Oliver Stone filmou um documentário sobre a situação atual da América Latina.
O filme já foi calorosamente aplaudido em festivais europeus, mas o silêncio da imprensa estadosunidense é imitado pela imprensa brasileira.
Creio que desde sua ousadia, filmando Comandante (doc. sobre Fidel Castro), Stone vem sendo boicotado pelos estúdios, imprensa e academia.
Pois vejamos: No IMDB, site de referência em pesquisa de filmes (seja pipoca ou “de arte”), O documentário sobre fidel recebe uma pontuação de 6.9, Torres Gêmeas também de Oliver) recebe 6.2.
Agora, procure por Oliver Stone no Wikepedia!!!
Em língua portuguesa não listam o filme Comandante entre os trabalhos do diretor. Na Wikepedia em inglês, que se vangloria por ser a mais completa, faltam os filmes “Comandante” e o recente “Ao Sul da Fronteira”.
A imprensa americana decidiu agora jogar Stone na mesma vala que Michael Moore, Fidel e Chávez?
No IMDB este filme de Stone ficou com uma pontuação baixa, atrás até do fraco “Alexandre”. Mas essa pontuação é mediante voto aberto… não sei até que ponto reflete mais gosto, dogmas e posição política, do que mesmo a obra em si.
Mas o que este texto tenta refletir é sobre o tratamento dado a este diretor após ter se juntado com essa gentalha.
No O Globo uma matéria alardeava:
“O cineasta americano Oliver Stone, responsável por filmes polêmicos como “JFK – A pergunta que não quer calar” e “Assassinos por natureza”, virá ao Brasil em maio.
(…) Lançará no país o documentário “South of the border” (“Ao sul da fronteira”, em português), em que exalta o regime de Hugo Chávez na Venezuela.”
Vamos por partes: Exalta Regime???
Quando se contradiz a verdade-absoluta-da-mídia, está exaltando. Trocando em miúdos: pirou de vez.
Desde quando é um regime? Se é assim o regime Bush foi muito bem retratado por Stone em seu filme “W.” (inclusive indico este, é muito bom).
A mídia taxa de ditador como ela bem entende, ou como os EUA bem entendem… o melhor e mais ativo porta-voz da casa branca é a grande imprensa. A nossa se considera o crème de la crème, por isso faz jornalismo analisando o Brasil e a AL como se estivesse em NY ou Washington.
Compare nos jornais como é tratado o presidente da Colômbia Uribe e os demais líderes, principalmente a maquiavélica trindade Chávez, Correa, Moralez. Uribe é o paladino, o redentor da AL para um futuro próspero, neoliberal e subserviente.
O boicote que acontece hoje com Oliver Stone é um ótimo microcosmo para análise de como os EUA lida com divergência e pluralidade de opinião. Em particular com os governos de esquerda na América Latina, onde a imprensa (aquela porta-voz) cria regimes, ditadores e loucos da noite pro dia.
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