O leitor do blog percebeu que desde que escrevi o último texto do blog, o clima político do país degringolou passando do estado de ebulição para fervente, e não se tem a menor indicação de que possa arrefecer. Enquanto confrontos com feridos tanto por parte dos manifestantes quanto dos policiais se acumulam, ressentimentos de lado a lado transformam as ruas das principais cidades em praças de guerra.
Algumas pessoas que acompanho nas redes sociais acham que podem tratar o tema como o fla-flu de sempre: uns tentam justificar a violência da polícia e outros se recusam a reconhecer os erros de condução dos líderes do movimento, criando a singela teoria da conspiração que afirma que os atos de vandalismo tinha sido feitos apenas por “PMs infiltrados”, quando eu vejo erros de todos os lados. A diferença é que as PMs não me surpreendem porque sempre agem com essa brutalidade, o que me surpreende é um movimento social permitir – ou não evitar que dá no mesmo – que manifestantes avulsos criem situações de descontrole, com depredação de patrimônio público e privado, que só prejudicam a imagem do movimento com a população.
A manipulação da imprensa já começou como previmos, da manifestação original pela redução do preço da passagem, as redações incluem seus desejos no rol de manifestações, e escondem quando são contra elas mesmas ou contra políticos e partidos que protegem. A clara intenção de pautar as manifestações, direcionando contra o governo federal, aponta de forma inequívoca suas intenções de repetir aqui a reviravolta pró-direita Espanha em 2011.
O que aconteceu na Espanha, em episódio muito recente, precisa servir de alerta para que a gente não deixe acontecer aqui. Relembrando: em 2008 a direita neoliberal gerou a pior crise econômica da história. A Espanha foi uma das mais atingidas, e o desemprego aumentou muito no país, o que gerou diversos protestos com clima de insatisfação, com o mesmo nível de violência visto aqui. Esse clima de insatisfação, alardeado tanto lá quanto cá, prejudica sempre quem está no governo, independente de partido. O povo que protestava contra os efeitos da crise, acabou seis meses depois elegendo o candidato da vertente politica responsável todas as mazelas da economia.
Se o PT e Dilma não agirem já para equilibrar o sistema de informação do país, o retrocesso vai ser bem pior e a Espanha será aqui.

O que se passa tanto com a direita venezuelana, quanto com a brasileira, a espanhola e de vários outros países? Estão emburrecendo com o tempo? Onde estão os incensados homens preparados, perspicazes e estudados que seriam os “eleitos pelo DNA” para comandar os povos?


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