Tag: eleições 2012

Serra, o amiguinho que cai na pilha!

Na gíria carioca (creio que outros Estados se use também essa expressão), a pessoa que “cai na pilha” é aquela que não aguenta brincadeiras e já parte pra discussão, ou para agressão física.

Serra caiu na pilha e baixou o nível.

O fato de ser, atualmente, o político que mais se envolve em confusões e situações inusitadas/constrangedora coincidiu com o aumento do número e participação do usuário na internet e a disseminação das peripécias do “Serra do bem”.

Só que Serra, outrora grande tuiteiro e “entusiasta da internet”, tem revelado resistência ao fenômeno da difusão e da diversidade de informação na rede. Isso desde de 2010, quando no auge das eleições atacou o que classificou de “blogueiros sujos”. Agora, mal iniciadas as eleições municipais, decidiu investir contra Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim. Mas isso não interessa nesse post, o que interessa é o fenômeno Serra.

Eleições 2010 - Serra de fofinho a grande religioso de direita

Nem Jânio Quadros chega aos pés (trocados) de Serra. De pula-pula a skate, ele é imbatível. E isso é uma síntese do que incomoda o eterno candidato à presidência: na internet tudo é captado. Desde piti com jornalista até a farsa da bolinha de papel.

Estão vendo só? Serra é um craque das situações inusitadas. E é isso que o povo gosta.

A elite brasileira sempre quis (e ainda quer) desqualificar Lula a todo custo. Serra, Merval, Tio Rei, Jabor (o grupo do Instituto Millenium), mas a elite não tem humor, só ódio, nojo. Humor é com o “povão”. E enquanto Lula não sai da boca espumada da zelite, Serra não escapa do olhar bem-humorado do povo.

Ao invés de mostrar propostas, prefere atacar jornalistas e blogs. Curiosamente Serra e o PSDB batem agora na mesma tecla que Gilmar Mendes, no auge de seu ataque de nervos pós-denúncia contra Lula, bateu: financiamento de blogueiros por empresas estatais. Mais uma vez, não entrarei nesse assunto.

Pensemos: quantos políticos foram objeto de brincadeiras tanto quanto Serra nas últimas eleições. Bateu até o Tiririca! É o nosso fenômeno!

E quantos somam 37% de rejeição nas pesquisas? É isso! Um craque!

Serra e o Skate: A foto original e as derivações

Quando estamos no ensino fundamental existe uma regra que minimiza a “zoação” por parte daquele amiguinho popular (para toda regra há exceções, claro): Se você não é popular e revida com agressividade, vai se dar mal. Muitas vezes quando entra na brincadeira e leva numa boa, corre o risco de se enturmar com o grupinho ameaçador.

Serra quis revidar, e ficou mais divertido fazer troça dele. Como não quer revelar que a divulgação de fatos (como o livro “Privataria Tucana”) e fotos/vídeos (pula-pula, kimono e skate) o incomodam, tenta desarticular quem (na cabeça dele) estaria por trás da disseminação desses fatos. E processa desafetos, com aval do PSDB e coro de alguns “jornalistas” comprometidos com a liberdade de opinião e de (ou da) imprensa.

A brincadeira com políticos e pessoas públicas não é de hoje. Mesmo Lula e Dilma sofrem brincadeiras, algumas até de extremo mal gosto e de raiz preconceituosa. Mas Serra se sente “O” injustiçado, “O” perseguido… quase um messias mal compreendido pelas ovelhas desgarradas. Culpa do Lulo-petismo, nas palavras do nosso imortal.

O tal “Lulo-petismo”, acusado de anti-democrático por 1552 representantes da elite com espaço em colunas de jornais e revistas, nunca demonstrou tanto incômodo com a internet e a diversidade de ideias. Inclusive a ameaça do “lulo-petismo” é exatamente essa, aumentar a diversidade de ideias.

Para a sociedade fica cada vez mais claro quem se incomoda com a democracia e a pluralidade de informação e ideias. São os mesmos que se incomodam com o PROUNI, que deixa entrar preto e pobre nas universidades, com o Bolsa-Família, com as cotas nas universidade públicas… e que declaram apoio à golpistas do Paraguai e mandam representante até lá para apertar a mão do presidente que tomou o poder.

Mas hoje é dia de alegria, hoje é dia de Serra! De roupinha fashion a medo de skate. De fundamentalista religioso de direita, em 2010, a Censor em 2012. O que seria de nossa política sem figuras tão inusitadas como estas?

