out 232011
 

 A revista VEJA quis que eu me indignasse, mas eu ri.

 

Trajetória Torta

A VEJA gosta de ditar regras. E de forma arcaicamente didática, gosta de organizar em tópicos o que pensa.

Foi assim na campanha do desarmamento quando, independente da opinião que cada brasileiro tinha (tem), lançou uma matéria-propaganda com o título “7 razões para votar NÃO”.

Sim, a palavra “não” era em letras garrafais, e foi a primeira vez que eu vi a VEJA com outros olhos. Era notório ali que havia um interesse acima do jornalístico. Talvez lobby da indústria armamentista? Talvez.

A suspeita de que VEJA estampa em suas capas matérias encomendadas é antiga e corriqueira.

Na época em que a ANVISA começou a se movimentar para proibir (ou restringir) a venda de medicamentos proibidos na Europa inteira e nos EUA, a revista lançou a capa-campanha “Por que é ruim proibir a venda”.

Por que é ruim? Porque a Indústria Farmacêutica irá perder MILHÕES!

Esse pano rápido foi só para introduzir o que quero falar sobre a capa de hoje (22/10) da mesma revista… ou seria um panfleto do quem pagar leva?

O problema maior nisso tudo é que não só a VEJA cai no descrédito, mas toda a grande mídia.

Somado a isso, recentemente a revista se meteu em uma confusão que só pode ser comparada com o caso do magnata da mídia, Rupert Murdoch.

Um jornalista da revista, para conseguir um grande furo “jornalístico” tentou invadir a suite onde estava hospedado o ex-ministro José Dirceu em tentativas seguidas, inclusive se passando por um político de Varginha. O caso está sendo investigado pela PF e a revista, após a matéria (que foi capa) se calou.

Por essas e outras, alguns leitores passaram a questionar o que é publicado nas páginas da revista.

O lado bom: não há mais o poder de manipulação que tinha anos atrás.

O lado ruim: denúncias verdadeiras podem nascer já desacreditada pelo simples fato de serem publicadas pela revista.

Cansados e Indignados:Varre, varre vassourinha

Agora a revista VEJA, como diversos outros grandes meios de comunicação, partiram para a campanha do moralismo.

A onda é estampar com destaque as palavras “FAXINA” e “CORRUPÇÃO”.

A grande mídia inventou a máquina do tempo e nos transportou de volta aos anos 60. O que vemos parece um deja vu das campanhas moralistas que levaram Jânio Quadros ao governo e que impulsionaram as marchas pré-golpe.

As faixas da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” pedia as mesmas coisas que a marcha incentivada pela mídia (só faltam os comunistas, questão de tempo).

Ricardo Kotscho disse que essas marchas “reúnem jovens idealistas dispostos a combater a corrupção e velhos malacos cansados, sempre em busca de um atalho para chegar ou voltar ao poder, atacando o governo federal, com ou sem razão.”

Seriam apenas “velhos” os malacos cansados?

Se lemos os blogs da própria revista VEJA, vemos comentários de jovens intolerantes e indiferentes à democracia e ao que significa o Estado democrático de Direito. E estes brutamontes alimentam internautas desavisados com seus “ideais” e assim a vida segue.

Afinal, foram velhos intolerantes quatearam fogo no índio Galdino? São estes que espancam gays na avenida paulista?

O fracasso da nova edição do “movimento cansei”, agora chamado “movimento contra corrupção” e que a velha imprensa agora passa a chamar de “Indignados”, pegando (totalmente fora de contexto, diga-se) de um movimento mundial, está na sua raiz.

No mundo inteiro, entre os indignados está o povo representado. No “movimento” brasileiro a maioria é de senhores engravatados, mauricinhos e madames da high society.

 

Por que a VEJA e os outros meios não mostram os verdadeiros indignados?

Os verdadeiros não estão em escritórios conspirando, mas sob o viaduto do chá neste exato momento. Estão lá protestando, mas a grande imprensa se cala. Prefere, claro, a “massa cheirosa”.

