
 

A transformação em lei das decisões tomadas no fórum nacional dos direitos humanos e incluídas no recente PNDH, que foi apresentado pelo Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos Paulo Vanucchi ao presidente Lula é uma obrigação para resgastar uma parte triste de nossa história, que ainda continua envolvida sob um manto de incertezas e desconhecimento.

O PNDH é uma peça que foi elaborada através de muita discussão com decisões tomadas por votação em regime de assembléias compostas por diversas entidades representativas de direitos humanos e da sociedade civil, o que lhe garante a condição de um documento representativo dos anseios da sociedade. O documento, como toda proposta que procura corrigir distorções históricas, priorizar direitos humanos, diminuir desigualdades sociais e reparar injustiças praticadas pelo estado, vem recebendo reações contrárias e agressivas dos setores conservadores autoritários.

Vamos lembrar que estamos vivendo em um tempo em que os defensores da ditadura e dos crimes por ela cometidos estão perdendo a vergonha de se expressar em público, depois de ficarem durante décadas se escondendo, calados ou se fazendo de democratas. É tempo de reescrever a história de modo que se coloquem no mesmo saco sujo, torturadores e assassinos que agiam sob a mão pesada do estado e os brasileiros que se insurgiram contra a supressão dos direitos civis, afinal já passou tanto tempo, e na pior das hipóteses eles conseguem enganar quem não viveu aquela época ou quem era alienado demais para entender o que estava acontecendo. É tempo de editoriais diários pregando reação à vontade da população expressa nas urnas, defendendo o privilégio de poucos em detrimento dos muitos que não fazem parte da elite, ou advogando em defesa própria tentando defender um oligopólio que contraria os princípios fundamentais da constituição, pois querem se manter em um poder paralelo, onde os escolhidos não enfrentam sufrágios para chegar ao poder.

Se não bastasse esse clima de radicalismo exarcebado, esse ano temos eleições para o legislativo e executivo nas esferas estadual e federal e é INEVITÁVEL a contaminação da discussão por causa da disputa política pelo poder. O que acontece nesse caso? correntes progressivas de partidos adversários, que poderiam caminhar juntas se não tivessem envolvidas em disputas eleitorais, vão procurar naturalmente lados opostos mesmo que contrarie posições históricas dos mesmos, porque sempre a luta pelo poder vai ser mais importante. Um exemplo disso é o posicionamento do PSDB, onde muitos dos seus representantes tem história de defesa de direitos humanos, com  exemplos de exilados e presos pela ditadura, e desde que começou a discussão, muitos se calaram e outros deram declarações desastradas como o ex-presidente FHC.

O assunto não caiu do céu, o forum não foi feito ontem, existia uma programação a ser respeitada e metas a cumprir, mas essa programação é que foi equivocada. Esse assunto deveria ser apresentado fora de ano eleitoral, de preferência no início do mandato do próximo preisdente da república, quando vai se encontrar a serenidade política devido ao vencedor ter sido ungido pela força das urnas, para conseguir colocar em práticas as reformas tão reclamadas pela sociedade.

Além do assunto estar sendo discutido em hora errada, o presidente ainda tem que resolver tumultos gerados pela incapacidade de alguns de seus comandados de ocupar cargos de tanta responsabilidade para o país. O Nelson (não chamo mais de Jobim em respeito ao poeta) já não respeito há muito tempo, mas me surpreende a falta de “feeling” poítico do ministro Vanucchi, não estou falando de sua atuação na defesa dos direitos humanos que reconheço como brilhante, mas sim da falta de tato para evitar confusões. Se tem alguém que pode ter algum tipo de vaidade naquele governo é o presidente lula, pelas vitórias e pelo sucesso, mas mesmo assim o presidente tem humildade para voltar atrás quando precisa negociar. É INADMISSÍVEL ver ministros de estado vir através da mídia dizer que deixam seus postos se forem contrariados, se o seu ponto de vista não prevalecer. Será que eles não aprenderam nada com o presidente? será que sua vaidades pessoais estão acima dos interesses do país? desculpe, mas  não são capazes de negociar não merecem fazer parte desse governo. Mereceriam pois, serem demitidos os dois, mas o presidente sabe o que faz e deve já ter dado uma chamada nos dois.

O presidente não vai se omitir se for chamado a se pronunciar, mas o que deu para perceber da reação dele até agora que deve estar com a mesma opinião que o BLOG DO LEN: Resgatar a memória e construir um país mais justo através das propostas do PNDH sim, o momento é que é errado.

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LENLEN – who has written posts on Ponto e Contraponto.
Químico, microempresário, consultor de empresas, libertário de esquerda sem filiação partidária e agnóstico. Sem compromisso algum que o impeça de exercer de forma irrestrita o seu direito de liberdade de expressão e de criticar jornalistas, veículos de comunicação, partidos políticos, autoridades e personalidades públicas.

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