dez 272011
 

Hoje a coluna do historiador Marco Antonio Villa vem falando sobre o tão comentado vulto “fascista” do “petismo”. Isso é o que o título sugere, mas os alvos verdadeiros de Villa são Amaury Ribeiro e o livro “A Privataria Tucana”.

Na coluna, o historiador queridinho da velha mídia chama o livro de panfleto e o autor é rebaixado a um jornalista qualquer, desconsiderando seu histórico profissional. Covarde, Villa ataca a Rede Record e as vozes que repercutiram o lançamento do livro nas redes sociais como a “rede onde o jornalista dá expediente” e as “centenas vozes de aluguel” que repercutiram o lançamento. A tática adotada por Merval e Serra: ataques genéricos a alvos específicos.

O democrata-historiador-millenar, Villa, mostra a que veio:

Diz no último parágrafo: “O panfleto deveria ser ignorado. Porém, o Ministério da Verdade petista, digno de George Orwell, construiu um verdadeiro rolo compressor.”

Normal para os membros do clubinho de que participa. Foi no mesmo Millenium que Arnaldo Jabor declarou que adoraria impedir “o pensamento de uma velha esquerda” que, para ele, “não deveria mais existir no mundo”.

Villa – neste texto, que tenta maquiar como se fosse uma defesa da pluralidade de opinião – mostra o mesmo: quer silenciar um livro-reportagem.

Ele se mostra indignado em várias partes: acusa o autor e partidariza a obra (como panfleto petista) – na tentativa de desqualificar o trabalho e enterrar uma possível CPI?

A tentativa de partidarizar o trabalho de Amaury é um “evento” interessante. Tanto membros do PSDB, quanto o imortal Merval Pereira e, agora, Marco Antonio Villa repetem exageradamente. Parece até que combinaram.

Ainda como Merval (e Serra), o texto de Villa se mostra incomodado com a blogosfera, que fica sugerido em “centenas vozes de aluguel”. Afinal, que vozes são essas?

Twitter, Facebook, Orkut, Google+…. BLOGS!! O grande terror da atualidade, que dessa vez mostrou a força e surpreendeu os mais céticos, impedindo que um fato relevante fosse abafado pela velha mídia.

Por isso somos “Blogs Sujos”, “Blogueiros Chapa Branca” e “Vozes de aluguel” segundo a trindade Serra-Merval-Villa. Pura coincidência, claro!

Villa, no sexto parágrafo, só falta dizer “Serra, eu te amo”, tamanha a tentativa de defender o ex-governador.

Enquanto Villa nos entope com o “fascismo petista”, eu lembro uma frase nazista de Joseph Goebbels “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. As tentativas de partidarizar a obra e desqualificar o autor se enquadrariam nesta frase?

Villa tenta atribuir ao PT um perfil fascista, poderoso e quase sobrenatural que lembra bastante a tática Americana com a decrépita União Soviética durante a guerra-fria. E tem gente que compra a ideia.

Junto ao pacote, o historiador cita o ministério da verdade (do romance 1984, de George Orwell) para atacar o livro e os governos petistas que, segundo sua teoria, no auge do seu autoritarismo, passa por cima de fatos com informações impostas.

Villa deve estar longe do país.

Não deve ler a revista Veja, assistir TV, ou mesmo ler os jornais que publicam suas colunas. Villa poderia largar o clube de leitura do Orwell que deve ocorrer no Millenium e olhar para o Brasil. Se há incômodo com a pluralidade de pensamento e opinião, é lá que ele terá exemplos claros. Nem precisará perder tempo para criar teorias conspiratórias.

Villa ataca todos os governos petistas, democraticamente eleitos (goste ou não) comparando a um grande espectro fascistoide que ameaça o país – “O PT não terá dúvida em rasgar a Constituição”, diz a certa altura. Mas o historiador-democrata passa uma imagem autoritária ao desejar que o livro nunca tivesse chegado aos leitores e classificando a obra como panfleto, sugerindo que seria um dossiê encomendado pelo PT. Fica parecendo aquela frase de Goebbels .

