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A tenebrosa sombra do fantasma espanhol

Brasil-Espanha-bandeirasO leitor do blog percebeu que desde que escrevi o último texto do blog, o clima político do país degringolou passando do estado de ebulição para fervente, e não se tem a menor indicação de que possa arrefecer. Enquanto confrontos com feridos tanto por parte dos manifestantes quanto dos policiais se acumulam, ressentimentos de lado a lado transformam as ruas das principais cidades em praças de guerra.

Algumas pessoas que acompanho nas redes sociais acham que podem tratar o tema como o fla-flu de sempre: uns tentam justificar a violência da polícia e outros se recusam a reconhecer os erros de condução dos líderes do movimento, criando a singela teoria da conspiração que afirma que os atos de vandalismo tinha sido feitos apenas por “PMs infiltrados”, quando eu vejo erros de todos os lados. A diferença é que as PMs não me surpreendem porque sempre agem com essa brutalidade, o que me surpreende é um movimento social permitir – ou não evitar que dá no mesmo – que manifestantes avulsos criem situações de descontrole, com depredação de patrimônio público e privado, que só prejudicam a imagem do movimento com a população.

A manipulação da imprensa já começou como previmos, da manifestação original pela redução do preço da passagem, as redações incluem seus desejos no rol de manifestações, e escondem quando são contra elas mesmas ou contra políticos e partidos que protegem. A clara intenção de pautar as manifestações, direcionando contra o governo federal, aponta de forma inequívoca suas intenções de repetir aqui a reviravolta pró-direita Espanha em 2011.

O que aconteceu na Espanha, em episódio muito recente, precisa servir de alerta para que a gente não deixe acontecer aqui. Relembrando: em 2008 a direita neoliberal gerou a pior crise econômica da história. A Espanha foi uma das mais atingidas, e o desemprego aumentou muito no país, o que gerou diversos protestos com clima de insatisfação, com o mesmo nível de violência visto aqui. Esse clima de insatisfação, alardeado tanto lá quanto cá, prejudica sempre quem está no governo, independente de partido. O povo que protestava contra os efeitos da crise, acabou seis meses depois elegendo o candidato da vertente politica responsável todas as mazelas da economia.

Se o PT e Dilma não agirem já para equilibrar o sistema de informação do país, o retrocesso vai ser bem pior e a Espanha será aqui.

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Eduardo Campos e o canto da sereia

camposOntem, O Brasil 247 deu uma notícia truncada alegando que o governador Eduardo Campos deu declaração se posicionando de forma contrária ao impeachment do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel. Hoje foi confirmada por outros jornais, e como está com aspas de declarações públicas, não me desperta a mesma desconfiança que tenho de “offs”.

Segundo Campos, Renan e aliados estariam planejando uma “retaliação” ao pedido de investigação contra o senador às vésperas da eleição para a presidência do Senado, hipótese essa que esse blogueiro duvida muito, pois conhece a covardia desses políticos do PMDB (e agora também Eduardo Campos e o PSB) para enfrentar interesses da grande mídia.

Para o governador, as graves acusações de prevaricar e cometer crime de responsabilidade por não apresentar denúncia e engavetar a operação VEGAS, permitindo que a quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira, que envolveu o senador Demóstenes Torres, à época no DEM, jornalistas da VEJA e arapongas, com tentáculos no governo de Goiás, de Marconi Perillo do PSDB, permanecesse cometendo os crimes por mais dois anos, só cessando quando  a Polícia Federal realizou nova operação chamada Monte Carlo, não são “suficientes” para o pedido de impeachment de Gurgel. Tudo bem para o governador se o PGR escolhe alvos pela coloração partidária.

A declaração não surpreende quem tem acompanhado a movimentação de Campos e seu fiel criador de balões de ensaio e líder do PSB, deputado Beto Albuquerque. O PSB vem tentando se alinhar aos desejos da grande mídia e faz parte das intenções do governador e claque para absorver o espólio do PSDB junto às empresas de comunicação, que vem percebendo as pequenas possibilidades deste partido voltar ao poder devido ao desgaste irreversível do governo FHC e frustradas experiências tucanas estaduais.