Pensando na massa (a não tão cheirosa, segundo o conceito imortalizado por Cantanhêde), a revista da família Civita trouxe em sua capa o que tem de melhor e pior: bela arte gráfica e ideia extremamente conservadora, respectivamente.

Enquanto alguns possam se indignar, eu caio na gargalhada com chamada tão patética.

Em uma tentativa clara de angariar novos cansados, a revista apela para a sensibilização do povão: A corrupção agora é, enfim, levada ao cotidiano da maioria dos brasileiros. Ela agora não é mais moral, mas economicamente odiável (novidade? Pra mim sempre foi assim!).

Embora não se cubra, por exemplo, as denúncias de corrupção que ocorre na Assembléia Legislativa em SP, embora tenha se precipitado advogando a favor de Daniel Dantas, VEJA se indigna com a corrupção a nível federal. Devem dizer: “Indignação seletiva, sim, mas indignação”.

 

Indignação: A capa que me fez rir

A capa lista algumas opções para o leitor “escolher” para ficar indignado:

- Poderíamos erradicar a miséria.

- Poderíamos ter saúde (pública não, pelo texto é privada mesmo) de qualidade.

- Contruir mais de 1 milhão de casa (populares? Pelo jeito não).

- Reduzir os juros

etc…

Mas aí VEJA volta a ser VEJA! Não poderia ser diferente…

No meio de todas as possibilidades pro povão ler, eis que a revista lança duas pérolas:

- O dinheiro desviado na corrupção, poderia DAR a cada brasileiro um PRÊMIO de 443 reais!!!!

E, fechando com chave de ouro: Com dinheiro “surrupiado”, daria para comprar 18 MILHÕES de… bolsas de luxo.

Pára tudo. Pára… só podem ter errado, fui à banca de jornal e está lá! Com todas as letras B-O-L-S-A-D-E-L-U-X-O

Agora VEJA pegou pesado, a mais clara tentativa de golpe estampada na capa da maior revista semanal desse país.

Só espero para os próximos dias o caos, a destruição, indignados engravatados e peruas do Leblon empunhando vassouras verde-amarelas, desinfetadas, claro!

Todos nos salões, escritórios e shoppings revoltados, cansados, lamentando porque cada brasileiro poderia ter embolsado R$ 443,00. Quase um bolsa-família (poderiam ter dado este destaque na capa, não?). E a curiosidade: convertendo, quantas viagens à Europa essa grana roubada daria?

Poderia ser mais uma das opções!

A capa da VEJA desta semana, quando bati o olho, me causou indignação. Não a que ela incita, na verdade pelo papel prestado. Depois, lendo vi o quão primário e patético realmente é. Um verdadeiro exemplo do quanto a revista da família Civita desconhece a realidade do país que diz retratar.

 

Atualização (23/10): E para dar continuidade à clássica tabelinha Veja-Globo, o Jornal O Globo de hoje repercute a capa da revista dos Civita.

São 67 bilhões “surrupiados” em 8 anos de corrupção. Sugestivo, não?

Afinal, a mentira repetida pelos barões da mídia é de que o governo Lula teria inventado a corrupção no Brasil. Antes dele, o Brasil era o país que vai pra frente e seus governantes enviados especialmente por Deus para conduzir essa grande nação. Corrupção? Apenas em livros de ficção ou de história escrito por esquerdistas insatisfeitos.

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out 082010
 

Há alguns meses atrás, Marco Aurélio Garcia disse que Serra estava fadado a um fim de carreira política melancólico com a guinada à direita. Confesso que concordava com essas palavras, mas não esperava que fosse tão extremado esse fim.

Dilma venceu o primeiro turno, por pouco não venceu as eleições logo e pôs fim nessa guerra que demotucanos parecem não impor limites.

Nostalgia: Estaria Serra com saudade de 1964?

O discurso de Serra no dia da definição de que haveria segundo turno me assustou. Ele era o campeão da direita, apelativo, forçadamente nacionalista (sem o ser, todos sabem). Mas não me assustou por isso, mas por seu discurso transparecer duas coisas: uma guinada total para o radicalismo conservador e a decisão do vale-tudo no segundo turno.