Parece vir de alguém que se incomoda com a democracia.

o texto referido neste post aqui

adendo 28/12 – 15:33:

Meus gnominhos me sopram no ouvido:

- Então, pela lógica do historiador-democrata, os livros “Lula é minha Anta”, “O Lulismo no poder”, “O dicionário de Lula”, “O País dos Petralhas” e “Nunca antes na história deste país” escaparam heroicamente do rolo compressor do ministério da verdade petista?

e mais:

- Pelo que o ilustríssimo expõe, podemos concluir então que estes livros são também panfletos… da oposição!

Conclusões tardias, gnomos!

 

Siga o autor no Twitter!

out 292011
 

A grande imprensa e os paladinos da liberdade (da imprensa, apenas) somem, ou fogem, de um gravíssimo caso que fere a independência da pesquisa científica e a liberdade do corpo acadêmico em desenvolver estudos e gerar conhecimento.

Este mês o Jornal do Brasil online publicou que a ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) – famosa por sua atuação na região da Baia de Sepetiba – está movendo uma ação contra pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Hospital Pedro Ernesto (UERJ). Tudo isso por causa de pesquisas onde são apontados danos à população local causados pela atividade da CSA .

Segundo o jornal (confirmado pelo site da Escola Nacional de Saúde Pública – ENSP/Fiocruz), o pneumologista e pesquisador Hermano Castro, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e o engenheiro sanitarista Alexandre Pessoa Dias, da Fiocruz, são alvos das ações da Thyssen. Além de Mônica Cristina Lima, bióloga do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Uerj).

Agora só falta soltarem os cães sobre os pesquisadores da Fiocruz

Segundo o JB, a lista de malefícios à população é extensa. A pesquisadora Mônica Lima disse ao jornal que o “risco de câncer e aborto espontâneo a longo prazo devido aos gases tóxicos, além de casos de alergia relacionados ao material expelido pela empresa” já são bem relatado na literatura abordando atividade de siderúrgicas. Porém foram ignorados no estudo de impacto ao meio ambiente (RIMA) encomendado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e realizado pela empresa de consultoria ERM Brasil.

Mas essa introdução toda foi para chegar ao ponto crucial para este texto: A CSA quer calar os pesquisadores tentando qualificar os estudos independentes como “danos morais” (tática cada vez mais utilizada ultimamente por grandes empresas para calar quem as contradiz).

A questão é séria e o silêncio da imprensa bem estranho!

O desfecho neste caso, se for parar na justiça, pode definir o exercício livre da pesquisa científica no país. Se a justiça entender que realmente os estudos científicos se caracterizam danos morais à CSA, imaginem a enxurrada de processos que teremos contra estudos avaliando o impacto desde um boteco na esquina que lança esgoto em um rio, até grandes corporações, como indústria de cosméticos ou petrolífera que representam uma ameaça ainda maior (com relação à sua estrutura).

Poderão calar qualquer um. Desde estudos que apontem malefícios de medicamentos (como recentemente com emagrecedores a base de anfetaminas) até o risco de instalação de empreendimentos que potencialmente impactariam o meio ambiente.

Sem falar no conflito de interesses envolvido no caso. Como garantir que uma empresa contratada pelo interessado atuaria com lisura no estudo dos possíveis impactos de determinada obra ou atividade, embora posteriormente tenham, ou não, que se explicar às autoridades quanto aos resultados de tais estudos?

Dá para entender como se daria isso?

Quem seria a autoridade quando a empresa contratada para o estudo, foi contratada pela “autoridade” (no caso o Governo do Estado)? Essa é uma outra questão séria que está começando a despertar a atenção no país. 

O mesmo jornalismo investigativo, que se auto-intitula independente se cala neste momento (é só fazer uma busca rápida no google para constatar isso).