Esse alinhamento resulta em uma guinada à direita, semelhante a que o PSDB teve que dar para se adaptar as exigências de seus patrocinadores e mantenedores na mídia, porta-voz das elites, e isso significa abandonar de vez as bandeiras históricas do partido, que foram plantadas pelo avô de Campos, Miguel Arraes.

O novo PSB defende interesses golpistas representados pela ação do PGR, que não esconde intenções claramente políticas de suas ações, defende a concentração de mídia nas mãos de poucas famílias e já aumenta o tom das críticas públicas desleais ao governo Dilma.

Essa movimentação de Campos, levando o PSB para o colo dos recentes algozes do bloco político que até então fez parte, pode se tornar um erro estratégico irrecuperável. O crescimento do PSB nacional coincide com os governos Lula e Dilma e todo o apoio dado a integrantes desses partidos em eleições, e deve o sucesso desse crescimento em grande parte a esse apoio. Lula, assim como faz Dilma, sempre pediu votos a aliados e Campos só conseguiu vencer a aristocracia pernambucana com seu apoio, e assim foi em várias partes do Brasil.

Ou o PSB toma o lugar do PSDB e se torna o novo queridinho da mídia, ou se transforma em um satélite e murcha como o PPS, ou ainda se alinha a uma terceira via como a Marina, mas em todas as possibilidades fortalece a aliança PT-PMDB, que são os partidos com mais prefeituras, com bancadas parlamentares maiores e torna uma incógnita se o partido, fazendo oposição a Lula e Dilma, consegue manter a trajetória de crescimento que  conseguiu enquanto aliados deles.

Campos se deixa seduzir pelo canto da sereia dos que desejam ruptura da aliança que dá governabilidade ao governo, e em vez de conseguir o que almeja: a presidência da república, pode acabar se tornando um novo Aécio ou Roberto Freire,  façam suas apostas.

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Chavéz: Direita burra torce pela sua morte. Vai virar mito imbatível

vodu_chavezO que se passa tanto com a direita venezuelana, quanto com a brasileira, a espanhola e de vários outros países? Estão emburrecendo com o tempo? Onde estão os incensados homens preparados, perspicazes e estudados que seriam os “eleitos pelo DNA” para comandar os povos?

Há alguns anos atrás, jornais americanos declararam a morte do Cubano Fidel Castro. Segundo os paspalhos, Cuba estaria escondendo que Fidel estaria morto. O velhinho segue tão vivo que agora no final desse ano foi indicado para concorrer a uma das vagas de deputado em Cuba.

A torcida de simpatizantes da direita, e meios de comunicação com linha editorial direitista, pela sua morte foi maior que a prudência em confirmar fontes. Por aqui, os vira-latas trataram de repercutir as especulações, afinal tinham pouco compromisso com os fatos, e o que importava era alimentar o desejo doentio pela morte de um ícone da ideologia que eles desprezavam. E daí que fossem desmentidos? a maioria dos seus leitores eram (são) desprovidos mesmo de senso crítico.

Depois a situação se repetiu primeiro com Dilma e depois com Lula, que enfrentaram patologias de tratamento complicado. Nenhum tipo de pudor existiu em expor as famílias de quem atravessava período tão conturbado, e até boletim médico protegido pelo sigilo do paciente foi vazado pela sanha do sadismo. Nesse período, qualquer não notícia servia de propósito para escrever algo com a única intenção de levantar a bola para uma horda de degenerados encherem suas páginas de comentários repulsivos.

Agora, os necrófilos secam Hugo Chavéz, que realmente enfrenta problemas graves de saúde. As favas a dignidade humana, se eles pudessem vendiam a própria mãe pela chave do cofre da viúva. Mas se Chávez morre, o que os idiotas vão fazer além de satisfazer seus instintos desumanos? O homem sempre se vai, mas o seu trabalho fica. Venezuelanos não votam em Chávez pelo que ele é, mas pelo que ele representa, os seus projetos, a sua obra é o seu legado. Aqui também cometeram o mesmo erro e acharam que sem Lula na cédula poderiam vencer. Não aprendem.