Algo bem melhor do que temos hoje, certamente!

Serra Fashion: SerraInova lançou o modelo queridinho da zelite!

 

 

Siga o autor no Twitter!

Eleições 2012: Em Mesquita, PT enfrentará o Jogo do Bicho

Mesquita é a cidade mais nova da Baixada Fluminense e a pouca idade (12 anos desde sua emancipação), pode ser notada por sua imaturidade urbana e política. E 2012 é o ano em que a maturidade política vai ser posta à prova.

Além da usual briga política de quadros locais e/ou remanescente da “cidade mãe”, Nova Iguaçu, nestas eleições um fato novo domina a disputa: o principal candidato, André Taffarel (PT), atualmente vereador da bancada aliada do prefeito Artur Messias (PT), vai enfrentar o ex-prefeito da cidade vizinha, Nilópolis, Farid Abraão (PDT).

Farid (a esquerda), Anísio e Simão Sessim (o sorridente)

Farid Abraão (politicamente Abrão) é conhecido não apenas por ter sido diversas vezes prefeito de Nilópolis, mas também por suas ligações com a Escola Beija-Flor de Nilópolis (da qual já foi presidente) e por ser irmão do contraventor Anísio Abraão David. O grupo político ligado à Anísio, que já domina a política em Nilópolis, tenta desta vez um nome de peso para entrar na política Mesquitense (sonho que parece não ser novo) e consolidar a família Abraão como a principal força política na região.

Uma matéria do JB online, de 2011 aborda a força política do contraventor em sua cidade:

Principal expoente de uma família enraizada nas estruturas de poder do município da Baixada Fluminense, ele talvez seja, atualmente, o melhor exemplo da influência que os grandes banqueiros do bicho exercem sobre os rumos do poder nos locais onde se estabelecem e como podem influenciar a política em nível estadual e até mesmo nacional.

A “família política” de Anísio, porém, não se limita ao sobrenome “Abraão”. Há também os “Sessim”! O mais conhecido deles é Simão Sessim (PP). Primo de Anísio e Farid, Simão Sessim é o político de Nilópolis com maior peso em âmbito nacional.

No momento em que o Brasil se espanta com a revelação da operação Monte Carlo que mostrou os tentáculos da quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira em partidos políticos, empresas e órgãos de imprensa, é curioso que um contraventor como Anísio, já preso (e solto) várias vezes em operações da PF contra jogos ilegais e lavagem de dinheiro, continue com tanta desenvoltura na política do Rio de Janeiro.

Mesmo após a operação da PF que prendeu Anísio sob acusação de exploração de jogo ilegal duas vezes só em 2012 (Janeiro, depois Março), o contraventor ainda mantém forte influência com um círculo de amizade que talvez deixe um Cachoeira morrendo de inveja: de Globais a políticos, passando por empresários e “agentes da lei”.

Mas essa influência parece nunca ter sido abalada. Das inúmeras vezes que foi preso em operações da PF ou da Justiça (a primeira em 1993, em uma mega operação judicial liderada pela juíza Denise Frossad onde cumpriu 3 anos na prisão), Anísio não aguardou muito para obter o Habeas Corpus. Na mais recente operação da PF que prendeu Anísio (novamente??!!), ficou claro o incômodo do secretário de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro com a máfia que comanda os jogos ilegais no Estado. Beltrame se manifestou garantindo a continuidade no combate às máfias dos jogos ilegais no Estado, mesmo que os contraventores venham a obter liberdade no judiciário.

Em Mesquita, o prefeito Artur Messias está em seu segundo mandato. O equívoco que foi a emancipação (justificável em cidades como Duque de Caxias) se reflete na incapacidade de, a médio prazo, sanar problemas como saneamento e desenvolvimento urbano. Se Mesquita é elogiada na área de políticas sociais, alguns pontos “estéticos” prejudicam a cidade – como também prejudica cidades vizinhas como São João de Meriti e a própria cidade natal do atual candidato da família Abraão.

Além disso, Mesquita parece ser uma cidade com o processo eleitoral ainda muito volátil, vulnerável à qualquer mudança de humor. Nova Iguaçu (Município a que Mesquita pertencia), aos trancos e barrancos, consegue manter um equilíbrio democrático em suas eleições Municipais, além de estrutura e grande arrecadação. Por sua vez, Nilópolis não pode se vangloriar tanto como tenta!

