A Rede Globo prestou hoje, durante a cobertura da operação da polícia em um morro do subúrbio carioca no bairro da Penha, um grande serviço…para os traficantes locais.
Não é possível acreditar que exista tamanha ingenuidade por parte de profissionais de imprensa, para não imaginarem que traficantes podem ter algumas destas TVs portáteis que captam sinal digital e poderiam estar assistindo a cobertura da Globo, e se informando sobre os passos da polícia durante a operação.
O twitter oficial do BOPE reclamou da cobertura da Globo e Record:
Um desservico prestado pelas aeronaves da Record e Globo!
Cabe relatar que a Rede Record teve cobertura moderada da operação, sem interromper sua programação normal por tanto tempo como fez a Rede Globo. Quem estava detalhando posicionamento e vazando estratégias era a Rede Globo.
Eu agüentei ver a cobertura durante vinte minutos, mas depois que os âncoras tentaram sustentar que as pessoas não saíram de casa hoje por pânico, eu não pude suportar. A entonação do narrador beirava a comoção quando falava sobre o desespero da população.
Eu circulei no Rio de cabo a rabo nesses últimos três dias por força das minhas obrigações profissionais e posso garantir que as pessoas foram trabalhar normalmente, as ruas estavam cheias de carros, ônibus e caminhões principalmente nos horários de pico.
Eu que dirijo muito peguei trânsito nos locais críticos, agora se for mostrar a Hélder Câmara às 2 horas da tarde vai ver pouco carro circulando, o que eles esperavam? Congestionamento na hora em que a maioria das pessoas está nos seus trabalhos? Filma lá às 8 da manhã ou 5 da tarde que vai ver engarrafamento.
É óbvio que na condição de carioca eu não fico satisfeito com a reação desordenada de bandidos que tiveram seus poderes revogados, mas o que vejo nas pessoas é um sentimento de reconhecimento que essas ocorrências são apenas reações adversas da medicação ministrada, uma fase de transição conturbada na preocupação pelo estado de áreas que não conseguia ou não queria atuar.
O carioca é Highlander e felizmente ou infelizmente se habituou a viver em uma cidade onde o crime organizado tem muita força. Ele já viveu situações muito mais críticas do que essa na cidade e está confiante em dias melhores.
As organizações Globo se dizem carioca, mas para politizar e tirar dividendos do sensacionalismo se prontificam a destruir a reputação da cidade a qualquer preço.
Foram dois os desserviços prestados pela Rede Globo à população carioca: atrapalhou a operação policial e tentou criar sentimento de pânico com cobertura sensacionalista em tom de novela mexicana.
O único senão que tenho a fazer sobre o trabalho da polícia e do secretário de segurança Beltrame é que deveriam ser mais duros quando a imprensa trabalha contra a polícia. O Secretário é solícito como deveria ser, mas se esquiva de cobrar postura decente das TVs em coberturas ao vivo de operações policiais. É obrigação do secretário e do governador dar um basta nessa situação, a vida de homens da polícia não pode estar sob risco porque a TV quer faturar com sensacionalismo.
Concordo em gênero, número e grau. Sou ,sim, a favor da imprensa, no sentido de informar a população, mas a secura por IBOPE, atrapalha e muito o trabalho da Policia! E o q a população precisa na verdade, não é de imagens q nos transmitem pavor, até pq, todos nós precisamos sair de casa e trabalhar. E com as imagens q vimos na televisão, quem tem coragem de seguir sua vida normalmente? O trabalho da imprensa, é informar, e o trabalho da polícia é proteger… portanto, cada um faça a sua parte, sem interferir no desempenho do outro!!
Avalie o comentário:
0
0
Oi Natália, Eles tem uma ferramenta para prestar um serviço de utilidade pública e ganhar respeito por isso, preferem enfiar os pés pelas mãos. abs.
Avalie o comentário:
0
0
Natália!, será que vc preferia ser pega de surpresa do que saber o que está realmente acontecendo?. Pois é isso mesmo que o governo quer, que não saibamos o que se passa, que não vejamos imagens como as que vimos hoje e que continuemos acreditando que existe segurança pública no Estado. Não achei a cobertura da Globo um desserviço não, pelo contrário, acho que obrigou o governo a dar uma resposta a sociedade, pois é inadimissível assistir centenas de bandidos irem de um ponto a outro em fuga, fortemente armados e muito bem organizados sem que nada os aconteça. A sociedade tem que exigir do governo uma resposta a isso.
Avalie o comentário:
0
0
É por estas e outras que sou totalmente a favor do estabelecimento imediato do marco regulatório da mídia! A liberdade de imprensa não pode ser confundida com a libertinagem na imprensa!
Avalie o comentário:
0
0
“Não achei a cobertura da Globo um desserviço”. Tom, obrigar o governo a dar respostas é uma coisa, MAS, mostrar posicionamento e revelar estratégia policial se chama ‘absurdo’ e não ‘cobrança’. Foi sim, obviamente, um desserviço total e lamentável! Concordo com a postura do BOPE e do escritor do artigo. Ter o bom senso e a decência de não atrapalhar as forças policiais é fundamental. Consciência, ok?!