Quando, na falta de jornalismo e autoridades independentes, querem calar até pesquisa científica, necessária para geração de conhecimento e livre para contestar casos como este, se acende o sinal amarelo.

Apenas um jornal (online e de média abrangência se comparamos com O Globo e Folha) noticiou o caso. Na internet poucos blogs tratam do assunto, para mim, infinitamente mais importante do que se ministro cai ou não. Ministros caem e sobem em questão de dias. Já mordaças, podem durar décadas.

Em tempo: Segundo a matéria do JB “A ThyssenKrupp não tem um histórico exatamente positivo. Um dos mais notórios líderes da empresa, Alfried Krupp, foi condenado após a Segunda Guerra Mundial por crimes de guerra graças a sua estreita relação com o governo nazista. Nos tempos de Hitler, a 23% dos 100 mil trabalhadores da Krupp eram prisioneiros de guerra e trabalhavam em regime de escravidão.”


 

Atualização (18:20): 

Dia 20 de outubro o Blog Maria Frô já havia noticiado os impactos socioambientais causados pela TKCSA.

ABRASCO manifesta seu apoio ao pesquisador Hermano Albuquerque de Castro

A Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO) vem a público se solidarizar com o pesquisador Dr. Hermano Albuquerque de Castro, membro do Grupo Temático de Saúde e Ambiente da ABRASCO e docente da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), diante da tentativa de desqualificação técnica a ele perpetrada pela empresa ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). Após dois graves acidentes, ocorridos por falhas no processo da siderurgia, a população vizinha à fábrica instalada em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro, foi atingida por poluentes ambientais. Ambos episódios geraram queixas e exacerbações de doenças entre a comunidade vizinha ao empreendimento. O pesquisador prontamente atendeu e acolheu a população que procurou o ambulatório de doenças ocupacionais e ambientais daquela Instituição. O atendimento gerou um laudo orientador para a Saúde Pública onde se aponta a necessidade de maiores investigações e vigilância por parte das autoridades públicas. O empreendimento, ao invés de buscar o diálogo e o desenvolvimento de ações necessárias para proteger a saúde a população, e desse modo agir dentro do princípio precaucionário da Organização Mundial de Saúde, preferiu desqualificar publicamente o pesquisador, distribuindo à comunidade um folheto corporativo de conteúdo panfletário e distorcido. Veja o documento completo clicando aqui.

Email da pesquisadora Mônica Lima denunciando a intimidação sofrida.

Denúncia do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz

Portal ENSP

 

 

 

Siga o autor no Twitter!

out 232011
 

 A revista VEJA quis que eu me indignasse, mas eu ri.

 

Trajetória Torta

A VEJA gosta de ditar regras. E de forma arcaicamente didática, gosta de organizar em tópicos o que pensa.

Foi assim na campanha do desarmamento quando, independente da opinião que cada brasileiro tinha (tem), lançou uma matéria-propaganda com o título “7 razões para votar NÃO”.

Sim, a palavra “não” era em letras garrafais, e foi a primeira vez que eu vi a VEJA com outros olhos. Era notório ali que havia um interesse acima do jornalístico. Talvez lobby da indústria armamentista? Talvez.

A suspeita de que VEJA estampa em suas capas matérias encomendadas é antiga e corriqueira.

Na época em que a ANVISA começou a se movimentar para proibir (ou restringir) a venda de medicamentos proibidos na Europa inteira e nos EUA, a revista lançou a capa-campanha “Por que é ruim proibir a venda”.

Por que é ruim? Porque a Indústria Farmacêutica irá perder MILHÕES!

Esse pano rápido foi só para introduzir o que quero falar sobre a capa de hoje (22/10) da mesma revista… ou seria um panfleto do quem pagar leva?

O problema maior nisso tudo é que não só a VEJA cai no descrédito, mas toda a grande mídia.