Poderia ser impressão, já que eu havia dormido no sofá e acordei no início da fala do candidato demotucano. E, cá entre nós, não é a melhor forma de alguém ser acordado!

Contudo, me parece que não foi uma conclusão comprometida pelo susto que tomei ao acordar com Serra na TV. Dias depois do ocorrido, o tucano discursava como Udenista nato, nem sei se tão udenista, talvez estivesse mais para um membro do Partido Republicano norte-americano em vestimenta tupiniquim.

Serra clamou por valores morais, família, se dizendo temente a Deus, etc. Mas projeto de país que é bom, nada! Até a CNBB lamentou a decisão de desviar o foco principal do debate com temas religiosos.

"Trator sobre a própria mãe": Serra Acorda Fantasmas do Passado

E já que o candidato enveredou-se para um pseudo-moralismo cristão, vale a pena salientar que Serra optou pelo caminho largo, amplo, espaçoso, ao caminho estreito.

É mais fácil espalhar boatos, se aliar com antigos e históricos apoiadores do estado terrorista que governou o país por mais de 20 anos, como o TFP e o Clube Militar. É mais fácil atacar com moralismos que não competem a uma presidenta do que apresentar propostas alternativas para um país.

2010 - Revival!!

Do “caminho estreito”, mas honrado, Serra foge… não debate, ataca pelas costas, terceiriza seus ataques à velha mídia ou outras pessoas para não sujar as mãos e aparece no horário eleitoral como o “Serra do Bem”, “Ficha Limpa”… só ignora que já tenha 5 ações movidas contra si, apenas nessa campanha, por calúnia e difamação, mas isso é irrelevante tamanho é o “amor desse homem pelo Brasil e pela vida!”

Marco Aurélio Garcia estava certo quando falou do fim melancólico, mas acho que nem ele achava que as baixarias poderiam chegar a tal ponto.

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out 032010
 

Apenas na última semana de campanha tive acesso aos emails difamatórios e boateiros sobre a candidata petista Dilma Rousseff.

Logo que recebi pensei que esta poderia ser a última tentativa da oposição contra Dilma. Passei um dia inteiro recebendo e rebatendo emails que iam de relacionamento homossexual da candidata até declarações à la Beatles de que “nem Deus tiraria a eleição” das mãos dela.

Estes boatos começaram a aparecer em igrejas, onde alguns pastores ou padres enfurecidos atacavam, com uma ferocidade cristã invejável, a candidata governista. Outras vezes, alguns fiéis foram flagrados panfletando os textos anônimos, e sem provas, que correram pela internet.

Nessa mesma linha, soube que entre militares também correram boatos resgatados da guerra-fria. Mas isso não é manipulação, apenas um superior ensinando aos soldados que Dilma é um perigo para o Brasil.

Pois bem, na mesma semana que estes emails se intensificaram foi observada uma migração de votos, com Marina crescendo. Não era “onda verde”, era a “onda Marina”… esse comportamento não se refletiu em outras candidaturas do partido da ex-ministra, ao contrário da chamada “onda vermelha” que, esta sim, ocorreu.

Não se sabe ao certo de onde surgiram tais ataques e se eram mesmo para favorecer Marina…. A meu ver não, mas teve reflexo positivo nos números da verde.

Uma semana antes, o senador tucano Álvaro Dias havia declarado que se Marina crescesse poderia ajudar muito Serra, somando seus votos e o levando para o segundo turno. Era a única esperança a esta altura em que havia praticamente uma definição nos números das pesquisas. Toda elas.

Para uma campanha despolitizada nada melhor do que alguns boatinhos moralistas/religiosos para tirar votos! E não é novidade na cena eleitoral brasileira.

Em 2006, a então candidata ao senado pelo Rio de Janeiro, Jandira Feghali liderava nas pesquisas e acabou perdendo devido a uma mobilização parecida com esta do primeiro turno de 2010.