Entre 1983 e 2009, a cidade teve apenas seis prefeitos. Destes, 4 pertencem ao grupo Abraão-Sessim (o atual é Sérgio Sessim). Alguma dúvida do domínio do grupo neste Município?

Quando ainda havia dúvida se Farid Abrão iria se candidatar por Nilópolis ou por Mesquita, Simão Sessim (irmão do atual prefeito de Nilópolis) resumiu o que todos sabem:

Nossa família está unida como sempre esteve. Ela só é forte, unida. Unidos, nós ganhamos todas as eleições e vamos continuar ganhando

No blog Mesquita em Foco ainda faz uma observação: a “família mantém o comando político em Nilópolis, desde 1966, com a eleição de Jorge Abraão David (falecido).”

Ainda sobre essa hegemonia, em entrevista ao jornal O Dia, o  subsecretário estadual de Defesa e Promoção de Direitos Humanos, Antonio Carlos Biscaia (PT) também comenta a influência da família de Anísio na política da cidade:

O domínio completo da família do Anísio na vida política da cidade pode ser comprovada pelo número de parentes eleitos. Eles têm dois deputados (o federal Simão Sessim, do PP, primo de Anísio, e o estadual Ricardo Abrão, do PDT, sobrinho) e o prefeito (Sérgio Sessim, do PP, sobrinho).

e mais:

O jogo do bicho nunca deixou de existir. Os chefões apenas evoluíram nos seus negócios, mas a ligação deles com o crime organizado continua, seja em participações nos homicídios ou em ligações com o comércio de drogas e armas.

Com este cenário político, o candidato André Taffarel terá dois desafios: Mostrar o lado positivo da gestão atual e deixar claro que não é apenas uma disputa contra um adversário com ideologia e propostas diferentes, mas uma disputa contra um grupo político com ligações fraternas com uma das maiores (senão a maior) máfia de exploração do jogo ilegal do Estado do Rio de Janeiro.

Isso tudo em uma região onde os valores são sensivelmente distorcidos e contraventor desfila em carro aberto como herói na vitória de sua Escola de Samba.

——–

Em tempo: Curioso ver o grupo de Anísio/Farid Abrão dentro do PDT, o mesmo partido que no Rio de Janeiro tem um deputado federal que compete pelos holofotes na CPMI do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Farid Abrão é o atual presidente do partido em Mesquita.

O que será que Miro Teixeira acha disso? Falaria grosso contra essa candidatura?

E o presidente do PDT, Carlos Lupi, alguma palavrinha sobre o domínio da família de Anísio Abraão no PDT de Nilópolis e de Mesquita?

——–

Em tempo 2: O PSOL de Mesquita preferiu lançar candidato próprio. Novidade?

Talvez nas eleições de lá, o partido preferisse se coligar com Farid Abrão ao PT. Freud explica…

 

Atualização 04/09/2012

Em tempo 3: Farid Abrão é processado por superfaturar remédios

“O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF/RJ) entrou na Justiça com ação de improbidade administrativa contra o prefeito de Nilópolis, Farid Abraão David, o secretário de saúde, Kiraz Constantine Karraz, o presidente da comissão de licitação, Nilton Gama Tibães, e as distribuidoras de remédios Farmed e Sobramate. O procurador da República Carlos Bruno Ferreira da Silva, autor da ação, alega que o município comprou medicamentos com valores 116,09% acima dos divulgados pelo Banco de Preços do Ministério da Saúde.

A ação está baseada em relatório do Departamento de Auditoria do SUS (Denasus) sobre o uso de recursos repassados pela União, em 2003, para o Incentivo à Assistência Farmacêutica Básica. Naquele ano, a prefeitura, além de não transferir a contrapartida municipal, usando verbas exclusivamente federais, adquiriu, em apenas uma das licitações, por cerca de R$ 147 mil medicamentos estimados em R$ 68 mil pelo Ministério da Saúde. Na comparação de cada item, as diferenças praticadas variam de 12,31% (injeção de Penicilina G Benzatina) a 1.560% (comprimido de Ranitidina).”

http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_patrimonio-publico-e-social/mpf-rj-prefeito-de-nilopolis-e-processado-por-superfaturamento

Siga o autor no Twitter!

‘O Brado Retumbante’ e as eleições para a prefeitura de São Paulo

Por DiAfonso [Terra Brasilis]

O Brado Retumbante, minissérie global que estreou no último dia 17, seria uma obra de ficção?