Somado a isso, recentemente a revista se meteu em uma confusão que só pode ser comparada com o caso do magnata da mídia, Rupert Murdoch.

Um jornalista da revista, para conseguir um grande furo “jornalístico” tentou invadir a suite onde estava hospedado o ex-ministro José Dirceu em tentativas seguidas, inclusive se passando por um político de Varginha. O caso está sendo investigado pela PF e a revista, após a matéria (que foi capa) se calou.

Por essas e outras, alguns leitores passaram a questionar o que é publicado nas páginas da revista.

O lado bom: não há mais o poder de manipulação que tinha anos atrás.

O lado ruim: denúncias verdadeiras podem nascer já desacreditada pelo simples fato de serem publicadas pela revista.

Cansados e Indignados:Varre, varre vassourinha

Agora a revista VEJA, como diversos outros grandes meios de comunicação, partiram para a campanha do moralismo.

A onda é estampar com destaque as palavras “FAXINA” e “CORRUPÇÃO”.

A grande mídia inventou a máquina do tempo e nos transportou de volta aos anos 60. O que vemos parece um deja vu das campanhas moralistas que levaram Jânio Quadros ao governo e que impulsionaram as marchas pré-golpe.

As faixas da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” pedia as mesmas coisas que a marcha incentivada pela mídia (só faltam os comunistas, questão de tempo).

Ricardo Kotscho disse que essas marchas “reúnem jovens idealistas dispostos a combater a corrupção e velhos malacos cansados, sempre em busca de um atalho para chegar ou voltar ao poder, atacando o governo federal, com ou sem razão.”

Seriam apenas “velhos” os malacos cansados?

Se lemos os blogs da própria revista VEJA, vemos comentários de jovens intolerantes e indiferentes à democracia e ao que significa o Estado democrático de Direito. E estes brutamontes alimentam internautas desavisados com seus “ideais” e assim a vida segue.

Afinal, foram velhos intolerantes quatearam fogo no índio Galdino? São estes que espancam gays na avenida paulista?

O fracasso da nova edição do “movimento cansei”, agora chamado “movimento contra corrupção” e que a velha imprensa agora passa a chamar de “Indignados”, pegando (totalmente fora de contexto, diga-se) de um movimento mundial, está na sua raiz.

No mundo inteiro, entre os indignados está o povo representado. No “movimento” brasileiro a maioria é de senhores engravatados, mauricinhos e madames da high society.

 

Por que a VEJA e os outros meios não mostram os verdadeiros indignados?

Os verdadeiros não estão em escritórios conspirando, mas sob o viaduto do chá neste exato momento. Estão lá protestando, mas a grande imprensa se cala. Prefere, claro, a “massa cheirosa”.

Pensando na massa (a não tão cheirosa, segundo o conceito imortalizado por Cantanhêde), a revista da família Civita trouxe em sua capa o que tem de melhor e pior: bela arte gráfica e ideia extremamente conservadora, respectivamente.

Enquanto alguns possam se indignar, eu caio na gargalhada com chamada tão patética.

Em uma tentativa clara de angariar novos cansados, a revista apela para a sensibilização do povão: A corrupção agora é, enfim, levada ao cotidiano da maioria dos brasileiros. Ela agora não é mais moral, mas economicamente odiável (novidade? Pra mim sempre foi assim!).

Embora não se cubra, por exemplo, as denúncias de corrupção que ocorre na Assembléia Legislativa em SP, embora tenha se precipitado advogando a favor de Daniel Dantas, VEJA se indigna com a corrupção a nível federal. Devem dizer: “Indignação seletiva, sim, mas indignação”.

 

Indignação: A capa que me fez rir

A capa lista algumas opções para o leitor “escolher” para ficar indignado:

- Poderíamos erradicar a miséria.

- Poderíamos ter saúde (pública não, pelo texto é privada mesmo) de qualidade.

- Contruir mais de 1 milhão de casa (populares? Pelo jeito não).