Avalie o comentário:
0
0
Amigo, fica nítido que as reclamações do BOPE e etc. são simplesmente motivadas pela vergonha que eles passaram ao termos, transmitido ao vivo, a fuga de centenas de traficantes fortemente armados, em plena luz do dia, sob os olhos de toda a população, enquanto o “planejamento” tático de nossa polícia nada fazia. Pergunta: esta rota de fuga não seria já conhecida pelo comando de nossa polícia?
Concordo, contudo, com parte do que você disse: a Globo (e a Record) tentam dar um clima de pânico para venderem seu produto (notícias). Isto certamente é um desserviço. Porém, ontem, às 19:00, quando fui voltar de Copacabana para Barra, simplesmente não passava um ônibus sequer naquele sentido. Ainda bem que utilizo ônibus de condomínio, ou teria que pegar um taxi. Logo, certamente há uma comoção geral ocorrendo na cidade, e não foi todo mundo que foi trabalhar, muitos foram liberados mais cedo, e não está tudo (nada) normal não, mesmo.
Outro ponto importante é o exagero da reclamação do BOPE, chamando de “desserviço” a cobertura do evento pelas aeronaves… Somente uma péssima tática seria tão frágil ao ponto de ser afetada pela cobertura em tempo-real da mídia. Raciocinemos: qual a dificuldade em se ter alguns gatos pingados “batendo” um rádio e informando aos traficantes todos os movimentos da polícia? A polícia não entra nas casas das pessoas, e é sabido que existem “informantes do tráfico” espalhados nas entradas das favelas e em outros pontos estratégicos… Se o tráfico fosse contar com a cobertura da TV para saber os passos da polícia… Não haveria mais tráfico hoje.
Além disso, há informantes do tráfico dentro da nossa polícia, política e no governo também… É muito fácil “culpar” a mídia para se livrar de sua responsabilidade e tentar se desculpar por sua própria incompetência.
A estratégia (do grego estrate…
) precisa ser montada já contando com isto… Tem que ser uma estratégia sólida, não invasão na força bruta.
Resumindo, uma análise superficial sobre a cobertura feita pelos helicópteros da mídia pode passar a impressão de ter sido um desserviço, algo que o BOPE e cia. estão contando, afinal, a população sabidamente faz análises superficiais de tudo… Porém, a vergonhosa escapada de traficantes fortemente armados, em campo aberto e local ermo (sem inocentes em volta) não tem desculpa, é pura incompetência ou conivência com o próprio tráfico…
Avalie o comentário:
0
0
Felipe, respeito sua opinião, embora não possa concordar com algumas afirmações. Não acho que a polícia passou vergonha. Se você pega o mapa da região vai ver que ali existe um maciço com vários complexos de favelas que se interligam por estradas de terra em meio a mata fechada e campos de vegetação rasteira, onde para cercar os bandidos era preciso fazer uma mega operação em várias comunidades, o que levaria certamente a um confronto e a possibilidade grande de fazer muitas vítimas inocentes. o desembarque de policiais por helicóptero naquelas condições contra centenas de bandidos armados era suicídio. Talvez a imprensa ávida por ibope quisesse um fuzilamento de bandidos ao vivo para suprir o desejo de sangue dos mórbidos, mas depois seriam os mesmos que iriam crucificar os policiais.
Ora, é conhecida a estratégia das upps de ocupação gradual e pacífica das comunidades, e foi avisado que a intenção é ocupar os complexos com o menor número de vítimas inocentes possível, portanto, não vi como uma ação sem planejamento.
Em relação a vida normal foi a impressão que tive nesses dias do Rio, ninguém gosta de ver carros e ônibus queimados, mas ainda é pouco pra assustar os cariocas. Quanto ao bandido ter walkie-talkie, não dá para comparar com a perspectiva da visão de um helicóptero, além do que dá para entender comparsas ajudando, não TVs.
Qual a relevância jornalística de se descrever detalhes de uma operação policial em andamento sabendo que pode atrapalhar a estratégia policial e ajudar criminosos? informar? mas porque precisa fazer de tudo um ridículo big brother? não pode informar apenas que existe uma operação policial em andamento e transmitir mensagens de utilidade pública em vez de explorar o pânico? o que eles estão fazendo é explorar a curiosidade mórbida das pessoas e para isso estão jogando mais uma vez a ética e o interesse público para o espaço.
Avalie o comentário:
0
0
Bom, eu não concordo que a imprensa atrapalhou a operação da polícia, se o fim dela era exatamente o que você relatou, este foi atingido sem ter sido em nada afetado pela cobertura da imprensa.
Este tipo de cobertura “ostensiva” da imprensa é primordial nos dias de hoje. Na verdade, acredito que ela proporcionou vantagem aos policiais, que foram capazes de monitorar “de graça e sem risco de vida” (seus helicópteros serial alvejados, mas não os da imprensa), a movimentação dos bandidos.