Um encurralado Getúlio Vargas virou lenda após seu suicídio. Um contestado Kennedy depois que foi assassinado virou quase unanimidade nos EUA. Aqui nós temos um exemplo tupiniquim: O quase obscuro Tancredo quase virou santo depois da sua morte, virou herói da democracia.

Se Chávez morre agora, sob intensa comoção nacional, ele se tranforma em um oponente invencível nas próximas eleições, e nas seguintes, e depois e depois. A possível morte de Chávez pode ter a consequência de pulverizar a oposição ao Bolivarianismo do presidente Venezuelano. Seus seguidores se elegerão com facilidade, vão ter como principal cabo eleitoral nada menos que um mito.

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1964 ou 2010: Ao Lado de Conservadores, Serra Parte Para o "Tudo ou Nada"

Há alguns meses atrás, Marco Aurélio Garcia disse que Serra estava fadado a um fim de carreira política melancólico com a guinada à direita. Confesso que concordava com essas palavras, mas não esperava que fosse tão extremado esse fim.

Dilma venceu o primeiro turno, por pouco não venceu as eleições logo e pôs fim nessa guerra que demotucanos parecem não impor limites.

Nostalgia: Estaria Serra com saudade de 1964?

O discurso de Serra no dia da definição de que haveria segundo turno me assustou. Ele era o campeão da direita, apelativo, forçadamente nacionalista (sem o ser, todos sabem). Mas não me assustou por isso, mas por seu discurso transparecer duas coisas: uma guinada total para o radicalismo conservador e a decisão do vale-tudo no segundo turno.

Poderia ser impressão, já que eu havia dormido no sofá e acordei no início da fala do candidato demotucano. E, cá entre nós, não é a melhor forma de alguém ser acordado!

Contudo, me parece que não foi uma conclusão comprometida pelo susto que tomei ao acordar com Serra na TV. Dias depois do ocorrido, o tucano discursava como Udenista nato, nem sei se tão udenista, talvez estivesse mais para um membro do Partido Republicano norte-americano em vestimenta tupiniquim.

Serra clamou por valores morais, família, se dizendo temente a Deus, etc. Mas projeto de país que é bom, nada! Até a CNBB lamentou a decisão de desviar o foco principal do debate com temas religiosos.

"Trator sobre a própria mãe": Serra Acorda Fantasmas do Passado

E já que o candidato enveredou-se para um pseudo-moralismo cristão, vale a pena salientar que Serra optou pelo caminho largo, amplo, espaçoso, ao caminho estreito.

É mais fácil espalhar boatos, se aliar com antigos e históricos apoiadores do estado terrorista que governou o país por mais de 20 anos, como o TFP e o Clube Militar. É mais fácil atacar com moralismos que não competem a uma presidenta do que apresentar propostas alternativas para um país.

2010 - Revival!!

Do “caminho estreito”, mas honrado, Serra foge… não debate, ataca pelas costas, terceiriza seus ataques à velha mídia ou outras pessoas para não sujar as mãos e aparece no horário eleitoral como o “Serra do Bem”, “Ficha Limpa”… só ignora que já tenha 5 ações movidas contra si, apenas nessa campanha, por calúnia e difamação, mas isso é irrelevante tamanho é o “amor desse homem pelo Brasil e pela vida!”

Marco Aurélio Garcia estava certo quando falou do fim melancólico, mas acho que nem ele achava que as baixarias poderiam chegar a tal ponto.

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O DIA EM QUE A DEMOCRACIA VIROU REFÉM DOS BOATOS

Apenas na última semana de campanha tive acesso aos emails difamatórios e boateiros sobre a candidata petista Dilma Rousseff.

Logo que recebi pensei que esta poderia ser a última tentativa da oposição contra Dilma. Passei um dia inteiro recebendo e rebatendo emails que iam de relacionamento homossexual da candidata até declarações à la Beatles de que “nem Deus tiraria a eleição” das mãos dela.

Estes boatos começaram a aparecer em igrejas, onde alguns pastores ou padres enfurecidos atacavam, com uma ferocidade cristã invejável, a candidata governista. Outras vezes, alguns fiéis foram flagrados panfletando os textos anônimos, e sem provas, que correram pela internet.