- Reduzir os juros

etc…

Mas aí VEJA volta a ser VEJA! Não poderia ser diferente…

No meio de todas as possibilidades pro povão ler, eis que a revista lança duas pérolas:

- O dinheiro desviado na corrupção, poderia DAR a cada brasileiro um PRÊMIO de 443 reais!!!!

E, fechando com chave de ouro: Com dinheiro “surrupiado”, daria para comprar 18 MILHÕES de… bolsas de luxo.

Pára tudo. Pára… só podem ter errado, fui à banca de jornal e está lá! Com todas as letras B-O-L-S-A-D-E-L-U-X-O

Agora VEJA pegou pesado, a mais clara tentativa de golpe estampada na capa da maior revista semanal desse país.

Só espero para os próximos dias o caos, a destruição, indignados engravatados e peruas do Leblon empunhando vassouras verde-amarelas, desinfetadas, claro!

Todos nos salões, escritórios e shoppings revoltados, cansados, lamentando porque cada brasileiro poderia ter embolsado R$ 443,00. Quase um bolsa-família (poderiam ter dado este destaque na capa, não?). E a curiosidade: convertendo, quantas viagens à Europa essa grana roubada daria?

Poderia ser mais uma das opções!

A capa da VEJA desta semana, quando bati o olho, me causou indignação. Não a que ela incita, na verdade pelo papel prestado. Depois, lendo vi o quão primário e patético realmente é. Um verdadeiro exemplo do quanto a revista da família Civita desconhece a realidade do país que diz retratar.

 

Atualização (23/10): E para dar continuidade à clássica tabelinha Veja-Globo, o Jornal O Globo de hoje repercute a capa da revista dos Civita.

São 67 bilhões “surrupiados” em 8 anos de corrupção. Sugestivo, não?

Afinal, a mentira repetida pelos barões da mídia é de que o governo Lula teria inventado a corrupção no Brasil. Antes dele, o Brasil era o país que vai pra frente e seus governantes enviados especialmente por Deus para conduzir essa grande nação. Corrupção? Apenas em livros de ficção ou de história escrito por esquerdistas insatisfeitos.

Siga o autor no Twitter!

set 252011
 

Por DiAfonso

Eis que, nesta manhã de domingo, leio o noticiário e me vejo diante da presença de Rafael Mascarenhas na mídia… de novo. Informava a notícia que o Red Hot se apresentara no Rock in Rio trajando uma camisa com a estampa do Rafael.

Não acreditei que essa exposição midiática ainda persistia [uma coisa é noticiar, outra...]. Numa hora, centenas de amigos grafitam, ilicitamente, as paredes do Túnel Acústico em homenagem ao filho de Cissa Guimarães [com a anuência dela, inclusive]; noutra hora, famosos prestigiam, num restaurante do Rio de Janeiro [!!!], o aniversário de morte do rapaz. Entre as celebridades, Guta Stresser, Patrícia Travassos e Caetano Veloso. Este interpretou seis canções e fez com que todos os presentes cantassem com ele.

Sinceramente…

Sou pai. Amo demais meus três filhos, minha energética* filhinha [que fará dois anos no próximo dia 28 de setembro] e Sophia [que ainda está "morando" na barriga da mãe até dezembro deste ano]. Quem foi agraciado pela materno-paternidade [não encontrei referência a essa palavra no léxico português] e a ela se entrega como a um sacerdócio, sofre ao ter que conviver com a perda de algum dos seus rebentos. É natural que a saudade invada, cace e persiga impiedosamente mães e pais que passam por tal infortúnio. A dor parece esgarçar ainda mais – e indefinidamente – uma alma já cindida por tão sofrida ausência.

Creio ser assim com a atriz Cissa Guimarães. Sei que sofre com a perda de Rafael Guimarães. Entretanto, é necessário que se diga [a partir, claro de uma determinada concepção de ver o mundo circundante] ser necessário, também, buscar a superação e não tentar “ressuscitar” o filho que se foi por meio da espetacularização midiática [e nesse aspecto, Cissa tem tido o apoio tentacular da poderosa Globo e da mídia corporativa, de um modo geral]. A meu ver, ela é conivente com esse espetáculo e até o estimula.

