Para entender o nível de radicalização da mídia nacional e o total descontrole de determinados jornalistas na defesa de factóides pueris é preciso acompanhar de perto certos casos, e esse assunto “reunião da lina” é simbólico para que nós possamos ver até que ponto estão dispostos a arriscar suas reputações.
A denúncia em si é auto ridicularizada desde o início, porque na entrevista original a folha, a ex-secretária disse que não tinha a data e horário, mas estariam na sua agenda pessoal, que estaria embalada por causa de mudança, e passados alguns dias, quando cobrada da agenda, a imprensa saiu em sua defesa alegando que nem todos os encontros são registrados em agendas oficiais. Ora bolas, ninguém estava falando em agenda pública e sim nas anotações pessoais onde a ex-secretária tinha afirmado inicialmente estarem anotados os registros de data e horário do encontro. Em um exercício de malabarismo intelectual inacreditável passaram a defender a hipótese que uma secretária da receita federal, com várias assessoras e secretárias, não teria anotado em lugar algum um encontro com uma autoridade pública. Será que os encontros eram guardados de cabeça?
No depoimento comemorado pelo governo, a ex-secretária não apresenta prova alguma, e a saída para os dublês de jornalistas e psicólogos era insistir que ela tinha sido “convincente”na CCJ e que não tinha “motivo” para mentir. O ponto que ainda sustentava o factóide era o “lapso de memória” da ex-secretária e seu staff, incapaz de definir o período da reunião em um intervalo de dois meses, o que contrastava com a boa memória revelada ao citar os detalhes da roupa da ministra, todos os passos dentro da casa civil e a transcrição exata do “diálogo” travado com a ministra.
Sem provas e com várias contradições o factóide tinha destino certo junto aos tantos outros que foram desmontados pelos fatos, daí cometeram o erro fatal que foi citar uma data: em matéria de O Globo do dia 20/08, a jornalista (?) Leila Swwan afirma textualmente que políticos tucanos haviam dito que a ex-secretária lhes teria afirmado em off que a data do encontro foi o dia 19 de Dezembro (Clique aqui para ler), em um teste de hipóteses após remexer na agenda pública da ministra Dilma Houssef.
Imediatamente o jornalista (sic) Ricardo Noblat põe em prática o manual do jornalismo marrom, e repercute o teste de hipóteses, dando a informação caráter de fato confirmado (Clique aqui para ler). Para Completar, hoje o Elio Gaspari, mesmo depois de ter sido descoberta a impossibilidade do encontro se dar nessa data, porque tanto a ministra como a ex-secretária não estavam em Brasília, embarca de vez na canoa furada.
O que acontece quando os criadores e repercutidores de factóides são pegos na mentira? sim, porque alguem mentiu: Leila Swwan/Noblat, o informante tucano ou a ex-secretária. Nada, fingem que não fizeram a suposição do dia 19, fazem cara de paisagem, não dão satisfação aos seus leitores como se não tivessem cometidos barrigas, e partem sem-cerimônia para o plano B, afinal eles tem certeza inalienável de que seus leitores são bestas sem senso crítico e que os demais cúmplices da imprensa vão tratar de sepultar o teste de hipóteses que não vingou.
O plano B foi anunciado justamente pelo mesmo que correu para repercutir o dia 19, como data do encontro, agora a Lina, pasmem senhores, sabe a data mas não vai dizer por medo do governo. (Regina Duarte II, a missão). (Clique aqui para ler). A cara de pau do Noblat já ultrapassou todos os limites imagináveis.
A pergunta que fica e que eles não podem silenciar é: afinal quem mentiu sobre a data do dia 19/12, Leila Swwan/Noblat, o informante tucano ou a Lina Vieira?
Siga o autor no Twitter!
Últimos comentários