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“Nóis pega o peixe e amostra os anzól” – Premêro Facicru [Tecêra Fôia]

Prof. Diógenes Afonso [DiAfonso]


No NE10:

O que se pode verificar – a partir da relação entre o sujeito [grifo em azul] e as formas verbais* [grifos em vermelho] – é a existência de um problema de coesão que afeta a concordância entre os termos na segunda ocorrência [vai entrar], criando, ainda que sutilmente, a perda do referente executor da ação.

Claro está que o papel de anunciar cabe aOs integrantes da banda e que o núcleo integrantes é o motivo sintático que leva a referida forma verbal a se encontrar no plural: anunciaram.

Em qualquer gramática de língua portuguesa, pode-se ler a seguinte norma quanto à concordância verbal primária, básica, geral: o verbo deve concordar em número e em pessoa com o núcleo do sujeito. Assim é que, como dito acima, o núcleo integrantes determina a forma anunciaram, na 3a. pessoa do plural.

A clareza, no entanto, desfaz-se quando se tenta estabelecer um nexo entre o sujeito Os integrantes da banda e a locução verbal vai entrar. Quem vai entrar? A banda que, como antecedente do pronome relativo que, determina a forma verbal completa na 3a. pessoa do singular, adequadamente? Ou integrantes, elemento nuclear do sujeito Os integrantes da banda? Caso o interlocutor se incline a considerar esta última construção, haveria um endosso a um flagrante “erro” [assim denominam os puristas midiáticos da língua portuguesa] de concordância verbal.

A dúvida sintática e o problema coesivo gerado seriam desfeitos certamente, se o redator tivesse optado por duas possibilidades não excludentes entre si:

  1. Os integrantes da banda, que completa 25 anos de estrada neste ano, anunciaram durante o programa Domingão do Faustão, da Rede Globo, que vão entrar em recesso.
  2. Os integrantes da banda, que completa 25 anos de estrada neste ano, anunciaram durante o programa Domingão do Faustão, da Rede Globo, que [a banda / o grupo] vai entrar em recesso.

* A segunda forma verbal se encontra constituída de um verbo auxiliar e um principal no infinitivo [locução verbal].

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“Nóis pega o peixe e amostra os anzól” – Premêro Facicru [Sigunda Fôia]

Prof. Diógenes Afonso [DiAfonso]


No NE10 [matéria publicada em 03.06.2011, às 22h40]:

Talvez a pressa com que o redator produziu a mensagem justifique os equívocos de ordem ortográfica e sintática destacados na matéria acima. Acredita-se que o produtor do texto tenha desejado escrever enquaDRAdo ao invés de enquaDRANdo; BOMbeiros ao invés de BAMbeiros; e aGRESSÃO ao invés de aGREÇÃO. Os dois primeiros deslizes ortográficos podem ser creditados a fatores, por assim dizer, “mecânicos”… Os tais erros de digitação. Acontece… Acontece, embora os puristas midiáticos que meteram o pau na obra recomendada pelo MEC [aqui] não se sentiriam dispostos a perdoar tamanha afronta ao padrão ortográfico vigente. Sobretudo em relação ao terceiro deslize.

Como reza o guia ortográfico oficial – em conformidade com a norma dita padrão, culta -, palavras derivadas de verbo com segmento -GRED- devem ser escritas com segmento -GRESS-. Daí, grafar-se aGREDir = aGRESSão/aGRESSivo; proGREDir = proGRESSão/proGRESSista; transGREDir = transGRESSão/transGRESSor.

Já quanto aos “desvios” sintáticos, percebe-se que eles se situam no âmbito da concordância e do uso do sinal indicativo da crase. Esclarecendo:

“O Manifestantes” ["Desvio" de concordância nominal] – Discordância nominal primária, porquanto, segundo a norma padrão culta da língua, o artigo deve concordar em gênero e em número com o substantivo a que se refere. OS MANIFESTANTES ao invés de O MANIFESTANTES.

“Agreção à um coronel” ["Desvio" no uso do acento indicativo da crase] – O substantivo agressão [termo regente] se relaciona ao termo regido coronel por meio da preposição A, de forma adequada. Enretanto o termo regido é introduzido pelo artigo indefinido masculino UM e, neste caso, é proibitivo o uso do acento indicativo da crase. O princípio básico para a ocorrência obrigatória do uso do sinal grave é: termo regente exige preposição A e o termo regido admite artigo feminino A[S]. Como se pode observar, no texto original, isso não ocorre.

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