Nas últimas semanas para as eleições daquele ano era possível encontrar evangélicos e católicos afinadíssimo com documentos anônimos que recebiam nas portas das igrejas e com discurso de alguns líderes religiosos que orientavam seus fiéis a não eleger Jandira, inimiga do “cidadão de bem” e da “família cristã”.

Resultado: Jandira perdeu para Dornelles.

Essa nova cruzada moralista, que de cristã só tem o nome do local onde os boatos foram ecoados, é antiga e baixa. Quando eu dizia que a tal “onda verde” estava sendo turbinada por militantes tucanos travestidos de verde, quando Malafaia abandonou Marina e resultou em ataques, xingamentos dos mais baixos imagináveis, ficava claro como os eleitores que tuitavam e anabolizavam a tal onda eram mais parecidos com demotucanos do que qualquer outra militância, se podemos chamar assim.

Os próprios eleitores que votavam em Marina desde o início, foram se somando a outros que iriam votar nela para que a Dilma lésbica/assassina de crianças/terrorista/ateia, e seu vice, o “satanista” Michel Temer não entrassem.

No dia votação tinha fiel pregando pela rua para que não votassem em Dilma, pois ela teria um “cramunhãozinho” dentro do seu armário. Eu lembro dessa história!!! É reciclada do Walt Disney. Várias igrejas espalharam esse boato nos anos 80, junto com os famosos discos da Xuxa rodados ao contrário. Deve ser essa moda retrô… vai saber!

Devo salientar que só tomei conhecimento destes discursos na última semana, mas já estava inserido em muitas igrejas há mais tempo que isso. Estes boatos ajudariam Marina, já que Serra possui uma rejeição muito alta e dificilmente “roubaria” votos de Dilma.

Tais boatos e a influência deles sobre eleições mostram o quanto somos ainda moralistas e o quanto esses temas-tabus que ainda persistem na sociedade precisam urgentemente ser debatidos abertamente por todos nós. Do contrário a democracia se torna uma refém destes tabus, como se viu no primeiro turno.

Outra coisa importante é o fato de que ainda temos pouco o costume de socializar um problema, estes emails circulam há mais ou menos um mês, apenas na última semana pessoas começaram a tuitar os desmentidos. Inclusive o “Seja Dita Verdade” compilou grande parte deles e postou de forma extremamente prática para se consultar.

Temos que ter não apenas mobilização, mas troca de informações mais dinâmicas entre nós. O problema é que, a princípio, muitas coisas podem ser teoria da conspiração.

Este segundo turno vai depender muito da militância, eles virão para cima! Hoje tinha jornalista da Folha tuitando que a redação estava uma festa.

Esta festa se resume da seguinte forma: teremos mais 4 capas de Veja e 26 edições de Globo, Folha, Estadão e cia!

Vamos à luta!

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set 232010
 
Hoje seria um dia marcado por um ato organizado por jornalistas e blogueiros com a participação de sindicatos e movimentos sociais em São Paulo contra a tentativa da imprensa em eleger seu candidato, custe o que custar. Nem que seja atropelando o processo eleitoral e opinião pública.

Mal foi anunciada, pelo Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé, começaram a surgir artigos desqualificando os jornalistas e os movimentos participantes. Chamando-os de Chapa-Branca.

Para uma imprensa marrom… nada demais.
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Hoje não será o Dia D apenas para esse ato. Em uma jogada estratégica a imprensa escalou para o mesmo dia algumas peripécias.
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A jogada é simples até para leigos, você escala alguns eventos no mesmo dia, um em SP, um no RJ e um outro em âmbito nacional com meia dúzia de pessoas (ou nenhuma, como na internet) para ofuscar um evento, com número considerável de pessoas, contra a tentativa da Velha Imprensa em eleger seu candidato.

As peripécias de hoje serão as seguintes:

1- Entrevista com o “Casseta” Marcelo Madureira (do Instituto Millenium), no site da rede mobiliza atacando a falta de liberdade imposta pelo governo.