É a pergunta que todos andam fazendo. Eu diria – em função de uma leitura muito particular – que, em certo sentido, sim. Mas, se deitarmos um atento olhar para alguns coincidentes detalhes que vão surgindo ao longo da “trama ficcional”, ele nos revelará, aos poucos, que a ficção cede lugar à maquiavélica construção de uma realidade que se pretende instaurar num futuro não muito distante.

A obra foi escrita por Euclydes Marinho que contou com a colaboração de Nelson Motta, Denise Bandeira e… Guilherme Fiuza.

Fiuza, como se sabe, é um notório articulista da oposição sem rumo que tenta, sem sucesso, retomar o poder e compartilhá-lo com uma elite pouco afeita ao papel de coadjuvante em uma sociedade que vem se construindo, desde o Governo Lula, a partir do principal personagem: o povo.

Se juntarmos – num caldeirão bruxo-midiático – a Rede Globo [emissora que veicula a minissérie] e, especialmente, o colaborador Fiuza, teremos uma “diabólica porção mágica” cujo intuito é intervir nos processos eleitorais que se avizinham: 2012 e 2014.

A trama, conduzida com intenções subliminares, almeja dar vida a personagens, por assim dizer, pouco “ficcionais”, se os compararmos a algumas figuras da política brasileira contemporânea.

Quem não reconhece, por exemplo, Aécio Neve no papel de Paulo Ventura [Domingos Montagner]? Os instintos aecianos [ou pelo menos o que se divulga sobre a "insaciabilidade" do senador mineiro... ou será carioca?] estão lá presentes no presidente Paulo Ventura [a simples consulta a um dicionário, nos dará os sentidos possíveis para o sobrenome "Ventura"... Façamos um entrelaçamento entre o semântico e a realidade política atual e teremos algumas hipóteses interessantes].

A tênue barreira entre “ficção” e realidade política foi duramente tencionada no capítulo desta sexta-feira, dia 20. A temática posta em algumas cenas não deixa dúvidas de que ficção e realidade são a mesma coisa [!]. Ficou claro que a emissora, pelas mãos do autor e colaboradores [não nos esqueçamos do Guilherme Fiuza!], tem um propósito nada ficcional. Vejamos:

Antônia Ventura, professora de história e esposa do recém-empossado presidente, recebe do professor e amigo Guilherme um pen drive com informações confidenciais e importantes que podem gerar um escândalo no Ministério da Educação. O conteúdo do arquivo está relacionado à “qualidade histórica” dos livros didáticos adotados pelo Ministério… Alguma coincidência?

Três dados interessantes podem ser “eleitos” neste episódio:

  1. o primeiro é que Fernando Haddad – Ministro da Educação do Governo Lula e, também, do Governo Dilma – se viu bombardeado pelos veículos midiático-golpistas no caso do livro didático Por uma vida melhor;
  2. o segundo [e emblemático] é que Haddad é candidato do PT à prefeitura de São Paulo e foi escolhido por Lula. Será que o PSDB e os grupos midiáticos estão temerosos de que um novo “poste” comece a andar e dê luz ao final do pleito? Dilma está aí… Nunca é demais lembrar.
  3. o terceiro [e sintomático] é que o nome do personagem que desencadeia as denúncias contra o Ministro da Educação é o mesmo do colaborador: Guilherme ou “Gui” em algumas cenas e Guilherme Fiuza, respectivamente. Aqui, parece-me um deslavado cabotinismo e um explícito culto à personalidade.

Assim é que, a partir das denúncias de Guilherme [Chamado de "bonitão" pela mãe do presidente... Olha o culto à imagem do Fiuza... pelo próprio Fiuza?!?], o “fictício” Ministério da Educação entra na alça de mira. Não nos esqueçamos de que a mídia golpista, no mundo real, não deu sossego às ações levadas a cabo por Fernando Haddad, enquanto ministro da pasta.

Pode-se entrever algumas não “meras coincidências” ao longo do capítulo [O brado da primeira-dama].

Pode-se entrever, também, uma tentativa desesperada de um certo conluio midiático-partidário em decepar, no nascedouro, uma possível tomada de poder da prefeitura de São Paulo pelo PT.

Haddad, pela possibilidade de ser o “ungido” – assim como foi Dilma Rousseff -, está no olho do furacão midiático.

Acompanhe comentários nos vídeos postados aqui e aqui.

Siga o autor no Twitter!

Switch to our mobile site