Tentar eternizar uma tragédia que se quer esquecida pelos lances que lhe deram forma, contrariando, inclusive, normas legais [como foi o caso da "grafitagem" no túnel - chamam de "painel". Fosse um ato promovido por algum pai ou mãe e amigos desvalidos socialmente, seria pichação e delito passível de pena] é publicizar um sofrimento que deve ser vivenciado pelo seleto grupo dos que conviveram com Rafael. E só.

Não consigo entender porque Cissa Guimarães insiste em colaborar com a midiatização dessa dor e até promovê-la, como se toda a sociedade tivesse a obrigação de assistir a este “espetáculo”. Expor a memória de seu filho morto – da forma como está se dando – revela o inconformismo com algumas caras verdades, inclusive relativas ao próprio Rafael.

Fala-se, aos borbotões, da tragicidade. Demonizam Rafael Bussamra por cometer homicídio doloso [quando há intenção de matar], por ter fugido do local sem prestar socorro à vítima. Fala-se da tentativa de corrupção ativa, da participação em corrida não autorizada em via pública, tudo isso perpetrado pelo acusado. Fala-se do envolvimento de agentes públicos [os tais policias militares que cobraram R$ 10 mil de propina para passar uma borracha no ocorrido].

O mais importante, no entanto, não se valoriza: o acusado foi denunciado pelo Ministério Público, os policiais foram também denunciados e presos. Ou seja, o processo legal, do ponto de vista da justiça, segue seu rito normal. A justiça está sendo feita ou em vias de se efetivar.

Um outro dado também tem sido relegado ao esquecimento. Rafael Mascarenhas contribuiu, involuntariamente, para a consumação do acidente, pois a área estava interditada. Isso valia para qualquer um: seja para o filho de Cissa Guimarães, seja para o autor do atropelamento, Rafael Bussamra.

É uma pena que o Rafael Mascarenhas tenha se ido de forma tão trágica. É uma pena que um outro jovem, o Rafael Bussamra, tenha causado a morte de alguém e tentado infringir a lei [o que não se concretizou, felizmente]. É uma pena que muitos passem pelo que o filho de Cissa passou e não mereçam a célere decisão da justiça. Os que são injustiçados não carecem de espetacularização, mas de justiça feita.

Quanto a isso, Cissa Guimarães não tem do que reclamar, como já se disse acima. Ela precisa, sim, é parar de santificar o filho por meio dos veículos de comunicação que fazem desses fatos um grande show e guardar, em silêncio profundo, o que sente pelo filho. Ah… E não colaborar com a transgressão da lei… Se pichar é proibido para A, deve ser para B, também.

A Cissa Guimarães, familiares e amigos de Rafael Guimarães, expresso, como pai, meus profundos e sinceros respeitos pela dor que sentem. Só não concordo com essa extensiva exposição midiática. Mas, aí, já não é comigo…

*Sobre o termo “energético”, leia aqui.

Siga o autor no Twitter!

dez 282010
 

Quem aqui conhece Mário Marques, ou Alvaro Pereira Júnior?

Mário Marques “filho” é jornalista. Filho porque seu pai também se chama Mário Marques, e é um tucano muito conhecido na baixada fluminense, deputado e ex-prefeito de Nova Iguaçu.

Nesses dias de enxurrada de “especialistas”, diria que é jornalista especialista em música pop e independente. Até quando eu acompanhava era um bom  jornalista, com novidades sobre bandas Indies e suas colunas, tanto no JB, quanto no O Globo sempre traziam algo interessante de se conhecer.

