ago 022012
 

Começa em poucas horas o julgamento da ação 470 no STF. A ação, que recebeu a alcunha de Mensalão pelos acusadores que até hoje não conseguiram provar que não se trata apenas de crime eleitoral, vai muito além do julgamento dos trinta e oito acusados pelo ex- Procurador Geral da República e confirmada pelo atual, mas vem sendo tratada pela imprensa partidarizada como uma redenção vingativa contra o PT, por não ter se submetido aos seus prepostos quando chegou ao poder em 2003.

No espetáculo montado pela velha mídia não existe direito de defesa. O veredicto já está dado. Os convidados são escolhidos a dedo para confirmar a culpa dos réus. A pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal não é nem mais velada, está estampadas nas manchetes principais dos jornalões, noticiários de TV e semanários.

O risco para o estado democrático de direito cresce com a constatação de que o Procurador Geral da República abandonou totalmente a liturgia do cargo e se tornou refém dos veículos de comunicação.

Como um pato manco desde que o Brasil tomou conhecimento que ele e sua esposa Vice Procuradora Geral cometeram crime de responsabilidade ou prevaricaram ao sentar vergonhosamente sobre o inquérito da Operação Vegas, possibilitando que a quadrilha que Carlinhos Cachoeira montou em Goiás agisse por mais três anos, Roberto Gurgel ao perceber que fora flagrado fez como todos os cretinos culpados fazem para se livrar das acusações: gritou “é dossiê” e apontou a bateria contra os “mensaleiros”, um tipo de senha para ser acolhido pela velha mídia.

As entrevistas concedidas pelo atual e anterior PGR e alguns ministros do STF ávidos por holofotes e se rendendo às vontades da imprensa justificam a preocupação de advogados dos acusados sobre uma possível influência sobre os votos dos ministros, o que significaria um precedente grave e uma mancha a mais na história da maior corte do país.

Recentes editoriais dos maiores veículos de comunicação, artigos de seus pit bulls e manifestações do ex-presidente FHC e do PGR apelando ao pleno do STF para ouvir a “opinião pública” independente de existirem provas ou não dos crimes imputados, além de revelar um sadismo que remonta as condenações sumárias da santa inquisição, mostram ainda uma fragilidade na tese que tentam vender para o país.

Sem contar que não existe qualquer pressão popular para a condenação dos acusados. A expressão opinião pública quando citada por alguém da velha mídia se refere a opinião de seus patrões que precisam replicar a todo custo. A opinião pública diverge constantemente da opinião do distinto público.

Se o STF condenar sem provas não vai estar se rendendo a pressão popular. Vai estar se rendendo a meia dúzia de famílias que mantém um criminoso oligopólio de imprensa no país e não quer largar o osso por nada nesse mundo. É isso que está em jogo: saber se o judiciário ainda é independente ou é marionete de uma máfia.

Imagem ilustrativa: charge de Alpino

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LENLEN – who has written posts on Ponto e Contraponto.
Químico, microempresário, consultor de empresas, libertário de esquerda sem filiação partidária e agnóstico. Sem compromisso algum que o impeça de exercer de forma irrestrita o seu direito de liberdade de expressão e de criticar jornalistas, veículos de comunicação, partidos políticos, autoridades e personalidades públicas.

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  One Response to “A independência do judiciário no banco dos réus”

  1. ta tudo dito aí… independente do resultado do julgamento, restará no final a apuração das responsabilidades aos mais ultrajante ataque ao estado de direito que pude testemunhar em meus quase 53 anos de vida.

    valeu!

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