Nessa mesma linha, soube que entre militares também correram boatos resgatados da guerra-fria. Mas isso não é manipulação, apenas um superior ensinando aos soldados que Dilma é um perigo para o Brasil.

Pois bem, na mesma semana que estes emails se intensificaram foi observada uma migração de votos, com Marina crescendo. Não era “onda verde”, era a “onda Marina”… esse comportamento não se refletiu em outras candidaturas do partido da ex-ministra, ao contrário da chamada “onda vermelha” que, esta sim, ocorreu.

Não se sabe ao certo de onde surgiram tais ataques e se eram mesmo para favorecer Marina…. A meu ver não, mas teve reflexo positivo nos números da verde.

Uma semana antes, o senador tucano Álvaro Dias havia declarado que se Marina crescesse poderia ajudar muito Serra, somando seus votos e o levando para o segundo turno. Era a única esperança a esta altura em que havia praticamente uma definição nos números das pesquisas. Toda elas.

Para uma campanha despolitizada nada melhor do que alguns boatinhos moralistas/religiosos para tirar votos! E não é novidade na cena eleitoral brasileira.

Em 2006, a então candidata ao senado pelo Rio de Janeiro, Jandira Feghali liderava nas pesquisas e acabou perdendo devido a uma mobilização parecida com esta do primeiro turno de 2010.

Nas últimas semanas para as eleições daquele ano era possível encontrar evangélicos e católicos afinadíssimo com documentos anônimos que recebiam nas portas das igrejas e com discurso de alguns líderes religiosos que orientavam seus fiéis a não eleger Jandira, inimiga do “cidadão de bem” e da “família cristã”.

Resultado: Jandira perdeu para Dornelles.

Essa nova cruzada moralista, que de cristã só tem o nome do local onde os boatos foram ecoados, é antiga e baixa. Quando eu dizia que a tal “onda verde” estava sendo turbinada por militantes tucanos travestidos de verde, quando Malafaia abandonou Marina e resultou em ataques, xingamentos dos mais baixos imagináveis, ficava claro como os eleitores que tuitavam e anabolizavam a tal onda eram mais parecidos com demotucanos do que qualquer outra militância, se podemos chamar assim.

Os próprios eleitores que votavam em Marina desde o início, foram se somando a outros que iriam votar nela para que a Dilma lésbica/assassina de crianças/terrorista/ateia, e seu vice, o “satanista” Michel Temer não entrassem.

No dia votação tinha fiel pregando pela rua para que não votassem em Dilma, pois ela teria um “cramunhãozinho” dentro do seu armário. Eu lembro dessa história!!! É reciclada do Walt Disney. Várias igrejas espalharam esse boato nos anos 80, junto com os famosos discos da Xuxa rodados ao contrário. Deve ser essa moda retrô… vai saber!

Devo salientar que só tomei conhecimento destes discursos na última semana, mas já estava inserido em muitas igrejas há mais tempo que isso. Estes boatos ajudariam Marina, já que Serra possui uma rejeição muito alta e dificilmente “roubaria” votos de Dilma.

Tais boatos e a influência deles sobre eleições mostram o quanto somos ainda moralistas e o quanto esses temas-tabus que ainda persistem na sociedade precisam urgentemente ser debatidos abertamente por todos nós. Do contrário a democracia se torna uma refém destes tabus, como se viu no primeiro turno.

Outra coisa importante é o fato de que ainda temos pouco o costume de socializar um problema, estes emails circulam há mais ou menos um mês, apenas na última semana pessoas começaram a tuitar os desmentidos. Inclusive o “Seja Dita Verdade” compilou grande parte deles e postou de forma extremamente prática para se consultar.

Temos que ter não apenas mobilização, mas troca de informações mais dinâmicas entre nós. O problema é que, a princípio, muitas coisas podem ser teoria da conspiração.

Este segundo turno vai depender muito da militância, eles virão para cima! Hoje tinha jornalista da Folha tuitando que a redação estava uma festa.

Esta festa se resume da seguinte forma: teremos mais 4 capas de Veja e 26 edições de Globo, Folha, Estadão e cia!

Vamos à luta!

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