2- Lançamento de vinhetas raivosas contra Dilma e o PT pregando o medo de um governo comunista (sem brincadeira, é essa a ideia passada).

Lembram da Regina Duarte em 2002?? Está bem pior.

Tanto que nem querem colocar na TV, apenas espalhar pela internet. Até o Marqueteiro de Serra repudiou tal atitude.

No youtube nem mesmo no canal do partido está, para não vincular o crime eleitoral diretamente à campanha.

3- O “encontro do século”! O Instituto Millenium se reunirá com o Clube Militar para confabularem sobre o risco que a democracia brasileira vem correndo. Déjà Vu de 64?

Vamos aguardar o final desse dia para ver a repercussão de cada um desses eventos.

Adianto o seguinte:

JN e afins – Sindicalistas reclamam da liberdade de imprensa, enquanto “intelectuais” manifestam-se a favor da democracia.

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set 152010
 

Essa semana parece que a velha mídia começou um ensaio. Ensaio este com a participação especialíssima de figurões da antiga e da “neodireita”.

Não bastassem as acusações (desmentidas e sem provas) da revista-panfleto Veja contra a Casa Civil e a nova ministra, tendo como alvo principal a candidata Dilma Rousseff; a semana começou com alguns outros escândalos. Um seguido de outro, num verdadeiro bombardeio.

Primeiro foi com Lula, quando afirmou que o DEM deveria ser extirpado, por tudo que ele (mal) representa para a política brasileira, pelo seu papel claro de oposição golpista que vem desempenhando desde a eleição de 2002.

Vídeo da fala de Lula: watch?v=oembZhJlkAo

Marcelo Tas alterou a frase e disse que “Lula quer acabar com a oposição”. Foi a deixa! Toda a oposição começou a repetir essa modificação da frase do presidente.

FHC comparou Lula a Mussolini e disse que Lula “virou um militante e um chefe de uma facção”.

O “Mestre” FHC, que Paulo Henrique Amorim chama de Farol de Alexandria, deu a senha:

Acho até que caberia uma consulta ao STF porque, se você não tiver instrumentos para conter essa vontade política, fica perigoso

E mais:

Alguma instância tem de dizer que o presidente está extrapolando e abusando do poder político de maneira contrária aos fundamentos da democracia”.

Rodrigo Maia e Tasso Jereissat foram na onda de FHC e compararam Lula a Hitler. Não basta mais chamá-lo de Chávez, parece que não cola, tem que pegar mais pesado.

“Está sendo feita uma lavagem cerebral. Não vou ligar que Lula é popular, mas Hitler era popular, Mussolini era popular, Stroessner era popular”

Incrivelmente o Grupo Folha decidiu que seu premiado comercial de 1987 deveria voltar a circular, seja lá qual tenha sido o motivo desta decisão, soa muito estranho quando é o mesmo jornal que sua diretora-superintendente assume que os Jornais, hoje, atuam como oposição:

“E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada.”

O comercial, que posto abaixo, cita os índices ótimos na economia e emprego durante o governo Nazista, cita o ditador como um homem normal e amado pelo povo… o comercial foi premiadíssimo, é muito bem feito (como tudo da W/Brasil) e não seria nada demais se não contextualizamos com o momento atual onde a oposição e a velha mídia tenta, de todas as maneiras, colar o autoritarismo no perfil de Lula e de sua candidata, Dilma Rousseff, e a oposição cita com todas as letras o ditador nazista.

Comercial da Folha: watch?v=nd9R7ZxhjJ8

A nova investida da oposição não é tão nova assim, a oposição parece se inspirar no Golpe em Honduras, o encara como um bom exemplo para ser seguido. Segundo o “intelectual” Arnaldo Jabor e seus patrões, um “Golpe Democrático”. Tanto que forçaram uma justificativa constitucional para criticar a condenação da OEA e do governo brasileiro ao Golpe encabeçado por Roberto Micheletti.