A reclamação das ‘autoridades’ é pela impressão de vergonha pela qual passaram ao terem aquelas imagens da fuga dos bandidos.
Quanto ao fuzilamento dos bandidos, acredito que há o uso indevido de uma palavra, uma vez que a morte dos bandidos em um confronto armado contra a polícia ou exército de um país não é fuzilamento. Se o todo do morro, descampado, houvesse sido seguro pela polícia, exército, etc. Eles estariam em plena vantagem contra os bandidos que, estando em terreno baixo, se veriam encuralados contra a força superior que os cercava na favela, e a posição estratégica da força de elite no topo do morro. Dificilmente um caso de suicídio.
Qual será agora a medida tomada no Alemão? Vão invadir com uma UPP e deixar que os traficantes fujam de volta pelo morro? O objetivo é afugentar os traficantes e não prendê-los?
Não me interprete mal, acho que finalmente existe sabedoria na forma como estão lidando com o tráfico, nas UPPs e etc. Mas acho uma desculpa esfarrapada acusarem a cobertura dos helicópteros de “desserviço”.
Obviamente há interesse escuso da mídia em vender seu produto (notícias) ao invés de prestar serviço, mas isto é um mal inerente da mídia que existe há muito. muito tempo… Acho-o deplorável.
Quanto à vida normal me pergunto em que bairros você passou estes últimos dias… Eu que moro na Barra e trabalho em Copa percebi nítida diferença (porém, imensamente menos intensa do que a exagerara e sensacionalista imprensa nos faz pensar).
E não reduza à meros “walkie-talkies” minha afirmação sobre a existência de informantes do tráfico ao lado, nos arredores e até mesmo dentro da nossa polícia. Isto é MUITO mais relevante do que uma cobertura aérea da mídia que dá até mais vantagens para a polícia.
Avalie o comentário:
0
0
Caríssimas e carísisimos, tudo bem?
Não vou entrar no mérito do artigo, mas vou tocar em alguns pontos.
Triste verificar o mau uso de valentes policiais e soldados nestas operações estéreis e que podem nos levar a um banho de sangue e vitimar milhares de pessoas inocentes.
Não aconteceu nada de novo e esperar que fosse diferente é uma ingenuidade.
Não era novidade que a Polícia iria fazer alguma coisa. Fez o que sói fazer há 40 anos, ou seja, invadir apenas estas comunidades e não os bairros de luxo da zonal sul, da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Isso de dar uma infinidade de tiros, produzindo um espetáculo global não é nada novo, a não ser que me provem que estou errado, que nunca morei no RJ e desconheça esta realidade de perto!
Quem não conhece a história do estado não está capacitado a falar sobre o assunto. Quem desconhece a histórica da luta pela terra na Baixada, Xerém,
O espetáculo promovido por qualquer instituição do estado é reprovável, de baixo nível, inadmissível, e repercutir na imprensa, pública ou privada, também o é, pois a circulação deste lixo é expressamente proibida pelo Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, e pelos artigos 220 a 224 da CF de 1988.
Jamais vi empresas de comunicação nem a vanguarda de jornalistas e repórteres nem blogueiros cobrarem severa e veementemente do Congresso Nacional a tão urgente e necessária regulamentação destes dispositivos da CF nestes 22 anos de constituição, portanto em sua fase adulta.
É preciso acabar com este lulismo fundamentalista, pois nem tudo que o governo Lula faz está correto! E mais, Lula tem bastante competência e coragem para encarar todas estas investidas da imprensa sem nossa ajuda, e é a mais pura bobagem ou ilusão pensar que estamos fazendo qualquer coisa de fundamental ou que iremos dar sustentabilidade ao governo Dilma.
Está provado – jamais o Povo foi chamado a dar o respaldo vital nas horas mais tensas do processo político – que o governo sempre faz junto com políticos profissionais e os empresários os arranjos institucionais e nações hegemônicas, as coalizões pragmáticas e de sobrevivência do status quo visando a tal da governabilidade coisas inimagináveis para aquele PT purista de 1980.
Há três décadas não leio nem tímida e honesta autocrítica, ao contrário, muita soberba, vaidade.
Nem tudo que esta imprensa publica é golpismo!
Não sei se foi esta imprensa que abriu as posições antes da tal invasão.
Não pode haver sigilo numa operação quando o policial ou qualquer um fizer uso de celulares, de rádios, rádios comunitárias, de tuíteres…
Enquanto não se fizer o controle de fronteiras, um pente fino na Baía de Guanabara, nos Portos, e outros cursos navegáveis, no espaço aéreo utilizando-se da Lei do Abate nada será feito para mudar e quebrar com a espinha dorsal do crime organizado, ou não.
Esta abordagem superficial a partir de premissas um tanto incompletas, falsas, frágeis e pré estabelecidas, lamentavelmente, é diversionista e está fora de foco.
Fernando Claro
Avalie o comentário:
0
0