Alvaro Pereira Junior vai além! Jornalista,  químico, escreve no folhateen, crítico musical e redator-chefe do Fantástico. Ficou conhecido (pra mim) após uma troca de farpas com Ed Mota no Altas Horas.

O Indie é um gênero musical com fortes influências de pós-punk, eletropop e rock alternativo que muitas vezes está correndo por fora gravando em pequenas gravadoras e tentando manter uma autonomia sobre sua produção intelectual.

MM filho tinha uma revista chamada Laboratório Pop – não me lembro, mas acho que cheguei a ir em uma festa de aniversário (ou lançamento) que aconteceu no Teatro Odisséia, na Lapa. Agora apenas o site Laboratório Pop e um Blog pessoal.

Mas algo mudou no coração ou no cérebro de Mário Marques. Parece que o filho e o pai se fundiram, as matérias e opiniões do jornalista se tornou algo esquizofrênico que parece uma mistura de Arnaldo Jabor, Regina Duarte e todos os pulsantes pensamentos do Instituto Millenium. Com um diferencial, ele toma o Indie Rock como pretexto para disseminar o que pensa deste ou daquele governo.

Existe um movimento cultural – que não irei aqui julgar se é legítimo ou não – que reúne vários festivais da cena independente por todo o Brasil, o qual o jornalista veio a chamar de “Sindicato dos Indies”. Esse tal “Sindicato” reúne assossiações, organizações ou rede de trabalho como a Abrafin e Fora do Eixo que se propõem a estimular o intercâmbio entre bandas e festivais na cena independente.

MM escreveu uma matéria para o Lab. Pop chamada “Guarde esta coluna“, onde reproduz um texto  do jornalista global, Álvado Pereira Júnior “insinuando que jornalistas especializados se beneficiam dos recursos captados pelo sindicato de Cuiabá em comes e bebes e curadoria de eventos e que a entidade se encarrega de tentar “bombar” algumas bandas.” e complementa “A coluna de Alvaro Pereira Junior, entretanto, não cita o quão ruim é a curadoria do sindicato”.

Daí em diante começam os ataques que passam por UNE, PC do B, Petrobras e Governo Federal. Começam críticas que lembram as mesmas feitas ao Bolsa Família, sem exageros: “Não tenho nada contra patrocínio estatal. Desde que ensine o artista a andar e depois ele que se vire. Como no Canadá, na Dinamarca, na Escócia.”

Como disse, as críticas de Alvaro Pereira, reproduzida por Mário Marques, não querem atingir o “movimento”, “sindicato” ou qualquer outro nome que queira dar. O jornalista apenas usa o gênero musical para atacar o governo federal e outras instituições que o apoiam.

Seria esse o caminho que fatalmente seguem os jornalistas comprometidos com a “causa global”?

Este pensamento fica claro em vários posts, principalmente do blog pessoal de Mário Marques.

“A molecada que está chegando agora – está chegando? – dos jornalistas-blogueiros aos curadores da Abrafin, tem uma memória semelhante à do Lula, o presidente que eliminou da memória os avanços e a estabilidade construídos por FHC num passado recente. Para eles, o jornalismo indie  e os festivais começaram agora”.

Não há música aí! É apenas o mesmo discurso entoado durante toda a campanha demotucana em 2010. Esse é só mais um achado, mais uma pérola do que foi 2010 e o que pode vir a ser os próximos 4 anos.

Como disse, não estou aqui para defender um ou outro lado.

O que Alvaro Pereira Junior e Mário Marques fazem em seus textos não é defender uma pluralidade ou melhor qualidade na cena Indie, mas usá-lo como pretexto para atacar desafetos políticos. Poderia ser um pouco honesto aos leitores que acreditam que ele aborda, exclusivamente e acima de tudo, o cenário independente brasileiro.

Já que falam tanto em pluralidade, porque não usam a ANJ e Abert como dois grandes, e bons, exemplos para comparação?

É a velha história da janela suja do vizinho…

Siga o autor no Twitter!

Switch to our mobile site