A coisa é séria, mais séria do que muitos estão encarando. Alguns líderes religiosos conservadores estão pregando em seus cultos que Dilma é ateia, a favor do aborto e contra a liberdade religiosa, coisa que a justiça eleitoral proíbe. Vídeos espalhados no youtube começaram a ser postados na semana passada e o jornalista Rodrigo  Vianna já havia alertado em sua página.

Segundo texto, que me soou um tanto quanto conspiratório, estavam sendo preparados vídeos contra Dilma que iriam se espalhar pela internet e tinham conteúdo difamatório.

Menos de uma semana depois da postagem destes vídeos, a esposa de Serra, Mônica Serra, em passagem pelo Rio de Janeiro deu uma de histérica e praticamente gritou em praça pública que Dilma seria a favor do aborto: “Ela é a favor de matar as criancinhas”, gritou a madame para um vendedor ambulante.

A Senha para o Golpe

Voltando ao FHC, a frase do ex-presidente é fundamental para o que pode estar por vir e que já vem sendo tentado desde o início das eleições, a tentativa de vitória nos tribunais. O golpe branco, a virada de mesa ou tapetão. Como achar melhor.

Começou com a enxurrada de representações no MPE, pedidos de cassação da candidatura da candidata petista e agora com o apelo de FHC para que o supremo “abra o olho” para o que ele considera abusos antidemocráticos.

Tudo isso é confuso, eu sei… mas é isso, a velha mídia está confundindo pra confundir mesmo. A instabilidade é a única esperança, seja para realizar os desejos de FHC ou para levar as eleições para o 2o Turno, pois Serra leva uma surra nas pesquisas realizadas.

Enquanto isso a “esquerda” ou quem sempre se definiu assim, se cala. Nem Plínio, nem Marina, nem ninguém se manifesta a não ser para exibir as relações Freudianas atacando o ex-partido.

Parece que o processo democrático é secundário, ignoram o golpismo da campanha de José Serra que se iniciou na internet com ataques pessoais, publicação da Ficha Falsa de Dilma na primeira página da Folha e os seguidos “escândalos” que começam a estampar todas as capas de Folha, Globo, Estadão e Veja.

A oposição da Mídia não se limita aos jornais, membros do Casseta&Planeta atuam com seu humorismo ativamente em seus blogs e em depoimentos no youtube, Marcelo Tas escreve sistematicamente em seu twitter criticando Dilma, insinuando que Eike Batista comprou terno de Lula para agradecer pelo empréstimo do BNDES, além das capas de revista criticando duramente o governo e tentando tornar Serra O perfeito, mesmo assim vendem a ideia de que o Brasil está sob censura ou na iminência de uma.

Apesar disso os demais partidos só fazem engrossar o coro da direita e falam apenas o que interessa à velha mídia para ter alguns segundinhos nos telejornais.

A única forma que a direita sabe fazer oposição é com golpe. A diferença agora é a maior presença da internet em lares brasileiros possibilitando desmentir quase que em tempo real o que é invenção. A tática é a mesma de 64, de 89, de 2002 e 2006, mas eles não esperavam por este contra-ataque. Por isso essa agressividade, pondo em risco o que resta de credibilidade da mídia.

A venheta de 45 anos da Globo foi uma das primeiras demonstrações da força da internet. A vinheta dizia “mais saúde, mais educação, queremos mais”. O slogan da campanha de Serra era “O Brasil pode Mais”.

Em menos de 24h a Rede Globo decidiu retirar a vinheta do ar após começarem comentários nas redes sociais.

Ainda temos pela frente 3 capas de Veja, 17 edições de Jornais e muita disposição da oposição em criar um fato novo.

Eu não sei tudo que está em jogo, mas deve ser imensurável a ponto de tentarem reverter a vontade popular que, segundo as últimas pesquisas, é de 50% para Dilma contra 26% para Serra.

Ps.: Só para se ter a ideia do nível e do desespero vejam essa matéria que O Globo fez com esotéricos sobre Dilma e Lula. Isso eles chamam de jornalismo.

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